A perna cabeluda voltou. Foi vista no Palácio do Campo das Princesas.
Ninguém enxerga direito, mas todo mundo jura que ela passa correndo pelos telhados de madrugada, espiando quintais, rondando casas, surgindo do nada e sumindo na esquina seguinte.
Metade lenda. Metade paranoia coletiva. Pernambuco agora arrumou uma versão oficial. Ela usa crachá.
Alguns governos promovem cultura. Outros promovem infraestrutura. O de Raquel Lyra parece empenhado em ressuscitar outra tradição: a arapongagem.
A reportagem do Domingo Espetacular trouxe indícios de que a estrutura da Polícia Civil teria sido usada para monitorar adversários políticos.
Não traficantes. Não quadrilhas. Adversários.
Policiais em grupo de WhatsApp chamado, com sinceridade involuntária, “Nova Missão”.
Localização em tempo real. Fotos. Rotas. Servidor seguido. Carro rastreado. Dispositivo instalado. Sem ordem judicial. Sem inquérito. Coisa de filme.
E a ironia é cruel: dias antes, a governadora tentava surfar no prestígio de Agente Secreto, de Kleber Mendonça – justamente um filme sobre os tempos em que o Estado vigiava cidadãos nas sombras, quando suspeita virava método e política virava dossiê.
Pelo visto, gostaram mais da estética do suspense do que da crítica. A Polícia Civil, que deveria proteger o cidadão do crime, passa a proteger o poder do incômodo.
E a pergunta é inevitável: Se isso aconteceu contra secretários de João Campos, por que não contra um deputado barulhento na Alepe? Contra um conselheiro do Tribunal de Contas exigente demais? Contra um juiz independente? Contra empresários desalinhados? Espionagem política nunca é exceção. É método.
Quando governo usa polícia para vigiar adversário, a democracia já começou a dar ré. O problema deixa de ser administrativo. Vira institucional. Vira abuso.
Ditadura não começa com tanque na rua. Começa assim: gente sendo seguida, telefone rastreado, dossiê improvisado, o Estado confundindo crítica com crime.
A perna cabeluda sempre foi lenda. Essa não. Essa tem orçamento, viatura, senha de sistema e carimbo oficial.
O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (PSDB), repudia, em nota abaixo, o uso da estrutura da Polícia Civil de Pernambuco para realizar espionagem contra o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, como revelou denúncia apresentada, ontem, pelo programa Domingo Espetacular, da Rede Record. Para Porto, a prática remonta a outros tempos, causa indignação e deve ser investigada e explicada pelo Governo do Estado.
Nota
Como presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, não posso e não devo me silenciar diante de fato tão grave. Precisamos juntos, todos os estamentos da sociedade organizada, repudiar e demonstrar a mais profunda indignação diante do uso de agentes do Estado para perseguirem adversários políticos ao arrepio da lei na mais completa violência contra o estado de direito.
Tenho sido vítima, juntamente com meus familiares, das maquinações perpetradas pelo gabinete do ódio que, segundo resultou provado, tinha um dos seus membros nomeados no coração do governo com a assento e passagem livre no Palácio do Campo das Princesas.
Os pernambucanos se recordam quando fomos à tribuna denunciar a existência dessa organização montada única e exclusivamente para disseminar o ódio, a mentira e injúrias contra pessoas eleitas pelo governo como antagonistas eleitorais.
E, neste domingo, para tristeza e revolta de todos nós, somos surpreendidos com a notícia das perseguições a funcionários da Prefeitura do Recife, perpetradas por agentes que, ao invés de defenderem a segurança dos pernambucanos, foram usados para fins não republicanos, usando o que existe de mais moderno para bisbilhotar, perseguir e constranger, com dinheiro público, adversários do governo. Isso tem que ter um basta! Esperamos que a governadora tome as providências que o caso requer e que o povo espera.
A título apenas de lembrança, estamos no aguardo das medidas judiciais que a governadora deveria já ter tomado contra a empresa do seu pai, inadimplente do Estado.
Assista ao trailer da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém com a participação dos artistas Dudu Azevedo (Jesus), Beth Goulart (Maria), Marcelo Serrado (Pilatos) e Carlo Porto (Herodes). O filme, que também faz uma homenagem a Plínio Pacheco, idealizador e construtor da cidade teatro onde acontece o espetáculo, foi dirigido pelo cineasta pernambucano Eduardo Morotó.
No vídeo, além de cenas com os personagens principais, são mostradas passagens com o ator Kiko Melo no papel de Plínio Pacheco à frente da construção da Nova Jerusalém, coordenado os ensaios e na máquina de escrever criando os textos para a encenação da Paixão de Cristo.
“O filme vai mostrando o sonho dele se tornando realidade, intercalando cenas como a da última ceia, do fórum romano, da crucificação, numa narrativa que mistura memórias com o que está sendo preparado para a próxima temporada”, disse o diretor.
“Através dos filmes e registros visuais, o público pode conhecer e reviver como Plínio deu vida à maior história de amor de todos os tempos, transformando projetos e palavras datilografadas em pedra, cena e emoção”.
A temporada 2026 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém será realizada de 28 de março a 4 de abril, no agreste pernambucano, a 180 km do Recife. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos no site oficial do evento www.novajerusalem.com.br.
Quando assisti, pela primeira vez, aos vídeos de jovens dançando dentro de um canal de esgoto a céu aberto no Recife, a reação foi imediata. Vi, num primeiro momento, um grupo de jovens aparentemente inconsequentes, expostos a águas contaminadas, celebrando em meio à sujeira e ao risco sanitário. A imagem chocava não apenas pelo cenário, mas pela naturalidade com que aqueles corpos ocupavam um espaço que, para a maioria da cidade, deveria ser invisível.
Com o tempo, porém, a cena revelou outra dimensão. Aquilo que parecia apenas irresponsabilidade mostrou-se um fenômeno social que exigia interpretação, e não apenas julgamento. Não se tratava apenas de festa ou excentricidade digital, mas de uma linguagem produzida pela periferia para dizer algo sobre a cidade.
A imprensa tratou o episódio ora como curiosidade viral, ora como problema de saúde pública. Nas redes sociais, as reações oscilaram entre o deboche, a condenação moral, a romantização cultural e a leitura política. Essa multiplicidade de olhares revela que o chamado “Ratos Bar” não é um fato trivial; ele expõe tensões profundas da sociedade brasileira.
O nome dado pelos próprios jovens ao espaço – “Ratos Bar” – sintetiza essa tensão. Ao unir o rato, símbolo do abandono urbano, ao bar, espaço de convivência e lazer, a juventude periférica constrói uma metáfora poderosa. Ao nomear o esgoto como bar, ressignifica simbolicamente o lugar que lhe foi imposto pela cidade. Nomear, nesse caso, é um ato político: transformar a precariedade em linguagem.
O aspecto mais perturbador do fenômeno não está apenas no esgoto, mas na sua localização. O canal situa-se nas proximidades de Casa Forte, bairro historicamente associado à elite recifense. Essa proximidade revela uma contradição estrutural: a desigualdade não está apenas nas periferias distantes, mas incrustada no próprio centro simbólico da cidade. O “Ratos Bar” emerge ao lado do privilégio.
Do ponto de vista técnico, o fenômeno evidencia o fracasso das políticas públicas de saneamento e urbanização. Em pleno século XXI, a existência de esgotos a céu aberto próximos a áreas nobres expõe a incapacidade histórica do Estado de garantir direitos básicos. O problema não é apenas de infraestrutura, mas de modelo de cidade.
Do ponto de vista sociológico, o “Ratos Bar” revela a capacidade da juventude periférica de transformar o abandono em performance cultural. O brega-funk surge como linguagem política não institucionalizada. Esses jovens não escrevem manifestos; produzem imagens. Ao dançar no esgoto, tornam visível aquilo que a cidade insiste em ocultar.
Do ponto de vista midiático, a viralização dos vídeos dialoga com a lógica da economia da atenção. A estética do choque produz impacto e engajamento, mas também expõe a desigualdade que sustenta o espetáculo.
Do ponto de vista político, o fenômeno pode ser compreendido como um protesto estético. Não organizado, não formal, mas profundamente revelador. Ao ocupar o esgoto, esses jovens rompem a lógica da segregação espacial e trazem a periferia para o centro simbólico da cidade.
Ao rever minha própria leitura inicial, compreendi que o que parecia loucura era linguagem; o que parecia irresponsabilidade era denúncia; o que parecia espetáculo era crítica urbana. Não se trata de romantizar a miséria, mas de reconhecer que aquela cena carrega uma verdade social incômoda.
O “Ratos Bar” é sintoma e denúncia. Sintoma de uma cidade que naturalizou a desigualdade. Denúncia de um Estado que falhou em garantir dignidade. Ao dançar no esgoto próximo à elite, esses jovens revelam a estética brutal da desigualdade brasileira: luxo e lama coexistindo no mesmo território.
Talvez o que mais incomode não seja a sujeira do esgoto, mas a clareza da mensagem. Esses jovens não estão apenas dançando. Estão dizendo algo sobre a cidade, o Estado e o lugar que lhes foi reservado.
O problema não é o “Ratos Bar”.
O problema é a cidade que o produziu.
*Advogado, escritor e fundador do Instituto IGEDUC
A Polícia Civil de Pernambuco foi alvo de uma denúncia de espionagem contra o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, auxiliar do prefeito João Campos (PSB). Reportagem exibida pelo Domingo Espetacular, da TV Record, ontem, diz que agentes da corporação monitoraram a rotina do secretário e chegaram a instalar um rastreador em um veículo da prefeitura também usado pelo irmão dele, Eduardo Monteiro.
Hoje, em uma coletiva de imprensa para tratar do assunto, o secretário de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), Alessandro de Carvalho, disse que é “falsa a narrativa de espionagem”. Segundo o secretário, houve uma apuração preliminar a partir de uma denúncia anônima.
Carvalho afirmou que a polícia recebeu uma denúncia de um possível pagamento de percentuais sobre um contrato. Haveria um encontro no estacionamento de um shopping center, envolvendo um veículo da Prefeitura do Recife. “A Justiça já determinou que não pode abrir inquérito a partir de denúncia anônima. Não havia uma justa causa para abrir. Por isso, foi criado um grupo de trabalho para fazer esse procedimento”, relatou.
O secretário disse também que as conversas do grupo de trabalho foram “vazadas” para um jornalista. “Isso será investigado. O repórter tem todo o direito de manter o sigilo da fonte, mas o vazamento será investigado”, declarou.
Sobre o vazamento, a SDS vai apurar se foi por meio de um policial afastado após ser flagrado em um estacionamento com o presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD), suspeito de envolvimento em irregularidades no pagamento de emendas parlamentares na cidade. “Provavelmente, estaria passando informações para uma organização criminosa”, disse o secretário.
Prefeitura do Recife fala em “perseguição política”.
Em nota, a Prefeitura do Recife afirma que “repudia qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política” e que “não poupará esforços para defender seus servidores desse tipo de ataque”.
Leia a íntegra do comunicado
A Prefeitura da Cidade do Recife repudia qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política.
A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição séria e respeitada, não existindo, até hoje, registro desse tipo de tentativa de uso eleitoral nos mais de dois séculos de sua existência.
Essa atitude caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista em nosso Estado, e a Prefeitura não poupará esforços para defender seus servidores desse tipo de ataque, utilizando as esferas administrativas e judiciais cabíveis.
O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto, anunciou, ontem, durante a 42ª Festa de São Sebastião, na Vila do Cruzeiro, em Quipapá, a destinação de R$ 1 milhão – recursos de emendas – para a conclusão do calçamento do bairro.
Ao lado do prefeito Pité, de vereadores e do pré-candidato a deputado federal Gabriel Porto, o deputado destacou que, assim como em 2020, quando prometeu e enviou verbas para o início de obras estruturadoras da vila, designará novo volume de recursos para o local.
“É compromisso nosso, palavra do deputado Álvaro Porto. Para mim, vale a palavra, a gratidão”, disse o deputado. Ele lembrou que o povo de Quipapá esteve com ele em todas as eleições que disputou para a Assembleia e também elegeu Alvinho Porto, seu filho, prefeito do município, em 2020.
Nos últimos dias, tem crescido entre prefeitos de diversos estados a preocupação com o aumento exponencial dos cachês de artistas consagrados. A título de exemplo, dados de portais de transparência pública revelam que o cantor Pablo teve seu cachê majorado de aproximadamente R$ 180 mil, em 2024, para valores que hoje rondam os R$ 700 mil. Fenômenos como Natanzinho Lima, Nattan e Bell Marques não ficam atrás nos reajustes. Mesmo João Gomes, vencedor do Grammy, mantendo seu show em patamar mais humilde, já beira os R$ 500 mil por apresentação.
Toda essa escalada de preços baseia-se em uma única premissa: o sucesso de público. No entanto, o fenômeno é também impulsionado por fatores externos. A apropriação do orçamento federal pelo Congresso, por meio da liberação vultosa de emendas parlamentares destinadas a eventos, somada ao suporte financeiro de governos estaduais a alguns municípios, acaba por inflar o mercado e estimular esse incremento exacerbado nos preços das atrações.
Acontece que, quando tais shows são custeados por municípios menos abastados, o resultado pode acarretar sérias dificuldades no fechamento das contas públicas (vide restos a pagar de 2025).
Diante disso, entidades como a AMUPE (Pernambuco), a UPB (Bahia) e associações da Paraíba iniciaram um movimento de conscientização para a fixação de um patamar máximo de preço nas contratações artísticas com recursos municipais. O próprio presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, o conselheiro Carlos Neves, advogado de carreira e entusiasta da cultura, já manifestou preocupação com o tema e a urgência de providências.
A questão, contudo, não é de fácil deslinde. De um lado, há a pressão popular: o prefeito que não anuncia grandes atrações, mesmo em cidades pequenas que carecem de infraestrutura hoteleira para o público atraído, é severamente criticado em redes sociais e blogs.
Nesse contexto, a conscientização do gestor municipal é o pilar fundamental. Afinal, é ele o escolhido pelo cidadão para gerir a cidade, escolher prioridades e exercer a chamada discricionariedade administrativa.
Do ponto de vista jurídico, embora os órgãos de controle possam verificar a razoabilidade dos valores, o controle direto enfrenta barreiras legais. A Lei de Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/21) permite a contratação direta por inexigibilidade (art. 74, II) para artistas consagrados pela opinião pública, desde que o preço seja compatível com contratações similares do próprio artista (art. 23, § 1º, III).
Em termos práticos: quem baliza o preço do show de Wesley Safadão é o próprio mercado do artista.
Entretanto, o controle externo tem a prerrogativa de avaliar a razoabilidade dessas despesas, verificar planilhas detalhadas dos demais custos além da remuneração do artista e, acima de tudo, aferir se a contratação festiva não ocorre em detrimento de obrigações essenciais, como o pagamento de servidores, contribuições previdenciárias, fornecimento de medicamentos ou o cumprimento dos limites constitucionais com saúde e educação. O TCE-PE, inclusive, já iniciou auditorias com esse foco.
Como medida prática, é possível pensar em ações que padronizem esses gastos, como a fixação de valores máximos de cachês a serem custeados pelos municípios baseados na população, receita corrente líquida, características turísticas e na capacidade de o evento atrair investimentos privados complementares.
O debate é urgente e precisa envolver o Governo Federal, Estados e Municípios, para que se tenha maior efetividade, especialmente porque o carnaval já bate às portas.
*Advogado, ex-prefeito de Triunfo e ex-presidente União dos Vereadores de Pernambuco
A deputada federal Maria Arraes usou as redes sociais, na manhã de hoje, para questionar quem teria dado ordem para que a Polícia Civil de Pernambuco espionasse adversários políticos da atual gestão do Governo do Estado.
A denúncia, revelada pelo programa Domingo Espetacular, exibido na noite do último domingo (25), aponta a existência de um grupo formado por delegados e agentes da Polícia Civil de Pernambuco que teria monitorado o secretário de Administração da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, que também é servidor municipal.
Para Maria Arraes, há indícios claros de espionagem. “A Polícia Civil, que deveria estar investigando crimes e protegendo a população, está sendo utilizada para coletar informações e perseguir adversários políticos, sem qualquer ordem judicial. O que estamos vendo lembra práticas da ditadura e o mesmo tipo de atuação da chamada Abin paralela do governo Bolsonaro”, declarou a parlamentar.
A deputada ressaltou ainda que os policiais não teriam agido por iniciativa própria. “É evidente que não se trata de uma ação isolada. Eles não agiram sozinhos, sem ordens superiores”, disse.
Por fim, Maria Arraes defendeu a apuração imediata do caso por órgãos federais. “A Polícia Federal precisa investigar isso imediatamente. Os mandantes devem ser identificados e responsabilizados. É algo grave demais para ficar impune”, concluiu.
“Metida tenho a mão na consciência / e não falo senão verdades puras / que m’ensinou a viva experiência”. Luís de Camões.
As denúncias reveladas pela reportagem do Domingo Espetacular, da TV Record, colocam o Governo de Raquel Lyra diante de uma contradição histórica difícil de ignorar. Vamos dar um prudente, porém desnecessário, benefício à dúvida. No tribunal da imprensa e da política, não são necessárias tantas cautelas como nos tribunais do Poder Judiciário.
Se ou quando confirmadas, as denúncias não desafiam, apenas, a legalidade e o Estado Democrático de Direito. Afrontam, também, a memória política de dois dos nomes mais emblemáticos da luta contra o autoritarismo no Brasil: o avô da governadora João Lyra Filho, e o tio, Fernando Lyra. Eles não estão mais aqui para defender o seu legado. O outro político da família, o pai de Raquel, João Lyra Neto, está aí para se manifestar, se quiser.
Urge lembrar um pouco da trajetória de dois grandes seres humanos, animais políticos por excelência, que já não estão mais entre nós. “Seu” João Lyra Filho e Fernando Lyra. Empresário rico, atuando em diversos segmentos, inclusive o rodoviário, o velho João deixou uma lição e um exemplo que deviam inspirar e guiar.
Homem conservador, quando veio o Golpe de 1964, optou pelo difícil caminho da oposição democrática. Ex-prefeito de Caruaru, entrou no MDB, único partido consentido da oposição e, em 1966, elegeu-se deputado federal. Em dobradinha com o filho Fernando, eleito deputado estadual. Foram quatro anos difíceis para o país.
Pelo meio, parlamento fechado, cassações de mandatos, sequestros, torturas. E o AI5. Então, veio a eleição cheia de restrições, em 1970. Prestem atenção na grandeza do cidadão, queridos leitores. “Seu” João, homem de poucas letras porém profunda sabedoria, chamou Fernando e comandou: “Meu filho, você tem muito mais a dar ao país do que eu. Você vai para federal, eu fico como estadual”. Palavras proféticas.
Logo se destacou como um dos ícones nacionais da luta pela democracia. Foi um dos fundadores e líderes do grupo autêntico que confrontou a ditadura e ajudou a transformar a “oposição consentida” em oposição de verdade. Mais tarde, Fernando foi o grande idealizador e condutor do processo de transição para a democracia. O José Bonifácio da Nova República.
Escolhido por Tancredo Neves para o ministério da Justiça, acabou com a censura e iniciou a remoção do “entulho da legislação autoritária”, concluído com a sua participação na Assembleia Nacional Constituinte. João e Fernando garantiram um lugar de honra no panteão dos autênticos heróis da pátria.
Fernando Lyra foi uma das maiores vítimas da arapongagem da ditadura agonizante. Sofreu um sequestro que resultou em uma das armações mais torpes da história contemporânea. Propagada como se verdade fosse em fake-news por todos os meios. Tudo em política é tolerável. No entanto, dói ver a governadora confraternizando com os herdeiros dos métodos usados pelos algozes do tio. E pior: usando contra adversários os mesmos sistemas de perseguição deploráveis que foram utilizados contra a sua família na ditadura.
Como ministro da Justiça, Fernando Lyra defendeu com firmeza a reconstrução das instituições, o fim dos métodos de exceção e a submissão das forças de segurança à lei, à Constituição e ao controle democrático. Era um crítico contundente do uso de práticas herdadas da ditadura, como a vigilância por motivos políticos, a perseguição de opositores e o uso do aparato estatal para intimidar adversários. Coisas que S. Exa. Raquel Teixeira Lyra não tem a menor cerimônia em fazer.
Causa perplexidade o cenário descrito pela reportagem: uma assim chamada “polícia paralela”, monitoramentos sem mandado judicial, ausência de inquéritos formais, pressão interna sobre profissionais e o direcionamento de ações policiais com base em critérios eleitorais. Práticas que ressuscitam métodos típicos do regime autoritário, exatamente aquele combatidos por João Lyra Filho, Fernando Lyra e também, registre-se, João Lyra Neto, ao longo de suas trajetórias públicas.
*Publicitário e historiador. Prestou durante décadas serviços de marketing político à família Lyra, através da qual participou de alguns dos momentos mais marcantes da política do Brasil contemporâneo. Sim, Zé participou da luta contra a ditadura e até hoje tem ojeriza à arapongagem, ao arbítrio e ao desvio de instituições respeitáveis por interesses políticos de quem quer que seja.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que a operação citada na reportagem veiculada pelo Domingo Espetacular, da TV Record, ontem, teve origem em uma denúncia anônima sobre suposto recebimento de propina por parte de um servidor, mas destacou que nenhum inquérito foi instaurado por falta de indícios mínimos de crime.
Já a Prefeitura do Recife repudiou a atuação policial, classificando-a como ilegal e abusiva. O secretário de Articulação Política e Social, Gustavo Monteiro, afirmou estar abalado com o monitoramento e declarou que avalia acionar a Polícia Federal.
A reportagem revelou denúncias consideradas de extrema gravidade envolvendo a atuação da Polícia Civil de Pernambuco durante a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). O material aponta para o suposto uso político da estrutura policial em meio ao cenário pré-eleitoral no estado.
De acordo com a emissora, policiais civis teriam monitorado Gustavo Monteiro e seu irmão Eduardo Monteiro, assessor municipal. Mensagens exibidas na reportagem indicam que um rastreador teria sido instalado no veículo de Eduardo, sem autorização judicial.
As informações teriam sido compartilhadas em um grupo de WhatsApp formado por agentes e delegados, no âmbito de uma ação interna denominada “Nova Missão”. Ainda segundo a matéria, o sindicato dos policiais civis relatou que servidores vêm sendo pressionados a cumprir ordens consideradas ilegais, sob risco de retaliações internas.
Polícia paralela
Segundo a reportagem, os documentos, mensagens e depoimentos reunidos apontam para a existência de uma “polícia paralela”, que teria atuado de forma direcionada contra adversários políticos do governo estadual, desviando a função institucional da corporação de critérios técnicos e jurídicos.
A matéria destaca ainda que o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, aparece indiretamente em ao menos duas das denúncias. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Pernambuco em 2026, o envolvimento do seu entorno político reforçaria, segundo a emissora, a suspeita de direcionamento político das ações policiais.
Denúncias anteriores e contexto político
Antes da exibição nacional da reportagem, veículos como o Jornal O Poder já haviam publicado matérias sobre possíveis instrumentalizações políticas da Polícia Civil, relatando pressão interna, troca de ofícios e desvio de finalidade em procedimentos investigativos.
O caso ocorre em um ambiente político tenso, às vésperas das eleições estaduais de 2026, e amplia questionamentos sobre a independência da Polícia Civil de Pernambuco, aumentando a pressão por esclarecimentos por parte do governo estadual e dos órgãos de controle.
Respostas oficiais
Em notas oficiais, a Polícia Civil e o governo de Pernambuco negaram irregularidades e afirmaram que todas as ações foram baseadas em denúncias e conduzidas dentro da legalidade. Aliados de João Campos, por sua vez, classificaram as denúncias como perseguição política, enquanto setores da oposição defendem que o caso seja apurado por instâncias externas.
O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), emitiu uma nota fazendo duras criticas e cobrando respostas à governadora Raquel Lyra (PSD) sobre a “perseguição política” e a “investigação paralela” denunciadas, ontem, em rede nacional pela TV Record. Segundo a nota, uma operação clandestina teria sido montada com uso da estrutura da Polícia Civil, sem ordem judicial ou inquérito, para monitoramento com fins eleitorais. Confira abaixo o documento na íntegra:
“Desde o início de nossa gestão em Garanhuns temos sentido os efeitos da perseguição política e administrativa por parte do Governo Raquel Lyra, mas o que se noticia agora, nunca vimos nada igual.
Sem inquérito, sem ordem judicial, montou-se uma OPERAÇÃO CLANDESTINA para monitoramento de adversários. Fica provado pela reportagem da TV Record exibida para todo o país, que o Governo do Estado montou uma polícia paralela para investigar adversários políticos, utilizando a estrutura e equipamentos da Polícia Civil, com fins eleitorais!
A linha democrática foi rompida, tal e qual os piores momentos da ditadura militar, quando os órgãos de segurança serviam para perseguir adversários do regime. Isto é gravíssimo e precisa de uma resposta incisiva da sociedade e suas instituições representativas.
E mais. Muitas perguntas precisam de respostas. Quem ordenou? Quem mais foi monitorado e se encontrava sob observação da Operação Clandestina? Prefeitos, deputados, outros secretários municipais?
A reportagem vai além da denúncia e traz provas, o que demonstra que estamos diante de um absurdo inaceitável e que deve ter uma resposta à altura do povo brasileiro, para que métodos golpistas não se normalizem no estado de Pernambuco”.
Foi ao ar uma reportagem da TV Record que revela denúncias sérias sobre a possível atuação de uma polícia paralela contra adversários políticos no Governo de Pernambuco, com indícios de perseguições, monitoramento ilegal e uso político da estrutura policial. O deputado estadual Cayo Albino (PSB) postou um vídeo em suas redes sociais questionando quem deu a ordem para a investigação paralela.
Segundo a matéria, documentos internos, trocas de mensagens e depoimentos apontam que ações da Polícia Civil teriam sido direcionadas por interesses políticos, inclusive em um contexto de disputa eleitoral.
“Não vamos aceitar que a força policial seja utilizada como instrumento de perseguição política. Quem exerce poder deve responder pelos seus atos, sempre dentro da lei e com respeito às instituições. A sociedade pernambucana merece transparência, respeito ao Estado de democrático de Direito e assegurar a proteção de quem pensa diferente”, afirmou o parlamentar.
Araripina segue avançando com trabalho, articulação e resultados concretos. O prestígio político do prefeito Evilásio Mateus, aliado à parceria com o deputado federal Fernando Filho, resultou em mais duas importantes conquistas para o município: a implantação de cobertura 5G nos distritos de Nascente e Bom Jardim do Araripe.
A iniciativa foi viabilizada em articulação direta com o Ministério das Comunicações e vai transformar a realidade de comunidades que, por anos, conviveram com a ausência ou precariedade do sinal de telefonia móvel. No distrito de Nascente, a cobertura existente é insuficiente e instável. Já em Bom Jardim do Araripe, não há qualquer tipo de cobertura de telefonia móvel, o que limitava o acesso da população a serviços básicos, comunicação e oportunidades.
Com a chegada da tecnologia 5G, os distritos passam a contar com uma infraestrutura moderna, que fortalece o desenvolvimento econômico, amplia o acesso à informação, melhora a comunicação e facilita o uso de serviços digitais.
Em breve, a gestão municipal anunciará outros povoados que atualmente não possuem cobertura de telefonia móvel e que, graças à articulação do prefeito Evilásio Mateus e do deputado Fernando Filho junto ao Ministério das Comunicações, também deverão ser incluídos no projeto de expansão da conectividade.
A história já mostrou, e sempre da pior forma, que quando o Estado transforma a polícia em instrumento político, a democracia começa a ruir.
Isso nunca começa de uma vez. Começa com “missões” sem papel timbrado. Com pessoas virando “alvo”, não por decisão da Justiça, mas por ordem de quem se acha acima da lei.
Foi assim na Itália de Mussolini. A polícia vigiava professores, artistas, servidores. Bastava discordar.
Foi assim na Alemanha nazista. A Gestapo não investigava crimes. Investigava consciências.
Foi assim no Brasil da ditadura. O SNI espionava, o DOI-CODI torturava, tudo em nome do poder.
Em um momento em que todos comemoram o sucesso de filmes como O Agente Secreto constatamos, lamentavelmente, que absurdos e arbitrariedades daquelas épocas ainda não foram superados.
É irônico e triste perceber que nosso próprio estado, cenário de O Agente Secreto, ainda abriga situações parecidas às denunciadas nas telas, provando que o autoritarismo que pensávamos ter ficado no passado insiste em se fazer presente.
E por que lembrar disso agora?
Porque Pernambuco acordou chocado com uma denúncia exibida em rede nacional: a existência de uma Polícia Paralela, operando à margem da lei.
Uma estrutura usada para perseguir adversários políticos, monitorar servidores, manter investigações arquivadas e espionar pessoas sem ordem judicial.
Não tinha boletim de ocorrência.
Não tinha inquérito.
Não tinha mandado.
O que tinha era rastreamento ilegal, pressão interna e cidadãos tratados como “alvo”.
Isso não é erro administrativo. Isso é um ataque direto à democracia.
A polícia existe para proteger o povo, não para vigiar ilegalmente adversários.
A Assembleia não pode se calar. É preciso investigar, com transparência e independência. E, se confirmado, responsabilizar os envolvidos.
Defender a democracia não é pauta de esquerda ou direita. É dever de quem acredita no Estado de Direito. Fica aqui a pergunta: quem deu a ordem para a Polícia Paralela agir assim? Isso é o que Pernambuco quer saber.
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Os devotos da seita vermelha e os rebanhos bovinos movem as forças de gravidade em torno dos seus astros. Aonde a vaca vai, o boi vai atrás. Assim funciona a lei da gravidade. O que seria do azul se não fosse o amarelo! O que seria do guru vermelho e do rei do gado se não fosse a polarização!? Seriam apenas bezerros desmamados. Eles padecem da fadiga dos materiais.
Adivinhão! Quem te contou que o Véio do Pastoril Encarnado é o principal interessado na manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro como seu rival na disputa presidencial. Sem Bolsonaro seria quebrado o círculo de ferro da polarização e o vermelhão ficaria sem discurso. Não se admirem se um dia um beija-flor apresentar uma pesquisa dizendo que Flávio conquistou a dianteira das preferências populares. São as artimanhas do sistema para fazê-lo navegar nas ilusões eleitorais. Os babões não contam esses babados para Flávio com medo de levar uns cascudos dele.
A dinastia vermelha já governou o Brazil nos três mandatos do Véio do Cordão Encarnado e nos dois mandatos daquela senhora que estocava ventos uivantes. Ela deixou como legado a maior recessão da história e o maior contingente de desempregados. Depois desses 20 anos negativos, qual a nova plataforma de governo do Véio do Pastoril? Esculachar Bolsonaro noite e dia. E também implora para ser esculachado a fim de manter a polarização. “Eu não presto, mas eu te amo”, é a cantiga do traste. Assim vai levando a vida do jeito que o diabo gosta.
O guru da seita vermelha, no poder desde 2002, e o rei destronado do gado são duas mercadorias vencidas. Nos primórdios o PT simbolizava renovação e esperança. Lambuzou-se no poder, virou seita, apresenta um legado de malfeitorias e corrupção. Não cometeu erros, como alguns tentam minimizar, cometeu crimes auto evidentes, desde o mensalão e o Petrolão e sujeiras nas estatais.
Bolsonaro governou quatro anos acossado e boicotado pelos poderes magnéticos das esquerdas dominantes em todas as instâncias e instituições. Já estava escrito que seria derrotado nas urnas. O Brazil é uma nação de formação conservadora cujas instituições são dominadas pelas esquerdas. Este é o paradoxo do círculo quadrado e duvido que seja decifrado pelos intelectuais. Lula é um cara semiletrado de nascença por quem os doutores e sábios são apaixonados os quatro pneus. Os intelectuais babam de emoção diante das lábias dos lábios de Lula. That’ is incredible!
O nome do governador Tarcísio de Freitas abala as placas tectônicas da seita vermelha, e a guarda pretoriana acende as luzes amarelas de alerta. Alguma coisa se move no coração do Brazil. O sistema existe, sim. Foi o sistema que tirou o guru vermelho da cadeia para elegê-lo presidente. Flávio navega nas ilusões do amor. O nome dele atrai raios e tempestades. Tarcísio de Freitas possui pontos de aderência ao sistema.
Por que uma polícia criada para proteger o cidadão estaria sendo usada para espionar adversários políticos, principalmente em ano eleitoral? Se não há mandado judicial, se não existe inquérito instaurado, se não há crime tipificado, por que agentes do Estado estariam monitorando servidores da Prefeitura do Recife? Quem autorizou esse tipo de “nova missão” fez isso com base em que fundamento legal?
Desde quando a relevância eleitoral passou a justificar a continuidade de investigações arquivadas por ausência de provas? Qual é o limite entre investigação legítima e perseguição política? Quando policiais chamam um secretário municipal de “alvo” em grupos internos, isso é linguagem técnica ou vocabulário de espionagem? Que tipo de democracia admite que adversários políticos sejam tratados como inimigos internos?
Se hoje a espionagem atinge auxiliares do prefeito do Recife, João Campos, amanhã quem será considerado o próximo “alvo”? É aceitável que policiais sigam servidores públicos, fotografem, monitorem rotinas e instalem rastreadores sem autorização judicial? Que Estado de Direito permite vigilância sem processo, sem juiz e sem defesa?
Que tipo de “inteligência” atua fora da lei? Quando agentes relatam pressão interna para cumprir ordens ilegais, estamos diante de casos isolados ou de um método institucionalizado? Qual o impacto disso na confiança da população em uma Polícia Civil com mais de 200 anos de história?
Quem ganha quando a polícia deixa de servir à sociedade e passa a servir a interesses políticos? Por que um inquérito contra um prefeito foi reaberto na canetada, no meio de uma eleição? Se policiais que se recusam a participar dessas ações sofrem retaliação, quem está protegendo quem age corretamente? Por que a inteligência, tão mencionada, não atuou no combate ao crime, a exemplo das brigas de torcida de ontem?
Como falar em eleições livres se o aparato estatal é usado para intimidar, vigiar e constranger? Que precedente se cria quando o Estado aceita a espionagem política como prática normal? Até onde vai essa lógica se não for interrompida agora? Que garantias restam ao cidadão comum se o pensamento divergente passa a ser tratado como ameaça? O que o ex-ministro da justiça e fiel antagonista contra a ditadura, Fernando Lyra, diria de casos assim?
E, diante de tudo isso, a pergunta que não quer calar: isso ainda é democracia ou já é polícia paralela com espionagem institucionalizada? Quem deu a ordem final para a polícia agir assim? Clique aqui e confira a denúncia feita pela TV Record
Reunião do PT de Pernambuco dará início às discussões sobre rumo do partido em 2026
Por Larissa Rodrigues – repórter do blog
O Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT de Pernambuco se reúne na próxima quinta-feira (29), às 16h, na sede da sigla, em Santo Amaro, no Recife. A missão é tomar decisões sobre as eleições deste ano. Mas, de acordo com membros do partido ouvidos ontem (25) por este blog, não vai ser um processo rápido definir qual será o rumo do PT no Estado, em 2026. Nesta quinta, apenas terá início uma discussão que ainda vai precisar de muitas reuniões e articulações.
Internamente, a legenda está dividida em Pernambuco, com uma parte dos integrantes defendendo um palanque local único para o presidente Lula (PT), que seria o da Frente Popular, liderado pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), que concorrerá à cadeira de governador. Essa fatia do PT considera, entre vários fatores, a aliança nacional entre PT e PSB.
Outro grupo da sigla acredita que o PT deve estar ao lado, também, da governadora Raquel Lyra (PSD), abrindo mais um palanque em prol da reeleição de Lula. Nas últimas semanas, o debate ganhou força depois que o deputado estadual João Paulo (PT) defendeu o apoio do PT não só às candidaturas de João Campos e de Raquel Lyra, mas também à candidatura de Ivan Moraes (Psol). A declaração foi dada em entrevista à Rádio Jornal FM 90.3.
O parlamentar acredita que Lula precisará de todo suporte possível em Pernambuco para contrapor outros Estados nos quais o presidente enfrenta problemas, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “De toda forma, o PT de Pernambuco vai começar as discussões, mas quem vai fechar é a Executiva Nacional, ou seja, o próprio Lula, que deve escolher o que for melhor para ele e para o Brasil, no caso, a reeleição dele”, afirmou João Paulo, ontem, em conversa com este blog.
Ex-presidente do PT do Recife e atualmente segundo vice-presidente do PT de Pernambuco, Cirilo Mota pensa diferente. “Não terá segundo palanque de Lula em Pernambuco. O palanque da Frente Popular será o palanque de Lula nas eleições de 2026, posições diferentes dessa é pura chantagem. O movimento ‘politico’ de João Paulo não se trata de ‘ansiedade’ e sim de vender o PT e tirar a vaga do senador Humberto Costa (PT)”, disparou.
Na opinião de Mota, para o senador Humberto Costa ser reeleito, será necessário a unidade da força política da militância do PT e a capilaridade eleitoral do PSB, “como foi em 2010 e 2018, com Humberto Costa (Senador) e 2022 com Teresa Leitão (Senadora)”. “Se não fosse assim, João Paulo seria senador em 2014. Lembre-se que o PT do Recife elegeu em 2000 João Paulo prefeito do Recife sem Lula pisar na capital pernambucana. São feitos históricos. Esse jogo de João Paulo só atrapalha a reeleição do senador Humberto Costa. Caso haja a derrota do senador Humberto Costa, essa conta não será da militância do PT e sim, mais uma vez, dos caciques do PT”, declarou Mota.
Incerteza – A senadora Teresa Leitão (PT) também tem indicado incerteza a respeito de um possível apoio do PT à reeleição de Raquel Lyra (PSD). A indefinição seria provocada pela permanência de partidos de oposição ao presidente Lula no palanque de Raquel, como o PL, de Jair Bolsonaro. “Eu não sei, porque eu estou sabendo que alguns partidos de oposição ao governo do presidente Lula permanecerão nesse palanque (de Raquel Lyra). Ainda é insuficiente, porque o debate interno no PT não começou”, afirmou Teresa à imprensa nos últimos dias.
Feridos em Brasília – Pelo menos 72 duas pessoas ficaram feridas pelo raio que atingiu as proximidades da Praça do Cruzeiro, em Brasília, onde houve o encerramento, ontem (25), do ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O Corpo de Bombeiros contabilizou 72 vítimas atendidas no local, sendo que 42 estão estáveis, conscientes e orientadas. Ao todo, 30 pessoas foram encaminhadas ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Oito vítimas apresentavam condições instáveis. As informações são da CNN Brasil. Entre os feridos pelo raio, alguns apresentaram queimaduras na mão e na região do tórax.
Discurso sem feridos – Nikolas Ferreira discursou no encerramento do ato em Brasília e não mencionou os feridos pelo raio. De acordo com o UOL, o deputado disse que o presidente do Senado é omisso e pediu abertura de CPMIs. Dirigindo-se a Davi Alcolumbre (União-AP), Nikolas Ferreira cobrou a instalação de uma CPMI do INSS e uma do Banco Master. O discurso marcou o fim de uma caminhada de uma semana que começou em Minas Gerais na última segunda-feira (19).
Flávio não foi – Pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu ao evento de Ferreira. Ele está em viagem internacional para encontrar lideranças da direita de outros países. Mas o rosto do pré-candidato apareceu em bandeiras, de mãos dadas com Bolsonaro junto ao slogan “Deus, pátria, família”. O nome do senador também esteve nas músicas. Uma versão atualizada de um jingle que critica o PT incluiu o nome de Flávio.
Esquerda criticou – Políticos da esquerda, além de se solidarizar pelos feridos pelo raio, responsabilizaram Nikolas pelo incidente. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) criticou a caminhada e afirmou que “entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais”. Também declarou que o deputado liderou o ato “de forma completamente irresponsável”.
CURTAS
Reação de Raquel – A governadora Raquel Lyra afirmou, na tarde de ontem (25), que o Estado “não tolera” os episódios de violência registrados antes do jogo Santa Cruz x Náutico. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram homens vestindo camisas do Santa Cruz agredindo outros dois homens com pedaços de pau e pontapés. Em postagem nas redes sociais, Raquel classificou os agressores como criminosos e afirmou que determinou prioridade à Polícia Civil para identificar e responsabilizar os envolvidos. “É a paz que deve marcar o nosso futebol”, declarou a governadora.
Homenagem 1 – Políticos e representantes da sociedade civil descerraram, na manhã do último sábado (24), uma placa em homenagem à memória do advogado, militante político e defensor dos direitos humanos Manoel Bezerra de Mattos Neto, assassinado em janeiro de 2009, na Paraíba.
Homenagem 2 – O painel foi instalado no Viaduto Manoel Mattos, localizado na Rodovia PE-75, sobre a BR-101, no município de Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco, no dia em que se completou 17 anos do crime. Manoel Mattos atuava no enfrentamento a grupos de extermínio que agiam na região e na luta pelos direitos dos trabalhadores.
Perguntar não ofende: Alguma coisa melhorou na vida do trabalhador brasileiro após a caminhada de políticos até Brasília?