O desgaste no judiciário e a necessidade de reação
A crise de confiança no Poder Judiciário brasileiro ganhou novos contornos, ontem, após declarações públicas de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo a gravidade do cenário e a necessidade de enfrentamento institucional. As manifestações reforçam a percepção de desgaste da imagem da Justiça junto à sociedade e colocam em evidência desafios estruturais e de credibilidade.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, admitiu que o país está “imerso em uma crise”, apontando para um ambiente de questionamentos que atinge diretamente o sistema de Justiça. A avaliação sinaliza preocupação com a relação entre o Judiciário e a população, em meio a críticas recorrentes sobre decisões, funcionamento e alcance das instituições.
Leia maisNa mesma linha, a ministra Cármen Lúcia classificou como “grave” a crise de confiabilidade no Judiciário e defendeu que o problema seja reconhecido de forma ampla, não apenas internamente. Segundo ela, a perda de credibilidade exige reflexão e medidas de aperfeiçoamento. “A crise de confiabilidade é séria, grave e precisa ser reconhecida”, afirmou durante palestra a estudantes de Direito no Rio de Janeiro.
A ministra também destacou que, embora existam “erros e equívocos” que precisam ser corrigidos, o Judiciário continua sendo essencial para a garantia de direitos constitucionais. Para ela, o reconhecimento das falhas é condição necessária para o fortalecimento institucional, especialmente diante de pressões e questionamentos crescentes sobre o papel da Justiça no país.
As declarações ocorrem em um contexto de críticas históricas ao sistema judicial brasileiro, frequentemente associado à morosidade, excesso de processos e dificuldades de acesso por parte da população. Esse conjunto de fatores contribui para o distanciamento entre o Judiciário e a sociedade, ampliando a percepção de ineficiência e seletividade.
Diante desse cenário, integrantes da Suprema Corte defendem que o enfrentamento da crise passa por maior transparência, autocrítica e aprimoramento institucional. O reconhecimento público do problema, por parte de ministros do STF, é visto como um passo relevante, mas especialistas apontam que a reversão da desconfiança dependerá de mudanças concretas na atuação e na comunicação do Judiciário com a sociedade.
Fachin nega crise com Legislativo – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, negou que haja uma crise institucional entre os Poderes Legislativo e Judiciário após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitar o relatório que pedia o indiciamento de três ministros da Corte. “Entendo que não há crise institucional entre o Poder Judiciário e o Legislativo. Há compreensões distintas sobre um determinado fenômeno, como a abrangência de uma CPI e sua pertinência temática. Mas, de modo algum, se colocou em questão a importância de o Parlamento fiscalizar todas as instituições por meio de CPIs”, afirmou Fachin.

Senador quer impeachment – Em pronunciamento no Plenário, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que o Senado enfrenta dificuldades para exercer suas prerrogativas e defendeu maior iniciativa da Casa em relação às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). “É inaceitável que o Senado permaneça inerte e subserviente a tantos abusos cometidos por ministros da Suprema Corte. Diante desses ataques, a resposta é mínima, é a admissão do primeiro processo de impeachment de um ministro do STF, antes que seja tarde demais e se torne irreversível a ditadura da toga no Brasil”, afirmou.
Lulinha paz e amor – Ao se encontrar com empresários espanhóis e brasileiros, na Espanha, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o tom de comedimento que tem adotado. Com o objetivo de tranquilizar os empresários e incentivar negócios às vésperas da entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, Lula condenou a guerra no Irã, chamando-a de “desnecessária, inconsequente, sem justificativa”. “Eu digo todo dia: eu não quero briga com Xi Jinping, não quero briga com Putin, não quero briga com Trump, não quero briga com a menor ilha que exista no mundo. O que quero é paz, investimento, gerar melhoria nas condições de vida do povo brasileiro”, disse o presidente.
Schmidt queria ser presidente – O ex-jogador Oscar Schmidt, maior jogador da história do basquete brasileiro, que faleceu ontem, tentou seguir carreira política no fim dos anos 1990 e chegou perto de se eleger senador por São Paulo. Segundo entrevista do ex-jogador para o SportTV, a candidatura em 1998 fazia parte de um projeto maior: o desejo de chegar à Presidência da República. Após mais de uma década atuando na Europa, Oscar afirmou que voltou ao Brasil com esse objetivo. Nas urnas, ele foi derrotado por Eduardo Suplicy, do PT. Anos depois, o próprio Oscar reconheceu que a derrota acabou sendo positiva. “Ainda bem que eu perdi. Quem tem alguma a perder, não se meta lá. Vai respingar em você”, concluiu.

“Ele uniu o país em torno das quadras” – O presidente Lula divulgou, em sua rede social, uma mensagem de pesar pela morte de Oscar Schmidt. Lula disse que o ex-jogador foi um “exemplo de obstinação, talento e de amor à camisa da Seleção” e “uniu o país em torno das quadras, com arremessos inesquecíveis e liderança indiscutível”. “Sua dedicação elevou o nome do país e fez dele inspiração para gerações de atletas e amantes do esporte. Neste momento de pesar, deixo minha solidariedade à família, aos amigos e à legião de fãs que ele conquistou no esporte”, afirmou o presidente.
CURTAS
LUTO – O governo federal decretou luto de três dias em razão da morte de Oscar Schmidt. “É declarado luto oficial em todo o País, pelo período de três dias, contado da data de publicação deste Decreto, em sinal de pesar pelo falecimento de Oscar Daniel Bezerra Schmidt, ex-jogador de basquetebol”. O texto, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, foi assinado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
FERIADÃO – O feriado prolongado de Tiradentes vai aumentar o fluxo de viajantes nos aeroportos do país. Entre os principais terminais, o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, o maior do país, estima uma movimentação em torno de 480 mil passageiros no período de 17 a 22 de abril. Guarulhos é o principal hub para voos internacionais e conexões domésticas. Entre os destinos mais procurados pelos passageiros que embarcam na capital federal estão São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Campinas.
10 ANOS DO IMPEACHMENT – Em 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados aprovou, por 367 votos a favor e 137 contra, a admissibilidade do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). A sessão, presidida por Eduardo Cunha, entrou para a história. Durante todo o dia de ontem, políticos de esquerda e de direita relembraram o ato, cada um reafirmando suas convicções. Uns afirmando golpe e outros a salvação do país.
Perguntar não ofende: A crise no Judiciário tem jeito?
Leia menos
















