Nissan Kait é o antigo Kicks reestilizado — e isso é muito bom

Você provavelmente sabe a história do Nissan Kicks no Brasil. Ele era um SUV compacto, virou médio, ficou mais sofisticado e, claro, tornou-se mais caro — mas manteve o nome. O velho Kicks não desapareceu: ganhou o sobrenome Play, transformou-se numa espécie de versão de entrada da marca e continuou vendendo muito bem, até mais do que o agora irmão mais chique. Agora, o Kicks Play saiu de linha e nasceu o Kait. Mas o novo Kait é uma apenas uma reestilização do velho Kicks? A coluna De Bigu o testou por uma semana e constatou. Sim, é uma atualização visual, aquela aplicação de uma atraente roupagem. E isso é muito bom. Afinal, há várias razões pelas quais um novo produto, desde que tenha como base um mais antigo, costuma ter maior probabilidade de sucesso.
Ele passou, por exemplo, pelo que os profissionais de marketing classificam de validação, aprendizado e escalonamento. Lançado em agosto de 2016, o velho Kicks ofereceu à Nissan e seus clientes um histórico de uso capaz de gerar informações suficientes para melhorar funcionalidades e corrigir falhas. O Kait, por exemplo, manteve o que as famílias de classe média brasileiras (e, claro, taxistas, frotistas, motoristas de aplicativos etc) querem: tem bom espaço interno, proporciona conforto e, o melhor de tudo, tem um motor confiável (embora pouco ágil) e de baixo consumo de combustível. Enfim: o Kait preservou o que tinha de melhor e ainda ganhou uma repaginação no design.
A Nissan até tenta que o Kait não seja entendido comercialmente como apenas um produto reestilizado. Mesmo que estejam nele vários itens do modelo anterior — como teto, portas e até o para-lamas. Mas a Nissan deveria lembrar que reestilizar é aprimorar, requintar, aperfeiçoar. E que quaisquer eventuais defeitos comuns a um produto inédito têm menos chances de aparecer numa situação como essa. E, ainda, que o custo de produção seja bem mais em conta. Não à toa, o SUV brasileiro será exportado para pelo menos 20 países, incluindo o México. Confira o que ele tem de melhor.
Leia maisAs dimensões – O Kait tem 4,3m de comprimento, 1,76m de largura, 1,59m de altura — com entre-eixos de 2,62m de entre-eixos. Oferta mais espaço do que o Volkswagen Tera (2,56m) ou o Fiat Pulse, outro concorrente direto, com 2,53m. O porta-mala do compacto da Nissan tem capacidade para 432 litros de capacidade — um banho no do Tera, de apenas 350 litros.
O motor – Esse ponto pode (ou não) ser polêmico. O fato: a Nissan manteve o 1.6 aspirado flex de quatro cilindros e 16 válvulas. Ele gera até 113 cv e 15,5kgfm — o que, convenhamos, fica bem abaixo dos números dos concorrentes. O Fiat Pulse, só para ficar num exemplo já citado, tem propulsor 1.0, embora turbo, com até 130 cv e torque de 20,4 kgfm. A versão topo de linha do italiano, transformado em Abarth, traz motor 1.3 com 185 cv e 27,5 kgfm de torque. Isso não chega a ser um nó górdio, mas mesmo no trânsito urbano diário nota-se a falta de força do Kait. O carro fica pouco ágil. Numa ação de ultrapassagem, o barulho do motor vai às alturas. E não passa segurança nas rodovias, mesmo em retomadas. A falta de referência sobre os turbos nos 1.0 até pode deixar os clientes fiéis da Nissan satisfeitos, mas basta um teste rápido com um concorrente que eles sentirão a diferença. Ah, o câmbio automático é um CVT (continuamente variável) de seis marchas simuladas.
Consumo – O motor, por sua vez, é confiável – e está dentro daquele pacote que conquistou por méritos próprios. E, para aqueles motoristas de pé leve, cuidadosos, é bem econômico. Vale reforçar: dados de consumo devem ser vistos com parcimônia, levando em conta modo de condução, carga do veículo, condições da via e por aí vai. Mas, já que insistem, vejamos: o Kait tem médias públicas de 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada — com gasolina. Em estradas, pode chegar a 16 km/l. Posiciona-se, desta forma, na mesma faixa (talvez um pouco menos) dos 1.0 TSI do VW Tera ou mesmo do Fiat Pulse 1.3 AT.

Visual – Muitas peças do Kait são do Kicks antigo. De novidade, capô, faróis em LED na frente e na traseira — além de rodas, para-choques e tampa do porta-malas, uma mudança bem perceptível. Aliás, o conjunto óptico frontal e traseiro ficou muito bonito, fino, estiloso – e que chama a atenção à primeira vista. Isso inclui as DRLs (luzes de rodagem diurna), de três listras. E, como funcionalidade, ainda oferta o acendimento inteligente, o chamado sensor crepuscular com regulagem elétrica de altura. Por fim, vale lembrar do sistema “Follow me Home” (ou “siga-me para casa”). Essa função de segurança e conveniência mantém os faróis baixos ou lanternas do veículo acesos por um tempo determinado (geralmente 30 a 270 segundos) após desligar a ignição e fechar o carro. Ele ilumina o caminho em garagens ou locais escuros.
Preço – A versão testada, a Exclusive, tem preço sugerido de R$ 152,9 mil. Combate o Pulse Impetus, mas não o Hybrid, que custa pouco abaixo dos R$ 150 mil. Em relação ao VW Tera, só disputa com a versão High, pouco acima dos R$ 140 mil. No caso do Renault Kardian, seu rival é a Iconic, também na faixa dos R$ 150 mil.
Vida a bordo – O acabamento da versão topo de linha tem saídas de ar arredondadas, central de entretenimento com tela de 9 polegadas e conexão Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Com a popularização dos chineses e suas grandes telas, o conjunto do Kait fica meio fora de moda, digamos assim. O quadro de instrumentos, por sua vez, é mais moderno, com duas telas digitais. Tem chave presencial para abertura das portas e partida por botão. Os bancos têm revestimento em couro, mas não são tão aconchegantes quanto deveriam para um carro de R$ 150 mil. Em termos de segurança, destaque para os seis airbags e para o alerta e assistente de frenagem e detecção de pedestre. Vale, ainda, destacar o assistente de permanência em faixa, a câmera com visão 360º, o alerta de ponto cego, a frenagem autônoma de emergência e o controle de cruzeiro adaptativo (ACC). O ar-condicionado desta versão é digital.

Vem aí o novo RAV4 – A Toyota acaba de confirmar a chegada do novo RAV4 ao Brasil. O SUV será apresentado oficialmente em abril, mas já começou a campanha prévia de lançamento junto aos clientes, que já podem se cadastrar no site oficial para indicar interesse e garantir prioridade na lista de espera. A nova geração do SUV mais vendido do mundo será oferecida em duas configurações. Na inédita versão S, o modelo se destaca pelo design moderno e interior que combina conforto e funcionalidade. Já a configuração SX tem acabamento refinado, sistemas inteligentes de assistência à condução e um conjunto de tecnologias avançadas. Todos os detalhes e preços serão divulgados em seu lançamento oficial, previsto para as próximas semanas.

SUV da GAC por R$ 130 mil – A chinesa GAC anunciou dois fatos no meio da semana passada: o lançamento do GS3 e a produção no Brasil. Em relação ao primeiro, são duas versões — e preços promocionais até o fim deste mês: a primeira parte de R$ 130 mil (com compras pelo Mercado Livre) e a segunda por R$ 160 mil. Quanto à produção, ela vai ser na planta da HPE Motors, em Catalão (GO), responsável pela montagem dos modelos Mitsubishi. A nacionalização do SUV compacto será feita por meio de processo do tipo CKD, com capacidade anual de 50 mil unidades em 2027.
Além da mão de obra local na produção, a GAC vai usá-la no desenvolvimento de produtos. O GS 3 nas versões Premium e Elite apostam em motorização turbo, pacote tecnológico avançado e boas dimensões. Ele tem 4,41m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,60 m de altura e entre-eixos de 2,65 m – com porta-malas de 341 litros, expansível a 1.271 litros. Ambas as versões usam motor 1.5 turbo a gasolina capaz de entregar 170cv e 25,5kgfm de torque. O conjunto é acoplado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem e tração dianteira. Segundo dados da marca, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 8,1 segundos. Já o consumo fica em 10,2 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada.


Foton apresenta sete novos veículos comerciais elétricos – A Foton acaba de anunciar a ampliação de seu portfólio com o lançamento no Brasil de sete novos veículos comerciais elétricos: o mini truck eWonder, as vans eView Connect, eView Grand e eToano Pro, além da linha de caminhões eAumark nas versões 6T, 9T e 12T. A chegada simultânea dos modelos marca um avanço estratégico da empresa na eletrificação do transporte comercial brasileiro, oferecendo soluções que atendem desde a logística urbana leve até operações com veículos de maior capacidade para aplicação intermunicipal. Os novos produtos foram desenvolvidos para responder à crescente demanda por eficiência energética, redução de custos operacionais e diminuição de emissões no transporte de cargas. Os modelos têm boa autonomia, tecnologia embarcada, ampla garantia e diferentes capacidades de carga e volume. A Foton vai passar das 100 concessionárias em todo o país ainda em 2026.

Toro ganha versão Lollapalooza – A Fiat aproveitou que é a patrocinadora master do Lollapalooza 2026, que acaba neste domingo, em São Paulo, para apresentar versão comemorativa da picape Toro desenvolvida exclusivamente para o festival. A edição especial, em cor roxa, também homenageia os 50 anos da Fiat do Brasil Na lateral, a logo comemorativa aos 50 anos da Fiat do Brasil está posicionada à frente de um conjunto de pixels que formam o mapa da América do Sul, reforçando a ligação da picape com o mercado da região.
Entre outras inovações, o modelo conta com uma nova grade superior com blocos que fazem menção ao novo estilo de design da marca, além de incorporar barra de proteção que combina resina e aço e uma nova iluminação em LED, que agora se estende à barra de teto. No interior, a novidade é a cor esmeralda nos revestimentos, com detalhes em verde cítrico. Há dez anos no mercado brasileiro, a picape da Fiat produzida no complexo industrial de Goiana, PE, já vendeu mais de 550 mil unidades.
Chevrolet convoca donos de S10 e Trailblazer – A marca norte-americana da General Motors no Brasil está chamando os proprietários de S10 e Trailblazer, versões 100 Anos, Brutal e Invencível, modelos 2025 e 2026, produzidos entre outubro de 2024 e maio de 2025, para irem a uma concessionária. Motivo: um problema no aplique do capô (instalado diretamente na fábrica ou como acessório na concessionária) pode se soltar em altas velocidades. Por isso, a peça precisa ser trocada.
Segundo a Chevrolet, o aplique do capô foi montado sem aplicação de um material que promove a sua adequada fixação. Com isso, em alta velocidade, a força aerodinâmica gerada pelo vento pode fazer com que a peça se desprenda. É possível perceber quando o aplique começa a se soltar, pois ele começa a vibrar de forma visível. Em caso de soltura, ela pode atingir e danificar outros veículos e/ou ferir motociclistas ou pedestres, com possibilidade de lesões físicas graves e até mesmo fatais. O serviço de substituição do aplique do capô, que é gratuito, pode ser realizado em cerca de duas horas e meia. Mais informações, no site da marca, pela Central de Relacionamento Chevrolet no 0800-702-4200 ou pelo WhatsApp no número (11) 99882-8157.
Os 10 carros dos anos 2000 mais buscados no Brasil – Um levantamento do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados e informações sobre o mercado automotivo brasileiro, revela os veículos dos anos 2000 que recebem o maior número de buscas na plataforma atualmente. O estudo leva em consideração as buscas e visitas entre março de 2025 a fevereiro deste ano para os modelos fabricados entre 2000 e 2009 por usuários de todo o Brasil. O ranking é encabeçado pelo Honda Civic, um clássico da montadora japonesa que ainda hoje é um dos mais buscados do país tanto entre os 0KM quanto em versões anteriores. Na sequência, estão Volkswagen Gol, Honda Fit, Chevrolet Astra, Toyota Corolla, Chevrolet Corsa, Chevrolet Celta, Fiat Palio, Chevrolet Vectra e Volkswagen Golf.
Palio, o Fiat usado mais vendido – E outro levantamento, desta vez feito pela OLX, aponta o Palio como o modelo usado da Fiat mais vendido por meio da plataforma em 2025. O estudo, que analisa a demanda pelos veículos da fabricante, mostra o Uno em segundo lugar, seguido pelo Strada na terceira posição. Os dados são divulgados no ano em que a Fiat completa 50 anos de presença no Brasil. Completam os cinco primeiros colocados o Toro, em quarto, e o Siena, em quinto lugar.

Como cuidar de um carro com alta quilometragem? – Um mapeamento do Sindipeças mostra que a idade média dos veículos no Brasil é de 10 anos e 11 meses, dois anos mais velhos do que a frota registrada em 2015, cuja idade média era de 8 anos e 10 meses. O envelhecimento é resultado de uma série de fatores – que envolvem desde as dificuldades no acesso ao crédito até o custo dos veículos 0km, que levam os consumidores a recorrerem ao mercado de carros usados. Por esse motivo, a maioria dos carros circulando hoje no Brasil possui uma quilometragem alta e, portanto, necessita de cuidados e manutenções específicas, tendo em vista que, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, 30% dos acidentes em rodovias são causados por veículos rodando em más condições.
Riscos de acidentes – Nesse sentido, a escolha do lubrificante se torna um passo fundamental para prolongar a vida do automóvel e diminuir os riscos de acidentes. Especialmente porque motores mais rodados podem sofrer com consumo excessivo de óleo, perda de potência e formação de borra, enquanto o sistema de suspensão, direção e freios tende a apresentar folgas e ruídos. Outras queixas comuns são que os sensores e partes elétricas perdem eficiência, comprometendo o desempenho e aumentando o consumo do combustível.
Tecnologias diferentes – Segundo José Cesário Neto, coordenador de Capacitação e Suporte Técnico dos Lubrificantes Mobil, o maior desafio de veículos mais antigos não é a quilometragem em si, mas as tecnologias deles, que são diferentes dos modelos atuais. “É recomendável uma avaliação completa do motor a cada 10.000 km (cerca de um ano de uso), além da consulta ao manual do veículo, verificando características específicas antes da troca de óleo”, orienta.
“Existe uma ideia popular de que, se o seu carro é mais velho, você deve usar um óleo mais viscoso. Mas isso não é necessariamente verdade”, aponta o coordenador Mobil. Ele recomenda sempre seguir as especificações indicadas no manual do proprietário. As montadoras realizam milhares de testes antes de determinar o lubrificante ideal para cada motor, levando em conta temperatura, pressão e o tipo de uso do carro, seguindo padrões internacionais (como SAE, API e ACEA), garantindo a performance e a durabilidade previstas pelo fabricante.
Reparos caros – O uso do óleo correto pode representar a diferença entre prolongar a vida útil do carro e antecipar reparos caros. “Independentemente da quilometragem do veículo, o uso de um lubrificante com características alinhadas com a recomendação da montadora mantém o nível de proteção e bom funcionamento do motor. É importante respeitar o intervalo de troca indicado e sempre usar filtros novos. Caso o motor esteja com um consumo anormal de óleo, a conduta correta é levar o veículo para uma oficina especializada para que sejam avaliados os possíveis causadores desta anormalidade. Utilizar um óleo mais viscoso não vai resolver o problema”, reforça Cesário Neto.
Outros sistemas – O especialista também recomenda atenção redobrada a outros sistemas do veículo. “Não basta cuidar apenas do motor. O fluido de freio, o fluído de arrefecimento e o lubrificante da transmissão também precisam ser revisados periodicamente, pois todos trabalham em conjunto para garantir segurança e desempenho”, explica. Além dos lubrificantes, as graxas também são itens importantes na manutenção, ao garantirem que a lubrificação adequada de componentes como rolamentos, juntas homocinéticas, e pinos de suspensão.
Em veículos mais antigos, esses pontos sofrem mais com o desgaste natural e a oxidação, o que pode gerar ruídos, vibrações e até falhas mecânicas. O uso regular de graxas de boa qualidade ajuda a reduzir o atrito entre as peças, evitar o ressecamento das borrachas de vedação e proteger contra a entrada de água e sujeira. A aplicação correta das graxas garante uma maior preservação do veículo, ajudando na economia com a prevenção de emergências e reparos mais complexos. “Manter a manutenção em dia é o segredo para a longevidade do veículo. Um motor bem cuidado não apenas funciona melhor, como ajuda a reduzir acidentes e custos inesperados”, reforça o coordenador.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
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