Candidato do Missão, Renan Santos participa nesta terça-feira da sabatina da TV Globo com os candidatos à Presidência da República. Questionado sobre a sua defesa de que o Brasil desenvolva uma bomba nuclear, o presidenciável criticou a relação do país com a China e, posteriormente, defendeu a intervenção federal na segurança pública.
Para justificar o desenvolvimento de armas atômicas no país, Renan Santos sustentou que “o mundo está passando por uma mudança muito grande” e que a tecnologia iria levar o país a reaver o “respeito internacional pelo Brasil”. Ele afirmou ainda que a medida ajudaria a proteger o país de ameaças externas interessadas em recursos naturais. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais— O mundo vai olhar para o Brasil com cobiça — disse o candidato do Missão, sustentando que a medida iria ajudar a proteger o país, que defende a retirada do país do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares — O Brasil hoje está fraco, mas tem que fazer uma construção de soberania, e isso passa por reaver posição internacional do Brasil. Hoje o Brasil é vassalo da China.
Em seguida, o candidato afirmou que o país poderia usar terras raras para negociar com os EUA, que depende dos minerais para a indústria armamentista.
— Eles não dispõem das terras raras em seu território, precisam comprar da China. Então eles vão ter que sentar com o Brasil para ter essa soberania militar, e isso nos coloca em posição interessante — disse o candidato.
Renan foi questionado sobre as consequências diplomáticas que o desenvolvimento de uma bomba nuclear poderia trazer ao país. Diante de uma comparação com a Coreia do Norte, ele afirmou que o país é “respeitado internacionalmente”, apesar dele não aprovar o caráter repressivo do regime.
Em outro momento, Renan Santos foi questinado pelos entrevistadores sobre suas propostas para a segurança pública. Na fala, ele voltou a defender medidas de exceção no combate ao crime organizado, com endurecimento da legislação, seguindo um modelo de “direito penal do inimigo”, e a decretação de um estado de defesa.
— Antes da GLO do Temer tivemos as UPPs no Rio, que inicialmente tiveram sucesso e depois não deram certo, porque o Brasil não fez arcabouço legal para sustentar esse processo — afirmou Renan Santos, referindo-se à intervenção federal promovida pelo governo do emedebista no Rio de Janeiro.
O candidato foi, então, pressionado pelos entrevistadores sobre a inspiração das propostas no setor no governo salvadorenho de Nayib Bukele, alvo de denúncias por violações de direitos humanos. Pressionado, Renan Santos disse desconhecer casos de tortura e desaparecimento no país latino-americano e respondeu que “se você vai numa favela, não há estado democrático de Direito, e essa pessoa pode ser torturada lá”. Ele também comparou um julgamento coletivo de membros de uma gangue salvodorenha ao Tribunal de Nuremberg, que condenou lideranças nazistas após a Segunda Guerra Mundial.
Ao ser perguntado pelos entrevistadores sobre o tom usado para tratar do tema, com expressões como “fazer banho de sangue” e “matar quem roubar”, Renan Santos reforçou o uso dos termos e disse que o “povo brasileiro está pedindo uma guerra”.
— Eu acho que o sangue que tem que jorrar não é do inocente, é do bandido. As pessoas estão implorando para que a gente faça justiça contra esses demônios que estão matando gente inocente.
Renan Santos também foi questionado sobre o episódio no qual o ex-deputado estadual de São Paulo Arthur do Val fez declarações machistas gravadas em áudio durante uma visita à Ucrânia. Na época, o ex-parlamentar disse que as ucranianas “são fáceis porque são pobres”.
— Eu não o ouvi quando ele emitiu o áudio, gostaria de ter evitado. O áudio que ele mandou foi entre amigos dele, o áudio vazou e ele sofreu as consequências. Ele perdeu o mandato — disse Renan. Em seguida, o candidato respondeu sobre a baixa quantidade de mulheres filiados ao Missão e argumentou que elas são alvos frequentes de ataques — A violência política de gênero que sofre contra pessoas da direita é muito maior do que se imagina.
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