Por Antonio Magalhães*
Uma parcela do eleitorado brasileiro está disposta a levar o País a uma situação mais desastrosa. Quer manter no poder um cidadão que foi condenado em três instâncias do Judiciário por corrupção e lavagem de dinheiro. Quer levar a Nação pelo caminho da insensatez já anunciada pelo dito cujo para “fazer mais do que fez” nos períodos anteriores que governou pessoalmente e em outros virtualmente com uma preposta. O resultado todos conhecem.
Este homem e seu insensato pessoal veem, sem dor na consciência, o estrago que foi feito até agora. E continuam desejando estar no poder contra todas as evidências de má gestão. O livro ‘A Marcha da Insensatez’ da historiadora norte-americana Barbara Tuchman, duas vezes vencedora do Pulitzer, trata de um dos grandes paradoxos da humanidade: a insistência dos governos em adotarem políticas contrárias aos próprios interesses.
Leia maisA obra cobre quatro conflitos históricos em que decisões erradas daqueles que estavam em posições de liderança tiveram consequências catastróficas: a Guerra de Troia; a Reforma Protestante; a Independência dos Estados Unidos; e a Guerra do Vietnã. “A reflexão mais interessante, eu diria até assustadora, é a completa incapacidade de governantes (e governados) enxergarem quando estão repetindo exatamente os mesmos erros trágicos do passado — muitas vezes, um passado bem próximo”, avalia o resenhista do Meio e Mensagem, Marcos Caetano.
“Se os homens pudessem aprender da História, que lições nos poderiam dar”, lamentou-se o ensaísta inglês Samuel Coliridge (1772-1834), citado por Barbara Tuchman no seu excelente livro. “Mas a paixão cega nossos olhos e a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás”, completa o gringo.
E é isso que se vê nesta campanha eleitoral para a Presidência da República. A insensata busca dos petistas por um passado controverso que não volta mais. O chefão já não distribui migalhas ou pão com mortadela para o eleitor, como no passado. Agora não há mais a prometida picanha, nem a inclusão do pobre no orçamento da Nação. O que foi dito na campanha eleitoral anterior desfez-se no tempo. Das promessas restaram dívidas para 70 por cento das famílias brasileiras.
Cresceram os gastos desnecessários ou descontrolados, com viagens do casal presidencial, com cartões corporativos e suas contas sigilosas por 100 anos. As críticas atuais focam no crescimento da despesa acima da receita, nos R$ 300 bilhões fora das metas fiscais. E com elas crescendo num ritmo quase duas vezes maior que o aumento da arrecadação, que, mesmo com o aumento de impostos – só nestes 4 anos foram 37 iniciativas de novas taxas e tributos – não cobriu o rombo das contas públicas.
O Brasil é hoje um país com os Poderes da Nação desequilibrados, descumprindo a Constituição Federal. Onde são caçados opositores e dissidentes do regime PT-STF-Velha Mídia, exilam jornalistas e políticos. Prendem milhares de pessoas comuns acusadas e condenadas por um crime inexistente. E nem mesmo com os R$ 255,3 milhões investidos pelo governo petista na propaganda governamental, vai ser possível encobrir o atual desmantelo político e econômico do Brasil e muito menos o caos do próximo ano já anunciado.
E não se podem esquecer os escândalos de corrupção que envolveram altas autoridades e parentes como “correntistas” do Banco Master de Vorcaro ou “amigos da onça” dos velhinhos aposentados do INSS. Desvios de bilhões de reais. Toda a grana roubada poderia ter sido usada em benefício dos brasileiros, lamentam os paisanos.
Neste momento, o palanque governista já se enche de discursos roucos e raivosos, encaminhando propostas e programas marqueteiros. Isso depois do fracasso de gestão de empresas públicas, antes superavitárias, que só serviram nesta gestão do PT para dar emprego à sua turma e facilitar o uso do caixa. Voltou, como se viu, o trem da alegria de militantes e apaniguados, também a censura à imprensa não aparelhada e às redes sociais, onde a população vem conseguindo minimamente se expressar contra o estabelecimento pautas de comportamento social em desacordo com que pensam os brasileiros sensatos.
Esta parcela governista pode estar pavimentando o caminho para a marcha da insensatez, uma expressão política difundida no livro de Barbara Tuchman. O candidato do PT não quer ver aonde podemos chegar com sua administração. Basta observar a devastação da vizinhança na América Latina governada no passado recente pela esquerda do Fórum de São Paulo, que só agora se recupera como nações livres. Caso seja reeleito o atual mandatário, o prenúncio é de um amanhã de tristezas com o cheque de despesas estouradas. É isso.
*Jornalista
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