Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Um pequeno vídeo que começou a circular na quinta-feira (15) após a divulgação da última rodada da pesquisa Quaest coloca o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD) na corrida eleitoral. É um vídeo prosaico, no qual Ratinho somente responde a uma pergunta de um jornalista. O governador responde, então, que a questão não é discutir nomes, mas projetos. “Quem terá a capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil”, diz ele.
E completa: “Se o meu nome for aquele escolhido internamente pelo partido, eu ficarei muito honrado e vou aceitar o desafio”. Poderia ter sido somente um ensaio isolado de Ratinho Jr. Não tivesse havido uma ordem dentro do PSD para que ele fosse compartilhado ao máximo.
Leia maisOu seja, mais do que uma posição pessoal, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, avalizou a fala de Ratinho Jr. E a avalizou num sentido que avança um passo quanto às pretensões anteriores. Na fala, o governador do Paraná fala claramente que aceitaria partir para a disputa presidencial caso fosse esse o projeto do PSD. Segundo Ratinho, “a Dona Maria” não aguenta mais a atual polarização política, que em nada a beneficiaria.
O avanço feito com o aval de Kassab acontece um dia depois da divulgação da Quaest, que pareceu ter o condão de colocar uma pá de cal nas pretensões presidenciais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante da consolidação na pesquisa do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela direita, a leitura feita por Kassab é de que Tarcísio não irá mesmo para a aventura presidencial, preferindo disputar a mais confortável reeleição em São Paulo. Tarcísio era o projeto número 1 de Kassab.
Se não haverá Tarcísio, Kassab não está inclinado a já no primeiro turno inclinar o PSD seja para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja para Flávio Bolsonaro. O partido não quer de saída apostar nessa polarização. O PSD avalia que, para além da polarização Lula/Flávio, há uma zona neutra identificada pelas pesquisas. Uma zona neutra que, inclusive, já se ensaiou nas eleições municipais.
Parte do eleitorado parece querer, avalia o PSD, a chance de uma alternativa, que só não se consolida porque não aparece um nome. É por aí que o PSD ensaia jogar no primeiro turno. Mais provavelmente com Tarcísio. Mas mantendo também um plano B: o governador Rio Grande do Sul, Eduardo Leite
Quando ainda estava no PSDB, Eduardo Leite partiu para uma tentativa atrapalhada de candidatura presidencial, numa situação que já evidenciava o racha no partido. Agora, a avaliação interna no PSD é que não haverá esse tipo de disputa interna. Leite foi para o partido de Kassab disposto a ajudar no projeto.
Um projeto que também pode ser Leite. No fundo, Kassab mantém por enquanto duas alternativas. Com Ratinho Jr. seria um perfil mais conservador, mais à direita. Com Leite, um perfil mais de centro que, segundo se avalia, poderia caminhar mesmo mais para a centro-esquerda. No fundo, cartas na manga.
Se manteria, assim, no primeiro turno uma alternativa, uma terceira via. Ao centro. Que, dentro da estratégia montada, não pretenderia ser agressiva nem com um lado nem com o outro na disputa. Na hipótese melhor, tal alternativa poderia agregar o eleitor que hoje não demonstra entusiasmo nem com um pólo nem com o outro.
Assim, o presidente do PSD colocaria as cartas do seu partido no jogo eleitoral no primeiro turno. Na hipótese pior, para ser uma peça importante quanto ao eventual apoio no segundo turno. Nesse caso, dentro do partido não haveria muito prurido de mover ao final essa escolha conforme o vento sopre.
O PSD está no governo Lula. E também na oposição a ele. Alguns nomes do partido são bem próximos de Lula, como os senadores Otto Alencar (BA) e Omar Aziz (AM). Ou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Outros, como Ratinho Jr., identificam-se com a oposição. Leite ocuparia o grupo mais neutro.
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