Com Alckmin vice, PSB formaliza apoio a Lula
Numa convenção super concorrida, em alto astral, o PSB referendou, ontem, em Brasília, o apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que chega à disputa eleitoral com a mesma chapa que venceu as eleições de 2022, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com apoio de partidos de centro e esquerda. O PSB foi o segundo partido a formalizar apoio a Lula, que prestigiou a convenção ao lado de Alckmin e do presidente nacional da legenda, João Campos.
O primeiro partido a confirmar a aliança com Lula foi o PDT, na semana passada. Além do PSB e do PDT, siglas como PCdoB, PV e PSOL sinalizaram apoio à candidatura do petista à reeleição. A permanência de Alckmin na vice-presidência mantém uma das principais marcas da coalizão construída em 2022.
Leia maisEx-governador de São Paulo e adversário histórico do PT em disputas presidenciais, o atual vice aproximou-se de Lula na eleição passada para ampliar o diálogo do governo com setores de centro e da centro-direita.
Desde o início do terceiro mandato de Lula, Alckmin consolidou espaço na administração federal. Além de exercer a vice-presidência da República, comandou o Ministério do Desenvolvimento Econômico, onde esteve à frente de políticas voltadas à reindustrialização do país e à ampliação da competitividade da indústria nacional.
Nos últimos meses, também ganhou protagonismo nas negociações comerciais conduzidas pelo governo brasileiro diante da imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A atuação do vice-presidente passou a ser vista pelo Palácio do Planalto como um dos principais instrumentos de diálogo com o setor produtivo e com parceiros internacionais.
A relação entre Lula e Alckmin tem sido marcada pela ausência de divergências públicas relevantes ao longo do mandato, contrastando com o histórico de embates entre os dois nas eleições presidenciais de 2006 e 2018. A manutenção da chapa sinaliza a intenção do governo de preservar uma imagem de estabilidade política durante a campanha.
CALENDÁRIO SE AFUNILA – Os partidos têm até 5 de agosto para fazer convenções partidárias, em que oficializam candidatos e coligações para as eleições. As siglas têm até 15 de agosto para registrar no sistema da Justiça Eleitoral os candidatos escolhidos para a disputa. As propagandas eleitorais começam em 16 de agosto. A expectativa é que alguns partidos utilizem o prazo final para formalizar apoio, conforme as convenções partidárias avancem e o cenário eleitoral vá se consolidando.

João rouba a cena – Ainda na condição de pré-candidato ao Governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife, João Campos, foi uma das estrelas da convenção do PSB ontem em Brasília, que formalizou Geraldo Alckmin na vice de Lula e o apoio do partido à reeleição do presidente da República. Fez um discurso emocionante, na condição de presidente nacional do PSB. Citou o bisavô Miguel Arraes e o pai Eduardo Campos, aliados históricos de Lula e que nunca deixaram de honrar compromissos, sendo leais ao projeto de governo da frente ampla de esquerda para o Brasil, capitaneado pelo PT e conduzido por Lula.
Ampliação da frente – A estratégia do governo é ampliar a frente de sustentação política reunindo partidos de esquerda e centro, repetindo a fórmula adotada em 2022. Nos bastidores, houve conversas com siglas como MDB, mas as articulações não resultaram em novos acordos nacionais até o momento. Enquanto isso, parte dos partidos de centro mantém posição indefinida e deve aguardar o encerramento das convenções para anunciar eventual apoio ou optar pela neutralidade.
Sem aval do pai – O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz no vídeo produzido com inteligência artificial e divulgado pela campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em petição apresentada ontem, a defesa sustenta que Bolsonaro sequer poderia ter dado essa autorização em razão das restrições de contato impostas pelo ministro no âmbito da execução penal. Os esclarecimentos foram enviados após Moraes determinar que Bolsonaro explicasse se havia participado da produção do material.

De Raquel para João – A Federação Solidariedade/PRD em Pernambuco, que havia se comprometido com a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), passou a apoiar a candidatura de João Campos (PSB) para o Governo do Estado. A aliança com o ex-prefeito do Recife será oficializada durante convenção partidária das legendas, no próximo sábado, segundo o prefeito de Sanharó, Josafá Almeida, que assume a presidência do PRD estadual. O presidente estadual do Solidariedade, Edinazio Silva, disse que o cenário nacional motivou a mudança. “Lula está aliado com João em Pernambuco”, afirmou.
CURTAS
VIOLÊNCIA – Levantamento do instituto Fogo Cruzado apontou que ao menos 53 pessoas foram baleadas em assaltos no Grande Recife no primeiro semestre de 2026. A Secretaria de Defesa Social, no entanto, afirmou que o número oficial de casos foi menor. A estatística mostra que a violência urbana continua sendo um desafio da segurança pública e que as ações adotadas pelo Estado estão mais focadas na reação ao crime do que na prevenção.
CIRO LIDERA – No Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) desponta com 51% das intenções de voto para o Governo do Estado em pesquisa do Ipec, enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) aparece com 41%, dez pontos de desvantagem.
AMPLIOU – Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) abriu 15 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, segundo pesquisa Quaest. O petista estagnou em 26% no primeiro turno, enquanto Tarcísio subiu de 38% para 41%, sinal vermelho para a campanha do petista, oficializado candidato no último sábado.
Perguntar não ofende: Qual será o próximo teto de hospital a desabar?
Leia menos


















