Por Matheus Calmon – Portal Muita Informação
O ex-ministro das Cidades e pré-candidato ao Senado, João Roma (PL), afirmou, nesta sexta-feira (13), que não há qualquer relação sua com o escândalo do Banco Master. O presidente estadual do PL desafiou o ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), a abrir seu sigilo bancário e destacou que está disposto a prestar contas desde que Rui faça o mesmo.
“Olha, eu não posso estar me comparando com o Rui Costa. Ele deve suas explicações. Ele é que participou de reunião secreta… O senador Humberto Costa pediu quebra do meu sigilo. Não tem dificuldade. Eu entrego de bom grado desde que o Rui Costa entregue o dele. Vamos brincar? Vamos ver quem é que tem culpa no cartório, Rui Costa? Não deixe de mandar o seu não, porque senão eu vou saber porque o seu apelido é ‘correria’”, afirmou Roma a jornalistas durante a Lavagem de Arembepe, em Camaçari.
Leia maisSuposto envolvimento
Segundo o colunista Ricardo Noblat, Roma seria aliado do banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, que também foi preso na Operação Compliance Zero, e teria tido papel relevante no crescimento do Banco Master. Ele foi convocado para depor na CPI do Crime Organizado, que deve abordar, entre outros pontos, o credenciamento do Banco Master para atuar no consignado do auxílio emergencial no final do governo Bolsonaro.
Durante o governo Bolsonaro e gestão de Rui Costa, o cartão CredCesta passou a ser responsável por operações de crédito consignado para aposentados do INSS em 24 estados do país, sendo chefiado por Augusto Lima no Banco Master. O cartão opera em todas as linhas de consignado do INSS, permitindo saques com taxas de juros reduzidas, além de serviços adicionais, como descontos em farmácias e auxílio-funeral. Segundo o INSS, o número de contratos passou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, um aumento de 2.500%, tornando o cartão responsável por metade da receita do banco.
Roma foi chefe de gabinete de ACM Neto e, com o apoio dele, foi eleito deputado federal em 2018 pelo Republicanos. Durante o mandato, os dois romperam politicamente, e Roma foi nomeado ministro por Bolsonaro, migrando do Republicanos para o PL. Nesse período, teria facilitado o contato de Augusto Lima com a direita, enquanto o banqueiro mantinha relações com políticos petistas, como Jaques Wagner e Rui Costa.
Empresário citado em investigação acende alerta no PT
Nos bastidores de Brasília, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a trajetória empresarial de Guga Lima pode estabelecer conexões indiretas entre o caso investigado e o grupo político que administra a Bahia há quase duas décadas. A origem dessa relação remonta a 2018, período em que o senador Jaques Wagner (PT-BA) exercia o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante a gestão do então governador Rui Costa (PT-BA), atualmente ministro da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Naquele contexto, Augusto Ferreira Lima venceu a licitação para adquirir ativos da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede de supermercados populares Cesta do Povo. Do processo de aquisição surgiu posteriormente o CredCesta, um cartão de crédito consignado direcionado principalmente a servidores públicos. Com o passar dos anos, o produto financeiro se consolidou como um dos ativos mais relevantes vinculados ao Banco Master, ampliando sua presença no mercado de crédito consignado.
Segundo fontes próximas ao governo federal, é justamente essa ligação histórica entre o projeto econômico desenvolvido na Bahia e a estrutura financeira associada ao Banco Master que passou a despertar atenção em Brasília. Integrantes do governo avaliam que, dependendo do avanço das investigações financeiras, eventuais desdobramentos poderiam alcançar personagens políticos com relevância na estrutura de poder do estado, o que aumentaria a sensibilidade do caso no ambiente político nacional.
Críticas à oposição e defesa da transparência
Roma afirmou que a tentativa da oposição de ligá-lo ao escândalo é reflexo do “desespero completo do PT” diante das mudanças políticas na Bahia. O dirigente partidário criticou a postura do partido e ressaltou que sua vida pública é transparente, principalmente durante sua passagem pelo ministério do presidente Bolsonaro.
“Desespero completo do PT. Parece que essa movimentação de mudança da Bahia está atingindo a muitos esses pré-candidatos. Hoje você vê um PT batendo a cabeça, resolvendo filho de fulano, filho de beltrano, cada um preocupado com a sua cadeira e está numa posição confortável em Brasília. Então eles ficam tentando criar ilações. Não escondo minhas amizades pessoais, mas toda a minha vida pública é muito transparente, as pessoas podem verificar, especialmente quando eu estive no ministério do presidente Bolsonaro”, disse Roma.
O ex-ministro afirmou ainda que não existe qualquer registro de ato administrativo praticado por ele ou por sua pasta que tenha beneficiado o Banco Master ou instituições relacionadas ao grupo. Segundo ele, setores da oposição tentam criar “uma cortina de fumaça”, estratégia que, na sua avaliação, a população identifica como uma tentativa frustrada de desviar o foco do debate político.
“Não há nenhum ato meu, nem do meu ministério, que beneficie ou faça qualquer vinculação a Banco Master ou a qualquer entidade vinculada a ele. Então o PT fica querendo criar essa cortina da fumaça e claramente a população percebe muito que não dá para colocar isso para o lado do carro. Então o PT certamente vai ter muito o que explicar para a população”, declarou João Roma.
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