Enquanto o relator no Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, mantém sigilo total dos dados do Banco Master e de Daniel Vorcaro, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que acompanha as investigações, deve requisitar o compartilhamento desses documentos nesta quarta-feira (11), durante votação de requerimentos. As informações são do blog do Valdo Cruz.
No mesmo dia, a comissão vai estar com a direção da Polícia Federal (PF) e com o presidente do STF, Edson Fachin. Em 15 de janeiro, o Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações e apurações relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master. O grupo de trabalho pode convocar autoridades, além de realizar visitas institucionais.
Segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, a Comissão do Master quer o compartilhamento dos dados sigilosos para evitar que haja uma blindagem das investigações e alguns documentos não sejam analisados.
“Não podemos permitir que esse caso seja abafado. Devemos votar nesta quarta o compartilhamento de dados sigilosos do Banco Master, mesmo dia em que vamos conversar sobre isso tanto na PF como no Banco Central”, afirmou o senador Renan Calheiros. A comissão já esteve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
No BC, a orientação é para colaborar com a comissão, como tem sido no relacionamento com o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU). Causou desconforto, porém, uma mensagem publicada pelo presidente da CAE em que ele faria uma ameaça indireta a Galípolo.
O senador citou que um presidente do BC já saiu preso do Congresso e afirmou esperar que isso não venha a se repetir, acrescentando confiar no apoio do presidente do Banco Central.
Interlocutores de Gabriel Galípolo destacam que o BC agiu de forma técnica desde o início e que não poupou Daniel Vorcaro, dono do Master, que acionou sua rede de apoio político para tentar evitar, sem sucesso, a liquidação do Master.
Esses mesmos interlocutores afirmaram que, se houve alguma falha, a comissão de sindicância vai esclarecer onde poderia ter ocorrido e como evitá-la no futuro.
A aprovação do apoio do PT à candidatura de João Campos (PSB) garantiu, agora, a formação da chapa majoritária completa da Frente Popular, como disse o senador Humberto Costa. “Tivemos uma reunião com Direção Nacional do PT, que apontou também um posicionamento, uma sinalização e aqui também a maioria dos nossos companheiros do diretório estadual entendeu que o melhor caminho para o PT de Pernambuco é a aliança com o PSB, nessa chapa formada pelo prefeito João Campos, Marília Arraes (PDT) para o Senado e Carlos Costa (Republicanos) para a vice-governadoria”, comentou o petista. As informações são do Blog Dantas Barreto.
Segundo ele, a reunião aconteceu dentro do que era esperado ao longo dessa semana. Apesar de 12 membros do Diretório Estadual tenham votado contra a aliança com o PSB, Humberto acredita no amplo engajamento durante a campanha eleitoral.
“O PT sempre tem uma característica importante que é a de quando toma uma decisão todos os seus militantes filiados marcham naquele sentido. Obviamente, que nós vamos fazer um trabalho de convencimento, de convocação, de demonstração que a grande força da campanha do presidente Lula e da nossa campanha também é a unidade política em torno desse projeto que nós estamos abraçando”, ressaltou.
Em reunião realizada neste sábado (28), durante o ato de anúncio “PT do lado do povo de Pernambuco”, no Centro de Convenções, o Diretório Estadual do PT decidiu declarar apoio à candidatura de João Campos (PSB), por ampla maioria. O encontro ocorre de forma reservada, e a expectativa é pela chegada do socialista ao Teatro Beberibe, onde a aliança deve ser oficializada. A decisão foi aprovada com 59 votos a favor e 11 contrários.
O presidente do partido no estado, deputado federal Carlos Veras, afirmou que a decisão teve alinhamento com federação PT-PV-PCdoB. “Vamos apoiar João Campos para governador, na chapa com o Marília, na chapa com o Carlos Costa, essa é a chapa que o PT vai fazer parte. É o que nós vamos construir aqui para poder eleger os nossos senadores, os nossos deputados, eleger o governador e eleger o presidente Lula. É o que o PT vai estar fazendo parte aqui, junto com a Federação Brasil da Esperança”, declarou Veras. Com informações do Blog da Folha.
Além do apoio à candidatura de João Campos, o diretório estadual também definiu como prioridade a reeleição do senador Humberto Costa (PT). Em resolução aprovada no encontro, o partido afirmou ser missão “reforçar a reeleição do mandato pela sua importância política para Pernambuco e o país”. O texto também prevê ampliar as bancadas do PT na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Leia na íntegra texto da resolução:
A ação política mais importante nesse momento é a mobilização social para reeleição do presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores, por meio de seus militantes e apoiadores, vai organizar, orientar e implementar as ações de mobilização no Estado Pernambuco em defesa do governo, suas realizações e a necessidade de continuidade do projeto nacional conduzido pelo presidente Lula.
A missão do governo Lula é seguir mudando a vida do povo brasileiro e, nesse contexto, Pernambuco se insere e é fundamental na estratégia eleitoral para a reeleição de Lula. O PT de Pernambuco somará forças para garantir mais uma vez vitória robusta no Estado e contribuir de forma decisiva para o projeto nacional nas eleições de 2026.
O Partido dos Trabalhadores tem compreensão do momento que o país atravessa. E, é nesse contexto que as lideranças partidárias refletem sobre a necessidade de dialogar com as demais forças políticas do Estado para a formação de uma frente democrática e popular para a reeleição do Presidente Lula, tendo por base a orientação nacional do Partido. Nosso compromisso é a elaboração de conteúdos programáticos para Pernambuco que busquem o fortalecimento da democracia, justiça social, cidadania, crescimento econômico com distribuição de renda, defenda a soberania do Brasil e a garantia dos direitos sociais.
A trajetória do PT em Pernambuco tem sido de compromisso com o povo, consolidando-se como o principal interlocutor do presidente Lula no Estado. E, outra vez, é tempo de o PT mostrar sua unidade, organização e capacidade de mobilização.
O PT tem contribuído de forma decisiva para a formação da aliança nacional. Nossa estratégia é parte do esforço para a manutenção de um bloco nacional capaz de vencer a extrema-direita e impedir o avanço do fascismo. Aqui em Pernambuco, essa aliança se expressa no histórico de apoio e de participação do PT na Frente Popular de Pernambuco, que tem contribuído diretamente para a construção de governos populares no Estado numa frente de partidos liderada pelo PT e o PSB, refletindo a aliança, que conta com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, na chapa.
Na agenda eleitoral do Estado devemos destacar e reforçar a missão partidária de reeleger o mandato do senador Humberto Costa pela sua importância política para o Estado Pernambuco e o país. E, ainda, formular estratégia para fazer crescer as bancadas do PT de Pernambuco na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, para além das reeleições dos nossos parlamentares em mandato.
A decisão do PT para eleições no Estado considera a orientação e a estratégia nacional do partido para a eleições, a qual busca a forma de uma frente ampla para a reeleição do Presidente Lula e, é nesse contexto a decisão do Diretório Estadual do PT Pernambuco sobre as eleições para o Governo do Estado, a qual considera ainda a importância de unir o campo democrático e popular do Estado no enfrentamento à extrema-direita para aprovar a presente resolução de apoio à pré-candidatura a governador de João Campos,do Partido Socialista Brasileiro, ao Governo de Pernambuco, com Humberto Costa Senador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) entre eleitores que se autoidentificam como de centro (posição 4 numa escala de 1 a 7) nos cenários de primeiro turno testados pelo Datafolha no início de março de 2026. Num dos cenários sem Ratinho Junior, Lula tem 31% e Flávio, 17%, seguidos por Romeu Zema (Novo), com 9%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. A margem de erro é de cinco pontos porcentuais. As informações são do Estadão.
A pesquisa também mostra que, na espontânea entre eleitores de centro, 15% citam Lula, 2% Flávio e 2% Jair Bolsonaro (PL). No segundo turno entre Lula e Flávio nesse grupo, Lula marca 41% e Flávio 32%, com empate técnico; 24% votariam em branco e 3% não sabem.
No eleitorado total, Lula também lidera Flávio no primeiro turno por cinco ou seis pontos, e os dois ficam tecnicamente empatados no segundo turno (46% para Lula e 43% para Flávio). Já entre os que não se identificam nem como bolsonaristas nem como petistas (posição 3 numa escala de 1 a 5), Lula e Flávio também empatam tecnicamente no primeiro e no segundo turno (40% a 35%), com alta proporção de brancos (23%). Em rejeição, eles também ficam próximos: no centro, 45% dizem que não votariam em Lula e 51% em Flávio; entre os não alinhados, 48% rejeitam Lula e 50% rejeitam Flávio.
A pesquisa foi feita entre os dias 3 e 5 de março, com 2.004 entrevistas em 137 municípios. Está registrada no TSE sob o número BR-03715/2026.
A direção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco se reúne neste sábado (28), para definir os rumos da legenda nas eleições de outubro no estado. O ato de anúncio, nomeado “PT do lado do povo de Pernambuco”, será às 11h, no Teatro Beberibe, Centro de Convenções. Em debate, está principalmente a posição do partido em relação ao projeto político do prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A orientação da direção nacional do PT é que a sigla apóie a reeleição de João Campos, reproduzindo em Pernambuco a aliança nacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). No cenário local, essa estratégia é vista por setores do partido como mais um movimento de subordinação ao PSB, em linha com uma tendência que, segundo essas correntes, se aprofundou nas últimas eleições e transformou o PT em um “puxadinho” do PSB no estado. As informações são do Blog do Nill Júnior.
A avaliação predominante é de que a maioria da direção estadual deve seguir a orientação nacional e se alinhar ao projeto de João Campos, ainda que com um percentual de insatisfeitos, outros constrangidos com o movimento e um grupo não totalmente convicto da decisão.
Da bancada estadual do PT, é esperada a presença da deputada Dani Portela, recém-filiada ao partido e considerada mais próxima politicamente do prefeito do Recife.
Já os deputados Doriel Barros, João Paulo Lima e Silva e Rosa Amorim podem não participar do encontro. Eles são apontados como afinados com o palanque oposto, vinculado à governadora Raquel Lyra (PSD), o que evidencia a divisão interna em torno da estratégia eleitoral.
Na reunião on-line realizada ontem (27) com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, dirigentes pernambucanos ouviram que o PT “tem sua tática no estado, mas o presidente Lula é livre para buscar apoios”. A fala foi interpretada como um recado de que, mesmo havendo uma estratégia estadual definida, o presidente poderá dialogar com outros palanques, sem afastar completamente a hipótese de mais de uma frente de apoio no estado.
Fatores a favor de João Campos
Entre os elementos que pesam a favor do prefeito do Recife na correlação de forças interna estão o fato de assumir publicamente o voto em Lula; sua atuação, como uma das principais lideranças nacionais do PSB, na articulação de alianças em 17 estados; a leitura, compartilhada por parte expressiva da direção do PT, de que divisões internas tendem a prejudicar a reeleição de Lula.
Nesse raciocínio, uma eventual derrota do presidente é vista por esses grupos como um retrocesso político, argumento utilizado para defender a manutenção e o fortalecimento da aliança com o PSB também em Pernambuco. A reunião deste sábado, porém, deve evidenciar o conflito entre a lógica de “frente ampla” nacional em torno de Lula e as disputas locais por protagonismo e identidade partidária no estado.
Os superpoderes conferidos à Secretaria estadual da Casa Civil do Rio na segunda-feira (23), último ato do ex-governador Cláudio Castro antes de renunciar, permitiram que o grupo ligado a ele continuasse fazendo uso político da máquina para influenciar na sucessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e na disputa para o mandato-tampão no Palácio Guanabara. Anteontem à noite (26), a Justiça suspendeu o decreto de Castro, ao alegar que a medida dava à pasta competências exclusivas do governador, como um amplo controle de nomeações e exonerações no Executivo.
De segunda-feira até ontem, no entanto, já tinham sido publicadas em Diário Oficial 125 exonerações assinadas pelo secretário Marco Simões, muitas delas em órgãos como a Secretaria de Educação e o Detran-RJ, que concentravam indicações do deputado cassado Rodrigo Bacellar (União), que voltou a ser preso ontem. Nomeado na segunda-feira, Simões substituiu Nicola Miccione, homem de confiança de Castro. As informações são do jornal O Globo.
Fontes do governo confirmam que os superpoderes à Casa Civil tinham o objetivo de permitir uma espécie de troca no loteamento dos órgãos do estado, sem que necessariamente passasse pelo governador em exercício, Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. Seguiu em curso uma limpa dos cargos atribuídos a Bacellar. E, no dia seguinte à eleição relâmpago que por algumas horas levou o deputado Douglas Ruas (PL) à presidência da Alerj, parlamentares, especialmente da esquerda, relataram também uma onda de exonerações e movimentações administrativas interpretadas como represália aos que não votaram a favor do candidato do governo.
Enquanto isso, as vagas abertas estariam sendo distribuídas à base governista e ao sabor das negociações para angariar votos para Ruas. Levantamento feito pelo O Globo com base nos atos do secretário da Casa Civil nos diários oficiais desta semana mostra que, do total de exonerações, a mais afetada foi a Secretaria de Energia e Economia do Mar, com 26, uma a mais apenas que as 25 da Educação, onde Bacellar tinha influência, inclusive com a indicação da ex-secretária Roberta Barreto. Houve alterações ainda em outros redutos do ex-deputado, como a Secretaria de Governo (5), o Detran (4) e o Detro (1).
Prefeitos na mira
O deputado Vitor Júnior (PDT), autor de um dos pedidos judiciais que resultaram na suspensão da votação de quinta-feira (25) na Alerj, afirmou que os cargos nas secretarias, autarquias e fundações viraram moeda de troca. A pressão, segundo ele, chegou também aos prefeitos, para que garantissem que seus aliados na Casa votassem em Ruas. Nas retaliações contra os que não cederam, diz ele, além de mudanças no Executivo, indicados de seu partido foram exonerados na própria Alerj.
“Há uma corrida para assumir o controle da máquina do estado. A presidência da Alerj coloca o deputado na linha sucessória do governo, o que amplia esse poder. O que estamos vendo é o uso dessa estrutura para pressionar deputados e prefeitos”, disse Vitor Júnior.
Em nota, o governo do Estado do Rio negou que qualquer exoneração tenha sido motivada por eventual vinculação de servidores a indicações do deputado Vitor Junior ou por qualquer tipo de retaliação de natureza política. Na mesma nota, a Secretaria da Casa Civil afirmou que todos os atos de nomeação e exoneração “seguem um fluxo administrativo rigoroso e padronizado” e de acordo com as necessidades da gestão.
Pelo decreto da semana passada, o titular da Casa Civil só não podia nomear secretários e presidentes de fundações e autarquias. Para todos os demais cargos, no entanto, ele tinha o poder da caneta. Ele também poderia fazer a gestão orçamentária e financeira do estado, como transferência de crédito entre órgãos. A medida, no entanto, foi suspensa pela Justiça na noite de quinta-feira, em decisão assinada pela desembargadora Cristina Tereza Gaulia, do Tribunal de Justiça do Rio.
Ela destacou que a condução da política orçamentária, por exemplo, é parte do “núcleo essencial” das atribuições do governador e não pode ser delegada de forma genérica por meio de ato infralegal. Em um dos trechos da liminar, a magistrada mencionou o momento de instabilidade institucional vivido pelo Rio. “Tal cenário de transição recomenda especial prudência na apreciação de atos normativos que interfiram diretamente na gestão orçamentária, a fim de evitar prejuízos à coletividade”, afirmou a magistrada na decisão.
Fontes apontam, porém, que nos últimos dias deputados que se comprometeram a votar a favor de Ruas já receberam cargos em ao menos dois órgãos: no Detran-RJ e na Secretaria de Educação. Parlamentares dizem ainda que, no mesmo dia da convocação da eleição, deputados foram reunidos em um almoço no restaurante Assador Rios, no Flamengo, onde teriam ouvido que perderiam espaços no governo caso não apoiassem Ruas.
Caciques afirmaram ainda que os parlamentares que não declararam apoio a Douglas Ruas foram comunicados de corte de asfaltamento feito pela Secretaria de Cidades, onde o pré-candidato era o titular até semana passada. Membros do governo não confirmam a pressão, mas dizem ser “natural” que caso se confirme a ascensão de Ruas ao governo, deputados que não o apoiaram percam espaço político, como indicações em secretarias e obras.
Defesa de voto secreto
Diante das denúncias, o PDT junto a outros partidos da esquerda articulam novas medidas judiciais. A intenção é aprofundar as investigações sobre o suposto uso da máquina pública e pedir que a próxima eleição para a presidência da Alerj ocorra com voto secreto, como forma de evitar retaliações.
Em paralelo, a Alerj iniciou um processo de desmonte da estrutura ligada a Bacellar ao exonerar, de uma só vez, dezenas de assessores comissionados que atuavam em seu gabinete. A medida foi formalizada ontem no Diário Oficial.
Além disso, foram exonerados 34 assessores de Bacellar, atingindo toda a engrenagem do gabinete — da chefia às funções administrativas e parlamentares. A decisão foi assinada pelo presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), em cumprimento à determinação da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, que ordenou a execução imediata da perda de mandato.
Um deles foi Márcio Bruno Carvalho de Oliveira, homem de confiança de Bacellar na Casa, que havia sido exonerado em dezembro, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Unha e Carne, em que prendeu o parlamentar. À época, Márcio Bruno ocupava uma função estratégica no gabinete do então presidente e foi desligado horas após a ação policial. Ele também chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão. Posteriormente, Márcio Bruno foi reconduzido a pedido do próprio Bacellar, assumindo novamente posição de confiança.
Tantos e tantos anos depois, lembro em detalhes dos acontecimentos no Recife, que culminaram com o golpe militar de 1964. Como está acontecendo atualmente, a cidade estava dividida. Naqueles últimos dias de março, os primeiros movimentos do golpe militar pareciam mais uma das tantas escaramuças que o recifense assistira nos últimos anos. Parte da sociedade civil queria a intervenção militar para combater o comunismo e a corrupção. A outra pedia o fim do capitalismo. Também como hoje, poucos sabiam, mas os interesses econômicos e políticos estavam longe daqui. Era a Guerra Fria.
Estudante vestibulando, fiquei zanzando pelo centro da cidade naquele resto de manhã do 1º de abril. O cursinho suspendera as aulas e poucos ônibus circulavam. Na confluência das avenidas Dantas Barreto e Guararapes, um grupo de jovens prosseguia na manifestação que tivera início da Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, contra o golpe militar. As informações, desencontradas, diziam que o governador Miguel Arraes estava preso e era para o Palácio, já cercado pelo Exército, que os manifestantes se dirigiam.
Foi então que uma patrulha do Exército, comandada pelo major Hugo Coelho — soube-se depois —, procurou barrar a passeata. Os estudantes recuaram, apanharam algumas bandas de cocos e arremessaram contra os soldados. A violenta resposta veio com a ordem do major: “Fogo!” Ele mesmo mirou dois manifestantes pelas costas e atirou com arma curta atingindo mortalmente os dois.
Jonas Albuquerque, estudante secundarista e Ivan Rocha, vestibulando de Engenharia, que até poucos dias servia ao Exército, haviam sido mortalmente feridos pelos disparos. Pelas costas, pude verificar horas depois, diante dos corpos dos dois no necrotério do antigo Pronto Socorro, na Rua Fernandes Vieira.
Após os tiros, os manifestantes debandaram e eu quase arrastado por um amigo, Edmundo Lins da Cunha, fui para casa. Na Encruzilhada, bairro onde morava, a notícia das mortes já chegara, somando-se a outra tragédia: um acidente automobilístico dias antes, no Sábado de Aleluia, provocara a morte do estudante de Medicina, Cândido da Fonte, e ferira Paulo Jácome, colegas da Faculdade do meu irmão.
À noite, junto com amigos e colegas do sobrevivente Paulo Jácome, fomos visitá-lo no antigo Pronto Socorro, na Avenida Fernandes Vieira. E no térreo, na “pedra” do necrotério do antigo hospital vigiados por soldados do Exército, jaziam os corpos de Jonas e Ivan. Jonas recebera um tiro que lhe arrancara o maxilar, evidenciando que ele corria e procurava olhar para trás quando levou o balaço. Ivan recebeu um disparo que lhe varara o peito e explodiu o tórax. Ambos pelas costas.
Os militares já eram donos do poder e prometiam o fim do Comunismo, a prosperidade do Brasil e bem-estar de todos os brasileiros. Era o dia 1° de abril. Dia da Mentira.
Barcelona amanheceu com o céu nublado na última quinta-feira (26), um frio de pouco menos de 10 ºC. Dia cinzento, nem parecia ter a primavera dado o ar da graça há menos de uma semana. Virou dia teimoso de inverno, a data que Noélia Castillo escolhera para ser a última e mais importante da sua vida. Às 18h, em plena hora do Angelus, tinha encontro marcado com a morte.
Demorou 601 dias até que aquela moça de 25 anos, cara e jeito de menina, olhos grandes e tristes, pudesse partir em paz. Na realidade, esperou quase toda a vida por aquele momento. Na Catalunha efervescente de política e independência, Noélia cresceu nas mãos da Generalitat, como é chamado o governo local. Nasceu em 14 de novembro de 2000. Ano de tragédias para os catalães: em junho, inundações, e, em 30 de dezembro, pelo menos sete esquiadores morreram nos Pirineus durante uma tempestade fortíssima com ventos que mais pareciam furacões.
A família de Noélia era o retrato daqueles tempos. Gerônimo e Yolanda, entregues a uma vida desregrada, perderam a filha para o Estado. Abandonada ainda criança, passou parte da infância e da adolescência vivendo em abrigos. Não tinha pertencimento, não era dona de si mesma. Virou propriedade da Generalitat, instituição difusa, sem rosto, nem sentimento, nem alma. Foi vivendo como dava. O abandono, quando é de propósito vira um aleijão na alma, uma cicatriz que não fecha, vida que não desabrocha.
Ela viveu no inferno. Aquele inferno imposto por um Estado incapaz de cuidar dos seus cidadãos com um mínimo de dignidade e respeito. Noélia foi violada pela primeira vez quando acabara de entrar na adolescência. Tornou-se vítima de abusadores, homens de todas as idades, muitas vezes dentro do abrigo onde deveria estar segura, mas os olhos do governo não são olhos de enxergar, são olhos de vigiar e punir. O poder público não ama, administra. Não pede, impõe.
Viveu não o que sonhou, mas o permitido. Os pobres, os abandonados, são iguais seja no Brasil, na Catalunha ou em Paris. Vigiados, mas nunca vistos pelos olhos dos governos. E, sem ser vista ou percebida, Noélia se entregou ao único prazer acessível, aquele proporcionado pelas drogas. Não interessa de onde vem, nem quando, desde que esteja à mão, assim como seu corpo, seu sexo, sua alma de menina moça que jamais conheceu amor, respeito, gentileza.
Quando tinha 21 anos, já fora dos abrigos, existia; não vivia. Foi então que num outubro, fim de outono, quase inverno, ela tinha cheirado umas carreiras, aquela cocaína vendida nos narcopisos do centro de Barcelona. Noélia caiu numa armadilha. Acabou vítima de estupro coletivo praticado pelos chamados Menas, acrônimo para definir outros desvalidos os “menores estrangeiros não acompanhados”. Adolescentes fugidos da miséria dos seus países, africanos, muçulmanos, gente marcada pela rudeza, em busca de algo que aqueles que ficaram nunca terão. Os meninos fizeram o diabo com Noélia. Tiraram dela a raspinha de dignidade guardada lá no fundo.
Ela travou. Olhou para sua vida, seu passado e entendeu que jamais teria futuro. Decidiu acabar de uma vez por todas com aquilo. E pulou da janela do 5º andar. A desgraça, quando é muita, vira fartura. Noélia voou para os braços da morte, mas a morte não quis saber de Noélia. Acabou na calçada, toda machucada, frente a frente com o velho ditado espanhol: hierba mala nunca muere.
Seu corpo desfalecido de quase menina aterrissou no cimento, a espinha partida. Agora era oficialmente paraplégica. Já tentara se matar outras vezes. Vinha ensaiando desde muito pequena, quando começara a se ferir e conviver com aquela excitação de ver o sangue brotar e escorrer, a vida esvaindo a conta-gotas, nunca de uma vez.
Depois da passagem nos abrigos, das violações e das drogas, conheceu o cotidiano de uma cadeira de rodas, a sonda conduzindo urina, intestino incontrolável, higiene precária e dependente, dores lancinantes transformando em epopeia qualquer cotidiana atividade humana. Os médicos deram o veredito: será cada vez pior.
Ela mergulhou na depressão. Só havia uma coisa a fazer: pedir para que o mesmo Estado, seu proprietário e vigia, a matasse em nome da lei. E assim, Noélia Castillo foi à Justiça reivindicar seu direito à eutanásia determinado na legislação da Espanha. O que deveria servir para velhos e entrevados passou a ser remédio para uma jovem de 25 anos. Foi uma luta grande. Durou 601 dias. Seu pai fez de tudo para impedir, como se quisesse compensar o incompensável. “Não entendo por que me quer viva se nunca me quis”, declarou numa entrevista.
Noélia venceu nos tribunais. Reconheceram seu direito de ser morta pelo Estado, convencidos de que de nada valeria viva. Depois de toda uma existência na subcidadania, nada melhor do que uma morte limpa, rápida e eficaz. Da noite para o dia, ficou famosa, deu entrevistas e apareceu na televisão e nas redes sociais. Pessoas se reuniam para rezar por ela, inconformados com sua escolha.
Incrível como há gente incapaz de enxergar o que estava por trás da escolha de Noélia. Nada mais, nada menos que um Estado incompetente para cuidar dos seus cidadãos, falido moral, ética e espiritualmente. Incapaz de dar vida, acabou oferecendo a morte como única alternativa.
Na quinta-feira, foi levada para o hospital Saint Camil, onde recebeu as infusões que a libertaram do inferno. Um dia antes, se preparou com todo esmero, porque desejava morrer bonita, maquiada, penteada e livre. Às 18h daquela quinta-feira fria e nublada, finalmente Noélia encontrou a amiga morte do jeito que sonhou viver.
Policiais militares do 4º BPM prenderam na manhã de ontem (27), em Caruaru, o cantor alagoano Sandro Becker. Emanuel do Vale Trindade, de 71 anos, veio a Caruaru receber uma premiação em um hotel da cidade, quando acabou sendo interceptado pelos policiais. O artista deve mais de R$ 200 mil em pensão alimentícia.
Sandro Becker é cantor e compositor de forró, conhecido por canções irreverentes como “Julieta” e “A Velha Debaixo da Cama”. Com mais de 45 anos de carreira e milhões de discos vendidos, destacou-se pelo estilo bem-humorado e de duplo sentido. As informações são da Rádio Liberdade de Caruaru.
Está inaugurada, após quase três anos de obras, a Ponte Júlia Santiago. O equipamento, que recebeu investimentos de R$ 114 milhões nas obras, liga as avenidas Recife, no bairro de Areias, e Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, nas Zonas Oeste e Sul, respectivamente. A cerimônia de abertura ocorreu ontem (27).
Para além da construção, segundo a prefeitura do Recife, o equipamento reduz em até 40% o tempo de deslocamento entre os bairros acima citados. É a maior obra do tipo construída no Recife dos últimos 40 anos. As informações são da Folha de Pernambuco.
O equipamento novo tem 335 metros de extensão e quatro faixas de rolamento para dois sentidos, além de ciclofaixa bidirecional. Essa intervenção integra um dos principais eixos de mobilidade da cidade, com ajustes viários no entorno, como o alargamento das avenidas Tapajós e Engenheiro Alves de Souza.
As avenidas foram ampliadas para duas faixas de cada sentido, em trechos de 908 metros e 1.060 metros, implantação de ciclofaixa bidirecional, requalificação urbana, calçadas requalificadas com piso em concreto intertravado e 13 novos abrigos de ônibus. Também foram plantadas 350 árvores.
Momentos antes da inauguração oficial, por volta das 12h, a movimentação de pedestres já era grande na ponte, que oferece vista para o Rio Tejipió. Numa temperatura de 34 ºC, ao som da Orquestra de Frevo Clave, o prefeito João Campos (PSB) chegou andando pela ponte rumo a um palanque pontado perto do novo equipamento.
“É uma ponte sonhada na cidade há mais de 50 anos. Antes, era possível cruzar o Rio Tejipió em três pontos: na BR-101, Ponte Motocolombó e na Avenida Recife. Agora nós fazemos um novo cruzamento que conecta Areias à Imbiribeira, fazendo com que uma grande região da cidade passe a se comunicar. E essas duas grandes avenidas [Recife e Mascarenhas de Morais] são muito importantes. Nos anos 1980 já tinha uma planta para construir essa ponte. Conseguimos pegar com um morador que era da equipe da prefeitura e guardou essa planta. Depois de quase 50 anos tiramos do papel”, relembrou o prefeito.
Outro projeto mencionado por João Campos foi a ponte Cordeiro-Casa Forte, da qual ele assinou a ordem de serviço no último dia 12 de março. Ela vai reduzir em até 57% as distâncias entre bairros, reduzindo em até 63% do tempo de deslocamento. O investimento nela é de R$ 236,4 milhões e o equipamento fica pronto em 38 meses.
“Ela também está em obras e é um projeto que a gente também tirou do papel, bem como a Ponte Monteiro-Iputinga, que era um sonho muito antigo que a gente já inaugurou. Nos próximos dias, vamos entregar o Hospital da Criança, Ladeira da Cohab, Parque do Aeroclube, unidades de saúde, gramadão, etc. A gente tem mais coisa para entregar do que tempo na agenda. O mais importante é botar para funcionar. É o que todo mundo espera da gente”, complementou.
Ponte Júlia Santiago liga a Zona Oeste à Zona Sul do Recife | Foto: Renê Batista/Prefeitura do Recife
Quem foi Júlia Santiago?
A nova ponte presta homenagem a Júlia Santiago, primeira mulher eleita vereadora do Recife, em 1947, referência na luta pelos direitos dos trabalhadores e símbolo de resistência e coragem durante a Ditadura Militar.
Natural de São Lourenço da Mata, destacou-se no movimento trabalhista, atuando na fundação do Sindicato da Fiação e Tecelagem de Pernambuco e na luta pelos direitos dos trabalhadores.
PT de Pernambuco oficializa hoje aliança com João Campos
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O PT de Pernambuco reúne a direção estadual hoje (28), em evento no Centro de Convenções, em Olinda, e, sem muitas novidades, deve oficializar a aliança com o PSB em torno da candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao Governo do Estado. O apoio a João é orientação da Executiva Nacional, porque faz parte da estratégia das duas legendas para as eleições de outubro.
O PSB tem ajudado o PT a montar palanques para o presidente Lula (PT), que buscará o quarto mandato, e os dois partidos trabalham juntos em 17 estados da federação. Mesmo diante das divergências em Pernambuco, com alguns membros ligados à governadora Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição, a campanha do prefeito João Campos ao Palácio do Campo das Princesas com a ajuda do PT não será prejudicada.
Na última semana, o senador Humberto Costa (PT) e João Campos também já sinalizaram que a parceria seguirá em clima mais ameno, embora Costa não tenha participado do anúncio oficial da pré-candidatura de Campos, episódio que deverá ser superado a partir de hoje. O senador afirmou, na noite em que recebeu o Título de Cidadão Recifense, que a tendência é marchar com a candidatura de João. O prefeito, por sua vez, enalteceu a história de Humberto na política.
Existe a expectativa, inclusive, da participação de João Campos no final dos eventos de hoje do PT. Após a aprovação das decisões partidárias da sigla, o prefeito estaria presente em um ato político de encerramento da agenda, em sinal de agradecimento pelo apoio. Essa ida de João, no entanto, não foi confirmada pela assessoria.
A aliança será selada de vez com a vinda do presidente Lula ao Estado, na próxima semana, para participar de lançamentos ao lado de João Campos, que tem até o próximo sábado (4 de abril) para se desincompatibilizar da prefeitura visando concorrer ao Poder Executivo estadual, mas deseja renunciar ao mandato até o dia 2, na quinta-feira.
O formato das agendas e o dia exato da chegada de Lula ainda estão sendo definidos, mas informações de bastidores dão conta de que há duas inaugurações a serem realizadas com a presença de Lula. Uma delas é a creche Arthur Lula da Silva, no bairro do Pina, que foi batizada com este nome em homenagem ao neto do presidente que faleceu em março de 2019, aos 7 anos. A outra entrega é a do Hospital da Criança do Recife, no Bairro de Areias.
Boas novas para a indústria – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou, nas redes sociais, ontem (27), a liberação de R$ 25 bilhões em medidas de apoio à indústria brasileira. Segundo ele, o presidente Lula (PT) autorizou R$ 15 bilhões para empresas exportadoras impactadas pelo cenário internacional e mais R$ 10 bilhões em linhas de crédito do BNDES voltadas ao financiamento de iniciativas inovadoras, incluindo indústria 4.0 e descarbonização.
Licença-paternidade – A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (25), o Projeto de Lei Complementar nº 77/2026, que estabelece exceções pontuais às regras fiscais vigentes, permitindo a viabilização da ampliação da licença-paternidade já aprovada pelo Congresso Nacional. O deputado federal Pedro Campos (PSB) foi relator da matéria e apresentou parecer que contribuiu para destravar um impasse que vinha impedindo a implementação efetiva desse direito.
Ajuste técnico – Segundo Pedro Campos, trata-se de uma medida de ajuste técnico que garante segurança jurídica e previsibilidade orçamentária. “Essa aprovação foi fundamental para viabilizar a sanção da ampliação da licença-paternidade, removendo entraves fiscais que impediam sua implementação, mesmo com previsão orçamentária ou fonte de custeio. O projeto assegura que essa política pública possa sair do papel com responsabilidade fiscal”, afirmou o deputado.
Bolsonaro em casa – Após o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Condomínio Solar de Brasília II, no Jardim Botânico (DF), a direção do residencial emitiu um comunicado aos moradores, ontem (27). O aviso reitera determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro e afirma que “consequências serão imediatas” se houver descumprimento. Entre as medidas estão a proibição de visitas e de aglomerações na porta do condomínio em um raio de 1 quilômetro. As informações são do portal Metrópoles.
Direto de Brasília – Pré-candidato a governador da Bahia pelo Novo, o ex-deputado federal José Carlos Aleluia é o convidado do podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, da próxima terça-feira (31). Na pauta, as eleições, os desdobramentos dos escândalos envolvendo o banco Master e o INSS, o suposto envolvimento do PT baiano com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a possível candidatura ao Planalto do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo.
CURTAS
Corrida à Câmara – A Federação União Progressista (UP) oficializou a pré-candidatura do ex-prefeito de Goiana, Eduardo Honório, a deputado federal. O anúncio ocorreu, ontem (27), na sede da federação, no Recife, com a presença do presidente da UP em Pernambuco, deputado Eduardo da Fonte, e do vice-presidente do PP, deputado Lula da Fonte.
Gente nova no Podemos – O deputado estadual Fabrizio Ferraz, que busca a reeleição, teve sua ficha de filiação abonada pelo presidente do Podemos, Marcelo Gouveia, ontem (27). O ato aconteceu no Mar Hotel, em Boa Viagem, e contou com a presença de diversos nomes da política pernambucana, muitos também filiados ao partido.
Combate ao racismo religioso – “O racismo religioso impõe uma série de barreiras para que as pessoas de terreiro acessem direitos básicos. Muitas sequer sabem o que é necessário para a legalização de suas casas, e esse é um dos pontos que o nosso grupo de trabalho tem se proposto a reparar”, afirmou a deputada estadual Dani Portela (PT), após realizar, na Alepe, oficina sobre legalização de terreiros, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco.
Perguntar não ofende: Semana que vem, o presidente Lula vai ter agenda com Raquel Lyra também em Pernambuco?
Após semanas de divergências internas, o Partido dos Trabalhadores em Pernambuco vai decidir neste sábado (28) se irá integrar a chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), com a indicação do senador Humberto Costa para a disputa à reeleição. A deliberação será tomada em reunião do diretório estadual, às 9h, e anunciada às 11h, no Teatro Beberibe, no Centro de Convenções.
A tendência é de aprovação da aliança, embora pontos como a orientação de votos, o engajamento da militância e o formato do palanque ainda não estejam totalmente definidos e devam ser tratados ao longo da pré-campanha. O movimento ocorre em um cenário de forte disputa com a governadora Raquel Lyra (PSD), que também articula alianças e tenta atrair lideranças envolvidas nas negociações para o Senado.
Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta sexta-feira (27), o deputado federal Carlos Veras afirmou que há uma sinalização predominante dentro do partido.
“Há um sentimento majoritário de caminhar pela aprovação do apoio à candidatura de João Campos, com o Humberto Costa estar nessa chapa”, disse.
Apoio deve ser confirmado, mas decisões serão “caso a caso” Segundo Veras, a reunião deste sábado marca a definição da “tática eleitoral” do partido, respeitando o processo interno de debates.
“Amanhã nós teremos a reunião do diretório estadual […] para deliberar a nossa proposta eleitoral. O PT tem as suas instâncias, tem o seu tempo”, afirmou.
Apesar da tendência de apoio, o dirigente deixou claro que outros pontos da estratégia eleitoral – como orientação de votos e atuação em palanques – ainda não serão definidos integralmente agora.
“Não entra de maneira alguma nesse momento nessa discussão […] nós vamos discutir caso a caso”, disse, ao descartar uma diretriz nacional sobre liberação de campanhas locais.
Ele reforçou que o partido seguirá avançando gradualmente na construção da estratégia. “Um passo de cada vez”, resumiu.
Veras também destacou que duas prioridades unificam o partido: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a manutenção do mandato do senador Humberto Costa.
Senado é foco central e ainda concentra indefinições A disputa pelas duas vagas ao Senado em Pernambuco segue como um dos principais pontos de tensão no cenário político.
Humberto Costa deve ocupar uma das vagas na chapa de João Campos, enquanto a segunda posição foi alvo de intensas articulações recentes, envolvendo nomes como Marília Arraes (PDT) e Silvio Costa Filho (Republicanos).
Em paralelo, essas mesmas lideranças também foram alvo de movimentações do grupo de Raquel Lyra, que buscou atrair apoios para fortalecer sua própria composição majoritária e isolar adversários.
Nesse contexto, João Campos chegou a redesenhar sua chapa em mais de um momento, em uma tentativa de equilibrar forças entre esquerda e centro sem abrir espaço para perdas no campo governista. A composição atualmente em construção inclui os nomes de Humberto Costa e Marília Arraes para o Senado, além da indicação de Carlos Costa (Republicanos) para a vice-governadoria.
O anúncio antecipado desse arranjo, antes de uma deliberação formal do PT, gerou desconforto interno na sigla, em um cenário já marcado por divergências sobre alianças.
Na entrevista, Veras também reforçou que o PT manterá controle sobre decisões estratégicas relacionadas à candidatura ao Senado, incluindo a definição dos suplentes.
“Nós do PT é quem vamos decidir quem será o primeiro e o segundo suplente do senador Humberto Costa […] essa é uma decisão do PT”, afirmou.
Segundo ele, a escolha poderá envolver nomes do partido, da federação ou até de fora, desde que alinhados ao objetivo central da reeleição.
Militância deve entrar gradualmente na campanha Mesmo com a tendência de apoio ao PSB, a entrada efetiva da militância petista na campanha deve ocorrer de forma progressiva, acompanhando o calendário eleitoral.
“A militância vai entrando no processo de forma muito aguerrida […] para garantir a eleição do presidente Lula e do senador Humberto Costa”, disse.
A avaliação interna é que, apesar das divergências registradas ao longo das negociações, o partido deve unificar o discurso após a decisão deste sábado e seguir priorizando sua estratégia nacional, em alinhamento com o PSB, aliado histórico no plano federal.
Com a definição, o PT tende a reduzir um dos principais pontos de incerteza da política pernambucana e avançar na consolidação das alianças para a disputa de 2026, ainda marcada por rearranjos e negociações entre os principais grupos políticos do estado.