Wolney revigorado e com autonomia
Em nova fase no Ministério da Previdência, logo após renunciar à tentativa de voltar ao Congresso como deputado, o ministro Wolney Queiroz emplacou, ontem, a presidente do INSS, em uma afirmação da sua autonomia e prestígio com o presidente Lula (PT). Embora servidora de carreira, Ana Cristina Silveira, a nova dama de ferro do INSS, integra o grupo de Wolney.
Desde que substituiu Carlos Lupi, afastado por envolvimento no escândalo do INSS, Wolney não havia nomeado alguém da sua cota.
A escolha de Ana revela que ele passou a ter uma grande autonomia e o mesmo respaldo do presidente da República, já que o INSS é o principal instrumento de fomento e realização das políticas previdenciárias. O principal foco da nova gestão do INSS passa a ser a redução da fila de benefícios e a reorganização interna do órgão.
A saída do ex-presidente Gilberto Waller foi influenciada tanto por conflitos com o ministro quanto pela avaliação de que sua gestão não conseguiu enfrentar de forma eficaz o histórico e desgastante problema da fila de concessão de benefícios, considerada um dos principais gargalos da Previdência.
Além das mudanças no comando do INSS, a nova gestão de Wolney passa a ser marcada por ações voltadas ao aumento da produtividade e à redução da fila de benefícios, principal meta estabelecida pelo governo federal para a área. Dados recentes indicam que o estoque de pedidos em análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março, resultado atribuído a medidas de reforço operacional, como mutirões, ampliação de atendimentos e reorganização de fluxos internos.
Wolney tem defendido a necessidade de “mudar o ritmo” da autarquia, com foco em eficiência e melhoria do atendimento ao cidadão, consolidando uma agenda centrada na entrega de resultados concretos na Previdência Social. Com as mudanças, ele reforça sua influência na condução da pasta e busca consolidar uma gestão focada em resultados administrativos mais eficientes e duradouros.
ROTA DE COLISÃO – Demitido sumariamente ontem pelo presidente Lula, Gilberto Waller estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano. Seu afastamento foi anunciado pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.

Filas enormes, a razão – Ao comentar a queda do presidente do INSS, o ministro Wolney Queiroz alegou ineficiência por parte do ex-dirigente (foto ao lado). “A gota d’água (para a demissão) teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle”, afirmou. O ministro diz que o Governo já superou a crise do INSS com os descontos indevidos dos aposentados e que agora seu foco será melhorar a gestão para reduzir a fila de benefícios.
Briga judicial – O Tribunal de Justiça concedeu, ontem, liminar favorável à deputada Débora Almeida (PSD) e suspendeu a tramitação do Projeto de Lei Ordinária 3694/2026 sob o rito especial adotado pela Presidência da Assembleia Legislativa. A decisão é do desembargador Eduardo Guilliod Maranhão. O PL 3694, de 2026, enviado pela governadora Raquel Lyra em dezembro, altera o percentual de remanejamento da Lei Orçamentária Anual de 2026. A proposta do Executivo busca preservar o patamar de 20% para remanejamento, após a oposição reduzir o índice a 0% na LOA aprovada.
Sem engessamento – O presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), criticou o envio, pelo Governo do Estado, de um projeto de crédito suplementar de R$ 155 milhões destinado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Segundo o parlamentar, a iniciativa contraria o discurso do Executivo de que o orçamento estaria “engessado” por responsabilidade da Assembleia.
“O governo, que tanto fala em falta de recursos, encaminhou hoje a esta Casa um projeto para remanejar R$ 155 milhões para o Tribunal de Justiça. Questiona-se, então, por que não enviar projeto similar para beneficiar o setor sucroalcooleiro?”, afirmou Porto durante sessão plenária. Ele acrescentou que, caso o governo envie proposta nesse sentido, o texto poderá ser votado rapidamente.

Estado condenado – O Governo do Estado foi condenado a indenizar em R$ 300 mil dois filhos de uma vítima de feminicídio morta pelo seu ex-companheiro. Ele havia fugido da prisão no mesmo dia do crime, em agosto de 2018. O assassinato aconteceu em Serra Talhada. A informação é do Tribunal de Justiça de Pernambuco. À época do crime, a filha mais velha do casal tinha 9 anos. O filho mais novo não teve a idade revelada. Eles receberão, ainda, uma pensão mensal no valor de 2/3 do salário-mínimo até que completem 25 anos de idade, segundo o TJ. A decisão é da Primeira Câmara de Direito Público do TJPE, que reconheceu, de forma unânime, a responsabilidade civil objetiva do Poder Público no caso. Ainda cabe recurso.
CURTAS
O CASO – A vítima foi morta a facadas pelo ex-companheiro em 17 de agosto de 2018. O crime foi cometido após a fuga do agressor da Cadeia Pública de Serra Talhada. Após o ocorrido, o agressor cometeu suicídio na frente da filha mais velha do casal. O ex-companheiro estava preso preventivamente desde o dia 20 de maio de 2018, para evitar novos episódios de violência doméstica.
INSTITUCIONAL – O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), voltou a defender uma relação com o governo Raquel Lyra (PSD) baseada no equilíbrio institucional. “Reafirmo a minha posição, acho que a gente precisa sempre tratar com muita institucionalidade, até porque as discussões ficam. A gente passa, políticos vão passar, mas as discussões ficam”, afirmou.
DÍVIDAS – O Ministério da Fazenda trabalha com um prazo de três meses para a renegociação de dívidas de brasileiros inadimplentes no novo programa que está sendo preparado pelo governo. O governo corre contra o tempo para fechar o desenho nas próximas semanas para anunciar a benesse até o fim de abril, com o objetivo de valer já em maio, com a marca simbólica do dia do Trabalhador.
Perguntar não ofende: Qual prazo a nova presidente do INSS terá para reduzir as filas?
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