Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
No momento, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) se considera apto a disputar as eleições para governador do Distrito Federal. A mudança ocorrida na Lei da Ficha Limpa alterou os prazos de inelegibilidade e, pela nova forma de cálculo, ele teria ficado elegível desde 2022.
Mas a Rede entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda terá de julgar. Arruda acredita que o STF manterá a mudança da lei. E ele, então, entrará na disputa. Há, porém, quem julgue que, mesmo se tornando elegível, Arruda possa vir a ter uma fragilidade. O caso Master tornará forte mais uma vez o debate sobre corrupção no DF. E Arruda entrará como alguém que já foi condenado.
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Ao Correio Político, Arruda afirmou que está preparado se o debate acontecer por esse viés. “Creio que, sim, o debate sobre corrupção vai acontecer”, disse Arruda. “E quero ter uma chance de me explicar”, completou. Arruda foi alvo da Operação Caixa de Pandora, e houve a divulgação de um vídeo no qual ele de fato recebia uma sacola cheia de dinheiro. “Recebi, sim, a doação. Mas foi antes de ser governador. E declarei”, afirma ele agora.
“De qualquer modo, ainda que tivesse havido, perto de tudo isso que agora aparece, meu caso deveria ter sido julgado no Juizado de Pequenas Causas”, brinca Arruda. “E, ainda nessa linha, fui condenado e fiquei 16 anos inelegível. Não era o caso de ter acabado?” O ex-governador prossegue com um outro argumento do campo político-eleitoral. “O eleitor no seu julgamento ainda me dá 30% das intenções de voto. Então, já deve ter tirado as suas conclusões”. Os últimos levantamentos mostraram Arruda competitivo contra a governadora Celina Leão (PP).
De qualquer modo, Arruda turbina as redes sociais com vídeos na sua pré-candidatura. Num deles, apontou propostas concretas para a crise do BRB a partir do rolo do Master, que deixou para o Banco de Brasília um rombo de R$ 16 bilhões. Para Arruda, as soluções apontadas por Celina, de venda de imóveis para cobrir o rombo, não irão resolver o problema.
Se Celina disse que poderia pedir ajuda ao governo federal, Arruda tem, nesse sentido, uma proposta concreta: tornar o BRB o banco gestor do Fundo do Centro-Oeste (FCO). São R$ 15 bilhões. “Isso daria ao BRB uma capacidade de ser banco de fomento. E faz todo sentido, porque o BRB é um banco regional”.
A segunda proposta feita por Arruda é que o banco trabalhe com a conta movimento. “Todas as receitas de impostos e transferências da União para Brasília passam pelo BRB. São mais de R$ 70 bilhões por ano. Trabalhar o fluxo dessa conta movimento pode gerar um superávit, com juros de 15% ao ano”.
Então, na linha do que defende Arruda, fazer o BRB voltar ao que deveria. Em vez da ideia de se tornar um grande banco comercial, patrocinando time de futebol, camarotes vips de Fórmula Um, com agências no exterior, voltar a ser o banco de Brasília. “Precisa cortar na carne, acabar com isso tudo”, prega.
No meio dessa confusão toda que acabou virando a eleição do DF, com Celina Leão assumindo o governo com um discurso de oposição a Ibaneis Rocha (MDB), de quem ela era vice-governadora, com quem Arruda vai compor para formar sua chapa para o Senado? “Isso vai evoluir até a convenção, mas hoje eu diria que com ninguém”.
Ao fechar com Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL, como candidatas a senadora, Celina deixou órfãos outros partidos e abriu flancos para que seus adversários ampliassem suas alianças. “Mas eu não sei se é o caso de eu ter candidato a senador na minha chapa”, surpreende Arruda.
“Eu tenho voto à esquerda e à direita. Talvez fechar alianças, em vez de ampliar, me limite”, raciocina Arruda. Para ele, o jogo no DF vai passar pelo maior escândalo financeiro da história. “a coisa mais grave que já aconteceu no sistema bancário nacional” com suas consequências. E Arruda está no jogo.
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