Por Antonio Magalhães*
Quem é o patrão de Daniel Vorcaro? Quem manda no empresário e banqueiro do extinto Banco Master, responsável, quem sabe, como “laranja”, pela maior fraude bancária do país com desvios de até agora R$ 40 bilhões? O foco na extinção desta casa bancária pelo Banco Central pode ser, na verdade, uma manobra diversionista para distrair o público sobre o real interesse dos patrocinadores ou patrões do ex-banqueiro. É o efeito “mágico” de uma conspiração internacional de uma potência de olhos puxados com muito dinheiro e interesses no Brasil.
Pois é inconcebível que qualquer empreendedor ou financista distribua do seu dinheiro tantas propinas, faça pagamentos por serviços jurídicos não prestados, compre imóveis milionários em dólares para uso de “amigos” e promova eventos com as figuras mais notórias da República, sejam elas altas autoridades e personalidades, com o mero propósito de proteger seus negócios de futuros contratempos legais e financeiros.
Leia maisAcreditar nessa balela é só enxergar o que se pode mostrar por conveniência. O já revelado pelas informações contidas nos aparelhos celulares de Vorcaro mexe com os Três Poderes do país. Apontar as vantagens distribuídas pelo ex-banqueiro a parentes de integrantes da mais alta Corte desmoraliza a Justiça. Incluir como beneficiários dos “brindes” vorcarianos membros do Legislativo é um atentado contra o povo brasileiro que deu crédito de confiança a seus representantes. E quando a cúpula do Executivo se vê inscrita no livro-caixa de Vorcaro, a nefasta tríade republicana se fecha.
Os mais notórios personagens alugados por Daniel Vorcaro já são de conhecimento público. As compras extravagantes de imóveis no Brasil e no Exterior já foram listadas pela imprensa, como também suas namoradas louras. Os eventos promovidos pelo ex-banqueiro, aqui e lá fora, foram notícias há meses. E até de suas famosas festas para homens do poder e garotas de programa que não entendem português já foram vazadas parcialmente em vídeos.
Registros apontam que Vorcaro desembolsou pelo menos R$ 390 milhões especificamente em festas e viagens de luxo, chegando a quase R$ 900 milhões em roteiros internacionais e eventos gerais entre 2021 e 2024. Os eventos para autoridades, por sua vez, geraram gastos de cerca de R$ 12 milhões em festas e jantares em Nova York para convidar e influenciar autoridades, além de eventos em Londres, Lisboa e São Paulo.
Mas qual é a intenção de um sujeito tido como muito esperto de manter nos celulares gravações de diálogos acertando negócios com parceiros e autoridades e não proteger digitalmente vídeos comprometedores das movimentações nas suas festas? Este manancial de informações de risco certamente não foi só para a proteção empresarial. Os brasileiros acompanharam as denúncias escabrosas contidas nos aparelhos que foram acessados sem grande dificuldade pela Polícia Federal, a ponto de descartar uma delação premiada do malfeitor.
É possível que por detrás das inconveniências descobertas e da corrupção ilimitada, Vorcaro, um economista mineiro de 43 anos que “enriqueceu” de forma rápida e desmedida em pouco tempo a partir de uma pequena empresa familiar, esteja, na verdade, apadrinhado por quem realmente tem dinheiro para os gastos extravagantes do superlobista. E que pode ser grana alta de uma potência estrangeira.
Vorcaro, contudo, não precisou estar presencialmente no país do Dragão Vermelho, para cadastrar o Master como o primeiro banco brasileiro a operar no CIPS, sistema de pagamentos da China em yuan (moeda chinesa). Com esta iniciativa, ele tentava atrair investidores árabes usando a rota chinesa para realizar transações blindadas às sanções dos Estados Unidos, o que significaria operar fora do sistema financeiro ocidental. O uso desse sistema em yuan a partir de meados de 2025 e a dispersão de recursos em regiões do Oriente, como a China, são apontados por autoridades brasileiras como fatores que dificultam o rastreamento e a repatriação de valores nas investigações contra o ex-banqueiro.
Os acertos financeiros com os chineses podem ter resultado na montagem de uma rede de espionagem para gravar fulanos e fulanas em situações constrangedoras para futura chantagem ou extorsão, oferecendo pequenas e grandes vantagens a altas autoridades, patrocinando eventos milionários, emprestando casas com sistemas de gravações para os “amigos”, enfim, comprometendo a cúpula governamental, políticos, artistas e gestores de estatais para viabilizar cobranças de favores adiante. Prática mafiosa.
E essa atividade valeu o investimento dos patrões no “laranja” Vorcaro. Uma potência estrangeira com posse desses dados pode usufruir da desestabilização institucional para avançar no controle do campo político e econômico de um país como o Brasil, com grandes oportunidades de negócios em minerais, no setor energético, portos, ferrovias e no controle da produção de alimentos, foco do nosso maior parceiro comercial.
A divulgação pela mídia de vazamentos das investigações da Polícia Federal sem qualquer incômodo da Suprema Corte não é apenas um grande gesto de transparência. Apesar de apontar corretamente os corruptos desta conspiração internacional, a iniciativa também deixa muito mal as instituições do país. Abala a credibilidade nelas e o país fica com poucas referências positivas. Assim, viramos uma verdadeira República de Bananas, onde pode prevalecer a vontade do patrão e financiador do “laranja” Daniel Vorcaro. Temos que mudar muita coisa nesse Brasil. É isso.
*Jornalista
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