João propositivo diante de uma Raquel sem respostas
O debate da TV-Guararapes, ontem, protagonizou, mais uma vez, um cenário que os pernambucanos vêm acompanhando ao longo da campanha: o candidato do PSB a governador, João Campos, extremamente propositivo, afirmativo e seguro ao apresentar caminhos para o futuro de Pernambuco. Do outro lado, a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, fugindo das respostas para as questões importantes que chegam ao centro da disputa.
O episódio da laqueadura, com forte repercussão nacional, foi de largada abordado pelo candidato do Psol, Ivan Moraes, para uma governadora apática, que foi logo pedindo desculpas, revelando dificuldades em responder aos questionamentos que estão sendo colocados pela sociedade.
A diferença ficou clara: enquanto João procurou apresentar propostas, compromissos e uma visão de futuro para Pernambuco, Raquel tentou resgatar uma memória do passado, sem conseguir oferecer respostas convincentes para as questões do presente e, principalmente, sem apresentar com clareza as perspectivas para o futuro.
Leia maisA reta final exige mobilização, presença e, sobretudo, capacidade de apresentar aos pernambucanos um caminho para os próximos anos.
De um lado, João Campos apresenta um Pernambuco que pode avançar, com propostas e compromissos. Do outro, Raquel tenta explicar o passado, responder ao presente e projetar um futuro que ainda não conseguiu apresentar de forma clara.
Diferentemente do debate anterior, em Caruaru, o modelo adotado pela TV Guararapes não permitiu um confronto mais direto, contundente e emocionante entre João e Raquel. A réplica e a tréplica são engessadas, enfadonhas e até chatas. O modelo do debate da rádio Cultura, de Caruaru, abrindo um confronto direto de seis minutos entre os candidatos, com três minutos para cada um, foi inovador, excelente. Devia ser seguido pela Globo, no grande e último debate da campanha.
CRIME GRAVÍSSIMO – Fazer laqueadura sem informar ou ter o consentimento da mulher é crime no Brasil, com pena de até oito anos de prisão e multa, segundo a vice-presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco, Luciana Pimentel. “A laqueadura sem consentimento é crime no Brasil. A Lei do Planejamento Familiar (Lei 9.263/1996) só permite a esterilização voluntária. A mulher precisa manifestar a vontade por escrito, depois de ser informada sobre riscos, efeitos, dificuldade de reversão e métodos reversíveis, e a cirurgia só pode ser feita após 60 dias dessa manifestação”, explicou.

Respeito às mulheres, indireta de João – Sem citar em nenhum momento o crime da laqueadura, cometido pela governadora, João Campos foi inteligente. Destacou políticas de proteção voltadas às mulheres e reafirmou que pretende retomar o 13º estadual do Bolsa Família e ampliar o atendimento às mães atípicas. “Nós vamos voltar o 13º do Bolsa Família. Cinco milhões de pernambucanos e pernambucanas serão beneficiados com essa medida. Nós vamos também melhorar programas existentes, porque governar com maturidade é isso: é respeitar as mulheres pernambucanas”, afirmou.
Desculpas não resolvem – No debate, a governadora voltou a pedir desculpas por sugerir uma laqueadura sem consentimento. O assunto foi abordado em uma pergunta do candidato Ivan Moraes (PSOL) a respeito de violência obstétrica. “Circulou um vídeo na internet e quando eu vi o vídeo, de fato, eu não me reconheci. Não é sobre o que eu falo nem sobre o que eu penso. Eu peço sempre que me julguem pelas minhas atitudes, pelo resultado do meu trabalho. Foi uma fala infeliz e por isso eu peço desculpas. E por mais que eu peça desculpa, eu creio que serei sempre devedora nesse assunto”, disse uma apática Raquel.
Veja como foi a declaração do crime – A declaração da governadora sobre laqueadura ocorreu em maio de 2025. Na ocasião, ela participava da inauguração da UTI pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste. “Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura”, disse Raquel ao ouvir sobre uma mulher que já teria sete filhos.Em seguida, uma interlocutora respondeu algo inaudível, e Raquel acrescentou: “Mas faz sem ela saber. Vai”.

Flávio e Lula rejeitados – O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideram a rejeição entre os eleitores segundo a nova pesquisa Quaest divulgada ontem. O senador aparece numericamente à frente, rejeitado por 56%, enquanto 55% afirmam que não votariam de jeito nenhum no petista. Os dois, porém, estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, em cenário praticamente sem alterações desde meados de agosto. O presidente manteve o percentual de 55% de rejeição observado no último levantamento, de 14 de setembro. Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) oscilou um ponto percentual para cima.
CURTAS
MASTER 1 – O crescimento de Lula entre o eleitorado feminino e nos estratos de menor renda, apontado na Pesquisa Quaest, tem sido motivo de comemoração nos bastidores do governo. Mas o aspecto que mais foi celebrado internamente foram os números relacionados à crise do Banco Master, envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
MASTER 2 – Segundo o levantamento, aumentou para 21% o percentual de entrevistados que acreditam que o escândalo afeta principalmente a família Bolsonaro. Na semana anterior, esse número era de 15%. Por outro lado, caiu de 46% para 37% o grupo que acredita que a crise repercute de forma generalizada, atingindo todos. Já os que apontam o Supremo Tribunal Federal (STF) como o mais prejudicado diminuíram de 17% para 16%, enquanto a parcela que vê Lula como o principal afetado subiu de 9% para 11%.
PODCAST – A professora e cientista política mineira Mara Telles, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), é a entrevistada do podcast Direto de Brasília de hoje. Na pauta, a influência das pesquisas eleitorais, a reta final da campanha presidencial e os efeitos da crise do Judiciário nas eleições.
Perguntar não ofende: A governadora vai pagar pelo crime que cometeu?
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