O bombástico livro “O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias”, do jornalista cearense Xico Sá, promete muitas revelações sobre os bastidores do poder em Brasília e a morte do ex-todo-poderoso do Governo Collor. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o autor contou que a versão oficial de que ele teria sido morto pela então namorada Suzana Marcolino, que depois teria se matado, sempre gerou dúvidas na população, e a figura de PC Farias contribuía para as incertezas.
“Creio que a tese mais correta, e tudo leva a crer, é que foi uma armação entre a polícia e a política para encobrir uma grande queima de arquivo. Antes houve a morte da Elma Farias (esposa de PC, aos 44 anos, vítima de edema pulmonar agudo e insuficiência cardíaca, em 1994), que também é encoberta por uma névoa de suspeita. A forma como foi iniciada a investigação, com queima do colchão em que PC e sua namorada dormiam, a cena do crime foi totalmente adulterada. Então não dá pra confiar no que foi apurado naquele momento. Parecia que estava todo mundo correndo para resolver logo uma versão de que teria sido um crime passional. Inclusive a família”, detalhou Xico Sá.
Leia maisPC Farias foi encontrado morto em 23 de junho de 1996, na praia de Guaxuma, em Maceió, capital de Alagoas, junto com a então namorada Suzana Marcolino. Xico Sá o coloca como “muito além” de apenas tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Melo. “Nesse livro eu conto coisas novas, entre elas que parte da Polícia Federal estava na mão do PC. Mas o mais aprofundado é como se deu a sociedade entre ele e Collor. Era uma sociedade, não era colaboração eventual ou dinheiro do PC que pingou na mão do Collor. A montagem era de uma sociedade, e essa é a grande história, fora as aventuras, coisas engraçadas, trapalhadas. A grande história é como se deu e se montou essa sociedade entre PC e Collor”, destaca.
“Inclusive mostro que, além do Fiat Elba, PC deu uma Mercedes ao Collor. O Fiat Elba entrou no folclore, mas havia coisa infinitamente maior e que não entrou no radar da Polícia Federal, nem da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), nem da imprensa na época. Também mostramos um racha medonho, que até parece com o tempo que vivemos hoje. Parte da Polícia Federal estava procurando PC e parte era comprada por ele. O delegado Edson Oliveira, que era chefe da Interpol no Brasil, estava na folha de pagamento do PC Farias. Ele dava entrevistas, fingia que estava procurando PC, e na verdade estava na mão do PC (risos). Ele avisava onde a Polícia e a Interpol iriam passar. Tem um bocado de coisa nova que se soma a essa história fantástica da política brasileira”, concluiu Xico Sá.
Leia menos



















