Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e integrantes do seu núcleo jurídico comemoraram a entrevista do ministro da Defesa José Múcio ao Programa Roda Viva, ontem. Múcio disse que recorreu a Bolsonaro, ainda em dezembro de 2022, para ajudá-lo a conversar com os três comandantes das Forças Armadas e fazer uma transição tranquila de governo. Segundo o ministro de Luiz Inácio Lula da Silva, os militares se recusavam a recebê-lo.
“Foi quando eu recorri ao presidente Bolsonaro, que estava em Brasília. Foi meu colega de muitos anos, sempre tivemos uma relação muito boa e eu fui falar com ele. Disse ‘eu sou o novo ministro da Defesa, queria que você me ajudasse a fazer uma transição tranquila. Vai ser bom para o novo governo, vai ser bom para o seu governo, que está terminando. Você me conhece, eu não sou de conflito, de criar problema. Ele telefonou para os três comandantes”, disse Múcio na entrevista.
Leia maisO advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Celso Vilardi, confirmou ao blog da Andréia Sadi que, “sem dúvida”, vai usar esse trecho para defender seu cliente no inquérito do golpe. “É, obviamente, incompatível a intenção de dar um golpe e determinar a transmissão do comando militar”.
Em 2024, um dos principais assessores de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, usou argumento parecido em suas redes sociais: Bolsonaro não teria como ideia dar um golpe, porque “nomeou, antecipadamente, os comandantes de Forças indicados e solicitados pelo Governo Lula”. Agora, trechos da entrevista de Múcio estão sendo pinçados pela defesa. Sua fala será usada e explorada politicamente e juridicamente por aliados de Bolsonaro.
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