Com uma corridinha de 8 km, ontem, na Praça das Mangueiras, em Paulo Afonso (BA), encerrei uma viagem de 5 mil km por terra, num período de 14 dias, entre Alagoas, Bahia e Minas Gerais, ao lado da minha Nayla e suas primas Tayse e Kelly Lira. Nas férias, resolvi andar pelo Brasil de carro, aventura que não fazia há muito tempo.

Dividi o comando da direção com meu amigo Cid Severo, esposo de Kelly, que já me acompanha nas viagens pelos rincões do Estado nos lançamentos do livro Os Leões do Norte. Viajar de carro é cansativo, mas extremamente agradável. Saímos sem pressa. Paramos onde identificamos roteiros de puro relax, descontração, curtição e passeios maravilhosos.
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A primeira parada foi numa estação de história e de águas, onde se abre a janela ao acordar saudado por um braço do Rio São Francisco: Piranhas. Encontramos uma Piranhas apinhada de turistas em busca da rota do cangaço e do passeio nos cânions do Velho Chico.

Alugamos uma lancha e nos encantamos com o 5º maior cânion navegável do mundo com o passeio náutico pelos Cânions do São Francisco. Paisagens majestosas, piscinas naturais cristalinas em paradinhas para banho. A aventura proporciona uma imersão completa na beleza natural da região, com a oportunidade de saborear a culinária local em um dos restaurantes durante a parada para o almoço.

Vale entrar na Gruta do Talhado, a parte mais estreita dos cânions, visão única e espetacular deste magnífico fenômeno natural. De Piranhas, alcançamos Milagres, na Bahia, onde pernoitamos, para atingir nosso segundo roteiro: Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. Com 370 mil habitantes, é a segunda melhor cidade em qualidade de vida no Nordeste.

Lá, o roteiro foi familiar, sentimental e extremamente emocionante: rever e apresentar a minha Nayla à tia Maria Lídia, a Lila, a única remanescente das seis Marias, entre elas Maria Margarida, minha saudosa mãe. Na companhia da sua filha Ivone, do genro Sinval e do neto Guilherme, tia Lila nos recebeu para um almoço que se prolongou até o final da tarde. Muita conversa dos arcos da velha sobre mamãe e meu pai Gastão, além de Zizi, esposo da tia Lila, que Deus chamou com pouco mais de 60 anos.

De Conquista, fizemos uma paradinha, também de caráter sentimental e familiar, para conhecer Medina, já em Minas, terra do meu amigo José Maria Trindade, da Jovem Pan de Brasília. Ele não estava na cidade, mas fomos recebidos pelo casal Juliana e Franck, amigos-irmãos de Zé Maria, que nos ofereceram um churrasco com direito a todos os quitutes mineiros.

De lá, alcançamos Diamantina, a primeira das cinco cidades históricas de Minas no nosso roteiro — Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes e Diamantina. Que rota espetacular! De todas as cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade: fez suas pousadas virarem butique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado. Nossa estada lá coincidiu com o festival de cinema, famoso nacionalmente.

De lá, alcançamos Diamantina, a primeira das cinco cidades históricas de Minas no nosso roteiro — Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes e Diamantina. Que rota espetacular! De todas as cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade: fez suas pousadas virarem butique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado. Nossa estada lá coincidiu com o festival de cinema, famoso nacionalmente.

Outro deslumbre foi a cidade de Mariana, com sua rica história que remonta ao período colonial do Brasil. Isso porque, desde sua fundação em 16 de julho de 1696, faz parte da tradição e cultura de toda Minas Gerais. Mariana foi um arraial chamado Nossa Senhora do Carmo. Porém, rapidamente se tornou um importante fornecedor de ouro para Portugal e, em 1711, foi elevada à categoria de vila, recebendo o nome de Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo.
Lá, estivemos em vários pontos turísticos, entre eles a Basílica de São Pedro dos Clérigos, construção no século 18, em madeira dourada, pinturas e esculturas. Sua fachada tem uma grande cúpula, com duas torres, o que a destaca no alto da cidade.
Passamos também pela Catedral Basílica da Sé, igreja central, fundada em 1704. Tornou-se catedral desde a criação da Diocese de Mariana, em 1745. Conhecemos ainda as igrejas Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis. As duas ficam uma ao lado da outra, na Praça Minas Gerais, atual sede da Câmara de Vereadores de Mariana. Ambas possuem estilos arquitetônicos próprios, ainda que contem com artes de pedra-sabão e fachadas barrocas.
Ouro Preto foi a cidade que mais nos encantou. Patrimônio Mundial da Unesco, tem um conjunto de igrejas barrocas, ladeiras históricas e minas de ouro. Emocionante passar na Praça Tiradentes, no Museu da Inconfidência, na Igreja de São Francisco de Assis (Aleijadinho) e na Basílica do Pilar, além das Minas de Chico Rei ou da Passagem. A gastronomia mineira e o artesanato em pedra-sabão são espetaculares. Comemos muito bem, com preços razoáveis, inclusive as pousadas também bem acessíveis e confortáveis.
As janelas magníficas de Ouro Preto são grandes, iguais às suas subidas e descidas. Ouro Preto é o cheiro do café fresco, o som dos sinos e o pôr do sol dourando os telhados. É a cidade onde o barroco se mistura com a resistência.
Além dos seus sítios históricos, andar por Minas Gerais é se deparar com montanhas onduladas que se perdem no horizonte. Minas Gerais não tem mar, mas tem montanhas lindas e cheias de história. Tem também um povo educado, com grandeza e retidão. O mineiro sabe receber os turistas com muita alegria e bom humor.
Perguntaram a Rubem Alves, meu cronista favorito, sobre seus sonhos. Ele assim sintetizou: “Meus sonhos? Sonho em ter tempo para curtir as montanhas e cachoeiras das Minas Gerais”.
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