Por Tales Faria – Correio da Manhã
Aprovada na Câmara a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da derrubada da escala semanal de seis dias de trabalho por um de folga (6×1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que está chegando a hora de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se expor.
Até agora Alcolumbre tem feito acenos para um lado e para o outro. Ora diz a interlocutores que não será empecilho à aprovação da matéria, ora se reúne com empresários e opositores à PEC na tese de que é preciso uma discussão “mais aprofundada”.
Leia maisEm termos objetivos, a discussão “mais aprofundada” significa deixar o assunto para ser votado depois das eleições. Passado o poder de convencimento das urnas, o chamado “povão” perderia espaço de pressão e os políticos conservadores ganhariam coragem para votar contra a derrubada da proposta.
O medo das urnas é que fez com que, na Comissão Especial da Câmara, todos os partidos encaminhassem oficialmente pelo voto a favor da derrubada da escala atual de trabalho.
Àquela altura, já era público e notório que, pelo menos dois partidos, o Novo e o PL, trabalhavam intensamente para atrapalhar a votação, atrasando-a ao máximo.
Mas, na hora “H”, o PL deu uma guinada e passou a defender desde uma proposta mais radical de diminuição da carga horária – a escala de quatro dias de trabalho na semana por três de folga –, até que não houvesse tempo de transição para implantação da nova escala. Apenas quatro deputados desses dois partidos acabaram se expondo e votando contra a derrubada da 6×1: três do PL e um do Novo. O resultado foi uma goleada: 34 a quatro.
Enfim, tudo agora se resume ao tempo. Os estrategistas pela aprovação da PEC querem apressar a tramitação e aprovar o texto final no Congresso (Câmara e Senado) antes das eleições de outubro. Já os estrategistas contrários ao texto querem retardar a votação para depois da abertura das urnas.
O presidente do Senado irá expor de fato sua posição ao decidir por uma tramitação do projeto na Casa mais rápida ou mais lenta. Há dentro do governo duas posições opostas sobre o tratamento que deve ser dado a Alcolumbre nesse momento.
Uma parcela dos auxiliares do presidente defende que o senador estará mais aberto a uma aproximação com o governo neste momento e, portanto, Lula deveria estender-lhe a mão. Isso desanuviaria o clima entre o Palácio do Planalto e o Senado, o que ajudaria na aprovação de temas de interesse do governo até o final do ano.
O clima entre Lula e Davi Alcolumbre ficou pesado desde que o presidente do Senado comandou a derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outra parcela dos governistas avalia que não adianta tentar se reaproximar de Alcolumbre. Seria “da natureza” do presidente do Senado morder e assoprar o governo, como sempre fez o centrão, esticando ao máximo a corda para arrancar benesses e espaço na máquina pública.
Na verdade, nenhum dos dois grupos sabe qual posição Lula acabará assumindo.
Leia menos


















