Por Rudolfo Lago – Correio Político
O vereador Carlos Bolsonaro (PL) já se mudou para Santa Catarina. Ele está morando em um apartamento da cidade de São José, cidade praiana próxima da capital, Florianópolis. Todo o estado tem forte influência bolsonarista, mas São José é um dos principais redutos. É a cidade do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, preso quando tentava fugir para o Paraguai.
Silvinei foi secretário de Segurança do município. Assim, o filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro inicia seu trabalho para se tornar senador por Santa Catarina. Carlos bagunçou os acertos políticos catarinenses, mas, a essa altura, a direita do estado já se conformou. Carlos está em segundo nas pesquisas.
Leia maisAssim dizia o Instituto Neokemp em 11 de dezembro. E é aí que mora o perigo: em primeiro lugar, está a deputada Caroline de Toni (PL). E a migração de Carlos lhe tira as chances no PL. Lá, o partido integrará a chapa do governador Jorginho Mello (MDB), que disputa a reeleição. E Mello tem um acerto para entregar uma das vagas ao Senado para que o senador Esperidião Amin (PP) dispute a reeleição.
Sem lugar na disputa, mesmo liderando as pesquisas, tudo indica que Caroline de Toni deverá deixar o PL e ingressar no partido Novo, abrindo um racha no bolsonarismo. Um racha que o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Décio Lima, pretende ocupar. Décio era um nome pensado pelo PT para disputar o governo com Mello. Mas, diante do quadro, o partido imagina lançá-lo para o Senado. As chances parecem mais concretas. Ele aparece em terceiro na pesquisa Neokemp, à frente de Amin.
A movimentação de Carlos em Santa Catarina é parte dos projetos do clã Bolsonaro para manter seu espólio com a prisão do patriarca, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em todos os casos, os movimentos não são simples e trombam com outros acertos. A começar pela unção do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ainda resiste a essa unção, embora nada declare publicamente. Valdemar ainda acredita num rearranjo no qual Flávio se convença que para ele é melhor disputar o Senado pelo Rio de Janeiro. Mas ali ele também esbarrará em outros interesses.
A unção de Flávio praticamente tirou do páreo Michelle Bolsonaro, a preferida de Valdemar. Ele ainda confia que o rearranjo a recoloque, mas começa a perceber que a possibilidade é pequena. Michelle deve ser mesmo candidata a senadora no Distrito Federal. O PL ainda enxerga outros arranjos.
No caso, os mais pragmáticos do partido seguem torcendo para que esse rearranjo leve a uma unidade do campo conservador em torno da candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O nome do governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD) também não é descartado por esse campo.
Resta, então, saber qual será o destino do filho 03, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Cassado por faltas, pelo menos neste momento Eduardo não está inelegível. Poderia vir a disputar o Senado por São Paulo. Levantamento do Paraná Pesquisas de 10 de dezembro o coloca na liderança, contra o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O problema é que Eduardo responde a uma ação que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, ou seja, por tentar pressionar a Justiça, a partir dos Estados Unidos, para que não condenasse Jair Bolsonaro na ação por tentativa de golpe, na qual acabou condenado.
O próprio Eduardo já chegou a admitir que talvez não volte ao Brasil. Cogitou até virar “apátrida” para pedir asilo. No caso, o PT imagina a possibilidade de uma outra brecha em São Paulo. Haddad aparece próximo de Eduardo, segundo o Paraná Pesquisas. E o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) vem logo atrás.
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