A mais antiga prévia de Carnaval do Brasil começou em 1948, idealizada pelo então presidente do Internacional, João Pereira Borges, acatando sugestão do colunista social Altamiro Cunha, do Jornal do Commercio. Durante muitos anos, foi um grande sucesso: primeiro, uma semana antes do Carnaval; depois, com a criação do Baile Municipal, 15 dias antes.
Na fase áurea, exigia traje a rigor, e as mulheres tinham que usar vestidos longos. Era uma festa para estilistas famosos como Marcílio Campos, Ricardo de Castro e Jurandir, que criavam os modelos das colunáveis. A máscara era obrigatória, mas muita gente a usava apenas para entrar. Trazia muitos convidados do Sul, muitas vezes em avião fretado.
Recordo, por exemplo, de Jorginho Guinle e Marta Rocha. Nas mesas das primeiras filas do salão principal, estavam sempre autoridades como o governador do Estado, o prefeito do Recife, o comandante militar do Nordeste e o presidente da Assembleia Legislativa.
A festa, considerada a prévia de carnaval mais famosa do país, ganhava sempre matérias de várias páginas nas revistas mais importantes do país, “”O Cruzeiro”, “Manchete”, “Fatos & Fotos.”. Era transmitida ao vivo pela TV Jornal, TV Rádio Clube, TV Manchete e TV Universitária.
A festa criou um concurso de fantasias que era coordenado por Arnaldo Montel. O concurso tinha a participação dos mais famosos concorrentes do Municipal do Rio de Janeiro, como Clóvis Bornay, Evandro Castro Lima e Wilza Carla. Em um deles, o pernambucano Almir da Paixão ganhou de Jesus Henrique com a fantasia “Morte e Vida de um Caramujo”, usando muita palha.
O desfilante carioca ficou tão revoltado que não foi receber o prêmio de segundo lugar, um rebuliço total. Quem também brilhava com suas fantasias era Múcio Catão. A comissão julgadora reunia sempre nomes de prestígio, presidida pela primeira-dama do Estado. Tive a oportunidade, em alguns anos, de ser o apresentador do desfile.
No auge, uma multidão se formava em frente à portaria do clube para ver os convidados e as atrações chegarem, o chamado “sereno”. Na época, muita gente era sócia do clube o ano inteiro apenas para participar da prévia e do Carnaval do Internacional. Convites para não sócios eram em número muito limitado. As mesas se esgotavam muitos meses antes da festa. Apenas numa fase final o clube criou camarotes, mas em um espaço provisório, na parte de trás. Foi em um deles que conheci e entrevistei Chico Science. Acho que foi a primeira vez na vida que o astro do manguebeat apareceu de smoking.
A festa era sempre animada por duas orquestras locais, que se revezavam no palco: as de Nelson Ferreira, Guedes Peixoto, José Meneses e Fernando Borges. Em algumas edições, houve também a participação das orquestras de Waldir Calmon e Erlon Chaves, mas sempre ao lado de uma local.
Depois, a festa foi transferida para o Salão Nobre do clube, quando começou a perder o brilho, com algumas edições tendo poucas mesas ocupadas. Na época, houve uma confusão enorme quando uma transexual perdeu o desfile de fantasia e tirou a roupa no salão, exigindo a presença da segurança. Uma confusão enorme.
Diante do declínio da festa, houve um trabalho de Cadoca Pereira, então secretário de Turismo e criador do Recifolia, que levava multidões à Avenida Boa Viagem. Uma integração com os blocos que desfilavam deu nova cara à festa, inclusive com a eleição da Garota Recifolia. Passou a ser um evento dos jovens, eliminando de vez a exigência do traje a rigor.
Em outro esquema, a festa passou a ter um palco na área externa, com shows de artistas baianos — o primeiro foi de Claudia Leitte —, o que exigiu o aterramento da piscina do clube, com a promessa de ser restaurada depois, o que nunca aconteceu. Nos camarotes, em dois andares, um deles, por três anos, foi comandado por Eduardo Campos. Foi a última vez que o Bal Masqué teve a presença do governador do Estado.
Finalmente, o Bal Masqué foi terceirizado e acontece, convenhamos, sem em nada lembrar o charme do anterior. Ainda tem concurso de fantasias, que não desperta mais interesse, a não ser de alguns nomes conhecidos na comissão julgadora.
O público, em absolutamente nada, lembra o que ia ao Bal Masqué nos anos de ouro. Hoje, a edição que marca os 78 anos do Bal Masqué tem uma novidade: vai começar às 17h, justificando o tema “Entardecer no Bal Masqué”. Os homenageados serão Claudionor Germano e os Papangus de Bezerros. O show será com os cantores pernambucanos André Rio, Almir Rouche, Maestro Forró, Ed Carlos e Nonô Germano.
Leia menos