Em entrevista ao portal Capital Digital, do jornalista Luiz Queiroz, o secretário de Governo Digital, Rogério Mascarenhas, detalhou a evolução do Gov.br, que deixou de ser um portal para se tornar a principal infraestrutura de acesso a serviços públicos no país. “Hoje a gente tem 174 milhões de pessoas no Gov.br”, afirmou. O volume de acessos também impressiona. “São cerca de 25 milhões de acessos por dia”, disse, acrescentando que o sistema já acumulou mais de 500 milhões de acessos em apenas dois meses. Esse volume de acessos diários, por exemplo, seria como toda a população do Austrália visitasse e portal.
Os dados mais recentes de 2026 mostram a dimensão dessa base. São 174.594.011 contas ativas, sendo 82.427.504 no nível ouro, 31.877.569 no nível prata e 60.288.938 ainda no nível bronze. Esse avanço também se reflete na oferta de serviços. No início de 2023, o governo contabilizava 4.144 serviços digitais federais. Hoje, esse número já supera 4.600 serviços no âmbito federal, além de mais de 8.300 serviços ofertados por estados e municípios integrados ao ecossistema.
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Mais recentemente, a plataforma atingiu a marca de 175 milhões de usuários, um número superior à população de países como Chile, Argentina, Japão e Alemanha. Apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, o sistema registrou cerca de 1 bilhão de acessos, evidenciando o nível de centralidade que o Gov.br passou a ocupar na vida digital dos brasileiros.
O crescimento também é consistente no médio prazo. Em dezembro de 2022, eram 136,5 milhões de usuários. Em pouco mais de três anos, houve um aumento de 38,4 milhões de contas, o que representa uma expansão de 28%. No mesmo período, as contas nível ouro saltaram de 32 milhões para mais de 83 milhões, um crescimento de 159%.
No total, segundo dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o ecossistema já reúne mais de 13 mil serviços disponíveis, sendo mais de 4.600 federais e cerca de 8.700 estaduais e municipais.
A amplitude dessa oferta vai além da digitalização de processos tradicionais e passa a incorporar ferramentas diretamente voltadas à proteção do cidadão. Entre elas estão serviços como “Proteção do CPF”, da Receita Federal, o “BC Protege +” e o “Registrato”, ambos do Banco Central, que permitem bloquear o uso indevido do CPF, impedir abertura fraudulenta de contas e monitorar movimentações financeiras vinculadas ao nome do usuário.
“Sabemos que boa parte das pessoas utilizam o Gov.br para assinar documentos com validade jurídica de forma digital, mas é importante conhecer esses outros serviços que ajudam na segurança dos dados pessoais”, afirmou Mascarenhas. “Esses serviços também protegem a própria conta, já que muitos golpistas usam dados bancários para roubar a identidade digital e abrir empresas laranjas”, acrescentou.
O avanço mais relevante, no entanto, está na qualidade do acesso. O número de contas com nível mais elevado de segurança (prata e ouro) mais que dobrou. “A gente tinha algo em torno de 53 milhões. Hoje são mais de 114 milhões”, destacou o secretário de Governo Digital. Esse movimento muda a lógica de acesso aos serviços públicos. A assinatura digital, por exemplo, já supera 1 milhão de operações diárias. “Hoje a gente faz assinatura com validade jurídica, sem precisar reconhecer firma”, afirmou.
Entre os serviços mais utilizados estão ainda plataformas como Meu INSS, Meu SUS Digital, Enem, Fies, Carteira de Trabalho Digital e Carteira Digital de Trânsito, além de funcionalidades que permitem ao usuário acessar serviços personalizados conforme seu perfil, seja estudante, trabalhador, empreendedor ou agricultor.
Mas essa centralização também cria dependência. Sem acesso qualificado ao Gov.br, o cidadão fica limitado. O próprio secretário reconhece dificuldades. “Às vezes depende do celular, da biometria… isso gera fricção”, disse.
A estratégia foi elevar o nível de segurança, mesmo com impacto na usabilidade. “É um aborrecimento necessário”, afirmou, ao justificar mecanismos mais rígidos de autenticação diante do aumento das ameaças digitais.
Essa preocupação se reflete também nas recomendações de segurança para os usuários. Uma das principais é a ativação da verificação em duas etapas, considerada essencial para proteger o acesso à conta. “A proteção da conta Gov.br é tão importante quanto a dos dados bancários ou da sua casa”, afirmou Mascarenhas.
Com essa funcionalidade, mesmo que terceiros tenham acesso ao CPF e à senha do usuário, não conseguem entrar na conta sem um código adicional gerado no aplicativo. O governo vem estimulando a adesão a esse mecanismo, especialmente entre usuários com nível prata e ouro, como forma de reduzir fraudes e tentativas de invasão.
Ao mesmo tempo, o ministério tenta reduzir barreiras de acesso. Foram implementadas melhorias no reconhecimento facial, como comandos de voz para orientar usuários, uso da câmera traseira para aumentar a precisão da captura e ampliação do tempo e número de tentativas para pessoas com deficiência. “Temos um olhar de não deixar ninguém para trás na transformação digital”, afirmou Rogério Mascarenhas. Segundo ele, o sistema já alcança cerca de 90% de taxa de sucesso nos processos de reconhecimento facial.
Além disso, o governo lançou o atendimento presencial por meio do Balcão Gov.br, com 153 unidades em 17 estados, alcançando potencialmente cerca de 38 milhões de pessoas. A iniciativa busca apoiar usuários com baixo letramento digital, oferecendo orientação prática para uso da plataforma.
O resultado é um ambiente que combina conveniência e risco. Ao mesmo tempo em que simplifica a vida de mais de 174 milhões de brasileiros, eliminando filas e deslocamentos, o Gov.br se consolida como a principal porta de entrada para serviços públicos e privados e, justamente por isso, também se torna um dos principais alvos de tentativas de fraudes digitais.
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