A história do ex-tesoureiro Paulo César Farias, o PC Farias, será contada em detalhes pelo jornalista cearense Xico Sá. O livro “O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias”, previsto para setembro, contará bastidores da eleição presidencial de 1989, a primeira após 21 anos de ditadura militar, e do governo Fernando Collor. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o autor revelou o episódio que mais gostou de contar, entre tantos que enriqueceram a obra desde já histórica.
“O capítulo que mais me diverti escrevendo, e que acho que o leitor vai mais gostar, é o da fuga de PC Farias do Brasil, em 1993, que é espetacular. Ele raspa o bigode, bota peruca e sai escondido de Maceió rumo a uma fazenda em Pernambuco. Ele contrata um grupo especializado em fugas de criminosos, traficantes, de quem está necessitado na América Latina, chefiado por um chileno. Parte em um teco-teco do Sertão de Pernambuco, passa pelo Paraguai e chega na Argentina, onde fica nos primeiros dias e vai para Londres, que é quando descubro o paradeiro dele, em outubro de 1993. Essa largada é muito interessante, consegue ser engraçada. Os detalhes da fuga são completamente inéditos, ninguém sabia de nada até o momento. E a combinação com o delegado da Interpol, Edson Oliveira, que estava na mão do PC. Esse é o grande capítulo do livro”, destaca Xico Sá.
Leia maisO jornalista ressaltou que foi o primeiro a divulgar o paradeiro de PC Farias em Londres, pela Folha de São Paulo, um dia após a famosa entrevista de Roberto Cabrini, no Jornal Nacional da TV Globo, com o ex-tesoureiro de Collor. “Cabrini fez uma coisa muito importante, que foi a primeira entrevista com PC Farias, no dia seguinte à revelação na Folha de São Paulo. Foi uma das reportagens de maior audiência da TV Globo, uma revelação espetacular do PC contando sobre a fuga. Mas a revelação do paradeiro dele foi esse humilde repórter do Ceará aqui que fez (risos)”, completou.
Xico Sá também revelou outros bastidores, como o destino do famoso Morcego Negro, avião utilizado por PC Farias desde a campanha presidencial de 1989. “O avião era comprado em sistema de leasing dos ‘testas de ferro’ de PC em Miami. Depois da morte dele, em 1996, o Morcego Negro voltou para a mão dessas pessoas, desse grupo inclusive chamado de Miami Leasing”, contou.
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