CORREIO DA MANHÃ
Apesar do raio que caiu na cabeça dos manifestantes, o PL avalia que a caminhada comandada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi uma impressionante demonstração de força. Debaixo de um toró de proporções bíblicas, 18 mil pessoas foram à Praça do Cruzeiro receber o final da marcha. Muito longe de ser banal.
Mas nenhum dos nomes diretamente ligados à corrida presidencial pelo campo da direita esteve presente nem na caminhada nem na chegada debaixo de chuva. Lá não esteve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lá não esteve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Por lá não passou a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle.
Leia maisForça sem compromisso
No fundo, porém, essas ausências estão longe de serem avaliadas como um problema para o PL. O ato mostrou força política, sem ainda se comprometer diretamente com ninguém. Da mesma forma, nenhum dos nomes na disputa presidencial se compromete caso prevaleça que foi uma irresponsabilidade submeter os manifestantes ao temporal impressionante que caiu sobre Brasília. O raio que atingiu dezenas de pessoas era previsível.
Disputa interna permanece igual

No caso do PL, a demonstração de força a essa altura é importante porque internamente o partido continua dividido quanto ao melhor caminho para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. O nome de Flávio tem resistências. Inclusive do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que continua preferindo que a candidata seja Michelle Bolsonaro. E Michelle segue trabalhando internamente para que o PL, não sendo ela, se incline em favor de Tarcísio de Freitas. E Tarcísio, da mesma forma, também continua esperando.
Batizado no Jordão
Os gestos de Flávio na semana passada em Jerusalém repetindo o que fizera seu pai antes da candidatura à Presidência também dividem opiniões internas no PL. Flávio é mais ou menos Bolsonaro após isso? Em 2016, o pastor Everaldo, que depois acabou enrolado com as irregularidades de Wilson Witzel no Rio, batizou Jair Bolsonaro no rio Jordão, mesmo lugar onde foi batizado Jesus.
Moderado ou não?
Fica a dúvida sobre qual a melhor estratégia para Flávio. Repetir, como em Jerusalém, gestos de Bolsonaro ou se mostrar mais moderado do que ele, como quando declarou ter se vacinado contra a covid-19? A avaliação é que o senador, vê-se obrigado a equilibrar entre o bolsonarismo ou ampliar o eleitorado.
Valdemar
Diante de todas essas dúvidas, a estratégia do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é permanecer quieto, esperando o momento de avaliar se Flávio de fato se viabiliza ou se vai acabar murchando. Quieto, o comandante do PL não se compromete nem com uma nem outra estratégia.
Tarcísio
E mantém Michelle na sua prateleira. E também Tarcísio de Freitas. Apesar de ter manifestado nas redes sociais novamente na semana passada sua intenção de disputar a reeleição em São Paulo, a avaliação é que ele só irá mesmo definir o que fará em abril, quando chegar a hora da desincompatibilização.
Nikolas
Fica da caminhada e do raio de domingo (25) o que sobra para Nikolas Ferreira. Se nenhum presidenciável pegou carona na sua marcha, o mérito ou o desgaste ficará para ele. E, no PL, o que fica no momento é a constatação de que foi ele quem conseguiu levar 18 mil pessoas a uma praça de Brasília no meio de um temporal.
29 anos
Nikolas tem somente 29 anos. Não pode, assim, ser candidato à Presidência, pelas regras atuais, nem este ano e nem mesmo nas próximas eleições em 2030. A idade mínima para disputar a Presidência é 35 anos. Mas Nikolas se cacifa para voos futuros do PL. E pode ter se consolidado para o governo de Minas Gerais.
Minas
Nikolas fará 30 anos em maio. Terá, portanto, a idade mínima para disputar o governo de Minas Gerais. Onde não há candidato claro. Quem ali lidera as pesquisas é o senador Cleitinho (PL). E, pelo lado do governo, Lula não conseguiu convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a entrar na disputa.















