Do Poder360
O PT deu neste sábado (7) o pontapé inicial da campanha presidencial de 2026. Em um ato político com tom histórico e eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que será candidato à reeleição, cobrou unidade interna, defendeu alianças amplas e exaltou a trajetória do partido, que completará 46 anos na próxima terça-feira (10). O presidente convocou a militância para o que chamou de guerra política em 2026. Disse que a fase “Lulinha paz e amor” acabou.
“Eu quero estar na frente com vocês”, afirmou Lula ao reafirmar que será candidato à reeleição. O petista pretende conquistar um quarto mandato. Declarou que vive seu “melhor momento físico e mental” aos 80 anos e disse estar “motivado para cacete” para a disputa eleitoral.
Leia maisA cúpula do PT e militantes do partido se reuniram por três dias em Salvador para comemorar o aniversário da legenda. O ato político deste sábado encerrou as celebrações. Estavam presentes o presidente nacional Edinho Silva, os líderes do partido no Congresso José Guimarães (CE) e Jaques Wagner (BA), além de governadores, ministros e congressistas. Lula foi o último a discursar.
A militância ocupou o espaço com bandeiras, camisetas vermelhas e gritos de “sem anistia”. O Hino Nacional foi cantado pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. Houve também manifestações de apoio à comunidade LGBTQIA+ e cânticos que exaltavam a coligação entre Lula e aliados no Nordeste. O clima foi de festa com forte carga política.
Guerra eleitoral
Ao falar do cenário eleitoral, Lula disse que será necessário construir alianças amplas e reforçou a estratégia de contrastar os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) com sua gestão.
Lula adotou tom combativo ao afirmar que a eleição será uma “guerra” e que acabou o “Lulinha paz e amor”. Orientou o PT a firmar alianças para vencer em 2026 e elogiou a parceria com PSB e PCdoB. No discurso, ignorou a presença do PSD, representado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e pelo senador baiano Otto Alencar.
“Não estamos com essa bola toda em todos os Estados. Precisamos compor e decidir se a gente quer ganhar ou perder. Como eu quero ganhar, Edinho, você vai ter que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática”, disse.
Sobre o partido, Lula disse que disputas internas acabaram com o PT na Grande São Paulo e enfraqueceram o partido ao longo dos anos. O petista não entrou em detalhes, mas sua fala também uma referência ao assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002.
Sobre o partido, Lula disse que disputas internas acabaram com o PT na Grande São Paulo e enfraqueceram o partido ao longo dos anos. O petista não entrou em detalhes, mas sua fala também foi uma referência ao assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002.
“O PT governava 24 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Governava Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo (do Campo), Diadema, Mauá, Campinas, governou Piracicaba. Hoje o que o PT governa? O que aconteceu? Em algum momento nós erramos. É preciso ver onde erramos para a gente corrigir, não podemos continuar persistindo no erro. O PT de Santo André era um PT extremamente organizado, era símbolo. O que aconteceu com o PT de Santo André? As brigas internas acabaram com o PT”, afirmou.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PT ainda não definiu quem liderará a chapa estadual nem a estratégia de alianças para 2026. Lula tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo do Estado, mas ele resiste a entrar na corrida. O partido também convidou a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) para se filiar ao partido – ela está de saída da Rede – e disputar uma vaga ao Senado pelo Estado. Os petistas esperam ainda ter a ministra Simone Tebet (Planejamento) na mesma chapa ao Senado. Ela avalia se permanece no MDB ou migra para outra sigla como o PSB.
Há também a possibilidade de que o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) venha a disputar algum dos cargos em São Paulo, embora ele tenha dado declarações em sentido contrário.
O presidente também cobrou que a filiação partidária não seja motivada apenas por projetos eleitorais, ao embalar críticas à atual mercantilização da política. Disse que a direita faz política movida pelo dinheiro.
Ainda, Lula tentou insuflar a militância a defender o governo e permanecer mobilizadas nas redes sociais. “Nós temos que ser mais desaforados porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem mais essa de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra”, afirmou.
Pediu ainda que a militância vá para a periferia para conversar com a população, especialmente os evangélicos. Disse que a maioria deles recebe benefícios do governo federal.
O presidente criticou ainda o próprio PT por ter sido a favor das emendas parlamentares impositivas aprovadas pelo Congresso em 2025. O Orçamento de 2026 de 2026 foi aprovado com R$ 61 bilhões destinados para emendas. Disse que a decisão da bancada no Congresso foi “grave”.
Alckmin enaltecido
A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que já manifestou interesse em permanecer na chapa presidencial, foi tratada como símbolo da política de alianças defendida pelo PT.
Alckmin, que é filiado ao PSB, ganhou elogios de Lula. “Eu tenho muita sorte na vida e uma delas é saber escolher meu vice. Eu duvido que algum presidente tenha tido a sorte de ter o vice que eu tenho”, declarou.
O vice-presidente retribuiu. Compareceu ao evento usando meias vermelhas e elogiou o partido. “O PT não nasceu do alto. Nasceu do povo. Da voz e da luta do povo. Uma árvore cresce pela raiz. É um partido identificado pela liberdade, pela justiça”, afirmou. Em seguida, completou: “Vamos pra frente, Lula presidente”.

Edinho Silva também destacou a importância de Alckmin para a coalizão eleitoral. “O senhor simboliza nossa capacidade de diálogo, tão importante na vida do PT, com todos os partidos que estão nos ajudando a reconstruir o Brasil”, disse.
Na quinta-feira (5), Lula disse que Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad têm “um papel a cumprir nas eleições de São Paulo”. Nenhum dos dois, no entanto, quer disputar eleições no Estado. Haddad diz que quer contribuir na campanha à reeleição do petista elaborando o plano de governo. Alckmin quer continuar na chapa de Lula como vice. Na 6ª feira (6.fev), Alckmin disse que não considera concorrer ao governo de São Paulo nas eleições de 2026.
O PT também afirma ainda avaliar as alianças nacionais e estaduais, o que pode influenciar na escolha de outro vice. O presidente do PT afirmou ainda que o partido enfrenta desafios estruturais, como a ascensão do fascismo no mundo e a perda de espaço institucional. Defendeu a ampliação das bancadas estaduais e federais e a construção de um “grande Congresso” aliado. Criticou as emendas impositivas, afirmando que elas reduzem o poder do Executivo.
Homenagens e discursos
O evento começou com homenagens a militantes históricos que morreram recentemente. Lula pediu que os tributos fossem feitos com sua presença. Zé Dirceu homenageou Paulo Frateschi, Everaldo Anunciação e Frei Sérgio.
O presidente do PT na Bahia, Tássio Brito, abriu os discursos destacando a reconstrução da imagem de Lula após a prisão. Disse que a militância fará Lula presidente de novo no 1º turno. “Nós ganhamos o país de novo. A tarefa importante é tarefa do PT”, afirmou.
Ao fim do evento, militantes cantaram parabéns com direito a bolo. Também ecoaram cânticos sobre a coligação “Jero-Lula”, em referência ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Lula encerrou lembrando que foi na Bahia, em julho de 1978, que defendeu pela primeira vez a criação do PT. “Foi aqui, no dia 15 de julho de 1978, que a classe trabalhadora decidiu criar um partido político”, recordou.

















