O escritor Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel da Literatura em 2010, morreu, ontem, em Lima, no Peru. A morte foi anunciada pelo filho, Álvaro. A causa não foi informada.
“É com profundo pesar que anunciamos que nosso pai, Mario Vargas Llosa, faleceu hoje em Lima, cercado pacificamente por sua família”, escreveu nas redes sociais.
“Sua partida entristece seus parentes, amigos e seus leitores ao redor do mundo, mas nos consola saber que ele teve uma vida longa, múltipla e frutífera, e deixa atrás de si uma obra que o sobreviverá”, completou.
“Agradecemos de coração o carinho e o apoio recebidos e pedimos que sejam respeitadas nossas instruções. Não haverá nenhuma cerimônia pública. No momento da despedida final, nossos pensamentos estarão com todos que o leram e o admiraram. Após o adeus em família, seus restos, conforme sua vontade, serão cremados”.
Nascido na cidade de Arequipa, no sul do Peru, em 28 de março de 1936 em uma família de classe média, foi educado por sua mãe e seus avós maternos em Cochabamba (Bolívia) e depois no Peru.
Após seus estudos na Academia Militar de Lima, obteve uma licenciatura em letras e, ainda muito jovem, deu seus primeiros passos no jornalismo.
Instalou-se em 1959 em Paris, onde se casou com sua tia Julia Urquidi, 10 anos mais velha, e exerceu várias profissões: tradutor, professor de espanhol e jornalista da Agence France-Presse.
Anos depois, separou-se de Urquidi e se casou com sua prima-irmã e sobrinha de sua ex-esposa, Patricia Llosa, com quem teve três filhos e 50 anos de relação.
Vargas Llosa se divorciou de Patricia após iniciar em 2015, com quase 80 anos, um romance com uma figura conhecida do mundo madrilenho, Isabel Preysler, ex-mulher do cantor Julio Iglesias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interagiram em dois momentos, ontem, durante compromissos da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Durante um evento social oferecido pelo anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron, Lula e Trump se cumprimentaram e conversaram rapidamente. As informações são do portal G1.
Segundo auxiliares de Lula, os dois não falaram sobre as últimas ofensivas dos EUA contra o Brasil e a conversa durou de um a dois minutos. Ainda segundo interlocutores, Lula e Trump se cumprimentaram após uma apresentação musical organizada por Macron para chefes de Estado e de governo e convidados do G7 no hotel onde ocorre a cúpula.
Depois do concerto, os convidados foram para um jantar no mesmo local. Fontes afirmam que os dois já haviam se cumprimentado antes disso, após o discurso de Lula na reunião ampliada do G7. Trump e o petista se cruzaram no corredor do hotel onde acontece a cúpula e, ao encontrar Lula, Trump disse ao presidente brasileiro: “How are you?” e “Good job”, que significa “Como você está?” e “Bom trabalho”, em português.
Lula não estava com intérprete por perto neste momento e apenas acenou com a cabeça. Lula e Trump posaram em duas ocasiões para fotos oficiais do G7. Na primeira ocasião, após o registro, não houve interação entre eles.
Bilateral
Auxiliares afirmam que as interações foram informais e não houve reunião bilateral entre Lula e Trump durante o G7. As tratativas, assim, seguem apenas em nível ministerial.
O Brasil tenta negociar a retirada das tarifas desde o ano passado, quando Trump anunciou as primeiras taxas de importação sobre produtos brasileiros. Houve um avanço em novembro de 2025, quando a Casa Branca decidiu eliminar a tarifa de 40% aplicada a diversos itens exportados pelo país.
Agora, o Brasil trabalha para impedir uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros que pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas.
No governo, a avaliação é que:
a proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação.
já a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e o superintendente regional do INSS no Nordeste, Marcus Braga, acompanham, neste sábado e domingo (20 e 21), um mutirão de avaliações sociais na Agência da Previdência Social (APS) Caruaru, em Pernambuco. Ao todo, foram disponibilizadas 600 vagas, sendo 300 para cada dia. A ação no fim de semana contará com a atuação de 12 profissionais, sendo quatro em atendimento presencial e oito em formato remoto.
O mutirão tem como objetivo ampliar o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e reduzir o tempo de espera das pessoas que aguardam a avaliação social, etapa obrigatória para a concessão do benefício. Os atendimentos serão realizados exclusivamente para cidadãos com agendamento prévio, que pode ser efetuado pelos canais oficiais do INSS: aplicativo Meu INSS, portal www.gov.br/meuinss ou Central de Atendimento 135.
Serviço
Mutirão de Avaliação Social do BPC
Data: 20 e 21 de junho de 2026
Horário: A partir das 7h30
Local: Agência da Previdência Social Caruaru
Endereço: Av. Rui Barbosa, 250 – Maurício de Nassau, Caruaru (PE), CEP 55012-080
A negativa da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República em homologar a segunda tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro produziu certo alívio no comando da campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Uma sensação de que novos fatos relativos ao caso Master não surgiriam e que a crise poderia ser estancada, permitindo agora uma recuperação do terreno perdido. Em conversa com o Correio Político, no entanto, o diretor de Estratégia da Associação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, recomenda cautela. “A Polícia Federal recolheu com Vorcaro oito aparelhos de celular”, conta Werneck. “Seis deles nem começaram a ser periciados”.
Assim, todos os diálogos até agora conhecidos saíram de dois dos oito aparelhos. E já produziram o estrago que se viu. Segundo Werneck, há um volume muito grande de documentos vários que precisam ser analisados, cruzados com outros documentos. Muitos poderão ensejar novas operações policiais, que provavelmente encontrarão ainda outros documentos e provas. Que tendem a manter o caso aceso por um bom tempo.
E que tanto poderão fustigar mais um pouco Flávio Bolsonaro quanto levar a outros personagens dessa incrível trama tecida por Daniel Vorcaro. Talvez nunca se tenha visto uma única pessoa entrar tão profundamente em todos os três poderes, trazendo para perto de si e dos seus interesses políticos tanto de oposição quanto do governo. Como já tinha dito Flávio Werneck ao Correio Político, “a investigação avançou a um ponto que independe do que possa vir de uma delação premiada”. O diretor da Fenapef enxerga uma estratégia em Vorcaro.
“A nova delação não foi aceita porque ela é fraca”, resume Werneck. “Não traz nenhuma prova nova. O que ele diz, a gente já sabe”. Para o diretor da Fenapef, “parece haver um modus operandi em Vorcaro”. Uma estratégia, que talvez não seja exatamente para homologar agora ou depois uma delação premiada, mas, sim, para ganhar tempo enquanto pode.
“Vorcaro aceitou subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a devolver à União”, observa Werneck. “O que parece demonstrar o quanto ele desviou”. Para o policial, Vorcaro, com os altos valores, “parece querer comprar a sua delação”. Mas não é somente isso o que importa. Ele precisa, de fato, apresentar fatos.
Assim, cresce, na avaliação de Werneck, uma sensação de que Vorcaro, na verdade, quer ganhar tempo. Numa estratégia calculada. Enquanto negocia a colaboração, ele vai conseguindo ficar, por enquanto, na Sala de Estado Maior da Polícia Federal. Evita, assim, ser transferido para um presídio comum.
O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a transferência. Os administradores da Papuda receiam a transferência, temem que Vorcaro, pelo tamanho das suas relações e do dinheiro que movimentou, corra riscos.
O caso de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que se suicidou numa cela da Polícia Federal, em Belo Horizonte, aumenta os temores. A PF encontrou ainda mensagens da irmã de Sicário, Joana Mourão, ameçando a família de Vorcaro. “Tenho material suficiente para acabar com a família”,disse Joana, na ameaça feita.
Enquanto ganha tempo, Vorcaro pode também contar com uma eventual mudança política que viesse a melhorar a sua situação. Se não por uma alternância de poder, pelo menos com uma mudança de ares com a proximidade das eleições que poderia desviar a atenção que hoje se concentra no Master.
Há uma torcida grande para que o Brasil se recupere do início capenga e vá longe na Copa, aumentando o tempo de desvio de foco. Depois, já terá terminado o primeiro semestre. O Congresso irá cuidar das eleições em seus estados. Quem sabe até lá Daniel Vorcaro tenha ganho o tempo a mais que queria.
Um dos fatos que mais me chocaram nos últimos anos foi ver, no São João de Monteiro, na Paraíba, Alok transformado em uma das principais atrações da festa. Nada contra ele, nem contra Roberto Carlos, Marisa Monte ou os cantores sertanejos de Goiás. Cada manifestação cultural possui o seu espaço. O problema surge quando o São João do Sertão deixa de valorizar suas raízes e passa a se comportar como um produto sem identidade.
Ninguém imagina uma festa sertaneja em Goiânia substituindo seus artistas por trios de forró pé de serra. Da mesma forma, seria impensável uma festa tradicional gaúcha abrir mão de sua música regional para se render a outros ritmos. No Nordeste, porém, alguns gestores parecem acreditar que aquilo que vem de fora é sempre mais moderno e mais importante do que aquilo que nasceu aqui.
A desculpa mais frequente é culpar a juventude. Discordo. Os jovens consomem aquilo que lhes é oferecido. Os principais responsáveis por essa descaracterização são muitos prefeitos, que confundem política cultural com produção de eventos. Em vez de proteger o patrimônio cultural, preferem administrar espetáculos.
As antigas festas realizadas nas praças centrais, abertas ao povo, deram lugar a estruturas cada vez mais parecidas com grandes camarotes. Em alguns municípios, o São João virou uma espécie de São João S.A., onde a preocupação maior não é a cultura popular, mas os patrocinadores, os espaços VIP, os influenciadores digitais e as fotografias para as redes sociais.
Enquanto isso, artistas como Flávio José, herdeiros da tradição de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, perdem espaço justamente na festa que ajudaram a construir. A sanfona vai cedendo lugar aos efeitos especiais, a zabumba aos telões e o triângulo ao espetáculo. Em nome da modernidade, transforma-se em figurante aquilo que deveria ser protagonista.
A cultura influencia diretamente o desenvolvimento de um povo. Ela fortalece a identidade, movimenta a economia e preserva a memória coletiva. Quando o poder público abandona suas tradições, não é a juventude que está falhando. São os gestores que renunciam ao dever de proteger aquilo que faz do Nordeste algo único.
O novo pode conviver com o tradicional. O que não é aceitável é a substituição. Porque é inadmissível que, no Sertão nordestino, a sanfona seja expulsa da própria casa.
O Pátio de Eventos da Estação viveu mais uma noite de casa cheia, ontem, consolidando o São João de Arcoverde como um dos melhores e mais prestigiados festejos juninos do Nordeste. Uma verdadeira multidão tomou conta do principal palco da festa para acompanhar os shows de Nattan, Zé Vaqueiro e Juciê, em uma programação que reuniu forró, romantismo e muita animação.
Desde as primeiras horas da noite, milhares de pessoas começaram a ocupar o espaço, transformando o pátio em um grande corredor de alegria, música e celebração da cultura nordestina. Turistas de diversas regiões de Pernambuco e de outros estados se juntaram aos arcoverdenses para viver uma experiência marcada pela organização, segurança e energia contagiante dos artistas.
Nattan foi um dos pontos altos da programação, levando o público ao delírio com seus maiores sucessos e uma apresentação marcada pela interação com os fãs. Na sequência, Zé Vaqueiro confirmou sua força entre os artistas mais populares do país, cantando músicas que foram acompanhadas em coro por uma multidão que lotou completamente o espaço. Juciê abriu a noite com muito forró e animação, reforçando a diversidade musical da programação.
Além dos shows, o grande fluxo de visitantes movimentou restaurantes, bares, ambulantes e comerciantes, fortalecendo a economia local e reafirmando o impacto positivo do São João para milhares de famílias da região.
Se a noite de terça-feira já impressionou pelo volume de público, a expectativa é de que esta quarta-feira (17) é de mais alegria e shows que prometem agitar o público da festa mais linda do mundo. A programação reúne três atrações de apelo popular e quem abre a programação no Polo Multicultural é Fernandinha, trazendo muito talento e animação para o público.
Em seguida, toda a irreverência, o romantismo e os sucessos de Eric Land, um dos nomes mais queridos do piseiro e do forró da atualidade. E para fechar a noite em grande estilo, o fenômeno Vitor Fernandes, dono de sucessos que conquistaram o Brasil.
Com uma estrutura reforçada de segurança, saúde, mobilidade e assistência ao público, a Prefeitura de Arcoverde e os órgãos parceiros estão preparados para receber milhares de pessoas em mais uma noite que promete na festa mais linda do mundo.
O eleitorado de Pernambuco já mostrou que é independente em 2022, quando votou em Raquel, mesmo Lula tendo apoiado Danilo Cabral no primeiro turno e Marília Arraes no segundo.
Mas a vinculação do nome do ex-prefeito do Recife ao do presidente da República pode ajudar o filho de Eduardo Campos em sua caminhada.
Quatro anos atrás o apoio do petista a Danilo e depois a Marília foi protocolar.
O candidato do PSB nunca esteve bem situado nas pesquisas e terminou a eleição em quarto lugar.
Com alta rejeição, nem dois lulas para salvar Danilo.
Marília liderou as pesquisas até a realização do primeiro turno. Mas a morte de Fernando, esposo de Raquel, no dia da eleição, mudou tudo em Pernambuco.
A comoção mudou a vontade do eleitor e quando os pernambucanos foram votar pouco se lembraram de Lula, preferindo se solidarizar com a viúva.
Esta campanha de 2026 tem aspectos diferentes.
O vídeo que Lula gravou deixa claro que o presidente está sintonizado com o PSB e João Campos.
Ele até, em sua fala, lembrou a relação histórica com o Partido Socialista, citando os nomes (acompanhados de imagens) de Miguel Arraes e Eduardo Campos.
Nesse contexto, o petista é um aliado importante, até porque em Pernambuco terá mais que o dobro de votos do candidato da direita.
Raquel, por seu lado, se vinculou demais a bolsonaristas e não tem mais como se afastar deles.
Enquanto João está com Lula e tem Marília e Humberto para o senado, Raquel tem no palanque figuras como Mendonça Filho, Miguel Coelho, Dudu da Fonte e Clarissa Tércio.
Túlio Gadelha, uma “invenção” para dar um verniz de esquerda à chapa governista, não colou.
O deputado patina nas pesquisas e o discurso, que soa artificial e incoerente, é detonado com força nas redes pelos eleitores de esquerda, sem que a direita o defenda.
Lula, no momento, está melhor situado nas pesquisas do que quatro anos atrás.
Se a situação permanecer como está pode vencer com uma vantagem muito maior, com chances até de liquidar a fatura no primeiro turno.
Tudo isso beneficia João Campos, que além do apoio do presidente lidera com folga no Recife e é herdeiro político de Arraes e Eduardo.
Raquel vai fazer o quê? Falar mal do presidente? É improvável.
Apoiar o candidato do seu partido, Ronaldo Caiado? Isso seria péssimo para a governadora.
Possivelmente vai ficar se equilibrando no discurso da neutralidade, fazendo o discurso administrativo e culpando o PSB até pelo dilúvio que levou Noé a construir a famosa arca.
O problema é que ela já foi do PSB e o discurso de eficiência administrativa é demolido toda vez que cai um teto de um hospital ou quando um desses são invadidos por ratos e muriçocas.
Malditos pernilongos, mamíferos asquerosos, no mínimo estão em conluio com os petistas e os socialistas!
A cada ano que passa, assistimos com tristeza ao lento processo de descaracterização das festas juninas no Nordeste. Movidos pelo modismo passageiro, pelo pragmatismo de mercado e por interesses eleitoreiros, muitos prefeitos transformaram o São João em uma simples festa de entretenimento. Enchem os palcos com rock, pagode, funk e outros ritmos que pouco ou nada têm a ver com nossa cultura.
Pior ainda: pagam a esses artistas cachês vultosos, que podem chegar perto de R$ 2 milhões. Enquanto isso, viram as costas para a autêntica identidade nordestina. Tristemente, deixam morrer o forró pé de serra, o baião, o xote, o xaxado e o coco — gêneros musicais que constituem nosso verdadeiro patrimônio cultural. São músicas e danças nascidas do chão esturricado do sertão, da luta diária do sertanejo contra a seca inclemente, da viola encostada ao peito magro do poeta repentista, do canto agourento do acauã e do voo apressado da asa-branca, trazendo de volta a esperança de um bom inverno ao coração do povo sofrido.
Enquanto cantores famosos recebem verdadeiras fortunas, os trios pé de serra e os pequenos grupos de forró, baião, xote, xaxado e coco sobrevivem na penúria. Persistem por pura teimosia. Vivem por amor à arte simples que “nasce no juízo”, como disse certa vez o mestre Vitalino.
Um jornalista amigo, que apresenta um programa de rádio no interior de Pernambuco, costuma contar que sempre convida esses grupos para se apresentarem em seu programa, ajudando a divulgar seu trabalho. Porém, precisa custear o transporte deles até a emissora, porque simplesmente não têm dinheiro para chegar lá.
Com essa mistura cultural desenfreada, a essência do São João vai se perdendo. Antes, a festa celebrava a colheita, com ruas enfeitadas por bandeirolas multicoloridas, fogueiras, balões, o pipocar dos fogos, as brincadeiras das crianças soltando “peido-de-veia”, traques de massa e busca-pés, além dos pastoris e da dança alegre das quadrilhas.
Nas noites iluminadas por balões coloridos e perfumadas pela fumaça da lenha queimando, ouviam-se as músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Trio Nordestino. Também ecoavam as vozes marcantes de Flávio José, Santana, Marinês e Jorge de Altinho.
Era especialmente emocionante escutar o som puro — com cheiro de sertão — dos humildes trios pé de serra, com o indefectível tilintar do triângulo, o tum-tum grave da zabumba, o estalar da baqueta de tala de capim barba-de-bode e a sanfona gemendo como um caminhão velho subindo ladeira.
Hoje, tudo isso é sufocado por batidas eletrônicas, ritmos estranhos e coreografias sensuais de bailarinas que adornam os shows de artistas sem qualquer ligação com nossa história e nossas raízes.
Felizmente, ainda existem algumas prefeituras comprometidas com a cultura. Administrações que preservam a tradição, valorizam os artistas da terra e garantem espaço e respeito à música de raiz.
É nosso dever cívico e cultural prestigiar esses municípios resistentes. Precisamos apoiar e viver intensamente o pouco de São João autêntico que ainda nos resta. Só assim conseguiremos preservar nossa memória antes que a maior festa do Nordeste seja completamente descaracterizada e se transforme, definitivamente, em uma doce e saudosa lembrança.
*Economista, foi secretário de Educação no governo Marco Maciel, deputado estadual, federal e senador da República.
O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral, lançou, ontem, a segunda edição do programa de intercâmbio internacional Do Cabo para o Mundo, que levará 16 estudantes da rede municipal para uma experiência de imersão linguística e cultural na Argentina.
A iniciativa, criada pelo próprio gestor em uma de suas gestões anteriores, é agora retomada, tem como objetivo ampliar as oportunidades educacionais dos estudantes, fortalecendo o aprendizado da língua espanhola e o desenvolvimento de competências acadêmicas e culturais. A viagem está prevista para ocorrer entre agosto e setembro de 2026.
Na primeira edição do projeto, os estudantes foram enviados ao Canadá.
Além dos alunos, o programa também contemplará dois professores da rede municipal, que acompanharão a delegação e participarão de atividades formativas voltadas ao aprimoramento das práticas pedagógicas.
Durante o lançamento, Lula Cabral destacou o compromisso da gestão com ações que ampliam horizontes e transformam vidas.
“Nossa gestão sempre foi marcada pelo pioneirismo e pela busca de oportunidades que transformam vidas. Foi assim quando criamos o Programa Do Cabo para o Mundo, levando nossos estudantes para conhecer novas culturas e ampliar seus conhecimentos. Também lançamos o Professores sem Fronteiras, valorizando nossos educadores e proporcionando experiências que fortalecem a prática pedagógica. Agora damos mais um passo importante, garantindo que alunos e professores tenham acesso a vivências internacionais que contribuem diretamente para sua formação e para o fortalecimento da educação do Cabo”, afirmou o prefeito.
As inscrições para estudantes e professores interessados em participar do programa seguem abertas até o dia 23 de junho. Os editais e formulários de inscrição estão disponíveis nos canais oficiais da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação.
Carrero era um animal literário. Nasceu e viveu para a literatura. Escreveu mais de uma dezena de livros. Livros à mancheia, como dizia Castro Alves. Carrero também era um resiliente, para usar a palavra da moda. Em 2010, há 16 anos, o cara teve um AVC e ficou com sequelas. Mesmo assim continuou produzindo literatura, livros, e dando aulas aos seus discípulos na oficina de letras. Incrível! Poderia dizer “Eu sou uma máquina de ideias”. O cérebro não esmoreceu.
A temática de Carrero era meio fantasmagórica, feita de assombrações, tipo “As sombrias ruínas da alma”. Uma vez depois desse sísmico cerebral eu disse para ele: “Carrero, você é uma fera, não sei como continua produzindo literatura”. Ele respondeu: “Eu também não sei”. Ele transportava as assombrações para a literatura.
Em matéria de literatura e de vida, Raimundo Carrero tinha uma paixão ardente pelo seu compadre e mestre Ariano Suassuna. Os livros de Ariano refletem as paixões dele pelos reisados e pela literatura de cordel. Se eu disser que Ariano não era um cara lindo e eu não sou apaixonado pelo movimento armorial, os devotos dele podem me dar uma vaia ou até uma surra. Eu morro de medo. Nem sei o que significa armorial. O jornalista Raimundo Carreto também tinha uma paixão febril pelo Diario de Pernambuco. Ele saiu do Diario, mas o Diario nunca saiu dele.
Ouso dizer que Carrero foi além de Ariano em matéria de temática e imaginário. Ele não tinha nada de armorial. Ariano é uma grife. Eu adorava ouvir as doideiras e as prosas surrealistas de Carrero. Ele era um cara lindo.
A nova pesquisa do Instituto Múltipla para o Governo de Pernambuco aponta uma virada no cenário eleitoral de 2026. Após aparecer atrás da governadora Raquel Lyra (PSD) no levantamento divulgado em maio, João Campos (PSB) assumiu a liderança da disputa e passou a figurar na frente da adversária tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento foi contratado pelo blog de Nill Júnior, de Afogados da Ingazeira.
No cenário estimulado, em que os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos entrevistados, João Campos aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Raquel Lyra registra 38%. Ivan Moraes (PSOL) soma 1%. Os indecisos representam 9% e os votos brancos e nulos chegam a 8%.
O dado mais relevante do levantamento está justamente na comparação com a rodada anterior da pesquisa Múltipla. Em maio, Raquel Lyra liderava com 43%, contra 39% de João Campos. Agora, os números se inverteram: João cresceu quatro pontos percentuais, chegando a 43%, enquanto a governadora perdeu cinco pontos e caiu para 38%. O movimento representa uma mudança de nove pontos na distância entre os dois candidatos em menos de um mês.
A virada também aparece na simulação de segundo turno. Na pesquisa anterior, Raquel tinha 44% contra 41% de João. No novo levantamento, o socialista passou à frente, com 44%, enquanto a governadora aparece com 41%. Apesar do empate técnico dentro da margem de erro, a mudança consolida a inversão observada no primeiro turno.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, João Campos também apresentou avanço expressivo. O pré-candidato do PSB saltou de 18% para 24%, crescimento de seis pontos percentuais. Já Raquel Lyra oscilou de 27% para 25%, indicando estabilidade dentro da margem de erro, mas sem acompanhar o ritmo de crescimento do adversário.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 16 de junho, ouviu 1.070 eleitores em Pernambuco, possui margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-02553/2026.
Os números reforçam uma tendência de recuperação de João Campos após o período de crescimento registrado por Raquel Lyra ao longo do primeiro semestre. Se em maio a governadora comemorava a primeira liderança matemática na série histórica do Instituto Múltipla, a nova rodada mostra o cenário novamente favorável ao socialista, que retoma a dianteira e chega à segunda metade do ano como líder da corrida pelo Palácio do Campo das Princesas.
Leo Bezerra minimiza peso eleitoral de Lula na Paraíba
O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), relativizou, ontem, a importância de um eventual apoio do presidente Lula (PT) à candidatura do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, o gestor afirmou que a pré-campanha já está em curso e disse que o petista não pode ser tratado como fator decisivo na disputa estadual.
Ao comentar o cenário eleitoral, Leo lembrou que Lula venceu a eleição presidencial em João Pessoa por cerca de mil votos em 2022 e afirmou que o peso político do presidente dependerá mais das ações do Governo Federal do que de uma declaração formal de apoio. “Eu não poderia dizer que é imprescindível. Isso vai depender do PT. Independentemente de ter ou não o apoio do PT, a campanha já está na rua”, afirmou.
O prefeito também demonstrou dúvidas sobre uma eventual aproximação entre o PT e o governador Lucas Ribeiro (PP), provável adversário de Cícero na disputa estadual. “Eu não consegui entender hoje como vai ser esse apoio do PT ao governador Lucas Ribeiro”, declarou, ao comentar as articulações em curso para 2026.
A entrevista também expôs fissuras dentro do PSB paraibano. Apesar de integrar o partido e manter alinhamento político com o ex-governador João Azevêdo (PSB), em quem pretende votar para o Senado, Leo revelou incômodo com a postura da legenda em João Pessoa.
Segundo ele, dois dos três vereadores socialistas na capital fazem oposição à sua gestão. O prefeito também reclamou de ter sido afastado da presidência municipal da sigla e afirmou que se sente isolado dentro do partido. “Confesso que estou me sentindo escanteado. O PSB quer meu voto para senador com João Azevêdo, mas não quer me dar apoio em João Pessoa”, desabafou.
Leo disse que ainda não levou o assunto ao presidente nacional do PSB, João Campos, e aguarda uma conversa com João Azevêdo antes de tomar qualquer decisão. “Estou desconfortável dentro do meu partido e estou aguentando tudo isso não em respeito ao partido, mas em respeito a João”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro condenado por coação – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade, ontem, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação por ter atuado para interferir no julgamento em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado por tentativa de golpe de Estado. A defesa de Eduardo Bolsonaro foi exercida pela Defensoria Pública da União, já que o ex-parlamentar não constituiu um advogado no processo. Ele também não compareceu para prestar depoimento durante a instrução processual. Após a condenação, a defesa ainda terá direito a apresentar recursos na Primeira Turma. Ao final do processo, caso a condenação seja mantida, o governo brasileiro deve dar início ao pedido de extradição junto ao governo americano para que o ex-deputado cumpra a pena no Brasil.
Só benefícios? – Horas após a condenação, Eduardo rebateu críticas de que sua atuação política estaria prejudicando a pré-campanha presidencial do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao Metrópoles, afirmou que tem contribuído para ampliar a interlocução internacional do pré-candidato e citou encontros com líderes como Donald Trump, Javier Milei, Benjamin Netanyahu e José Antonio Kast. “Não trago problemas para a campanha do Flávio, eu trago só benefício”, declarou.
Vorcaro bancou Ciro Nogueira e Hugo Motta – A Polícia Federal afirmou, ontem, que o banqueiro Daniel Vorcaro bancou as despesas de uma viagem a Lisboa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI). As informações foram obtidas pela PF no celular do dono do Banco Master e foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) dentro da mesma operação que realizou busca e apreensão contra Ciro Nogueira. Motta não foi alvo de nenhuma diligência na ocasião. A PF encontrou diálogos de Vorcaro com um funcionário nos quais ele determina a reserva de suítes em um hotel de Lisboa para Motta e Ciro Nogueira em junho de 2024.
Motta diz “estar tranquilo” – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou, ontem, em entrevista ao portal Poder360, ter “muita tranquilidade” em relação às investigações da Polícia Federal sobre sua relação com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. “Os órgãos de fiscalização estão trabalhando, eu tenho tranquilidade sobre as minhas relações e defendo que as investigações possam acontecer, eu tenho muita tranquilidade com relação a isso”, disse Motta. Segundo o deputado, não há problema no caso por se tratar de um evento corporativo.
Alcolumbre nega envolvimento com Vorcaro – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez um pronunciamento, no plenário da Casa Legislativa, ontem, no qual negou ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. O discurso acontece após a Revista Veja veicular, na última sexta-feira (12), uma reportagem que afirma que Vorcaro teria dito às autoridades que transferiu a quantia para uma conta no exterior e que o dinheiro seria para o parlamentar do Amapá. “Eu repudio, com toda a firmeza e com toda a indignação, o conteúdo desta matéria. Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja”, disse o senador.
CURTAS
CID X CIRO – O senador Cid Gomes (PSB) subiu o tom ao rebater declarações recentes do pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB), seu irmão. Rompidos desde 2022, eles ocupam palanques opostos neste ciclo eleitoral. Em evento do PSB em Sobral, berço político da família Ferreira Gomes, o parlamentar criticou a fala do tucano de que, quando Cid disputou a eleição para governador, era conhecido como irmão de Ciro. “Eu fui prefeito de Sobral durante oito anos, ganhei troféu de melhor prefeito. A educação já era conhecida internacionalmente e é referência até hoje — disse.
JOAQUIM BARBOSA – O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) criou perfis em diferentes redes sociais e afirmou que estuda a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto. “Estou estudando a possibilidade de, chegado o momento fixado pela lei, me lançar na disputa pelo emprego mais difícil e complexo do nosso país”, disse o ex-ministro.
SÃO JOÃO GOMES – O evento São João Gomes, idealizado pelo cantor recifense, acontece hoje, no bairro do Recife. Segundo a CTTU, as intervenções terão início às 15h e incluem bloqueios em acessos estratégicos ao local do evento. A principal interdição ocorrerá na Ponte Giratória, além de bloqueios na Avenida Marquês de Olinda, Avenida Barbosa Lima, Praça do Arsenal da Marinha, Rua Vital de Oliveira e Travessa Tiradentes, vias que alimentam a Avenida Alfredo Lisboa.
Perguntar não ofende: Até onde vai a lista de autoridades bancadas por Vorcaro?
O deputado federal Pedro Campos (PSB) disse não ter recebido com surpresa a divulgação de um vídeo no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declara formalmente apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco nas eleições deste ano. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM na manhã desta terça-feira (16), o parlamentar ressaltou o caráter histórico da aliança entre o PSB e o PT, além de enfatizar que há uma afinidade ideológica.
“Vamos ter uma oportunidade única de, no último mandato do presidente Lula, ter um governador 100% alinhado com ele. […] E não tenho dúvida que isso vai ser fundamental nessa trajetória de João [Campos] e que Pernambuco vai viver um grande tempo com João governador e com Lula presidente”, declarou.
Ontem, o presidente da República divulgou nas redes sociais um vídeo no qual anunciava formalmente o apoio pessoal dele ao ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo, João Campos. “O PSB é o nosso maior aliado nacional”, declarou Lula no vídeo, que também foi exibido durante o evento de lançamento da plataforma de participação popular Chega Junto Pernambuco, site no qual a pré-campanha do socialista pretender reunir sugestões e ideias dos eleitores.
Escuta Ao comentar o resultado da pesquisa Folha de Pernambuco/Ipespe, Pedro Campos disse apostar no processo de escuta dos eleitores para poder fazer frente ao crescimento de Raquel Lyra (PSD) nas pesquisas eleitorais. “Não vai ser em uma sala em um gabinete fechado onde você vai encontrar as soluções para o estado de Pernambuco”.
O levantamento, divulgado nesta terça, apontou a governadora Raquel Lyra com 44% das intenções de voto no cenário de primeiro turno. O ex-prefeito João Campos tem 42% e o ex-vereador Ivan Moraes (PSOL), 2%. Os números indicam que Raquel e Campos estão tecnicamente empatados, uma vez que a margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Nenhum, brancos e nulos somaram 7%. Não sabem ou não responderam são 5%.
Entregas O deputado federal sugeriu que o lançamento da pré-candidatura de João Campos levou o governo estadual a assumir uma postura nova, com um maior volume de entregas promovidas ao longo dos últimos meses pela gestão de Raquel Lyra.
“Até brinco dizendo que a candidatura de João já está ajudando muito o estado de Pernambuco. Porque, pelo menos, serviu para o governo tentar e correr atrás de fazer alguma”, disse.