O ‘Quem quer dinheiro?’ do baú da Compesa
Como era esperado, a governadora Raquel Lyra (PSD) aproveitou o congresso estadual dos prefeitos, ontem, no Recife, para palanque eleitoral. Além de assinar o edital para duplicação da BR-232 no trecho entre os municípios de São Caetano e Belo Jardim, distribuiu dinheiro para quase todos os prefeitos presentes.
Parecia reviver Silvio Santos no seu “Baú da Felicidade”: “Quem quer dinheiro?” Só faltou imitar o refrão do comunicador diante de prefeitos sedentos por recursos. A dinheirama, simbolizada em cheques gigantes exibidos pelos gestores contemplados, sai do baú em que se transformou a Compesa com a sua privatização disfarçada de concessão.
Leia maisPrometer grandes obras mirabolantes em época eleitoral, diz a tradição, se transforma em votos nas urnas. Desde que a obra nasça e vire realidade com o tempo, o que parece não ser o caso da duplicação de uma BR controlada pela União e não pelo Governo do Estado.
A primeira etapa dá continuidade à duplicação da BR-232, de São Caetano a Belo Jardim, com investimento superior a R$ 250 milhões, está em um projeto que prevê a ampliação da rodovia até Arcoverde. A governadora só não explicou de onde vai arrastar o dinheiro para fazer uma obra que compete ao Governo Federal e não ao Estado.
Com pose de candidata e acenando o tempo inteiro para os prefeitos, a governadora, em campanha pela reeleição, fez a entrega simbólica de cheques a prefeitos de 150 municípios referentes à primeira parcela da outorga da concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
O valor distribuído nesta etapa soma mais de R$ 1,3 milhão. A concessão dos serviços da Compesa foi assumida por duas empresas, que deverão investir R$ 19,5 bilhões até 2035, com o objetivo de ampliar o acesso ao saneamento básico no estado. Segundo o governo de Pernambuco, a medida busca viabilizar a universalização do serviço dentro dos prazos estabelecidos pelo marco regulatório do setor.
PORTO PRESTA CONTAS – Um dos discursos mais elogiados, ontem, pelos prefeitos no congresso estadual da Amupe foi o do presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (MDB). “Já estivemos juntos, entre outras agendas, na luta contra a redução do FPM, na redistribuição do ICMS e, mais recentemente, na solução do impasse do projeto que alterou a LOA, garantindo a possibilidade de remanejamento de recursos do Executivo para os municípios”, afirmou, ao fazer uma espécie de prestação de contas do Legislativo sob o seu comando com um olhar municipalista.

Ele voltou em grande estilo! – Quem é vivo, aparece. Sumido do estado desde que pediu o boné na presidência da Compesa, o advogado Alex Campos reaparecerá hoje no congresso estadual dos prefeitos. Ele irá mediar, às 14h30, o painel “Compesa: O Novo Cenário de Pernambuco”, com a participação de representantes do governo estadual, da própria Compesa e da iniciativa privada, em um debate sobre os rumos do saneamento no estado depois da privatização da Compesa, missão que cumpriu à risca e depois caiu fora.
Perseguição em Itacuruba – Ao invés de bater palmas para a governadora, como a maioria dos prefeitos presentes, ontem, no congresso estadual da Amupe, o gestor Juninho Cantarelli (PSB), de Itacuruba, cobrou explicações para a paralisação das obras de uma importante estrada na sua região: a PE-422, principal acesso ao município pela BR-316. A justificativa do Estado foi a necessidade de “ajustes técnicos” no projeto, gerando insatisfação devido à precariedade da via. Mas o socialista afirma que, se estivesse fechado com a reeleição da governadora, nada havia sido suspenso. “Ela não libera nada para os prefeitos do PSB”, disse.
O vice ideal – Em um evento fechado com investidores em São Paulo, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) defenderam o nome de Romeu Zema (Novo) como vice ideal ao senador na disputa pela Presidência. Uma das avaliações é que o ex-governador de Minas Gerais traria atributos que o Zero Um não possui, entre eles senioridade e experiência no Executivo. Outra razão apontada é que a escolha de Zema seria um sinal para a sociedade de que Flávio está buscando um parceiro com “compliance total”, em vez de alguém do “Centrão esquemeiro”.

Noronha em boas mãos – Embora jovem, sem nunca ter ocupado cargos públicos, o administrador de Fernando de Noronha, Virgílio Oliveira, tem desempenhado a função com brilho e eficiência. Jeitoso e trabalhador, foca seu trabalho em obras estruturadoras, como a ampliação e reforma do aeroporto. Sua atuação se concentra no desenvolvimento sustentável, alinhando o turismo à preservação ambiental, e a manutenção de diálogo aberto com o Conselho Distrital e moradores.
CURTAS
REVERSÃO 1 – Extremamente competente e experiente, com trânsito nacional, o advogado Walber Agra está convencido de que o prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, e o vice Daniel Valadares, ambos do PSB, revertam na segunda instância a cassação dos seus mandatos por abuso de poder político e econômico nas eleições em 2024.
REVERSÃO 2 – “Temos a certeza de que as provas dos autos não justificam a decisão pela cassação”, disse, em nota, o advogado Walber Agra. Ele também destacou que as contas da campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. “As contas da campanha foram plenamente aprovadas, inclusive com trânsito em julgado”, afirmou.
O CASO – A sentença de cassação partiu do juiz José Anastácio Guimarães Figueiredo Correia, da 66ª Zona Eleitoral. A sentença apontou abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024, incluindo o uso indevido da máquina pública e “confusão patrimonial”. As investigações envolvem R$ 35 mil em espécie, notas fiscais e tickets com o então secretário de Finanças e coordenador financeiro da campanha, Jandyson Henrique, na antevéspera da eleição de 2024.
Perguntar não ofende: A governadora tem autonomia para duplicar uma estrada federal?
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