Por Bruno Brennand*
A recente reportagem da TV Record sobre o monitoramento do secretário Gustavo Monteiro por agentes da Polícia Civil de Pernambuco não pode ser tratada como episódio isolado. Segundo a matéria, houve acompanhamento de rotina, uso de ferramentas tecnológicas e rastreamento veicular, a partir de denúncia anônima. O Governo do Estado afirmou tratar-se de procedimento técnico. A Prefeitura reagiu. O Ministério Público pediu esclarecimentos.
Esse é o fato. Mas, para quem acompanha a política pernambucana há décadas, isso não nasce do nada. O uso seletivo do aparato estatal sempre fez parte da engrenagem local de poder. Durante os governos de Eduardo Campos, comentava-se abertamente nos bastidores a existência de um sistema próprio de inteligência. Em 2012, em Ipojuca, a polícia foi colocada em força máxima nos dias que antecederam a eleição que consagrou Carlos Santana, então sogro de João Campos. Presenciei pessoalmente Eduardo comemorar aquela vitória com mais entusiasmo que a própria eleição do Recife.
Leia maisNão foi caso único. Empresas também sentiram esse peso. Uma empresa de laticínios, de um publicitário não alinhado com o governo da época, passou a sofrer ações simultâneas de Apevisa, Adagro, Sefaz, Compesa e Polícia Civil. Houve multa milionária da Compesa. Embora a empresa tivesse problemas, foi escolhida de forma seletiva para múltiplas fiscalizações, o que contribuiu para sua recuperação judicial.
O que muda agora é o instrumento. Antes, o controle era feito por viaturas e relatórios. Hoje, é feito por dados. Stefano Rodotà chamava isso de “cidadão de vidro”: o Estado passa a saber tudo sobre o indivíduo, enquanto o cidadão ignora como e por que é monitorado.
Zygmunt Bauman descreveu esse processo como parte da modernidade líquida: o poder deixa de ser visível e passa a operar por algoritmos, bancos de dados e vigilância silenciosa.
Rastreamento por antenas, biometria, reconhecimento facial e monitoramento de redes sociais estão se tornando rotina. Cada ferramenta parece inofensiva isoladamente. Juntas, formam um sistema permanente de observação.
A Constituição brasileira é clara: medidas invasivas exigem devido processo e controle judicial. O Marco Civil da Internet foi criado justamente para preservar isso no ambiente digital. O ministro Edson Fachin, ao analisar esses dispositivos no STF, defendeu que sem juiz não há proteção real da liberdade nem da privacidade. Sem juiz, não há limite. Sem limite, não há direito.
Pernambuco funciona como microcosmo do país. Aqui se testam práticas que depois se espalham. O risco não é apenas local. É nacional.
O Brasil caminha para um modelo em que a exceção vira método, o rastreamento vira rotina e a vigilância passa a ser tratada como simples procedimento administrativo.
A pergunta final não é jurídica. É histórica. Vamos defender os limites constitucionais enquanto ainda existem — ou aceitaremos, em nome da eficiência e da segurança, a lenta transformação da República em um sistema permanente de monitoramento?
Pernambuco já ofereceu um sinal. Resta saber se o Brasil vai escutar.
Recife, 30 de janeiro de 2026.
*Advogado e professor
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O deputado estadual Kaio Maniçoba anunciou, neste sábado (31), durante participação por telefone no programa Conecta Taquaritinga, a formalização de um convênio no valor de R$ 5 milhões para o município. Segundo o parlamentar, os recursos devem ser destinados a ações estruturantes, além da implantação de uma escola técnica no distrito de Pão de Açúcar, iniciativa voltada à ampliação da oferta de educação profissional na região, em parceria com o Governo de Pernambuco, comandado pela governadora Raquel Lyra.
O prefeito Gena Lins comentou os anúncios e afirmou que os investimentos resultam de articulações junto ao deputado e à governadora Raquel Lyra. A expectativa da gestão municipal é de que a escola técnica contribua para a formação de mão de obra local e para o fortalecimento da economia do distrito, enquanto o convênio ainda terá os detalhes de aplicação definidos nos próximos meses.
O deputado estadual Waldemar Borges (MDB) criticou a exoneração de Yuri Coriolano e classificou o episódio como mais um sinal de instabilidade no governo estadual. Em publicação feita ontem em seu perfil no Instagram, o parlamentar afirmou que a saída do auxiliar representa a 23ª mudança no primeiro escalão do governo, em pouco mais de três anos.
Na avaliação de Waldemar Borges, a sucessão de trocas revela a ausência de um comando político capaz de unificar a gestão. “São três anos falando inverdades sobre o passado, três anos destilando rancor, três anos sem um comando agregador, capaz de manter uma equipe trabalhando unida e olhando para o futuro”, escreveu.
O deputado também atribuiu à instabilidade administrativa a falta de avanços na condução do Estado. “É um governo sem rumo nem prumo”, afirmou, ao apontar a inconstância como causa do que classificou como “esse desastre e essa inércia que Pernambuco está vivendo”.
Além de anunciar anistia para presos políticos na Venezuela, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o centro de detenção de Helicóide, em Caracas, vai ser transformado em um centro de convivência.
O local abriga maioria dos presos políticos da Venezuela e é onde funciona a sede do serviço de inteligência do país. Na década de 2010, ele foi apontado por opositores do ditador Nicolás Maduro e por organizações de direitos humanos como o principal centro de tortura do país. As informações são do UOL.
Leia maisPrisão deve virar um “centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e comunidades vizinhas”, disse Delcy. Ela falou sobre a requalificação do prédio na noite de ontem, no mesmo discurso que anunciou a anistia para os presos.
O Helicóide fica no centro de Caracas e foi idealizado como um shopping na década de 1950. Ele nunca funcionou como um centro de compras e passou décadas abandonado até se tornar uma instalação militar.
Desde 8 de janeiro, dias após Maduro ser capturado pelos EUA, cerca de 300 presos políticos foram soltos na Venezuela. A libertação avança lentamente e, segundo levantamento de organizações sociais, cerca de 700 opositores de Maduro seguem detidos pelo governo.
Prédio luxuoso foi abandonado e virou prisão

O edifício Helicóide foi construído nos anos 1950, durante a ditadura de Marcos Pérez Jiménez. Ele foi idealizado para ser o primeiro shopping center drive-thru do mundo, com rampas que levavam às 300 lojas planejadas para o complexo.
Luxuoso centro comercial nunca foi inaugurado e, por anos, permaneceu vazio. Após a queda de Pérez Jiménez, o projeto ambicioso acabou se tornando um imenso elefante branco.
Espaço foi transformado em um quartel-general na década de 1980. Na ocasião, o governo da Venezuela começou a transferir algumas agências para o Helicóide, sendo a mais importante o Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência).
O local foi transformado em prisão anos depois. Com passagens semelhantes a hélices que levam a uma cúpula, o edifício passou a ter espaços projetados para serem lojas, salas comerciais, banheiros e até escadas convertidos em celas.
Os corredores circulares da prisão são longos e sombrios, de acordo com reportagem do jornal “El País”. A sala de visitas é “opaca e hermética”, e os familiares dos presos sofrem abusos frequentemente.
As celas não têm luz ou ventilação natural, contou um estudante detido no local à CNN. Outro preso relatou que, com muita frequência, se escutavam gritos no local devido às sessões de tortura.
O ativista Rosmit Mantilla passou dois anos e meio preso e descreveu o espaço como “um inferno na terra”. Ele relatou ao “The Guardian” que a rotina no prédio era de superlotação, desnutrição, pressão psicológica e refeições escassas.
“Há pelo menos três salas usadas para tortura e não conseguíamos dormir porque ouvíamos gritos a noite toda: pessoas que apareciam e desapareciam”, diz o ativista ao The Guardian.
O espaço se deteriorou com o tempo e, nos anos 2010, ficou marcado por superlotação. Em imagens publicadas pelo jornal “Todo Notícias”, é possível ver o desgaste na estrutura do presídio, que tinha até 12 presos em uma mesma cela. O local não teria serviço de água nem vasos sanitários, o que ajudou na proliferação de ratos e baratas, segundo relatos dos presos.
O papel do edifício como prisão e centro de tortura só se tornou público após protestos em massa em 2014 e 2017. As autoridades venezuelanas, no entanto, seguiam negando os casos de tortura no país.
Relato de testemunhas ajudou organização a criar “passeio virtual” pelo local. Em 2023, o projeto “Realidade Helicoide” coletou depoimentos de 30 pessoas que foram presas na sede do Sebin e ilustrou o local para que visitantes online pudessem viver uma imersão no espaço.
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O deputado federal Lucas Ramos (PSB) informou, por meio de publicação em seu perfil no Instagram, que já destinou mais de R$ 70 milhões para a área da saúde em Pernambuco ao longo de três anos de mandato. Segundo o parlamentar, os recursos foram pagos e repassados ao Governo do Estado, prefeituras, instituições públicas estaduais e federais, além de Organizações Sociais de Saúde.
De acordo com Lucas Ramos, os investimentos têm sido aplicados no fortalecimento da rede pública, com impacto direto na infraestrutura hospitalar, em laboratórios, consultas e atendimentos, além da aquisição de medicamentos e da contratação de profissionais de saúde. “É um investimento que se transforma em cuidado com as pessoas”, afirmou o deputado.
Ainda segundo o parlamentar, a destinação dos recursos faz parte de uma atuação voltada à ampliação do acesso da população aos serviços de saúde. “Seguimos trabalhando com responsabilidade para ampliar o atendimento e reforçar a rede de saúde pública”, declarou.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), acertou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mudança do seu domicílio eleitoral para São Paulo e deve disputar o Senado em uma chapa que teria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), concorrendo ao governo do estado. Em paralelo, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), afirmou que também pode concorrer ao cargo — a eleição terá duas vagas para a Casa — e que está “disposta” a participar de uma construção eleitoral no estado que a “recolocou na cena política”.
Lula e Tebet conversaram sobre o cenário eleitoral durante viagem ao Panamá nesta semana para participar do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). A ministra tem até 4 de abril para transferir o seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, seu estado de origem e por onde já foi senadora, para São Paulo. Ainda não está definido se Tebet mudará de partido. A ministra recebeu convite para trocar o MDB pelo PSB. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisNegociação no MDB
Lideranças petistas de São Paulo ainda alimentam, porém, a possibilidade de ela concorrer ao Senado pelo seu atual partido. Mas no estado o MDB está comprometido com o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na disputa municipal de 2024 foi um importante cabo eleitoral do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A aliança firmada na época teve a participação do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi.
A ministra foi questionada ontem, após participar de um evento em São Paulo, sobre a possibilidade de transferir o seu domicílio eleitoral para o estado.
“Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. Porque o presidente avalia que sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura”, respondeu. “Discutimos apenas a minha candidatura ao Senado. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada.”
Tebet revelou que terá uma segunda conversa com Lula antes do carnaval para continuar a discutir a sua situação política e chegar a uma definição. No entorno do presidente, há uma avaliação de que Tebet deve mudar para São Paulo não só porque sua candidatura ao Senado é viável eleitoralmente, mas também porque o cenário político para ela no Mato Grosso do Sul é complicado. O MDB faz parte do governo de Eduardo Riedel, que trocou o PSDB pelo PP e se aproximou do bolsonarismo.
Depois do apoio dado a Lula no segundo turno da eleição de 2022, Tebet teve a sua imagem desgastada no estado, onde Bolsonaro superou o petista. Deputados estaduais do MDB do MS não gostariam de disputar tendo a ministra na chapa ao Senado.
Em São Paulo, o palanque de Lula ainda não está totalmente definido. Haddad vem resistindo em declarações públicas à possibilidade de concorrer ao governo. Há uma aposta, porém, de que o ministro da Fazenda vai ceder aos apelos do presidente e à pressão do PT, já manifestada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
“Eu entendo que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, de levar inclusive para um segundo turno, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Não entramos em detalhes (sobre isso). Estou aqui apenas externando uma mera opinião”, avaliou Tebet.
Encontro com Edinho
Já Marina também deve se reunir com Lula para tratar de seu futuro político e definir, segundo ela, “a melhor forma de contribuir” na construção eleitoral em São Paulo. A ministra deve deixar seu atual partido, a Rede, e negocia um retorno ao PT. Ontem, ela se reuniu com dirigentes do PV, como noticiou o colunista Lauro Jardim, do Globo.
“Eu me vejo no desenho da construção para o Senado. São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível, quando eu nem queria mais ser candidata”, disse.
Marina relatou que é procurada por “vários partidos”: “Estou dialogando com o PT, sim, e tive uma primeira conversa muito boa com o Edinho (Silva, presidente da sigla). Uma conversa já aconteceu com a presidente do PSOL, Paula Coradi. Tem pedidos de conversa do PSB, do PV, de vários partidos. Uma análise está sendo feita.”
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Do Metrópoles
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, apresentou uma proposta de lei de anistia geral e afirmou, ontem (30), que pretende conceder o perdão a presos políticos no país. A medida foi anunciada durante a abertura das atividades do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
Segundo a vice de Nicolás Maduro, que assumiu o poder após a captura do líder chavista pelos Estados Unidos, no início do mês, o indulto deve cobrir o período de “violência política” de 1999 a 2026.
Leia mais“Que seja uma lei que sirva para curar as feridas deixadas pelo confronto político decorrente da violência e do extremismo, que sirva para restabelecer a Justiça em nosso país e que sirva para restaurar a convivência entre os venezuelanos”, afirmou Delcy.
Para entrar em vigor, a proposta deverá ser votada pela Assembleia Nacional do país. A aprovação, contudo, não deve enfrentar resistências, já que o Parlamento local é dominado por chavistas ligados à vice de Maduro.
Centenas de presos políticos
De acordo com informações da organização venezuelana de direitos humanos Foro Penal, ainda existem mais de 700 presos políticos na Venezuela. Uma outra parte, composta por 303 pessoas, já foi libertada após a queda do governo Maduro.
A libertação de pessoas detidas por motivos políticos faz parte de pressões vindas dos Estados Unidos contra a nova administração do país latino-americano, que têm sido atendidas pela atual líder do país.
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A Prefeitura de Belém do São Francisco se manifestou após a publicação de matéria neste blog que criticou a demora na nomeação do secretário de Educação e associou o vácuo administrativo à perda do acesso ao VAR (Valor Aluno Resultado).
Em nota, a gestão municipal negou responsabilidade pelo prejuízo e afirmou que a exclusão do repasse do VAAR (Valor Aluno Ano por Resultados) nos exercícios de 2025 e 2026 decorre de indicadores educacionais apurados em 2024, ainda na gestão anterior, com base nos resultados do Saeb e em critérios técnicos definidos pelo Ministério da Educação.
Veja nota na íntegra:
Leia mais“A Prefeitura Municipal de Belém do São Francisco, por meio do Prefeito Municipal, vem a público prestar esclarecimentos à população acerca da perda do repasse do VAAR (Valor Aluno Ano por Resultados) nos exercícios financeiros de 2025 e 2026, bem como para esclarecer informações inverídicas que vêm sendo divulgadas em blog e redes informais de comunicação.
É imprescindível afirmar que não condiz com a verdade a informação de que a atual gestão tenha sido responsável pela perda do referido recurso. Conforme registros oficiais do Demonstrativo de Operacionalização do Ministério da Educação, a perda do VAAR está diretamente relacionada aos resultados educacionais apurados no ano de 2024, período correspondente à gestão municipal anterior.
De acordo com o MEC, o município não atendeu à Condicionalidade 3, que está vinculada aos resultados de aprendizagem dos estudantes, aferidos por meio do SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica, aplicada no ano de 2023. O VAAR é um mecanismo legalmente condicionado ao desempenho educacional, e sua liberação ocorre exclusivamente a partir do cumprimento das condicionalidades estabelecidas na legislação do Fundeb.
Os resultados do SAEB 2024, utilizados como base para o cálculo do VAAR, não atingiram os parâmetros mínimos exigidos, o que ocasionou, de forma automática e legal, a perda do recurso nos exercícios de 2025 e 2026. Trata-se, portanto, de um efeito técnico e normativo, não havendo qualquer discricionariedade da atual administração sobre essa decisão.
Dessa forma, é juridicamente incorreta e materialmente falsa qualquer afirmação que atribua à atual administração municipal responsabilidade pela perda do referido repasse, uma vez que o fato gerador decorre de indicadores educacionais consolidados em período anterior ao início desta gestão.
Ressalta-se, por fim, que a atual administração tem adotado providências administrativas e pedagógicas voltadas à melhoria dos indicadores educacionais, com vistas ao pleno cumprimento das condicionalidades legais do VAAR em ciclos avaliativos, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a moralidade administrativa, a transparência e a qualidade da educação pública municipal.”
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Filiada ao PSD de Gilberto Kassab, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, procurou o Palácio do Planalto para reclamar do que considera como “perseguição política”.
Na quarta-feira (28), a governadora viajou a Brasília para se reunir com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), considerado por ela como um aliado no governo Lula. As informações são do portal Metrópoles.
Leia maisNa conversa, segundo relatos feitos à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Raquel Lyra reclamou com o ministro de Lula sobre ações do governo federal que visariam perseguir sua gestão em Pernambuco.
Nos últimos dias, a governadora ficou incomodada com a notícia de que o Ministério da Saúde pretende fazer uma inspeção em um hospital em Garanhuns, no interior do estado.
A unidade hospitalar tem como sócio o marido da vice-governadora, Priscila Krause (PSD). Embora seja privado, o hospital presta alguns serviços ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A disputa em Pernambuco
Para aliados da governadora, o governo Lula estaria atuando para ajudar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que deve disputar o governo do estado contra Raquel Lyra em 2026.
A governadora e o prefeito travam uma dura guerra política nos bastidores. A disputa já teve, inclusive, acusação de espionagem da gestão estadual contra um secretário municipal.
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A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) anunciou, na noite de ontem (30), que realizará uma consulta pública para a concessão do Metrô do Recife.
A informação foi divulgada durante discurso da gestora estadual, momentos antes da assinatura de ordem de serviço da contratação das obras de dragagem do canal de acesso do Porto do Recife.
Leia mais“A gente já deve abrir a consulta pública para a nova concessão nos próximos dias e permitir que trabalhadores e trabalhadoras, cidadãos pernambucanos que vivem na Região Metropolitana, tenham a oportunidade de ficar mais tempo em casa com seus filhos”, declarou a governadora.
No último dia 16 de janeiro, Raquel Lyra esteve com o ministro das Cidades do Brasil, Jader Filho (MDB), onde anunciou que as obras de requalificação na estrutura do sistema começariam em até 30 dias.
Na ocasião, o chefe da pasta federal anunciou investimentos de curto prazo no valor de R$ 500 milhões para a recuperação do transporte, que, de acordo com ele, não tem mais condições de oferecer um serviço digno ao usuário.
Licitação das linhas de ônibus
Durante seu discurso, Raquel Lyra também anunciou o lançamento da concessão das linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife. De acordo com a governadora, a medida tem o objetivo de melhorar a qualidade do serviço prestado à população.
“Vamos, muito em breve, lançar a concessão das linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife. A gente tem apenas dois lotes que foram concedidos ainda na época da Copa [do Mundo]. Vamos licitar todos os outros para que a gente possa ter serviço de melhor qualidade sendo prestados à população da Região Metropolitana, que é onde está 42% da população de Pernambuco”, afirmou.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
No início, os políticos frequentavam oráculos. O mais famoso deles era o de Delfos, o centro espiritual mais importante da Grécia, erguido na encosta do monte Parnaso. Heráclito conta que Creso, o rei dos lídios, consultou o oráculo e recebeu como resposta que, se atravessasse o rio Hális, um grande império desmoronaria.
Ele entendeu que o império era o de Ciro, o rei persa. Não pensou duas vezes: atravessou o rio com seu exército e atacou. Ciro derrotou Creso, o fez prisioneiro e seu servo.
Leia maisPassados 3.000 anos, a história se repete. Os oráculos do século 21 são as pesquisas qualitativas e quantitativas. Os políticos, na maioria das vezes, ouvem o que elas dizem, mas erram na interpretação. Em parte significativa das vezes, as pesquisas indicam que o caminho escolhido não sustenta o poder. Pesquisas, quando bem-feitas, não são meros relatórios ou planilhas: são sinais das ruas.
Na última rodada do PoderData, o oráculo falou ao presidente Lula e seus adversários. Os números mostram um aumento na rejeição do presidente, com 57% dos eleitores desaprovando seu trabalho, e uma quantidade cada vez maior de brasileiros considerando ser um erro sua tentativa de reeleição.

De acordo com a Paraná Pesquisas, 51% entendem que Lula não merece ser reeleito contra 45,3% que pensam o contrário.
Também aumentou muito a percepção de que a corrupção no governo Lula 3 perdeu o freio. Praticamente metade do eleitorado (49%) vê a corrupção crescendo, enquanto só 18% avaliam que ela diminuiu. Um crescimento de 10 pontos percentuais em dois anos.

Mas se o presidente é reprovado por 57%, a percepção de corrupção é crescente e 53% do eleitorado torce o nariz para seu governo, então por que Lula continua sendo um candidato competitivo aos 80 anos?
A explicação pode estar no fato de o Bolsa Família fazer a diferença. Hoje, aproximadamente 50 milhões de brasileiros ou 18,7 milhões de famílias são beneficiados pelo Bolsa Família e outros programas sociais do governo. As mulheres representam 83% desse total.
Entre o sexo feminino, mostra o PoderData, 46% aprovam o governo Lula, assim como 50% dos nordestinos, 44% dos que completaram o ensino fundamental e 43% dos que recebem até dois salários-mínimos por mês.

O oráculo das pesquisas fala sobre isso faz tempo. Lula e o PT entenderam, mas a oposição parece que não. Ou, não teve capacidade de construir um discurso e uma ação política capazes de seduzir as mulheres pobres, cuja sobrevivência depende dos benefícios sociais.
Não é só por falta de quadros que a esquerda tem apenas um candidato. É porque Lula, político mais experiente em atividade no Brasil, aprendeu como nenhum outro a vincular o voto à expectativa dos mais pobres de continuarem seguindo em frente, sem retrocessos.
Tive um professor na pós da GSPM, Chuck Cushman, que ensinava serem os pobres os mais conservadores, pelo medo de perder o pouco que têm. Uma chuva forte ou uma enchente podem levar tudo, literalmente tudo, o que uma família levou a vida toda para juntar. Ou um governo sem compromisso pode acabar com aquele dinheiro certinho todo mês. Isso pesa muito na hora de votar. E eles acabam escolhendo na base do “ruim com ele, pior sem ele”. São conservadores.
O Bolsa Família nasceu de uma costela do Bolsa Escola, criado pelo tucano Magalhães Teixeira (1937-1996), ex-prefeito de Campinas. Cristovam Buarque, então no PT, turbinou o programa durante seu governo (1995-1999) e, a partir de 2003, Lula transformou e ampliou este programa de renda mínima, agora marca dos seus governos. Os programas sociais de Lula fazem parte do cotidiano dos pobres há mais de 20 anos e hoje a maior parte deste eleitorado vê isso como uma conquista, um direito a ser preservado. Certo ou errado, é assim que funciona.
Cada vez que a oposição fala em acabar com o Bolsa Família ou reduzir programas sociais, a rejeição cresce, principalmente entre as mulheres. As pesquisas indicam que o voto em Lula é o tal voto conservador, como ensinou Chuck Cushman.
Neste aspecto, a polarização favorece mais o presidente do que a direita de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A Paraná Pesquisas indica que Lula cresceu desde outubro de 2023, saindo de 37,6% para 39,8% no 1º turno.
Entre os adversários, só Flávio Bolsonaro cresceu, partindo de 19,2% em outubro de 2023 para 33,1%. A maioria encolheu, como Ratinho Junior, que chegou a ter 10,5% e agora tem 6,5%. Mesmo com parte significativa da direita e centro-direita debaixo do guarda-chuva do PSD (Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Junior), será difícil quebrar a polarização.

Para serem mais competitivas, a direita e centro-direita precisarão usar a criatividade eficiente e focar nas mulheres com baixa escolaridade, baixa renda e chefes de família. Na mão delas está uma das chaves da eleição.
A outra está em Minas Gerais, Estado onde a eleição costuma ser definida, domicílio eleitoral de três importantes eleitores: o governador Romeu Zema, o senador Cleitinho e o deputado federal Nikolas Ferreira.
Desde os anos 1950, os políticos teimam em ler as pesquisas conforme sua conveniência e não conforme a realidade nelas contida. O único a entender corretamente a voz dos oráculos foi Fernando Henrique Cardoso, eleito e reeleito no 1º turno. Tarcísio de Freitas é outro a dar sinais de ter entendido o recado ao anunciar que pretende ficar em São Paulo. Os demais tendem a se confundir. O candidato pergunta: “Vou ganhar?”. E o oráculo responde: “Não desse jeito”. Mas ele acha que isso é provocação e dá mais do mesmo.
Em condições normais de temperatura e pressão, Lula estaria no pior dos mundos. Mas não estamos vivendo tempos normais, porque a temperatura não para de subir e a pressão é cada vez maior. Ele é o adversário a ser batido por aqueles cuja vitória depende da capacidade de seduzir parte dos eleitores dele.
Para sair dessa sinuca, o caminho é o ensinamento simples e direto de Duda Mendonça, um dos pais do marketing político brasileiro: “Sempre digo que sou um criador do óbvio. Você não tem de estar sempre procurando o inusitado, o diferente, o original. Tem de ser eficaz, obter resultados”. Eficiência, nada mais que a eficiência. É isso ou nos vemos em 2030.
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Acabou o tempo de subjugar mulheres
Por Larissa Rodrigues – repórter do Blog
Em mais um desgaste público para o Governo Raquel Lyra (PSD), um membro de sua equipe foi desligado após a imprensa descobrir que ele havia enviado e-mails com mensagens racistas e misóginas em um grupo virtual de faculdade. O agora ex-presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal de Pernambuco (EPTI) Yuri Coriolano entregou o cargo, ontem (30), depois que o portal Vero Notícias expôs os conteúdos dele.
Em um dos e-mails, ao debater sobre aborto, Coriolano disse: “Mas que porra. Que porra de direito de mulher decidir. Direito de decidir ela tem de copular com ou sem camisinha. Não de matar um outro indivíduo. Já tou ficando puto com esse assunto, vou me abster de tecer maiores comentários”, escreveu. Em outro e-mail, declarou: “preto é a praga da humanidade”.
Leia maisEle se desculpou em nota afirmando que as mensagens são de 14 anos atrás e não representam o que ele é hoje. No entanto, o novo desgaste gerou cobranças e fez a governadora Raque Lyra afirmar à colunista de política da Folha de Pernambuco, Betânia Santana, que sua gestão “não tolera misoginia, preconceito, qualquer tipo de racismo”.
Nem o governo de Raquel Lyra e nem nenhum outro neste país deve tolerar o intolerável. Racismo e misoginia são coisas do passado. Para quem insistir em manter esse tipo de conduta criminosa, o rigor da lei. Esse tipo de invalidação do poder de decisão das mulheres, exposto na fala do ex-presidente da EPTI, independentemente de ser antiga ou não, contribui para a cultura de subjugação feminina no Brasil.
Inclusive, estando o país em ano de eleições, não custa lembrar para aqueles e aquelas que desejam renovar seus mandatos ou conseguir entrar na vida pública quem é o povo brasileiro. O recorte racial, por exemplo, expõe que os pardos são a maioria do eleitorado brasileiro (53,57%), seguidos de brancos (33,34%) e pretos (11,39%). Os indígenas somam 0,98%, e os amarelos, 0,72%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Já o recorte feminino do debate mostra que mulheres são maioria e representam 53% do eleitorado nacional, somando pouco mais de 83 milhões de eleitoras. “Elas decidem, sim. Serão elas que decidirão as eleições de 2026 e os políticos de todas as vertentes e de olho em todas as vagas terão que conectar seus discursos às pautas femininas”, alerta a advogada especialista em Igualdade de Gênero pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Paloma Almeida.
“Acabou o tempo de subjugar mulheres. Os dados são bem nítidos. A sociedade não tem mais como aceitar esse tipo de conduta, mesmo que fossem minoria, o que não é o caso. Elas são a maior parte do povo brasileiro, chefiam a maioria dos lares, são consumidoras importantes e tomam decisões políticas. Essa é a realidade em 2026. Quem tiver a intenção de sair na frente na votação vai precisar mostrar serviço para elas, principalmente políticos homens. Por que uma mulher deve votar em mim? É a pergunta que devem se fazer”, completou a advogada.
Quem luta pelas nossas vidas? – Em 2025, foi ainda mais difícil ser mulher no Brasil. O país registrou o maior número de feminicídios desde que esse crime passou a ser contabilizado: segundo dados do Ministério da Justiça, de janeiro a dezembro do ano passado, foram 1.470 casos, superando o recorde de 2024, que já era altíssimo. É urgente que políticos e governos se unam em prol de combater a violência de gênero no Brasil.

Trabalho doméstico ainda é majoritariamente feminino – No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE) de 2022 apontam que as mulheres gastam 21 dias a mais do que os homens em tarefas domésticas, o equivalente a 499 horas a mais de trabalho. No período de um ano, os homens dedicam 612 horas aos afazeres domésticos, enquanto as mulheres 1.111 horas, segundo o IBGE, exemplificando a necessidade do fim da escala (6×1) e o impacto da medida na vida das brasileiras.
Lugar de fala 1 – Advogado, servidor do Tribunal de Contas de Pernambuco, ex-secretário de Governo do Recife e superintendente Geral da Alepe, Aldemar Santos, o Dema, produziu um texto emocionante sobre racismo, ontem (30). “O racismo nunca foi apenas ofensa, sempre foi projeto de exclusão. Um projeto que tenta decidir quem pode existir, quem pode mandar, quem pode ocupar espaços de poder. Um projeto que fracassou e continua fracassando. As recentes declarações racistas atribuídas a um ocupante de importante cargo no Governo do Estado de Pernambuco não são “opiniões do passado”, nem “deslizes juvenis”. São expressões cruéis de uma mentalidade que trata pessoas negras como subumanas, como ameaça, como erro histórico. Isso é inadmissível, sobretudo quando parte de alguém investido de função pública”, declarou.
Lugar de fala 2 – “É um absurdo inaceitável que pessoas que pensam assim continuem ocupando cargos no Governo de Pernambuco ou em qualquer outro espaço de poder. Quem nega a humanidade do povo negro não tem condições morais, éticas ou políticas de representar o Estado, seja lá em qual escalão for. Os racistas se imaginam donos do mundo. Mas o mundo não é deles. Fica aqui consignada a minha mais absoluta indignação”, completou Dema.

Lula recebe alta – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, ontem (30), uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. Em nota, o Palácio do Planalto informou que o procedimento ocorreu sem intercorrências e o presidente já recebeu alta hospitalar. Lula permanecerá na Granja do Torto, uma das residências da Presidência da República, em Brasília, e deve retornar às atividades de rotina na segunda-feira (2). A cirurgia foi realizada em uma clínica particular da capital federal. Segundo a nota, o presidente segue com o acompanhamento habitual pelas equipes lideradas pelo médicos Roberto Kalil Filho e Ana Helena Germoglio.
CURTAS
OLINDA – Um espaço criado para fortalecer o cumprimento de medidas judiciais e o combate à violência doméstica contra a mulher. Com esse objetivo, Olinda passa a receber o Núcleo de Informações Estratégicas e Cumprimento de Ordens Judiciais (NIOJ) Maria da Penha. A inauguração aconteceu ontem (30), no Fórum de Olinda, na Avenida Pan Nordestina.
OLINDA 2 – O NIOJ é uma criação do Tribunal de Justiça de Pernambuco, e a unidade de Olinda vai atender outros municípios, como Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata, totalizando seis comarcas. O serviço já funciona na cidade de Caruaru desde 18 de junho de 2024, local onde foi possível reduzir o tempo no cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) e o número de feminicídios.
POSSE DA NOVA MESA – A nova Mesa Diretora para o biênio 2026/2028 do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) tomará posse na próxima segunda-feira (2/2), às 16h, em sessão solene, na Sala de Sessões Des. Antônio Brito Alves (Salão do Pleno), no 1º andar do Palácio da Justiça.
Perguntar não ofende: Quem merece o voto das mulheres brasileiras em 2026?
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