Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Aos poucos, o ex-ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro governo, José Dirceu (PT-SP), vai construindo um retorno à ribalta política. Na formulação do que imagina para um possível quarto mandato, Lula quer trazer de volta antigos colaboradores que ficaram escanteados neste terceiro governo, por fatores que vamos detalhar mais abaixo na coluna.
Especialmente, Lula pensa nesses veteranos na trincheira do Congresso, para enfrentar uma oposição que ensaia vir mais hostil. Recentemente, Lula conversou nesse sentido com o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). E com José Dirceu. Nesse sentido, ambos poderão disputar cadeiras de deputado federal.
Leia maisO Mensalão desgastou João Paulo Cunha, mas especialmente Dirceu. Tudo começou quando o então presidente dos Correios, Maurício Marinho, indicado pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi pego recebendo propina. Jefferson achou que tinha o dedo de Dirceu na denúncia contra Marinho, e reagiu atacando Dirceu. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Jefferson denunciou a existência do Mensalão.
O esquema pelo qual o governo de Lula compraria apoio político acabou julgado pelo Supremo Tribunal Federal. A Câmara acabou cassando Roberto Jefferson e José Dirceu. Todo-poderoso no início do governo, Dirceu deixou a Casa Civil. Condenado, acabou sendo preso. Jefferson também foi condenado e preso. Curioso é que mais tarde reapareceria como um dos mais fiéis aliados de Jair Bolsonaro. Às vésperas das eleições de 2022, recebeu agentes da Polícia Federal com tiros e granadas. Aos 91 anos, com Alzheimer, cumpre prisão domiciliar.
Preso depois que a Lava Jato substituiu o escândalo do Mensalão, Lula afastou-se no terceiro governo de antigos aliados e aproximou-se do que foi apelidada de “Turma de Curitiba”, aqueles que mais foram solidários a ele enquanto ele esteve preso na sede da Polícia Federal na capital do Paraná. Agora, alguns do grupo original reaproximam-se.
Entre eles, José Dirceu. Que volta a ser importante formulador de estratégias para o PT e para o governo. É nesse sentido que chama a atenção artigo que ele escreveu para o site Congresso em Foco procurando desmontar diversos indicadores do governo de São Paulo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Os dados reunidos por Dirceu até poderiam valer como plataforma para rebater Tarcísio numa eventual corrida presidencial. Mas parecem já levar em conta que ele acabe optando pela reeleição em São Paulo, pois não pretende disputar a Presidência tendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato.
E, aí, pode crescer a ideia desejada pelo PT de lançamento de um nome forte para tentar disputar com Tarcísio. Duas hipóteses são consideradas, embora nenhum dos dois nomes pareça morrer de amores pela ideia: o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
No artigo, José Dirceu lista o que chamou de “sete pragas” do governo de Tarcísio de Freitas. Mas, especialmente, o ex-ministro da Casa Civil centra suas críticas no fracasso das políticas de privatização dos serviços de energia e abastecimento de água. Na energia, São Paulo viveu o segundo ano seguido de apagões no período de chuvas.
Na segunda-feira (12), o governo Lula determinou a apuração das responsabilidades pelas falhas no fornecimento de energia, não só da italiana Enel, depois que tanto Tarcísio de Freitas quando o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciaram em dezembro que o contrato de concessão seria rompido.
No artigo, José Dirceu fala, então, dos problemas no abastecimento de água e na responsabilidade da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Menciona o risco de crise hídrica. O ex-ministro da Casa Civil aponta outros números. E esboça por onde deve ser a guerra em São Paulo.
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