A tradução do encontro de Humberto com Dudu da Fonte
Bem longe do burburinho que Pernambuco já vive com as prévias carnavalescas, o senador Humberto Costa (PT) e o deputado Eduardo da Fonte (PP) emendaram os bigodes em Brasília numa longa conversa sobre o peso e os reflexos de uma chapa majoritária nas eleições deste ano abrigando os dois num só palanque.
A conversa foi num restaurante, também distante do Congresso Nacional. De perfil histórico de esquerda, Humberto seria o único candidato com presença garantida numa eventual chapa liderada pelo pré-candidato do PSB, João Campos. Já Eduardo, o Dudu da Fonte, como é mais conhecido, está tomando a massaranduba do tempo, como diria o saudoso Joaquim Francisco.
Leia maisQuem tem prazo, não tem pressa, ensinou o sábio Marco Maciel. A pressa é inimiga da perfeição, diz um ditado popular. Humberto e Dudu não têm a pressa que aniquila o verso, mas sabem que um entendimento entre eles pode ser um fator decisivo nas eleições de Pernambuco em qualquer palanque que os abriguem.
Sabem que não há espaço para a eleição de dois senadores com o mesmo perfil ideológico, seja de esquerda ou de direita. Humberto, se vier a ser candidato à reeleição com João na disputa pelo Governo do Estado, não pode ter um companheiro de chapa à Casa Alta de esquerda, mas de centro.
O raciocínio bate. Basta interpretar as últimas pesquisas de intenção de voto para presidente e constatar que o Brasil continua rachado ao meio. Humberto e Dudu juntos podem também dar o xeque-mate na disputa para o Governo do Estado a qualquer dos candidatos, seja Raquel ou João.
Em português claro, Humberto tem a força e o prestígio do presidente Lula no Estado. Dudu detém o controle da maior federação partidária do País. A conjugação do PP com o União Brasil deu a Dudu, que tem o controle da federação no Estado, o maior tempo na propaganda eleitoral na TV e o mais robusto fundo eleitoral.
Em Pernambuco, Dudu agrega ainda o maior exército de prefeitos e de vereadores, além da maior bancada na Assembleia Legislativa. Quem, candidato a governador, pode torcer o nariz para tamanha obviedade política?
BOM SINAL – Há quem possa dizer que a federação de Dudu, no plano nacional, seja um complicador para ele sair senador na chapa de João Campos, caso venha a se alinhar a um candidato de direita contra Lula, como tem pregado o presidente do PSD, partido de Raquel Lyra, Gilberto Kassab. Há outros indicativos. Presidente da federação, da parte do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) sinalizou para um entendimento com Lula e o PT no Piauí, seu Estado.

O costa quente de Raquel – Nas tratativas com o presidente Lula (PT), o maior defensor de um palanque duplo em Pernambuco nas eleições presidenciais para o petista é o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ex-governador da Bahia, Rui faz a cabeça de Lula na liberação de todas as demandas de Raquel. Acha que a governadora tem chances de ser reeleita e que Lula não deveria privilegiar João Campos. Quem circula em Brasília, como eu, sabe disso tudo. De cor e salteado.
Alencar com marca-passo – O senador Otto Alencar (PSD-BA) foi submetido a uma cirurgia cardíaca para a implantação de um marca-passo após ter sentido mal quando voltava de uma agenda política no município baiano de Lapão. O parlamentar, de 78 anos, está internado na UTI cardíaca do Hospital Aliança, em Salvador, onde o procedimento foi realizado. A assessoria do baiano informou que o quadro de saúde é considerado estável. Alencar foi submetido a exames médicos que diagnosticaram o quadro de bradicardia, caracterizado por uma frequência cardíaca lenta. A indicação da equipe que presta atendimento foi a implantação do marca-passo.
Governo perdulário – As despesas da União com diárias, passagens e locomoção atingiram R$ 3,88 bilhões em 2025. A alta real (descontando a inflação) é de 3,7% ante 2024, quando somaram R$ 3,74 bilhões. O gasto sob a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o maior valor real desde 2014, quando totalizou R$ 4,52 bilhões. Naquele momento, o Brasil era comandado por Dilma Rousseff (PT). A União gastou R$ 1,63 bilhão com passagens e locomoção em 2025 — alta de 9% ante 2024. Já a despesa com diárias avançou 0,2% no período: atingiu R$ 2,25 bilhões no ano passado.

Pisada de bola – Ao afirmar que todo mundo gostaria de ser vizinho hoje do cantor João Gomes e levantar suspeitas se isso também se daria quando ele morava em Serrita, no Sertão, a governadora Raquel Lyra (PSD) foi muito infeliz. O sentido da sua frase ainda foi pior. No fundo, o que ela quis dizer foi o seguinte: “João, quando você era sertanejo pobre, um morto de fome, miserável, ninguém queria ser seu vizinho”. É isso aí! Esta foi, sem dúvida, a maior pisada de bola da governadora nesta pré-campanha.
CURTAS
GRANDE ENCONTRO – A reunião reservada em 22 de dezembro de 2025 entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Progressistas (PP), o senador Ciro Nogueira, serviu para desarmar possíveis bombas políticas dos dois lados do espectro político agora em 2026, que é um ano eleitoral. O encontro reservado foi realizado na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência na capital federal.
TEMORES – No caso de Lula, do PT e das esquerdas, há um temor de que Comissões Parlamentares de Inquérito sejam instaladas de forma destrambelhada, sobretudo na Câmara, onde o ambiente é mais hostil ao Planalto. Há investigações em curso que podem mostrar conexões do governo com o Banco Master. A CPMI (Comissão parlamentar Mista de Inquérito) do INSS tem menções a um irmão e a um filho do presidente.
INVESTIGAÇÕES – Do lado da direita e do Centrão em geral, há receio de que investigações políticas sejam empreendidas pela Polícia Federal e possam contaminar o ambiente de disputa nas urnas em vários Estados. Muitos integrantes do Centrão não querem confusão neste ano. O PL, maior partido de direita no Brasil, não participa desse acordo. Ciro Nogueira tem grande ascendência sobre Hugo Motta. São amigos muito próximos.
Perguntar não ofende: Eduardo da Fonte será candidato ao Senado na chapa de João ou de Raquel?
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