Em artigo publicado hoje no jornal New York Times, o presidente Lula (PT) criticou os bombardeios dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. “Esse hemisfério nos pertence”, escreveu Lula. O artigo de opinião publicado hoje no NYT aborda o ataque dos EUA sem precedentes a um país da América do Sul.
Lula definiu a ação na Venezuela como “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida”. Entretanto, em nenhum momento o presidente brasileiro cita o nome do seu homólogo norte-americano, Donald Trump. As informações são do portal UOL.
Leia maisO petista ressaltou que o futuro da Venezuela cabe a seu povo. “Somente um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, conduzirá a um futuro democrático e sustentável”, escreveu, sem mencionar a ditadura sob Maduro.
Ele comentou que essa foi a primeira vez que a América do Sul foi alvo de um ataque militar direto dos EUA em mais de 200 anos de independência. “É particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo infligidas à América Latina e ao Caribe. Elas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que luta pela paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição do uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”, diz.
Presidente brasileiro também criticou “incursões neocoloniais por recursos estratégicos”, que chamou de práticas “ultrapassadas e prejudiciais”. No início, Trump apontou o narcoterrorismo e a ameaça à segurança internacional como justificativas para a operação militar. Depois, admitiu interesses na exploração de petróleo na Venezuela, que tem a maior reserva do mundo.
Petista afirmou, ainda, que chefes de Estado ou de governo podem ser responsabilizados por atentar contra a democracia e os direitos fundamentais. O presidente avalia que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”, como fizeram os EUA. Além disso, ele avalia que “ações unilaterais ameaçam a estabilidade mundial, interrompem o comércio e o investimento, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
Líderes das grandes potências devem compreender que “um mundo de hostilidade permanente não é viável”, pontuou Lula. De acordo com ele, “por mais fortes que essas potências sejam, não podem se basear simplesmente no medo e na coerção”.
“Ano após ano, as grandes potências intensificam os ataques à autoridade das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança. (…) Se as normas forem seguidas apenas seletivamente, a anomia se instala e enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, afirmou Lula em artigo no NYT.
Artigo repete nota pós-ataque
Logo após a captura do ditador Maduro, Lula repudiou o episódio em post no X (antigo Twitter). Sem citar os EUA, ele disse que os bombardeios e a prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, “ultrapassam uma linha inaceitável”.
Lula classificou o ataque como “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela. Disse ainda que esse foi “mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse Lula, em publicação no X.
Presidente também disse na nota que América Latina e Caribe são “zona de paz”. Finalizou invocando as Nações Unidas a responderem “de forma vigorosa” a esse episódio.
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