Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Se o PSD fosse uma pizzaria rodízio, nessa primeira rodada antes da oficialização das candidaturas presidenciais, o “maitre” do partido, Gilberto Kassab, estaria oferecendo aos clientes pizzas mezzo direita, mezzo centro-direita e mezzo centro. Para deixar que na segunda rodada o comensal/eleitor decida qual fatia vai querer repetir.
Com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Kassab coloca no jogo eleitoral ele, que é uma opção marcadamente de direita; o governador do Paraná, Ratinho Jr, um nome identificado com a centro-direita, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tido como opção mais moderada. Mas, principalmente, a filiação de Caiado reforça que a intenção é ter mesmo um nome na corrida.
Leia maisO primeiro aceno foi dado em 16 de janeiro, e anotado aqui no Correio Político. Foi quando Kassab pediu que um vídeo de uma entrevista de Ratinho Jr na qual ele se coloca como opção presidencial fosse compartilhado ao máximo. Toda essa movimentação de Kassab decorre da constatação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não sairá mesmo candidato à Presidência.
Se Tarcísio saísse à Presidência, poderia ser outro o jogo do PSD. Mas, sem Tarcísio, Kassab não quer já no primeiro turno ver-se obrigado a manter a polarização política, apoiando seja a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL). Kassab tem um pé em cada canoa. Tem ministros no governo de Lula, está no governo Tarcísio e tem políticos ligados ao bolsonarismo. No mínimo, uma candidatura própria lhe dará bom cacife para negociar para onde irá no segundo turno.
Mas ele não deixa de calcular a possibilidade de acabar sendo capaz de construir, sim, uma candidatura que coloque o PSD no segundo turno contra Lula. Por uma razão básica: palanques regionais. Kassab tem uma avaliação de que a candidatura de Flávio estreita a possibilidade de formação de palanques regionais mais ao centro. Ele tenderia as chapas mais para a direita.
E o caso de Santa Catarina é o primeiro exemplo prático de que tal tendência possa mesmo acontecer, a partir da chapa formada pelo governador Jorginho Mello (PL). Mello fechou sua chapa à direita, tendo como parceiro do PL o Novo. Escanteou o senador Esperidião Amim (PP) para o Senado. E escanteou o MDB.
O cargo de vice-governador estava prometido para o MDB. O resultado foi o rompimento do MDB. Que agora planeja concorrer com Mello. E quem pode ser o parceiro nessa chapa? Exatamente o PSD. Circula a hipótese de o candidato a governador ser o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que é do PSD.
Há outros exemplos. A disposição no DF de o PL ter como candidatas Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis vai na mesma direção. Fecha a possibilidade de composição com nomes mais ao centro. O PSD tem um nome forte na disputa para o governo, José Roberto Arruda. E ele ainda não definiu sua chapa.
Em linha semelhante, o PSD calcula que sua disposição presidencial facilitará outros arranjos regionais por oferecer opção mais moderada e mais aberta a acertos. Goiás é um caso mencionado, pela força que tem Caiado no estado. O Paraná, com Ratinho Jr, seria outro exemplo de controle grande da situação política pelo partido.
Há uma outra situação a ser observada no Rio Grande do Sul. O PP rachou no estado. Parte queria permanecer aliada a Eduardo Leite, parte queria deixar o governo para apoiar Luciano Zucco, do PL. Prevaleceu a decisão de sair do governo Leite. Com isso, é possível que a parte derrotada acabe indo para o PSD.
Enfim, o grande problema de Flávio Bolsonaro é convencer o Centrão de que haverá espaço na sua candidatura presidencial. Se ele não for capaz disso no pouco tempo que lhe resta até as definições de abril, há uma chance de o PSD engolir as composições regionais. Pelo menos é nisso que Gilberto Kassab aposta.
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