A Polícia Federal apura citações feitas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente Lula (PT), nas investigações relacionadas a desvios de aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Um das linhas trabalhadas na apuração, de acordo com investigadores, é a possibilidade de que Lulinha tenha sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisA informação foi enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do inquérito sobre o tema. Menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já tinham sido divulgadas em dezembro, em uma das fases da Operação Sem Desconto.
À época, segundo pessoas com conhecimento das apurações, as menções a Lulinha já estavam sendo investigadas.
O filho do presidente não constituiu advogado específico para o caso e afirma que não é investigado, mas seu representante em outros processos nega qualquer irregularidade e diz que pedirá à PF a abertura de uma investigação sobre vazamentos de documentos sigilosos à imprensa.
A informação sobre as citações a Lulinha foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.
“Esses vazamentos são graves. É um ponto fora da curva. O Fábio não é alvo direto ou indireto a nenhuma das investigações. Não tem relação direta ou indireta com nenhum dos fatos relacionados ao INSS. Portanto, qualquer linha de investigação é fruto de pirotecnia, é fruto de imaginação criativa, é fruto de outras coisas”, afirma o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atuou para Lulinha.
Ele diz confiar na atuação da Polícia Federal, que “foi devolvida para o Estado brasileiro” no governo Lula, mas acrescenta que é necessário “abrir um inquérito sobre esse vazamento criminoso”.
Na operação de dezembro, a PF investigava um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem de Antunes a uma empresária que é amiga de Lulinha. No total, a empresária teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista.
Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da operação, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria e Intermediações.
O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Luchsinger. A PF tenta identificar se o Careca do INSS se referia a Fábio Luís.
A empresa RL Consultoria tem entre seus sócios a empresária Roberta Moreira Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão no bairro de Higienópolis, em São Paulo, e é próxima ao filho do presidente.
A PF afirma que a Brasília Consultoria Empresarial Ltda., que fez os repasses de recursos a Roberta Luchsinger, é “empresa de fachada do grupo de Antônio Camilo Antunes”.
Os recursos transferidos à empresária, ainda segundo a PF, tinham como justificativa serviços que não foram realizados.
A defesa de Roberta afirma que as transferências não têm qualquer relação com o INSS, mas sim com um projeto de canabidiol que desenvolvia com o lobista.
Em nota, a defesa diz que “Roberta Luchsinger e sua empresa atuam com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.
Também afirma que os negócios que mantiveram foram apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar e que essas tratativas aconteceram em momentos anteriores às revelações dos desvios de descontos do INSS.
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