O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, foi internado neste domingo (13) na UDI Hospital, da Rede D’Or, em São Luís, após apresentar um quadro de infecção respiratória (pneumonia).
De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital, Sarney encontra-se em condição clínica estável. Segundo a equipe médica, o ex-presidente está com a pressão arterial sob controle, respira em ar ambiente e recebe tratamento com antimicrobianos venosos. As informações são do g1.
Ainda conforme o boletim, não há previsão de alta hospitalar até o momento.
Nas redes sociais, Sarney informou que está internado para a realização de exames e tratamento da pneumonia e agradeceu as manifestações de apoio que recebeu.
“Meu estado de saúde é estável e sigo sob acompanhamento médico. Agradeço, com carinho, todas as mensagens, orações e manifestações de amizade que tenho recebido”, escreveu.
O boletim médico foi divulgado pela UDI Hospital na noite deste domingo e é assinado pela unidade da Rede D’Or em São Luís.
Stefan Zweig (1881-1942) certa feita escreveu 5 ensaios sobre conhecidos episódios, os quais ele chama de “miniaturas da história”, e os reuniu em um livro batizado de “Momentos Decisivos da Humanidade”. Inspirando-se nas tragédias gregas, Zweig defende a ideia da existência de alguns episódios, como a derrota de Napoleão em Waterloo, que, pelo que carregam de simbólico, de trágico ou de épico, teriam a força capaz de sintetizar uma época, ou até mesmo de determinar o destino da humanidade:
“A história, como a natureza, tem inúmeras e infinitas formas. […] Certas vezes brilha como as águas torrenciais que seguem o seu fatal curso, e num redemoinho arrebata os acontecimentos ao capricho desordenado do vento. Outras vezes, vai estratificando as épocas com a imensa paciência dos largos processos de cristalização e, logo, num único relâmpago, comprime dramaticamente as camadas contíguas e, sempre criadora, nesses momentos de síntese genial, revela-se artista, pois, apesar de milhões de energias moverem-se em nosso mundo, esses fugazes instantes explosivos dão uma forma dramática”.
Há uma sessão do Supremo Tribunal Federal marcada para a 3ª feira (15.set.2026), cujo desfecho pode definir o destino da nação. Dispensável detalhar aos leitores a pauta ou o que estará em discussão –pois todo brasileiro minimamente informado, a esta altura dos acontecimentos, está ciente do que está em jogo. Qualquer que seja o resultado, trata-se de um instante explosivo, parafraseando Zweig, cujo desfecho deverá ser inexoravelmente dramático.
As notícias que transbordam de diferentes fontes dão conta de que uma facção que se instaurou na Suprema Corte, sob a liderança de Gilmar Ferreira Mendes e tendo Flávio Dino, Cristiano Zanin e (talvez) Dias Toffoli alinhados, se desdobra em chicanas e manobras de bastidores para evitar a apuração a respeito de crimes dos quais é suspeito o companheiro Alexandre de Moraes em sua relação de promiscuidade indiscutível com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Fazem ameaças contra os próprios colegas que defendem a apuração sobre Moraes, os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
O objetivo principal objetivo desse grupo reagente é impedir que a sessão da Corte Suprema aconteça, de forma a empurrar com a barriga mais uma vez o escândalo do momento até que um novo escândalo venha a ofuscar o anterior e, ao fim e ao cabo, tudo permaneça como está. Mobilizaram seus gabinetes para apurar a vida dos adversários e dos indecisos sobre possíveis erros profissionais ou diatribes da vida pessoal; vale tudo. Os gabinetes estiveram em busca de informações ao longo da última semana e assim devem permanecer até a hora da sessão. O nome disso é chantagem.
Acossados, a ministra Cármen Lúcia e o presidente da Corte, Edson Fachin, precisam tomar um lado. Ou votam pela apuração contra Moraes, ou prevalece o tal espírito de corpo. Na mão deles, o destino da nação. Fachin, sem dúvida, é o mais fraco presidente da Suprema Corte da história brasileira. Indeciso, tergiversa, vai para a frente e muito rápido volta atrás ao menor sinal de pressão. Nesta crise, emite sinais exteriores de que não sabe o que fazer. Exala insegurança. Está tendo sua vida pessoal e profissional vasculhada pelos colegas que o pressionam a engavetar as apurações contra Moraes.
Sobre Cármen, nada há de questionável em sua vida pessoal ou profissional para que seja pressionada pelos métodos mafiosos em curso –pelo menos, nunca apareceu algo que a desabone no ofidiário da Corte brasiliense, onde tudo se sabe, a começar pelo impublicável. Ela foi professora da Universidade Federal de Minas Gerais de uma pessoa que me é muito próxima. Meu Deus, como a admirava! Era seu ícone, exemplo de integridade moral e profundidade jurídica. Há muito, sua antiga aluna anda decepcionada, desde que Cármen passou a relativizar as liberdades fundamentais em nome do maquiavelismo vulgar, aquele no qual os fins justificam os meios. Mas a antiga aluna ainda resguarda esperança na orientadora.
Os historiadores estão sempre a estudar como terminam os impérios e as nações. Alguns caem na decadência, mas conseguem ressuscitar, como o antigo Império Britânico. Outros casos, como o do Império Otomano, esvaem-se na irrelevância. Há bons exemplos do agora e do outrora, mas fiquemos no clássico dos clássicos, descrito por Edward Gibbon (1737-1794) em “Declínio e Queda do Império Romano”. No caso de Roma, foi um processo de mais de 2 séculos, desde as loucuras de Cômodo e Heliogábalo, passando pela derrota humilhante na Batalha de Adrianópolis, até o cerco de Roma por Átila, o Huno, quando o quando o nobre Senado já não exibia qualquer resquício de dignidade ou honradez.
Os historiadores já debateram algumas datas sobre o marco final de Roma, mas acabaram por aquietar no ano de 476, quando Odoacro, comandante das tropas mercenárias germânicas, aposentou o então imperador, Rômulo Augusto –sem derramamento de sangue, ressalte-se–, e se autoproclamou rei da Itália sem que algo ou alguém reagisse.
Existe a possibilidade concreta de, em breve, a academia começar a discutir quando foi que o crime organizado tomou conta do Estado brasileiro e destruiu aquilo que por 2 séculos foi uma nação que ambicionava ser grande. Foi, sem dúvida, um processo de mais de duas décadas, desde o escândalo do mensalão, de 2005, quando o suborno ao Congresso passou a ser política oficial de Estado; ao petrolão, de 2014, quando o saque e a rapina em grande escala assolaram as estatais.
É verdade que houve uma tentativa de reação judicial, a Lava Jato. Contudo, a mesma facção do Supremo, ora no centro do jogo do Caso Master, decidiu anular tudo o que havia sido feito sob a alegação de que o CEP deveria ser outro, com uma mera canetada monocrática do mesmo Edson Fachin, ora na presidência da Corte. E, tal qual a canetada do bárbaro Odoacro contra Rômulo Augusto, ninguém reagiu com a necessária firmeza. Chegou a vez de Suas Supremas Sapiências decidirem, afinal, se ainda somos uma nação.
O processo de apuração sobre a desfaçatez de Alexandre de Moraes será aberto? Se for, até onde os supremos magistrados estão dispostos a investigar? Ou, desde já e mais uma vez, como sempre, vão adiar a sessão e varrer tudo para debaixo do tapete em nome de uma suposta “pacificação institucional”, tal qual Lord Neville Chamberlain (1869-1940) buscava pacificar com o chanceler alemão Adolf Hitler (1889-1945)? Há mais dúvidas do que certezas.
Moraes é o atual vice-presidente do STF. Se a tradição prevalecer, deverá ser o próximo presidente da Suprema Corte em setembro de 2027. Como ficará o Brasil na hipótese de esse Moraes desmoralizado vir a ser o presidente do Supremo e (como o fundo do nosso poço nunca termina) Davi Alcolumbre vir a ser reeleito presidente do Senado com a missão de manter na gaveta toda e qualquer tentativa de investigar os magistrados?
Quando questionado, Alcolumbre argumenta que só está lá porque faz exatamente a vontade da maioria dos senadores. Mas não é possível aceitar que a maior parte do Senado da República seja composta essencialmente de cúmplices de suspeitas sobre ações do crime organizado ou de invertebrados castrados. Ou melhor, talvez seja, pois era assim o Senado de Roma quando Átila cercou a cidade sem encontrar patrícios com a dignidade necessária à resistência.
O filósofo Søren Kierkegaard (1813-1855) lembra que nossas vidas são determinadas por ações e estas, por sua vez, são determinadas por escolhas exclusivamente humanas. Assim, a cada instante da vida, a cada ato, o homem vê-se diante de uma encruzilhada sobre qual caminho seguir. Segundo Kierkegaard, somos livres para fazer nossas opções morais, e são essas escolhas que determinam nossa história. Assim, torna-se “imprescindível encontrar o sentido da própria existência, porque a vida é feita de instantes e cada instante é decisivo”.
Na 3ª feira, 15 de setembro de 2026, as canetadas e os votos selarão o nosso destino. Se o país vai se estratificar na decadência institucional ou explodir em uma nova direção, a resposta está nas mãos de 10 (supostos) juízes. Afinal, como bem alertou Zweig, a história não perdoa a apatia dos covardes, pois são justamente esses fugazes instantes explosivos que dão uma forma dramática ao destino de um povo. Ou ao suicídio de uma nação.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à Prefeitura de Caruaru e à Autarquia de Mobilidade de Caruaru (AMC) a anulação dos termos aditivos que permitiram a transferência da concessão do Lote L01 dos ônibus municipais para a empresa Bandeira Mobilidade e Serviços Ltda. A recomendação administrativa foi emitida nesta quarta-feira (9), pelas 2ª e 3ª Promotorias de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru.
A iniciativa ocorre depois de um inquérito civil aberto pelo MPPE para investigar a contratação da Bandeira Mobilidade. Frota licenciada em Sergipe, falta de experiência com transporte de passageiros, eventuais danos ao erário público e descarte de contaminantes no Rio Ipojuca estão entre as possíveis irregularidades apontadas pela apuração. As informações são do Diario de Pernambuco.
Responsável pela recomendação, a 2º Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru também aponta “indícios de ofensa aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa” na transferência da concessão. Um dos sócios da empresa, Danilo de Carvalho Calado, é primo do atual secretário de Educação e Esportes de Caruaru, José Gilvan Cavalcanti Calado Júnior, e passou a integrar o quadro societário da nova concessionária em período imediatamente anterior à celebração do aditivo.
Além disso, segundo a recomendação, 27 dos 28 ônibus da frota estão licenciados em Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, e não em Caruaru.
A Prefeitura de Caruaru e a AMC têm 15 dias, a partir do recebimento da notificação, para informar ao MPPE se vão acatar a recomendação e quais providências serão adotadas. Caso as medidas não sejam cumpridas, a Promotoria afirma que poderá adotar medidas judiciais, incluindo uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência.
A reportagem procurou a Prefeitura de Caruaru e a Bandeira Mobilidade, mas as instituições não comentaram sobre o caso até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.
O presidente da Câmara Municipal de Arcoverde e candidato a deputado federal Luciano Pacheco (MDB) participou, neste domingo (13), de uma caminhada em apoio à reeleição do presidente Lula (PT). O ato teve concentração na praça em frente ao Clube dos Subtenentes, no bairro São Miguel, e reuniu apoiadores e lideranças políticas, entre elas as ex-prefeitas de Arcoverde Madalena Brito e Erivânia Camêlo.
Organizada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a caminhada percorreu ruas de Arcoverde durante a tarde e a noite. A mobilização fez parte da agenda de atos realizados no domingo em apoio à candidatura de Lula à reeleição.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) está entre os alvos.
Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, no Distrito Federal e em São Paulo. As informações são do g1.
Segundo as investigações, integrantes do grupo teriam cobrado valores altos em troca da promessa de influenciar decisões judiciais em processos ainda em andamento.
A ação é desdobramento de investigação iniciada em dezembro de 2025, e investiga possíveis práticas dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A reportagem procurou o deputado, mas ainda não obteve resposta.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) travaram neste domingo mais um embate sobre os procedimentos do julgamento que pode abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes, em sessão marcada para esta terça-feira.
Após uma série de manifestações, o ministro Cristiano Zanin ordenou à Polícia Federal (PF) a remessa ao seu gabinete de cópia do conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e foi seguido pouco depois com a mesma determinação por Gilmar Mendes. Horas antes, o colega André Mendonça enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, reforçando sua posição contrária ao compartilhamento de todo esse material. As informações são do jornal O GLOBO.
Mendonça alegou que não há necessidade de análise de todos os dados baixados de um iPhone de Vorcaro para a instrução do julgamento e criticou posição anterior do próprio Zanin pela publicidade do conteúdo. O magistrado alega que a queda do sigilo poderia causar prejuízo a investigações em andamento e serviria apenas para tumultuar o julgamento desta terça.
O episódio eleva a pressão da ala ligada a Moraes por um adiamento da sessão, hipótese até aqui rechaçada por Fachin. O conflito de ofícios e despachos com posições divergentes também pode fornecer combustível a debates em plenário sobre questões de ordem e preliminares, bem como contribuir para pedidos de vista.
Prazos à PF
Se isso acontecer, a discussão do mérito sobre a natureza da relação de Moraes com Vorcaro pode ser prejudicada. Em material periciado apela PF, Vorcaro envia mensagens ao ministro com pedidos de intervenção junto a autoridades às vésperas de sua prisão. Até a noite deste domingo, Fachin não havia se manifestado sobre as decisões de Zanin e Gilmar ou a consideração de Mendonça.
Zanin comunicou a Fachin sobre seu despacho e deu prazo à PF que venceu às 23h de domingo para a entrega do material. Já Gilmar não estipulou prazo.
Ambos expediram a determinação sob o argumento de que desejam, nas palavras de Zanin, “formar convicção” para o julgamento desta terça.
Zanin entende que precisa conhecer o material que originou relatório da PF que registra a troca de mensagens, “independentemente de outras implicações que o material possa indicar”.
Ao ordenar a remessa, o ministro sustentou que as provas contidas no celular “pertencem ao Plenário do Supremo Tribunal Federal e aos seus integrantes e não a um integrante específico” da Corte.
Além disso, o magistrado destacou “o dever pessoal de cada julgador de contribuir e otimizar o processo decisório do Supremo Tribunal Federal”.
O aparelho de Vorcaro foi apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Em ofício anterior, direcionado a Fachin, Zanin sustentou que, em sua avaliação, os dados têm de ser públicos porque já estão abrangidos pela derrubada do sigilo das informações e procedimentos que estão relacionados, de alguma forma, à petição que será analisada nesta terça.
Essa posição, porém, contrasta com a de Gilmar, que registrou em seu pedido à PF: “Sobre o alegado risco para o êxito das investigações, suscitado pelo eminente Ministro André Mendonça, registro que não se cogita de qualquer levantamento de sigilo. O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete”.
De acordo com Zanin, o recebimento da íntegra dos dados permite a “apreciação completa e necessária” do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o relatório que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro. O chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, defendeu a anulação do documento, sob o argumento de que Mendonça não poderia ter determinado, sozinho, a elaboração do mesmo.
Neste domingoe, antes das ordens de Zanin e Gilmar, a PF informou que teria “plenas condições técnicas” para encaminhar cópias do celular aos gabinetes de ministros do Supremo. Em seguida, Mendonça deu um despacho contrário ao compartilhamento das informações. Segundo ele, a abertura dos dados “somente contribuiria” para “tumultuar” o julgamento.
Ainda segundo o ministro, a divulgação colocaria em risco o “êxito” das investigações sobre as fraudes do Master e abriria a possibilidade de “questionamentos” que poderiam “desviar de seu caminho natural” a análise do relatório da PF sobre Moraes.
No sábado, Fachin avocou para si a relatoria do caso de Moraes e abriu o caminho para também acumular as relatorias dos casos Master e das fraudes no INSS, ambas investigações que estão sob responsabilidade de Mendonça.
O movimento foi visto como mais uma ação do presidente do STF para diminuir as tensões e abrir caminho para o julgamento sem um tumultuado ambiente processual.
Guerra de ofícios
Nos últimos dias, ministros travaram uma “guerra de ofícios”. As manifestações envolveram requisições de quebra de sigilo de inquéritos e procedimentos e renderam até mesmo acusações, como a feita por Moraes a Mendonça. Ele afirma que o colega age no sentido de proteger o seu “grupo político”.
Ainda na tentativa de evitar uma conflagração e manter o julgamento de amanhã, Fachin negou o pedido de Moraes para que a conduta de Mendonça ao fosse analisada na mesma data. Neste segundo caso, o magistrado é citado em relatório de inteligência da PF requisitado por Moraes.
Dedico este lindo artigo ao meu colega, o poeta Olavo Bilac, o grande Bila, um garimpeiro de estrelas nas noites de lua cheia
Por José Adalberto Ribeiro *
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Ora (direis), Pindorama é um reino pacífico. Os aiatolás de Brasília são mansos de coração. Aqui não existem vulcões nem terremotos. E eu vos direi: o coração auriverde é um vulcão com pele de cordeiro. Os aiatolás são terremotos ambulantes em forma de gente. O vulcão está em erupção. Esta terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira Cruz, é um paiol de vulcões.
Sua Excelência, o poeta Olavo Bilac, ensinou: Amai para entender o coração dos vulcões, pois só quem ama é que possui ouvido capaz de ouvir e de entender os vulcões da natureza humana.
Inacreditável é saber que falsas vestais da República foram arrebatadas pelos tentáculos do maior gangster nascido nos pântanos da vida pública brasileira. Esses traidores reivindicam a glória de terem inventado o crime perfeito, o crime que não é crime. Propina ou suborno é chamado de consultoria ou honorário. As eleições presidenciais deste ano também serão um julgamento sobre a validade do crime perfeito.
Mais grave, o Dany Vulcão arregimentou uma guarda pretoriana poderosa que funciona nas sombras a plenos vapores, vapores malignos. Os aiatolás corruptos prostam-se de joelhos aos pés do vulcão. Os demiurgos, entidades que se presumem entre o céu e a terra, produzem sorrisos marotos. Al Capone seria inocente diante do Vulcão tropical.
O projeto de Nação da dinastia vermelha é a expansão do programa Bolsa Família para manter um eleitorado cativo, mascarar o desemprego e se perpetuar no poder. O guru da seita vermelha renega a alternância e insufla a radicalização. A Nação afunda no populismo e na radicalização.
O reino de Pindorama segue órfão do espírito de um estadista. Dom Pedro II, o estadista do Império e das nações globalizadas no século XIX, foi atropelado pelo golpe da República, em 1889. As elites vencedoras embarcaram o Brazil no atraso sob as bandeiras falsas da República nascente. E haja quarteladas e golpismos durante todo o século.
Getúlio Vargas, o grande reformador social, traído pelos bandoleiros golpistas, arremessou contra si mesmo uma bomba atômica na caixa dos peitos. Juscelino Kubitscheck emitiu lampejos como sendo um estadista auriverde numa era de prosperidade. Mas o sonho de JK acabou. O Brazil ufanista embarcou depois nas veredas da corrupção e da inflação.
O pobrezinho Jeca Tatu vivia atormentado com lombrigas, fraqueza nas pernas, bicho do pé e disfunção erétil. Tomou uma meisinha de catuaba, mocotó e pílulas biotônicas e botou moral.
O guru da seita vermelha é uma versão remasterizada de Jeca Tatu. Vem da estirpe da caterva vermelha latino-americana, do ramo ideológico de Fidel Castro, com licença da palavra. Ainda hoje cultiva laços afetivos com a ditadura escravagista de Cuba e da Nicarágua. A caterva vermelha espalhou a semente do mal na América Latina. Quem duvidar de mim levante o braço. Ninguém. Obrigado pelo carinho de sua audiência.
Movimentos dos últimos dias mostram que a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou em uma situação delicada na reta final. Reunir-se com prefeitos para cobrar engajamento foi como dar um “reset” em tudo o que foi feito até aqui e que parece não ter sido suficiente para ela se descolar de João Campos (PSB), seu principal adversário, nas pesquisas de intenção de voto.
Áudios vazados da reunião realizada no sábado passado revelaram uma candidata debilitada e altamente dependente dos aliados em um momento em que deveria mostrar vitalidade. O evento foi um desastre, com mais de 100 ausências, deputado barrado na porta e uma fala infeliz de André Teixeira, vice-presidente do PSD e primo de Raquel, cobrando que prefeitos assegurem ao menos 70% dos votos em suas cidades para que ela não precise “nem pisar” no Recife, principal reduto de João Campos.
O discurso foi contraditório, já que a própria Raquel disse, na reunião, que pretende passar os próximos dias apenas na Região Metropolitana para tentar diminuir a diferença para o oponente. Com a governadora e seu braço direito puxando a questão para lados diferentes, teve prefeito que saiu confuso.
Outros se incomodaram com o fato de a candidata à reeleição anunciar que vai deixá-los à própria sorte militando no interior. Pelo menos cinco teriam procurado João Campos logo depois. Nas redes sociais, mais confusão. Raquel vem atirando para todo lado, sem uma condução bem definida no discurso.
Já associou João Campos ao ex-governador Paulo Câmara, tentou dizer que ele elogiou as obras feitas por ela em estradas e buscou colar no adversário a responsabilidade pelo deslizamento de uma encosta que não fica nem na cidade que ele administrou, mas em Jaboatão dos Guararapes, município gerido por Mano Medeiros (PSD), aliado dela própria.
A campanha da governadora também já sofreu pelo menos duas derrotas na Justiça ao chamar João Campos de “fura-fila” e foi obrigada a retirar vídeos com esse teor das inserções de TV e das redes sociais. Ele, em contrapartida, teve autorização para manter no ar um site que faz referência ao caso do “fura-teto”, em que denuncia os supersalários de Raquel.
Mesmo numericamente à frente nas principais pesquisas, Raquel se comporta como quem vai perder, o que vem intoxicando o ânimo de prefeitos, militantes e outros aliados. Com semblante caído, foi vista caminhando sozinha em um supermercado de Caruaru, após o debate da semana passada, enquanto era abraçada por uma assessora, passando despercebida por frequentadores e funcionários.
Se o corpo fala, o da governadora está gritando, e o sintoma é um só: as coisas não vão bem.
A FURA-TETO – O Tribunal Regional Eleitoral permitiu a veiculação de conteúdo da campanha de João Campos (PSB) que questiona a remuneração recebida pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). O salário da adversária passou a fazer parte da narrativa do socialista nos últimos dias, que a acusa de ser fura-teto constitucional. João questiona o fato de Raquel receber cerca de R$ 60 mil mensais após optar pela remuneração da carreira de procuradora do Estado, em vez dos R$ 22 mil previstos para o cargo de governadora. A coligação sustenta que Raquel não poderia receber os vencimentos do cargo de origem durante o exercício do mandato. Para embasar a tese, cita o artigo 38 da Constituição Federal e afirma que a possibilidade de escolha da remuneração é prevista para prefeitos e, em determinadas situações, vereadores.
Ministros suspeitos? – Ministros aliados de Alexandre de Moraes no STF avaliam pedir a suspeição de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux no julgamento de amanhã, quando o plenário se reúne pela primeira vez para debater a crise inédita que se abateu sobre a corte. A ideia é que um deles apresente uma questão de ordem para discutir se Kassio e Fux, os dois mais fiéis aliados de André Mendonça, podem mesmo votar, diante de supostos elos de seus filhos com o Banco Master. A estratégia é fazer frente ao presidente Edson Fachin, que deixou de fora o processo que suscita abuso de autoridade e métodos ilegais por parte de Mendonça.
O que será julgado – A sessão de amanhã vai discutir eventual abertura de investigação contra Moraes, por suposto envolvimento ilícito com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por decisão da Corte. Moraes, por sua vez, pediu que seja julgado de forma conjunta um pedido apresentado por ele, no âmbito do inquérito das fake news, para abrir investigação contra Mendonça, por supostas irregularidades do ministro na condução do caso do Banco Master. Mas o presidente da corte negou e a sessão vai se deter apenas no caso Moraes.
A visão de juristas – Professor fundador da FGV Direito Rio, Álvaro Palma de Jorge avalia que Fachin, ao marcar o julgamento para avaliar a abertura de investigação contra ministros, deu um primeiro passo de uma “mudança de cultura” e sinalizou que o Supremo “está voltado para a sociedade, e não para si mesmo”.O presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Diogo Leonardo Machado de Melo, também avalia que a sessão de amanhã é uma etapa crucial para desfazer qualquer sensação de “insegurança” e de “falta de transparência” envolvendo a atuação da Corte.
A sessão do STF no podcast – O podcast Direto de Brasília, marcado para a próxima quarta-feira, em função da sessão bombástica do STF no dia anterior, na terça, será sensacional. O ex-presidente da OAB nacional, Felipe Santa Cruz, aceitou o convite para analisar a reunião inédita da corte. Participam do debate os jornalistas José Maria Trindade, da Jovem Pam, Marcelo Tognozzi, do Poder360, Rudolfo Lago, chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília, Chico José, ex-Globo Nordeste, Arnaldo Santos, da revista Mais Nordeste em Fortaleza, e Carlos André, da Folha de Pernambuco, além do colunista Cláudio Humberto.
CURTAS
FIM DO SIGILO – O ministro Flávio Dino levantou o sigilo de todo o material da investigação da Polícia Civil de São Paulo incorporado ao caso Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao analisar os documentos enviados pela Justiça paulista, Dino afirmou que se fortaleceu a hipótese de um “sofisticado esquema” de desvio de recursos públicos e que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia, “no terreno hipotético da investigação”, uma posição de liderança na suposta “arquitetura criminosa”.
LULA COM CURY – De olho em um eventual segundo turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta criar pontes com Augusto Cury (Avante). O cenário apontado pelas pesquisas indica que o psiquiatra pode ter, na disputa deste ano, um papel semelhante ao que Simone Tebet, na época no MDB, teve na eleição de 2022.
JÁ JOGOU A TOALHA? – Aliados de Fernando Haddad, candidato a governador de São Paulo pelo PT em baixa nas pesquisas, reclamam que ele anda afastado das bases e circula apenas em um núcleo restrito de auxiliares do PT. Há tempo não rola sequer reunião da coordenação geral, na qual representantes de todos os partidos da chapa discutiam os rumos.
Perguntar não ofende: Será na quinta à vinda de Lula a Pernambuco?
Após três dias de programação, a 24ª edição da Missa do Vaqueiro de Canhotinho, no Agreste, foi encerrada, neste domingo (13), com cavalgada, benção religiosa e presença de convidados da prefeitura do município, dentre eles o candidato a governador pela Frente Popular, João Campos (PSB), prefeitos e lideranças políticas da região.
A prefeita, Sandra Paes (Republicanos), o candidato a deputado federal Gabriel Porto (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco e candidato à reeleição, deputado Álvaro Porto (MDB), idealizador da missa, foram os anfitriões do evento que celebra a fé do povo agrestino.
Acompanhado da esposa, deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), e ao lado de Álvaro, Gabriel e Sandra Paes, João Campos participou da cavalgada, que partiu do distrito de Olho D’Água e percorreu seis quilômetros até o centro da cidade, onde, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, aconteceu a missa.
O cortejo reuniu mais de 7 mil cavaleiros de Canhotinho, municípios vizinhos e de outros estados. “A Missa do Vaqueiro só cresce e enche de orgulho o povo canhotinhense, que expressa sua fé e sua cultura nessa manifestação que já é reconhecida como um dos maiores do país”, avaliou a prefeita.
Foto: Divulgação/Peu Ricardo
Álvaro Porto, que criou o evento no início dos anos 2000, antes de entrar para a vida pública em 2004, quando foi eleito para o primeiro de dois mandatos de prefeito do municípios, diz que a missa de Canhotinho se tornou um patrimônio de Pernambuco. “Estávamos certos de que a população já tinha abraçado a ideia e o intuito da missa quando o nosso mandato decidiu incluir a celebração no Calendário Oficial de Eventos de Pernambuco em 2017”, frisou.
Gabriel ressaltou a mobilização espontânea da cidade em torno da missa. “É gratificante ver a participação popular e também a presença de visitantes de cidades vizinhas, comprovando o impacto do evento na economia de Canhotinho e da região”, pontuou.
Por sua vez, João Campos destacou a presença de diferentes gerações e a tradição dos vaqueiros em Pernambuco. “Podemos ver famílias inteiras, crianças, jovens, idosos e vaqueiros celebrando a fé e uma tradição que faz parte da nossa história. Tenho um respeito enorme pelo vaqueiro e por tudo que essa celebração representa para Pernambuco”, afirmou.
ATRAÇÕES – Na concentração, os participantes da cavalgada foram animados pela apresentação de Pedro Pires. Escalado para animar os cavaleiros ao longo percurso, o cantor Rey Vaqueiro, cujo avião foi incendiado na madrugada deste domingo no interior do Rio Grande do Norte — felizmente sem vítimas —, foi substituído pela dupla Iguinho e Lulinha. Após a celebração religiosa, a programação prosseguiu no centro da cidade, com shows de Xand Avião, Limão com Mel e Ernandinho Vaqueiro.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) puxou o coro de “Fora, Davi” durante ato realizado neste domingo (13) em Macapá (AP), reduto eleitoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). A manifestação, organizada por integrantes do PL, cobra do senador o avanço dos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O ato foi realizado na Concha do Araxá e convocado por Nikolas. O deputado participou da manifestação vestido com uma camisa branca com a inscrição “Acorda Amapá”. Durante o discurso, Nikolas afirmou que o Amapá não deve mais se “curvar para a velha política” e criticou a atuação de Alcolumbre no Estado.
“Nunca mais Amapá se curvará para velha política e para ninguém, porque Amapá é nosso e de mais ninguém, porque Amapá acordou”, disse o deputado. O deputado também afirmou ter visto cartazes, panfletos e carros com bandeiras contrários à manifestação.
Em seguida, criticou Alcolumbre pela situação de infraestrutura e segurança pública do Estado. “Eu queria saber, Alcolumbre, sua disposição em um Macapá que 85% não tem coleta de esgoto. Eu quero puxar uma salva de palmas para Davi Alcolumbre porque deixou esse Estado o mais violento do país. Então Alcolumbre, lave sua boca para falar de Nikolas Ferreira”, declarou. Depois, Nikolas puxou o coro de “Fora, Davi” entre os manifestantes.
Pressão sobre Alcolumbre
A oposição intensificou a pressão sobre Alcolumbre depois da divulgação de mensagens envolvendo Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Senadores e deputados oposicionistas cobram do presidente do Senado a análise dos pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Alcolumbre afirmou que há 109 pedidos de impeachment contra integrantes da Corte no Congresso. Segundo ele, o volume “não é normal”. O senador, porém, tem evitado indicar se dará prosseguimento a algum dos processos.
A Justiça Eleitoral determinou, neste domingo (13), que a governadora Raquel Lyra (PSD) remova um vídeo com um direito de resposta falso postado em suas próprias redes sociais. Conforme a decisão, a candidata buscou induzir o eleitorado ao erro ao usar estratégias visuais e discursivas similares às de uma concessão de direito de resposta real, fazendo parecer que havia obtido vitória judicial contra João Campos (PSB). Onze páginas que reproduziram o vídeo também terão o conteúdo removido.
A liminar foi concedida pelo desembargador Paulo Augusto de Freitas Oliveira a pedido da Frente Popular de Pernambuco. De acordo com a coligação que representa João Campos, a campanha da governadora se aproveitou do conteúdo falso para atacar o candidato do PSB, usando expressões como “mentiras de João Campos”, “desesperado”, “imaturo” e “despreparado”. Na ação, também foram questionados aspectos técnicos, como o uso de inteligência artificial sem a devida rotulação e o impulsionamento de conteúdo negativo contra um adversário político, que é proibido.
O magistrado acolheu os argumentos, avaliando que “a veiculação do material sob a chancela explícita de ‘Direito de Resposta’ configura (…) indução do eleitorado ao erro”. “Ao estampar a expressão ‘Direito de Resposta’ em sua publicidade, a campanha representada pratica ato de gravíssima desinformação institucional, que afronta não apenas o adversário, mas a própria Justiça Eleitoral”, escreveu Freitas, lembrando que, no curso do processo sobre o caso do “fura-teto”, referente aos supersalários da governadora, ainda não havia decisão sobre direito de resposta em favor de Raquel.
“Apropriar-se de um instituto processual específico para simular a existência de condenação ou determinação judicial favorável atrai a incidência do art. 9º-C da Resolução TSE nº 23.610/2019, que proíbe o uso de conteúdo fabricado para difundir fatos notoriamente inverídicos. A liberdade de expressão, pilar do debate democrático, não ampara a simulação de provimento jurisdicional inexistente”, complementou.
O desembargador determinou a remoção do direito de resposta falso das páginas de Raquel no Instagram, no Facebook e no TikTok. A decisão também foi estendida a três postagens do Blog Ricardo Antunes e a publicações dos blogs do Carlos Eugênio e Ação Popular e das páginas Caruaru Tem, Boa Viagem em Foco, Ordinária Brasília Teimosa Cast, Jaqueira Ordinário, Dois Unidos TV, Iputinga Oficial, Em Foco Zona Sul e Giro Notícias, sob pena de multa de R$ 15 mil em caso de descumprimento.
O deputado federal e líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho, candidato à reeleição, publicou um vídeo nas redes sociais nesta manhã em que destaca sua atuação na área da saúde em Pernambuco. Na peça, o parlamentar cita recursos destinados a unidades de saúde e ações realizadas em municípios do estado, além de mencionar projetos relacionados a pessoas com diabetes tipo 1 e à isenção de impostos para medicamentos e equipamentos médicos.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou neste domingo (13) a remessa de cópia do conteúdo integral do celular do banqueiro Daniel Vorcaro ao seu gabinete. O material deverá ser entregue ao gabinete do ministro até as 23 horas de hoje. Zanin ainda encaminhou cópia da determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.
O ministro expediu a determinação sob o argumento de que deseja “formar a sua convicção para estar apto” para o julgamento de terça (15). Zanin entende que, para tanto, precisa conhecer o material que originou o relatório requisitado por André Mendonça, “independentemente de outras implicações que o material possa indicar”.
O documento elaborado por ordem de Mendonça apontou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou mensagens ao ministro Alexandre de Moraes antes de sua prisão, no ano passado. O relatório irá a julgamento na próxima terça-feira, no plenário do STF.
Ao requisitar as informações da PF, o ministro sustentou que as provas contidas no celular de Vorcaro “pertencem ao Plenário do Supremo Tribunal Federal e aos seus integrantes e não a um integrante específico” da Corte. Além disso, Zanin destacou “o dever pessoal de cada julgador de contribuir e otimizar o processo decisório do Supremo Tribunal Federal”.
A decisão ocorre em meio a um novo embate entre os ministros, agora centrado na íntegra do conteúdo do celular de Vorcaro, apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A ala aliada a Moraes pediu acesso aos dados antes do julgamento de terça-feira, destacando que o gabinete de Mendonça teria uma cópia do aparelho.
Neste domingo, após determinação de Fachin, a Polícia Federal informou que tem “plenas condições técnicas” para encaminhar cópias do conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal. A manifestação foi enviada ao gabinete de Fachin, que ainda não decidiu sobre o tema.
Em seguida, Mendonça deu um despacho contrário ao compartilhamento das informações. Segundo ele, a abertura dos dados “somente contribuiria” para “tumultuar” o julgamento.
Ainda segundo o ministro, a divulgação do conteúdo do celular de Vorcaro colocaria em risco o “êxito” das investigações sobre as fraudes do Master e abriria a possibilidade de “questionamentos” que poderiam “desviar de seu caminho natural” a análise do relatório da Polícia Federal sobre Moraes.
O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) participou, neste domingo (13), de uma grande carreata pelo Litoral Norte do Estado, ao lado da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), da vice-governadora e candidata à reeleição Priscila Krause (PSD), do também candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD), do deputado federal e candidato à reeleição Guilherme Uchoa Jr. e do candidato a deputado estadual César Ramos. A mobilização começou em Itamaracá, passou por Itapissuma e terminou em Igarassu.
A carreata percorreu três municípios do Litoral Norte e reuniu candidatos, apoiadores e moradores da região. Durante a agenda, Eduardo da Fonte destacou a importância da participação do grupo na região e defendeu a continuidade de ações voltadas ao desenvolvimento dos municípios pernambucanos.
Para Eduardo da Fonte, percorrer o Litoral Norte é também reafirmar o compromisso de estar perto das pessoas e transformar a força das ruas em trabalho por Pernambuco. “Cruzamos três cidades em uma só carreata, levando nossa mensagem e, principalmente, recebendo o carinho e a energia do povo do Litoral Norte. Essa região tem uma força enorme e precisa continuar avançando. Ao lado de Raquel e Guilherme Uchoa Jr., queremos ampliar essa união e levar para Brasília uma representação ainda mais forte, capaz de defender os interesses de Pernambuco e trabalhar por mais desenvolvimento para os nossos municípios”, afirmou Eduardo da Fonte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só foi eleito em 2022 porque conseguiu desidratar Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três estados com mais eleitores do Brasil. Agora, em 2026, as pesquisas indicam que o petista terá desempenho praticamente igual ao de quatro anos atrás entre os paulistas e se sairá um pouco melhor entre os fluminenses. Entre os mineiros, há uma leve piora que tende a neutralizar a subida no RJ. Mas, na soma, tudo tende a ficar quase na mesma.
Só que há um problema: petistas avaliam que haverá uma deterioração, mesmo que pequena, do presidente em outras regiões do país. O Nordeste é a principal preocupação, ainda que seu quadro esteja melhor no Norte. De acordo com essa leitura, se Lula repetir em SP, MG e RJ a quantidade de votos que teve em 2022 e perder um pouco de apoio entre os nordestinos, não terá votos suficientes para vencer a eleição. As informações são do Poder360.
A trinca de Estados que reúne São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro ficou conhecida no marketing político como o “triângulo das Bermudas” da política por causa do grande peso que têm numa eleição e pela capacidade de “engolirem” candidaturas que pareciam fortes em outras partes do país. Somadas, as 3 unidades da Federação concentram 39,9% dos votantes do país.
O Poder360 preparou infográficos com a situação de Lula e Flávio Bolsonaro numa disputa direta nesses em 2026, em comparação com os resultados das eleições de 2022 e 2018:
São Paulo – Flávio Bolsonaro aparece 0,17 ponto melhor que o pai em 2022, segundo a Quaest. A diferença é muito pequena e está na margem de erro da pesquisa;
Minas Gerais – Flávio aparece 2,15 pontos melhor que o pai em 2022. A diferença está na margem de erro, mas indica uma perda do lado do PT;
Rio de Janeiro – Lula aparece 2,78 pontos melhor que em 2022. A diferença também está na margem de erro, mas indica uma perda do lado do bolsonarismo.
O quadro abaixo mostra a situação por região de Lula e Flávio no 2º turno do PoderData, em comparação com a disputa de 2022 entre Lula e Bolsonaro. Percebe-se que há uma piora do petista no Nordeste e uma melhora no Norte. Só que essa última região é muito pequena e não compensa a perda entre os nordestinos:
A seguir, infográficos detalham a situação em cada região: Sudeste:
Sudeste
Nordeste:
Sul:
Norte:
Centro-oeste:
Lula e a classe média
Durante seu 3º mandato, Lula fez uma série de acenos ao eleitorado de classe média, com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para faixas mais altas e uma série de novas linhas de crédito, além de liderar a campanha pelo fim da escala 6 X 1 (em análise no Congresso).
Essas políticas atingem em cheio o eleitorado no Sudeste, que concentra a maior renda e também tem a maior quantidade de trabalhadores formais do país. Apesar do esforço, as pesquisas mostram que não houve ganho do presidente na região ante 2022. O resultado observado até agora é praticamente o mesmo de quatro anos atrás. Para piorar, há uma série de notícias negativas que possuem mais potencial de impactar a campanha petista nesta reta final da eleição. A principal delas é a crise dentro do Supremo Tribunal Federal, puxada pelas mensagens enviadas pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao ministro Alexandre de Moraes dias antes de ser preso.
Os quadros acima devem ser observados com cautela e considerando as margens de erro das pesquisas — que tiveram os votos totais recalculados em válidos. Foram utilizados os seguintes estudos: São Paulo: Quaest (BR-04705/2026) Minas Gerais: Quaest (BR-09417/2026) Rio de Janeiro: Quaest (BR-09705/2026) Nacional: PoderData/Aya (BR-04914/2026).
O vereador de Caruaru e candidato a deputado estadual Anderson Correia (PP) participou de um ato político na noite de ontem (12), no bairro Cidade Alta, em Caruaru. O encontro reuniu moradores da localidade, apoiadores de outros bairros e lideranças políticas de municípios da região. “Depois de mais uma semana intensa de muito trabalho, percorrendo diversos bairros de Caruaru e cidades vizinhas, é muito bom ser recebido com tamanho carinho por tanta gente, de todas as idades, querendo nos ouvir, querendo saber das nossas propostas e, acima de tudo, nos apoiar pelo nosso projeto para deputado estadual”, disse.
Mensagens coletadas pela Polícia Federal e obtidas pela Folha mostram conversas no WhatsApp atribuídas ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), tratando de processos de seu interesse.
Nos diálogos, trocados na noite de 11 de novembro de 2022, Castro escreve a Mendonça, às 19h37: “Amigo, preciso falar com urgência” e completa “caso Cabral” — numa referência ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Em seguida, Castro encaminha dois arquivos com pedidos de habeas corpus e alvará de soltura, objeto de julgamento do STF.
Mendonça responde à mensagem às 20h25, com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que decretou a prisão preventiva de Cabral por corrupção, no âmbito da Operação Lava Jato. Após escrever essa mensagem, Mendonça completa: “ligo em alguns minutos”. Castro, então, responde com um “ok”.
Diálogos entre o ministro André Mendonça, do STF, e do ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), coletados pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Sem Refino
Sete minutos depois, Mendonça encaminha ao ex-governador um link da página do Supremo que remete ao habeas corpus movido por Cabral. O caso estava sendo julgado na Segunda Turma da corte, da qual Mendonça faz parte.
Procurado, o gabinete de André Mendonça informou, em nota, que ele não mantém relação de amizade com Cláudio Castro e que os dois se conheceram institucionalmente, quando o ministro ocupava o cargo de ministro da Justiça.
Também afirmou que ele não guarda registro de tratativa alguma sobre o mérito do processo mencionado e que, como é de conhecimento público, “magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros pelas mais diversas vias”. “Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos”, afirmou.
Já Cláudio Castro, também em nota, disse que a sua relação com Mendonça “sempre se restringiu ao âmbito institucional, em contatos voltados a assuntos de interesse público do estado”.
O mandado de prisão objeto da conversa entre Castro e Mendonça havia sido expedido pelo ex-juiz Sergio Moro em 2016, quando Cabral foi preso, e mantido pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).
O caso tratava da investigação sobre suposto pagamento de propina por executivos da Andrade Gutierrez ao ex-governador. Cabral havia sido condenado a 14 anos e 2 meses de prisão no caso.
De acordo com a movimentação do processo no site do STF, no dia 24 de outubro, Mendonça havia pedido vista dos autos (quando um ministro pede mais tempo para análise). A medida aconteceu após o voto de Edson Fachin, relator do caso, que negou o recurso de Cabral. No dia 28 de novembro de 2022, portanto 17 dias após a interação de Mendonça com Castro, o ministro devolveu o processo para julgamento. Em 9 de dezembro, ele votou pela soltura de Cabral.
Na ocasião, Mendonça afirmou haver excesso de prazo na detenção do ex-governador, configurando um ilegal “cumprimento antecipado de pena”. “O que há, a essa altura, é a presunção de que o agravante seguirá a cometer crimes, o que não é admitido pela jurisprudência desta corte”, escreveu ele, em seu voto.
Em 16 de dezembro, com um placar de 3 votos a 2, o STF decidiu revogar a prisão de Cabral, que estava preso preventivamente havia seis anos. Cabral foi para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
Mendonça não é investigado. Os diálogos interceptados pela PF e vistos pela Folha foram obtidos pela Operação Sem Refino, da qual Castro foi alvo no último dia 14, em pedido autorizado pelo ministro relator do caso, Alexandre de Moraes. Moraes retirou o sigilo da operação, mas essas mensagens seguem sob reserva.
A ação aponta suspeitas sobre a atuação da Secretaria de Meio Ambiente do Rio para que fossem concedidas licenças à atividade da refinaria Refit. As mensagens não deixam claro o interesse de Castro na soltura de Cabral. Os dois não tinham uma conexão política direta.
Prazo de operação criticado
A Polícia Federal criticou, no relatório interno usado por Moraes para contra-atacar o seu colega de tribunal, a diferença do tempo da autorização entre as operações que estão no gabinete de Mendonça relacionadas ao senador governista Jaques Wagner (PT-BA) e Cláudio Castro.
De acordo com a PF, enquanto a análise por pedidos de busca contra Wagner levou nove dias, contra o ex-governador Cláudio Castro, o prazo foi de 74 dias. Castro foi alvo de operação sobre aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do estado, no Banco Master.
Policiais relataram que Castro e assessores, na véspera da operação, foram vistos saindo com caixas de um dos endereços vinculados ao ex-governador, tendo como suposto destino uma outra residência, em Petrópolis.
Por isso, em 30 de maio, a PF encaminhou uma nova representação a Mendonça pedindo buscas nesse novo endereço, o que foi negado pelo ministro no dia 15 de julho. Apenas em 14 de agosto, foram autorizadas por Mendonça as buscas no local.
Mendonça nega amizade
O gabinete de Mendonça afirmou que a atuação do ministro nos casos envolvendo Castro é pública e verificável e que, em 26 de maio, autorizou, a pedido da Polícia Federal os mandados de busca e apreensão cumpridos na residência do ex-governador na oitava fase da Operação Compliance Zero, que trata do Master.
“No Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu a ocorrência de abuso de poder com impacto na normalidade e na legitimidade das eleições de 2022 no estado do Rio de Janeiro e consignou que a cassação seria cabível, restando prejudicada a pena diante da renúncia ao mandato”, afirmou. Por fim, disse que “as decisões do ministro se baseiam exclusivamente nos elementos de prova constantes dos autos e no direito aplicável”.
Cláudio Castro afirmou que discutia a possibilidade de soltura de Cabral “por sua relevância para o estado, assim como fazia com outras situações sensíveis de interesse público”. “[Castro] Afirma, de forma categórica, que jamais fez qualquer pedido relacionado a processos judiciais ao ministro André Mendonça ou a qualquer outro integrante do STF”, declarou.
Além disso, afirmou que expressões como “amigo”, “parceiro” e “irmão” “são formas de tratamento usuais no meio político e não indicam, por si só, vínculo de amizade, intimidade ou convivência pessoal”. “O emprego desse tipo de expressão não altera a natureza estritamente institucional da relação com o ministro”, completou.