Por Mucíolo Ferreira*
O que existe de comum entre o jogador Hulk, ídolo do Clube Atlético Mineiro, e a lendária Martha Rocha (1932-2020), a mais bonita Miss Brasil de todos os tempos? Acertou quem respondeu a fama do tamanho dos quadris de ambos. Só que Hulk leva vantagem na parte do corpo, a preferência nacional dos brasileiros e brasileiras. Enquanto oficialmente a baiana que ficou em segundo lugar no Miss Universo de 1954, tinha 100 cm de bumbum, o paraibano de Campina Grande tem 111 centímetros, 11 a mais do que a mais inesquecível das beldades brasileiras.
Esse assunto bem que poderia pautar algum cronista a construir um artigo, ou até sugerir para tema da redação em algum vestibular. O título poderia até ser: “Martha, Hulk e Hollywood”. “Ôxe!”, exclamaria a jornalista e minha amiga Letícia Lins, editora do Blog #OxeRecife. E me indagaria: “Mucíolo, o que isso tem a ver?”. Mas eu explico. Em 1954, durante o período em que ficou em Long Beach, Los Angeles, Martha Rocha foi aclamada pela imprensa que cobriu o Miss Universo como a favorita, sendo apontada tanto pela crítica especializada quanto pelo público como provável vencedora.
Leia maisRosto perfeito, emoldurado pelos olhos azuis e… o tamanho do bumbum a credenciariam a não só vencer, mas, também, a morar nos Estados Unidos, iniciando a carreira de atriz nos estúdios da Universal Pictures, organizadora e dona da franquia Miss Universo.
Todavia, o convite para trabalhar em Hollywood foi descartado pela brasileira. Essa negativa não foi bem assimilada pelos poderosos e o principal patrocinador. Martha voltou ao seu país sem coroa e a faixa da beleza universal. Até meados dos anos 60, o Miss Universo tinha como objetivo descobrir e revelar novos talentos e rostos para o cast da Universal Pictures. Então, não era de interesse dos americanos eleger uma jovem cujos planos não incluíssem sua participação em pequenos papeis em Hollywood.
Para justificar a derrota da Miss Brasil para a candidata dos Estados Unidos (Miriam Stevenson) espalharam que foram as duas polegadas a mais nos quadris que derrotaram a baianinha de Salvador. Todavia esse fato sempre foi negado pela vice-Miss Universo. “Nunca tiraram minhas medidas”, garantiu Martha, sempre que era questionada a esse respeito.
Ah, e o Hulk? Bem, o ex-jogador da seleção brasileira acrescentou à fama de craque nos gramados como goleador em todos os times por onde passou o tamanho do seu bumbum, maior até que o da eterna Miss Brasil de 1954. E ele entra nesse comentário, também, devido a um herói dos filmes Hollywood, que surgiu na década de 1960.
Outro motivo para o “Incrível Hulk do Atlético Mineiro” ser destaque nesse artigo é que o apelido foi dado justamente pelo físico avantajado, semelhante ao Super Herói famoso, que foi criado pelo roteirista Stan Lee e o desenhista Jack Kirby, contratados pela Marvel Comics. Com uma força descomunal e o chute certeiro cobrado do meio do campo que derruba qualquer goleiro, jamais o Hulk será chamado pelo seu nome de batismo, Givanildo Vieira de Souza.
E em tempos de corrida e expectativas sobre quem dos indicados ao Oscar 2026 irá levar a estatueta, que dá ao Brasil chances com o filme “O Agente Secreto”, nada mais oportuno do que resgatar parte da nossa história sobre o dia em que uma brasileira disse não a Hollywood.
*Jornalista
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