Raquel, a candidata “Bolsonara”
Um dos recortes da pesquisa Quaest pouco explorados foi a relação entre os dois principais presidenciáveis e os candidatos ao Governo de Pernambuco. Segundo o levantamento, 57% dos eleitores identificam que João Campos (PSB) é o nome apoiado por Lula (PT) no Estado, ainda que um percentual alto (35%) indique que não sabe ou não tenha respondido.
Quando o questionamento é feito sobre Flávio Bolsonaro (PL), porém, 26% dos entrevistados associam o apoio dele a Raquel Lyra (PSD), nome que chegou a aparecer em rascunhos do filho de Jair Bolsonaro que vieram a público no início deste ano.
O dado chama atenção porque a governadora vem fazendo um esforço enorme para não deixar explícita essa relação. Recentemente, a coligação dela conseguiu decisão da Justiça para obrigar Mendonça Filho (PL), candidato a senador do bolsonarismo, a remover bandeiras e materiais gráficos em que cola a imagem dele à dela.
Leia maisProvavelmente, só recorreu a essa medida após queixas de Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), seus candidatos oficiais ao Senado. A associação de Raquel com o bolsonarismo não é fruto do acaso. Por diversas vezes em atos administrativos de seu governo, ela foi instada a usar as mãos para fazer o “L” de Lula e se absteve, mesmo na presença do presidente.
Em agosto, contudo, sem hesitar, foi flagrada dançando uma releitura do principal jingle usado na campanha de Jair Bolsonaro em 2022. No mesmo mês, ela também se deixou ser filmada enquanto participava de um culto na igreja liderada pela família da deputada federal Clarissa Tércio (PP), nome que chegou a ser cotado para a vice de Flávio Bolsonaro.
Os dados, portanto, mostram que o eleitor pernambucano começa, cada vez mais, a fazer diferenciações mais nítidas entre os palanques. João Campos vem buscando reforçar a associação com Lula, o que já trouxe resultados na própria pesquisa Quaest, em que ele cresceu e empatou tecnicamente com Raquel, que caiu.
Já a governadora consolidou uma imagem que o marketing da campanha fez de tudo para não associar a ela, mas que acabou se impondo pela própria trajetória construída em seu governo e na política.
Se em 2022, um equívoco de Simone Tebet ao se referir a Soraya Thronycke num debate presidencial virou meme, a associação passa longe de ser uma brincadeira em Pernambuco, que tem, de fato, sua candidata “Bolsonara”.
INDEFINIDA – Conforme um diretor da Quaest explicou, ontem, numa emissora de rádio do Estado, a governadora Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) estão empatados tecnicamente, com um detalhe: o candidato socialista começou a avançar mais ainda no eleitorado de esquerda e independente, enquanto sua adversária estagnou, chegando ao seu teto. Como 35% dos eleitores ainda não sabem que João é de fato o candidato de Lula, a tendência é que esse segmento eleitoral faça a diferença em favor do ex-prefeito do Recife. Para o representante do instituto, a eleição no Estado está indefinida.

O senador do atraso – O candidato sem tradição no bolsonarismo em Pernambuco, mas que quer a todo custo se apresentar como tal, Mendonça Filho (PL) é campeão imbatível nos memes que circulam pelas redes sociais, associando-o ao que há de mais atrasado no Estado e responsabilizando-o por um grande retrocesso no ensino superior quando ministro da Educação de Michel Temer. Uma das peças bem jocosas diz que ele apoia no plano nacional um candidato envolvido com milícias e corrupto, Flávio Bolsonaro, além de ser carimbado como golpista.
Carne e unha com Raquel – Preso ontem por envolvimento em esquemas de corrupção, o prefeito de Salgadinho, Jeosadaque Barbosa Salgado (PSDB), conhecido como Joia, é ligadíssimo à governadora Raquel Lyra (PSD). Foi levado ao xadrez durante a Operação Dinastia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Pernambuco. A sua esposa, a presidente da Câmara Municipal de Salgadinho, Elane Barbosa de Lima Salgado, também tucana, foi afastada do cargo. A operação desarticulou uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública. Na residência dele foram contabilizados cerca de R$ 580 mil em espécie. Em um segundo alvo, foram apreendidos aproximadamente R$ 167 mil em espécie e mais R$ 165 mil, em cheques.
Crescimento frustrado – A pesquisa da Quaest mostrou que Raquel Lyra (PSD), segundo o mesmo diretor do instituto, que deu entrevista ontem a uma emissora de rádio do Estado, não conseguiu abrir a vantagem que vinha sendo cogitada após um período de crescimento nas intenções de voto. A disputa com João Campos (PSB) permanece tecnicamente empatada. “A eleição segue competitiva, com um empate no limite da margem de erro. Ainda tem mais um mês de, digamos, bastante emoção”, disse Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest.

Autoridade em xeque – O presidente do STF, Edson Fachin, foi extremamente pressionado a agir de imediato, ontem, logo depois de o ministro Flávio Dino conceder uma liminar para reintegrar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, derrubando o afastamento determinado por Mendonça no dia anterior. A nova disputa por meio de decisões judiciais reforçou entre integrantes da Corte a percepção de que a crise passou a colocar em xeque também a autoridade de Fachin para conduzir uma saída institucional.
CURTAS
QUEIXA – O próprio Mendonça se queixou ao presidente do STF. Segundo relatos, ele classificou a decisão de Dino como ilegal e cobrou providências. Nos bastidores, ministros avaliam que os movimentos das alas envolvidas no embate passaram a atropelar a condução da presidência do STF e ameaçam esvaziar a autoridade de Fachin.
SESSÃO – O presidente do STF, Edson Fachin, determinou a suspensão de “todo e qualquer procedimento” que envolva uma potencial investigação contra ministros da Corte e convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira, às 10h, para analisar o processo que reúne o relatório da Polícia Federal com menções ao ministro Alexandre de Moraes, cujo sigilo foi retirado por decisão do ministro André Mendonça.
SATISFAÇÃO – A Advocacia-Geral da União divulgou uma nota na qual afirma que recebeu com “satisfação, respeito e esperança” a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que manteve o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo ao suspender os despachos dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o tema.
Perguntar não ofende: Se Lula vier a Pernambuco, liquida a fatura em favor de João?
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