O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que “ninguém diz” o que o Brasil deve fazer. A declaração ocorreu na véspera das novas tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu em publicação nas redes sociais. As informações são da CNN.
As novas tarifas entram em vigor nesta quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste americana, o que equivale a 01h01 no horário de Brasília.
Leia maisCom a medida, o Brasil passará a figurar entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais afetadas pelas tarifas americanas.
Também é mencionado o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria que os fazendeiros brasileiros operassem com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa.
O governo brasileiro rebateu todas essas acusações, inclusive com dados: apontou que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado vem diminuindo nos últimos anos, que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante o período de implementação do PIX, e que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.
Impactos esperados pelo setor produtivo
O setor produtivo brasileiro acompanha a situação com grande preocupação. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano, e a tendência é de piora com a entrada em vigor da tarifa de 25%.
A entidade que representa a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser afetadas — o equivalente a 26% de tudo que o Brasil vende ao mercado norte-americano.
A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) alertou que o impacto vai além da venda direta para os americanos.
Segundo a entidade, a nova tarifa aumenta a insegurança no comércio internacional, desestimula o planejamento de investimentos, reduz a competitividade das empresas e pode gerar consequências negativas sobre a produção e os empregos no Brasil.
Reação do governo brasileiro
Desde a confirmação das tarifas, na madrugada de quarta-feira (15) para quinta-feira (16) da semana passada, o governo brasileiro mudou de postura. Inicialmente, ainda durante a madrugada, chegou a falar em acionar imediatamente os mecanismos previstos na lei da reciprocidade econômica.
Ao longo do mesmo dia, o discurso foi sendo suavizado, com o governo passando a defender que a resposta seria estudada com cautela. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a afirmar que não se deve falar em retaliação, mas sim em reciprocidade, e que o assunto seria avaliado com calma.
O setor produtivo é contrário a qualquer tipo de medida retaliatória por parte do governo brasileiro, temendo que isso faça a situação escalonar ainda mais.
O próprio resultado da investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) indica que, se o Brasil retaliasse com tarifas contra produtos americanos, isso seria interpretado como sinal de que a tarifa extra de 25% não teria sido suficiente para fazer o país abandonar o que os americanos chamam de práticas comerciais abusivas.
Para os próximos dias, aguarda-se o início de novas reuniões entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o setor produtivo, com o objetivo de definir tanto uma possível resposta do governo brasileiro quanto formas de apoio aos setores mais afetados pela nova tarifa.
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