As escolhas de Raquel e o clima na Alepe
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
Por mais que a bancada do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) esteja unida e mobilizada e, hoje, em 2026, seja maioria, o clima na Casa para a gestão de Raquel Lyra (PSD) continua muito ruim, o que é péssimo para a administração e atrapalha a caminhada dela à reeleição.
Mesmo que grande parte dos parlamentares governistas preze pelo diálogo — e o faça principalmente na pessoa da deputada Socorro Pimentel (UB), líder do grupo, que tem uma forma conciliadora, pacífica e até doce de conduzir as coisas —, faltou esse diálogo lá atrás, nos primeiros anos da gestão de Raquel.
Leia maisA maneira como a governadora tratou a política no início de seu governo vem lhe rendendo dor de cabeça até agora e promete não lhe dar sossego até o último dia de sua gestão. Raquel, embora seja oriunda da política (ex-deputada, ex-prefeita, filha de ex-governador), quis passar como antipolítica.
Desprezou aliados que estiveram junto dela durante sua campanha e foram fundamentais para a vitória. Formou um secretariado extremamente técnico e tratou a Alepe de cima para baixo. Entre outras coisas, faltaram à governadora humildade, pragmatismo, flexibilidade e uma certa dose de leveza na condução das relações políticas. Um pouco de maleabilidade não significaria que Raquel deixaria de ser firme.
Outro caminho foi escolhido. Agora, no último ano de seu primeiro mandato, enfrenta dificuldades para aprovar nada menos do que o orçamento do Estado para 2026 na Alepe. Uma grande curiosidade: o que Raquel e seus conselheiros políticos achavam que aconteceria com os aliados a quem ela desprezou?
Teriam acreditado que eles desistiriam da política? Raquel não sabia que não existe vácuo? Era óbvio que cairiam nos braços dos adversários, como fizeram Álvaro Porto (PSDB) e Miguel Coelho (UB), capturados por João Campos (PSB) com o “profissionalismo político” do PSB, velho conhecido de Pernambuco.
Da aliança política, formou-se a amizade. Da junção entre amizade e aliança, consolidou-se o apoio público de Álvaro à candidatura de João, principal adversário de Raquel, ficando a governadora com um presidente hostil no Poder Legislativo para encarar os meses que antecedem as eleições.
Um presidente alinhado ao Palácio evitaria boa parte dos problemas de Raquel nessa reta final, mas Raquel achou que era rainha e não governadora. Se confiou no poder da caneta. Lições que ficam não só para a governadora, caso seja reeleita, mas para todos aqueles e aquelas que almejam um cargo de liderança no Poder Executivo, em todas as esferas: não se governa sozinha nem sozinho.
LOA – A líder do governo, Socorro Pimentel (UB), questionou, ontem (5), se seria necessário acionar a Justiça para garantir a tramitação de projetos do Executivo na Alepe. A declaração foi dada na abertura da sessão do período extraordinário. “Eu vim perguntar se vai ser preciso uma intervenção judicial para que esta Casa siga a Constituição, o regimento e as leis”, afirmou a deputada. Socorro também relembrou que o governo já precisou acionar a Justiça para resolver o impasse da Lei Orçamentária Anual (LOA).

Duas versões – Com duas versões em vigor, uma da Assembleia e outra do governo, o Executivo judicializou e ganhou uma liminar, no dia 30 de dezembro de 2025. A decisão foi proferida pelo desembargador Agenor Ferreira de Lima Filho, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), e definiu que a lei orçamentária válida era a sancionada pela governadora Raquel Lyra (PSD). Mas é justamente por isso que a LOA está sob análise da Procuradoria da Alepe. Álvaro Porto argumentou que, com a matéria judicializada, precisava de um parecer sobre o rito de votação do texto no período extraordinário.
Alinhados – Presidente em exercício da Casa, o deputado Rodrigo Farias (PSB) defendeu a necessidade dos pareceres da Procuradoria tanto para a LOA quanto para o projeto que remaneja de forma excepcional recursos do TJPE para o governo. Segundo ele, os projetos seguirão a tramitação normal após o aval. “Assim que saírem da Procuradoria (os pareceres), os presidentes das comissões irão convocar as reuniões das comissões. Os prazos vão ser cumpridos dentro da Constituição”, garantiu. Na mesma linha, o deputado Diogo Moraes (PSDB) rebateu a acusação do governo de que haveria uma tentativa de “travar” o Executivo. “Ninguém está querendo travar (o governo). Em diversos momentos dentro dessa legislatura, se não fosse a oposição presente em Plenário, nenhum grande projeto do governo passava”, lembrou.
Tom de campanha – O prefeito do Recife, João Campos (PSB), participou de ato político no município de Pedra, no Agreste, ontem (5), e discursou em tom de campanha. “Se tem alguém animado com o ano de 2026 é esse time aqui”, garantiu. O gestor mostrou estar com o pé no chão em relação à disputa, postura acertada, porque não se deve subestimar uma adversária como Raquel Lyra, sobretudo estando com a máquina na mão. João disse que o seu grupo vai andar o Estado com “humildade” e “sem salto alto”. “Deus nos deu dois pés. Um para calçar a sandália da humildade e outro para meter o pé no acelerador”, destacou, acrescentando: “vem um tempo bom” para o Estado “em que o povo vai ser respeitado e a política não vai ser de perseguição”. As informações são do Blog da Folha.

A vaga de Lewandowski – O presidente Lula (PT) busca um substituto para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, depois que ele manifestou vontade de deixar o governo. Os dois se reuniram no Palácio do Planalto no dia 23 de dezembro, quando Lewandowski sinalizou que sua missão foi cumprida e que era hora de o ciclo se encerrar. Lula pediu que ele permaneça até encontrar um novo nome. As informações são da CNN. Embora o ministro não tenha a intenção de disputar cargo político, sua ideia é aproveitar a “leva de saídas” da Esplanada que deve ocorrer até abril, por conta do prazo para a desincompatibilização eleitoral.
CURTAS
Para não esquecer – O PT publicou, ontem (5), vídeo do presidente Lula convocando a militância para ir às ruas, nesta quinta-feira (8), em um ato em memória dos ataques golpistas de 2023. Há três anos, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não aceitaram o resultado da eleição e invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Mais um apoio a Dueire – O prefeito de Pombos, Elias Meu Fii (MDB), formalizou seu apoio à reeleição do senador Fernando Dueire (MDB), destacando a atuação municipalista do parlamentar e o compromisso com os municípios. Segundo o gestor, Dueire tem sido um aliado presente das cidades, tanto no diálogo direto com as prefeituras quanto no trabalho em Brasília.
IPTU 2026 – A Secretaria de Finanças do Recife divulgou o calendário de pagamento do IPTU 2026 e os 362.538 boletos lançados já estão disponíveis para os contribuintes no Portal Recife em Dia (recifeemdia.recife.pe.gov.br) e na plataforma Conecta Recife. O vencimento da cota única ou da primeira parcela é no dia 10 de fevereiro e o parcelamento continua em dez vezes, sempre no dia 10 de cada mês. A distribuição dos boletos físicos nos imóveis permanece.
Perguntar não ofende: A bancada governista da Alepe vai conseguir reverter os atropelos políticos dos anos iniciais da gestão de Raquel Lyra?
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