Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
“Quem levou Daniel Vorcaro a Lula não foi o Marcola”. A frase é do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL). E, calma, ele não está falando do famoso líder do PCC, Marcos Camacho. O Marcola a quem Renan se refere é o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Ribeiro, que tem o mesmo apelido.
Na manhã desta quarta-feira (4), Renan apresentou o plano para o Grupo de Trabalho da CAE que irá investigar as operações do Banco Master, de Vorcaro. E um dos pontos centrais do que deseja apurar Renan é a teia de relações de Vorcaro, que o fizeram mesmo chegar até o gabinete de Lula, num encontro fora da sua agenda.
Leia maisPelo que se sabe, o encontro foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. E a intermediação, diz Renan, teria envolvido também o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Vorcaro teria ido ao Palácio do Planalto em pelo menos quatro vezes, entre 2023 e 2024. De acordo com o Planalto, somente em uma dessas vezes, em 4 de dezembro, teria se encontrado com Lula.
Também estava na reunião o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que, como vem mostrando o Correio da Manhã, foi o artífice dos consignados fantasmas que engordaram a carteira de crédito do Master a partir do CredCesta. Caetano Veloso e Gilberto Gil tornaram famosa uma canção de Riachão, que dizia: “Xô, xuá, cada macaco no seu galho/Xô, xuá, o meu galho é na Bahia/O seu é em outro lugar”. Há um galho importante na Bahia que é uma das pontas de todo esse esquema que vai precisar ser investigada.
Por essa ponta, Augusto Lima adquiriu o CredCesta e levou para o Master o modelo ali usado de empréstimos consignados. Empréstimos que, como mostra o Correio da Manhã, eram falsos, nunca existiram de fato. Eram meras fantasias contábeis para aumentar o valor da carteira de crédito que acabou negociada com o Banco de Brasília (BRB).
“O Master teve que inventar essas operações porque não tinha a menor liquidez”, disse Renan ao Correio Político. Ou seja, em dificuldades, tratou de tentar ser comprado apresentando uma contabilidade tão fictícia quando a Alice no País das Maravilhas. Agora, como toda essa lambança contábil foi possível?
“Eu assinei todas as CPIs que me apresentaram”, diz Renan. Isso significa que ele, então, assinou tanto os pedidos de CPMI de Carlos Jordy (PL-RJ) quanto de Heloisa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchiona (Psol-RS). E assinaria, segundo disse, o pedido de CPI de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) se deputado fosse.
“Toda apuração desse caso é necessária”, defende Renan. O que não significa, ele afirma, que o Grupo de Trabalho que criou na CAE tenha o propósito de querer evitar a instalação de uma comissão de inquérito. “O que estamos fazendo na CAE é nossa obrigação constitucional”, defende o presidente da comissão.
Explica Renan que é atribuição constitucional da Comissão de Assuntos Econômicos fazer esse tipo de acompanhamento, de fiscalização e de controle. Com a prerrogativa, inclusive, de requisitar e analisar documentos sigilosos, que ficam sob a guarda da comissão para sua análise. Pode ainda convocar depoimentos.
Segundo Renan, até mesmo fazer pedidos de quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico, algo que seria atribuição de uma comissão de inquérito, o GT da CAE pode fazer. Só que, nesse caso, o pedido precisa ser levado para análise e aprovação do plenário do Senado. A comissão não decide sozinha.
Mas, para além das obrigações constitucionais da CAE, o Senado é uma casa política. Numa CPMI ou ali, será inevitável o embate político evolvido nessa impressionante teia de aliados que o Master montou. Que tem governo, oposição, partidos de um lado e de outro, Executivo, Legislativo, ministro de contas…
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