Seis meses depois de ter eclodido o escândalo da Logo Caruaruense – empresa de ônibus da família da governadora Raquel Lyra (da qual a própria gestora já foi sócia) e sobre a qual pairam graves denúncias de irregularidades -, não existe qualquer manifestação por parte dos órgãos de controle, investigação e fiscalização do Estado sobre eventuais providências relativas ao caso.
O caso voltou à imprensa nacional nesta sexta-feira (17), quando o portal Metrópoles noticiou que o Ministério da Justiça, por meio da sua Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), está formalmente investigando a Logo. Se um órgão do governo federal, teórica e geograficamente mais distante, já manifestou publicamente as providências adotadas para averiguar a gravidade da situação, onde estariam a Polícia Civil de Pernambuco, o Ministério Público e o Tribunal de Contas?
Leia maisÉ a principal pergunta que tem de ser feita, uma vez que as supostas irregularidades na Logo Caruaruense envolvem boa parte da família de Raquel Lyra. Seus pais, o ex-governador João Lyra Neto e Mércia Lyra, participam do quadro societário, assim como as duas irmãs da governadora, Paula e Nara. Raquel também chegou a ser sócia da Logo, mas sua parte foi repassada para o pai.
A última fiscalização nos coletivos da empresa foi realizada em 2022, ainda sob o governo Paulo Câmara. De 2023 — já com Raquel governadora — em diante, nenhuma foi realizada. Além disso, os ônibus circulavam sem terem sido feitos os pagamentos de taxas estaduais obrigatórias. Sem qualquer fiscalização e com veículos em idade além da permitida pela lei, viajar pela Logo Caruaruense era ser submetido a risco de morte.
Tribunal de Contas e Ministério Público são poderes independentes do Palácio do Campo das Princesas. Mas, especificamente com relação à Polícia Civil, subordinada à governadora, não custa lembrar que a corporação esteve sob forte escrutínio público quando explodiu o caso da arapongagem praticada por um grupo de três delegados e sete agentes contra um secretário da Prefeitura do Recife – quando um rastreador foi instalado, de forma absolutamente irregular, no veículo funcional do servidor, sem que houvesse qualquer manifestação da Justiça ou do MPPE para tal.
Quantas outras manchetes da mídia nacional ainda vamos ver sobre a Logo Caruaruense? E será que, antes dos próprios órgãos estaduais, vamos ver a administração federal olhar para o caso?
Leia menos


















