Por Ângelo Castelo Branco*
O presidente Lula, enfrentando uma queda acentuada de popularidade, vem adotando posturas que, na prática, causam sérios prejuízos ao país.
Em primeiro lugar, sua conduta no exercício do cargo fere o princípio da imparcialidade institucional. Em vez de governar para todos os brasileiros, como determina a Constituição de uma República democrática, o presidente tem privilegiado demandas ideológicas de grupos políticos alinhados ao seu espectro, ignorando ou discriminando outras correntes de pensamento legítimas da sociedade brasileira.
Essa prática não apenas aprofunda a divisão entre diferentes segmentos da população, mas também compromete a coesão nacional necessária ao bom funcionamento das instituições e ao progresso econômico e social do país.
Leia maisEm segundo lugar — e talvez mais preocupante — é o uso recorrente de uma retórica marcada pela lógica da divisão: ricos contra pobres, “nós” contra “eles”.
Essa estratégia, típica de regimes totalitários mais ortodoxos, revive uma guerra de classes que deveria ter sido superada. Em vez de promover o diálogo e a convergência, o governo estimula antagonismos, criando um ambiente de instabilidade social e desconfiança econômica.
As consequências são visíveis: empresários e detentores de grandes patrimônios, diante da insegurança institucional e do discurso hostil à livre iniciativa, optam por transferir seus recursos para o exterior, retirando capital do país e prejudicando investimentos, geração de empregos e crescimento econômico. Trata-se de uma política que não apenas divide a sociedade, mas também mina as bases de um Brasil próspero e equilibrado.
É lamentável que um grupo político que tanto criticava o adversário pela instalação de um “gabinete do ódio” venha a tomar atitudes inconsequentes, jogando brasileiros contra brasileiros e negando a cultura democrática pacifista pela qual os liberais democratas tanto lutaram e defenderam heroicamente nos períodos dramáticos em que o estado de direito foi suprimido no país.
*Membro da Academia Pernambucana de Letras
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