Editorial da Folha de Pernambuco
Por Eduardo de Queiroz Monteiro*
A Folha de Pernambuco completa, hoje, 28 anos de operação. Diuturna. Botar o jornal ao olhar do leitor é desafio. E tarefa magnífica. Porque é buscar na rua, na realidade, o fato. E tratá-lo de forma imparcial. Em favor do interesse coletivo. Isto é princípio. Responsabilidade profissional. No contexto concorrencial do sistema de mercado. Competindo. Com investimento. Em tecnologia e qualidade editorial.
Este é o cenário da Folha de Pernambuco. Que trabalha sob inspiração de três valores: democracia, Região e cultura. Democracia significa liberdade de pensar. E de publicar. Por isso, a imprensa é pilar do regime democrático. Democracia é elaboração. Vem de Montesquieu. Que criou a fórmula dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Substituindo o monopólio do poder unipessoal da realeza. Ao longo do tempo, árduo, a institucionalidade cuidou de aperfeiçoar os mecanismos de funcionamento do sistema. Está na Constituição brasileira de 1988: art. 5º, livre manifestação do pensamento. Combinado com art. 220, garantindo o exercício da atividade jornalística como essencial à democracia. Este é o chão no qual assentamos nossas impressoras. E assinalamos a inteligência de nossos editores.
Leia maisPor sua vez, Região significa vínculo institucional e político com o Nordeste. Com a força produtiva e a inventividade política nordestinas. Assim, a Folha de Pernambuco trabalha em dois sentidos: assumindo os ideais que fizeram deste semiárido uma terra de produção. Acentuando a política contemporânea da bioenergia. E promovendo a defesa de projeto de desenvolvimento que serve ao Brasil. Por isso, entendemos o Nordeste como oportunidade de crescimento. E como modelo de integração federativa ao país. Essa bandeira vem de longe. E traz um pensar: o Manifesto Regionalista, de 1926, de Gilberto Freyre. Mais que perfeita resposta à Semana de Arte Moderna de 1922. Quando, ainda com mais ênfase, os nordestinos contribuíram com ciência tropical e arte regional para tornar o Brasil destino de luz e criatividade.
Cultura significa fazeres do povo. Entendida duplamente como cultura popular, no gênio do barro de Vitalino e da sanfona de Luiz Gonzaga. E como cultura erudita amadurecida na literatura de Clarice Lispector e na musicalidade de Nelson Ferreira. É do conjunto harmônico desse duplo sentir que é feita a emoção tão pernambucanamente azul com que nós, aqui, nos apresentamos aos nossos leitores. E é na escala desses sons e dessas cores que a Folha de Pernambuco faz questão de abrir espaço para nossos artistas.
No 28º ano da peleja da Folha de Pernambuco, a nação celebra também mais uma eleição. Coincidência de calendário. Mas, nela, haverá igualmente, dedo dos fados, afinidade de propósitos. A rotina editorial da Folha de Pernambuco inscreve sua marca no tempo da democracia. Festeja o horizonte solar de sua fundação. E o faz na convicção de que é preciso lutar. Pelos valores que estimularam sua criação. E, na singeleza desse momento agudo, por paz no mundo e por justiça social no Brasil. Aproveitamos esta data para compartilhar a alegria de poder valorizar a informação. Com os que tecem conosco, nesta Casa, e na canícula maior do Nordeste, o tapete da confiança no futuro. Ao lado de cumprimentar nossos colaboradores. E de renovar, junto aos nossos leitores, o compromisso de continuar defendendo a verdade.
*Fundador e presidente da Folha de Pernambuco
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