Por Andreza Matais – Metrópoles
O governo de Pernambuco ainda não encaminhou qualquer documento à equipe de auditores do Ministério da Saúde responsável por analisar as contas do Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns.
A unidade privada tem entre os sócios o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD). A auditoria apura se o hospital foi favorecido com repasses de recursos públicos e eventuais vantagens contratuais. O governo não entregou documentos que justifiquem o aumento dos repasses, aditivos em contratos e exclusividade na oferta de modalidades, como nefrologia.
Leia maisO governo de Pernambuco pediu adiamento do prazo e, por isso, teve 20 dias para se explicar, mas até agora não apresentou nenhum documento. O último prazo venceu na quarta-feira (4/2).
Governadora reclamou de auditoria para Lula
Na última terça-feira, a governadora desembarcou em Brasília para se queixar diretamente ao presidente Lula da auditoria, que considerou uma tentativa de desgastar sua gestão. A denúncia que motivou a investigação foi apresentada por um aliado do prefeito João Campos (PSB), principal adversário de Raquel na disputa pelo governo do Estado.
Desde então, a investigação é acompanhada diretamente pelo gabinete do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
As suspeitas
De 2023 a 2025, o governo de Pernambuco teria repassado R$ 100 milhões ao hospital. Do valor, R$ 37 milhões foram enviados quando a vice-governadora substituía Raquel Lyra. A denúncia aponta 25 repasses nessas ocasiões.
O governo de Pernambuco nega a informação. “É mentirosa a afirmação de que a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tenha recebido R$ 100 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Nesse período, foram repassados aproximadamente R$ 67 milhões à instituição pelos serviços prestados”, afirmou à coluna.
“Nos períodos em que a vice-governadora Priscila Krause esteve como governadora em exercício, o valor transferido totalizou R$ 2.444.419,91. Também é mentirosa a afirmação de que os repasses teriam sido de R$ 37 milhões”, complementou.
O governo estadual confirma que não entregou os documentos solicitados pela auditoria e afirma que está dentro do prazo.
“Por fim, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informa que formalizou o pedido de prorrogação do prazo para envio das informações solicitadas pela auditoria do Ministério da Saúde, por meio do Ofício nº 47/2026/GAB/SES-PE, considerando o volume de documentos requerido. Em reunião realizada no dia 03 de fevereiro, na sede da Secretaria, com a equipe de auditoria, ficou repactuado que a nova data para encaminhamento da documentação será a sexta-feira (20/02)”, complementa.
A coluna fez três perguntas ao Ministério da Saúde:
– O governo de Pernambuco pediu prorrogação do primeiro prazo estabelecido para a auditoria no Hospital Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. Quando o prazo venceu?
– O governo de Pernambuco forneceu os documentos solicitados pela auditoria? Em caso afirmativo, ofereceu a totalidade ou parcialmente?
– O ministro Alexandre Padilha está acompanhando o passo a passo da auditoria pessoalmente?
O ministério não respondeu a nenhum dos questionamentos. Enviou uma nota com o seguinte comentário:
“A auditoria em curso responde a uma denúncia externa. O DenaSUS realizou visita técnica às unidades de saúde na semana passada e seguirá os trâmites regulares. O órgão é responsável por auditorias independentes e técnicas das ações públicas de saúde e da aplicação dos recursos federais no âmbito do SUS. Em média, são feitas cerca de 400 auditorias por ano.”
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