Mesmo envolvendo altos figurões da República, o escândalo do Banco Master precisa ser desvendado. É o que avalia o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR). Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele defendeu que a apuração resista às pressões e que haja punições com rigor. Ainda defendeu a liquidação do Banco de Brasília (BRB), em caso correlacionado ao escândalo.
“O Banco Master é um grande escândalo, de proporção enorme e que tem raízes no Banco Central. Hoje o Banco Central tem 170 bancos, mas nós já tivemos mais de 300, mais que o dobro. Com essa quantidade atual de bancos, a fiscalização melhorou muito com a eletrônica. Por que que então não acompanhou, não fiscalizou? De quem que é essa responsabilidade? É do Congresso? Não é. Nem é do Executivo. É do Banco Central mesmo, e da própria estrutura bancária do país. A Febraban e as entidades bancárias têm a responsabilidade de apontar e fazer a autolimpeza do sistema. Eles toleraram, e chegou num ponto em que, do nada, em poucos anos, é um banco de R$ 80 bilhões em ativo e passivo”, afirmou Hauly.
Leia maisPor isso, a investigação tem que andar. Há envolvimento direto e indireto, e a maioria é indireta, por aplicações de dinheiro. Agora, tem que haver essa sinalização do Banco Central, para falar que é preciso ter cuidado com determinado banco, colocar em alerta. Por muito menos, o Banco Central interveio no Paraná, na década de 80, em um dos nossos bancos. O Badep, que era um banco de desenvolvimento, não era um comercial. Anos depois, foi feita a liquidação extrajudicial do Banestado. Eu acompanhei muito essa época. Então parece que o Banco Central de antigamente, que não tinha autonomia, era muito melhor do que o de hoje”, disparou.
Para Hauly, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deve ser um dos principais afetados caso as investigações prosperem. “Ele entrou de cabeça. Minha recomendação, como técnico e político, é a liquidação do BRB. O BRB tem que ser liquidado. O que não pode é ele pegar imóveis do Distrito Federal e colocar para garantia. É um crime maior ainda que está sendo cometido. Não precisamos do BRB. Há bancos privados suficientes no Brasil, já tem os bancos públicos, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica. Não é da competência do Estado, ele tem que cuidar da educação, da saúde, da segurança, da assistência social, da limpeza. E o Distrito Federal é um estado e um município, então tem que cuidar de tudo isso. Na minha modesta opinião, o BRB deve ser liquidado, e a Justiça e o Congresso têm que aprofundar a CPI, doa a quem doer. Quem tiver responsabilidade tem que pagar”, concluiu o deputado.
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