Por Cláudio Soares*
A guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia ultrapassa quatro anos e segue como uma das maiores crises geopolíticas do século XXI. Quando determinou a invasão, em fevereiro de 2022, o presidente russo Vladimir Putin apostava em uma ofensiva rápida, com a expectativa de tomar Kiev em poucos dias. A resistência ucraniana, porém, apoiada por países do Ocidente, frustrou os cálculos do Kremlin e transformou o conflito em uma guerra prolongada, de alto custo humano, militar e econômico.
Ao longo desse período, milhares de civis e militares morreram, cidades foram devastadas e milhões de pessoas deixaram suas casas. O conflito também redesenhou alianças internacionais, aprofundou tensões entre a Rússia e países da Europa e da América do Norte e afetou diretamente o mercado global de energia.
Leia maisNo Brasil, a condução da política externa diante da guerra tem sido alvo de críticas e debates. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende uma posição de neutralidade diplomática e propõe mediação para o fim do conflito. Críticos, no entanto, avaliam que declarações e iniciativas do governo brasileiro soam alinhadas aos interesses de Moscou, sobretudo ao evitar condenações mais contundentes à invasão.
Outro ponto sensível é a dependência brasileira de fertilizantes e derivados de petróleo russos. Mesmo diante de sanções impostas por países ocidentais, o Brasil manteve relações comerciais com a Rússia, argumentando que a preservação do abastecimento interno é questão de segurança econômica. Para opositores, a manutenção dessas compras desperta questionamentos éticos, já que recursos obtidos com exportações energéticas são parte relevante do financiamento do esforço de guerra russo.
Especialistas em relações internacionais observam que o Brasil tenta equilibrar pragmatismo econômico e discurso diplomático, evitando rupturas comerciais enquanto sustenta a defesa formal da paz e da soberania dos Estados. O debate, contudo, permanece aceso, até que ponto a neutralidade é possível em um conflito de grande escala e quais são os limites entre interesse nacional e responsabilidade internacional?
Quatro anos depois, a guerra na Ucrânia segue sem solução definitiva, mantendo o mundo sob tensão e colocando países como o Brasil no centro de uma discussão complexa entre diplomacia, economia e posicionamento moral no cenário global.
*Advogado e jornalista
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