Por Ricardo Noblat – Metrópoles
O Congresso Nacional viveu 48 horas de tensão absoluta, marcando o que o jornalista veterano Ricardo Noblat classificou como o ponto mais baixo do legislativo brasileiro desde a redemocratização de 1985. Em uma edição do programa Noblat Blá Blá, os jornalistas detalharam uma sequência de eventos que incluiu a expulsão física de um deputado, a censura à imprensa e manobras para salvar mandatos de parlamentares condenados.
O “espetáculo” de violência e censura
A normalidade foi rompida quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em ato de protesto, ocupou a cadeira da presidência da Câmara. A resposta da presidência da Casa, comandada por Hugo Motta, foi descrita como desproporcional e autoritária – muito diferente do caso de agosto, quando a extrema-direita sequestrou a mesa e paralisou a pauta Legislativa.
Leia maisAntes de ordenar a remoção física do deputado, houve uma determinação inédita: a retirada da imprensa do plenário e a suspensão da transmissão da TV Câmara, impedindo o registro oficial das cenas de violência que se seguiriam.
Hugo Motta: O alvo de todas as críticas
A figura central da crise é o atual presidente da Câmara, Hugo Motta. Classificado por Ricardo Noblat como uma figura “minúscula” e politicamente dependente de seu antecessor, Arthur Lira, Motta foi duramente criticado por sua incapacidade de liderança e por permitir o uso da violência dentro da Casa.
Curiosamente, Motta conseguiu desagradar a gregos e troianos. Além das críticas da oposição e da imprensa, ele foi alvo de ataques virulentos da extrema-direita. Eduardo Bolsonaro, em vídeo exibido durante o programa, não poupou ofensas ao presidente da Câmara, chamando-o de “bonequinha de Alexandre de Moraes” e proferindo xingamentos de baixo calão contra diversas autoridades.
A “salvação” de Carla Zambelli e a anistia velada
Enquanto o plenário virava palco de batalha, articulações nos bastidores garantiram vitórias para a ala bolsonarista. O destaque foi a manutenção do mandato da deputada Carla Zambelli, apesar de condenações prévias pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo considerada foragida e estando em Roma, na Itália, aliados celebraram a decisão da Câmara de não cassar seu mandato – decisão já anulada pelo Supremo.
“O inacreditável aconteceu. Carla Zambelli não foi cassada… Um recado claríssimo pro Supremo Tribunal Federal que esta Câmara aqui não aceita esse tipo de cassação”, comemorou um aliado em vídeo, ao lado de parlamentares em festa.
Além disso, o Congresso aprovou um projeto de lei que reduz drasticamente as penas para envolvidos em atos golpistas, uma medida vista por Ricardo Noblat como uma forma de “contemplar Bolsonaro” e seus seguidores.
O pior Congresso da história?
Para Ricardo Noblat, os eventos de dezembro de 2025 simbolizam a degradação final do parlamento. Ele argumenta que o Congresso atual se tornou independente do voto popular, sustentando-se através do controle do Orçamento (o chamado “orçamento secreto” ou emendas impositivas) para comprar apoio político sem a necessidade de legitimidade eleitoral real.
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