O aposentado Francisco de Jesus Penha, que completa 100 anos no próximo dia 4 de março, enfrenta um momento delicado na reta final de sua vida. No último dia 14 de fevereiro, o juiz Pedro Henrique Barreto Menezes, da 2ª Vara do Trabalho de Jaboatão dos Guararapes, determinou a penhora de bens da residência do idoso para garantir a execução de quase R$ 400 mil. A medida ocorre mesmo após a Justiça Federal já ter retirado seu nome de investigações relacionadas ao Grupo João Santos, empresa em que trabalhou por mais de três décadas e que acumula dívidas bilionárias.
Francisco, que atuou como diretor no grupo empresarial, alega que não tinha poder de decisão e que, desde 2018, vem tentando ser excluído dos processos trabalhistas contra a empresa, que entrou em recuperação judicial em 2022. Ele também afirma não ter recebido as verbas rescisórias após pedir demissão em 2015. Em 2021, chegou a ser alvo da Operação Background, da Polícia Federal, que investigava o Grupo João Santos por crimes tributários e lavagem de dinheiro. No entanto, a Justiça Federal reconheceu sua inocência no início deste ano. “Sempre fui um homem honesto e, perto de completar 100 anos, sou tratado como se fosse responsável pelos problemas da empresa. Isso não é justo”, lamenta.
Leia maisA defesa do aposentado, representada pela advogada Maria Eduarda Matos, que também é sua afilhada, anunciou que recorrerá da decisão. Segundo ela, Francisco já foi excluído de mais de 100 processos trabalhistas no país, incluindo quatro da mesma vara que agora determinou a penhora. “A Justiça Federal já reconheceu sua inocência na esfera criminal, e agora ele está sendo julgado como se tivesse causado a crise da empresa. Isso nos causa indignação, pois se trata de um homem idoso que sequer recebeu seus direitos trabalhistas”, afirma.
A advogada também destaca a expectativa de que a Justiça reavalie o caso com sensibilidade, considerando a idade avançada do aposentado e a falta de envolvimento direto com a administração da empresa. “O mínimo que esperamos é que a Justiça reveja essa decisão para não cometer mais essa injustiça”, conclui.
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