Novo ministro de Portos e Aeroportos diz que governo não controla passagens e critica proposta de bagagem gratuita
O novo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou, ontem, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ancorado pelo titular deste blog, que o governo federal tem adotado medidas para reduzir o impacto do aumento do combustível no preço das passagens aéreas, mas ressaltou que não atua para controlar tarifas. “O papel do governo não é controlar o preço”, disse, ao explicar que a política tem sido voltada à redução de custos para evitar repasses imediatos ao consumidor.
Empossado em abril, Franca substituiu o pernambucano Sílvio Costa Filho (Republicanos), que deixou o cargo para disputar a reeleição à Câmara. Considerado homem de confiança de Silvinho, ele atuou como secretário-executivo da pasta e, na entrevista, citou resultados da gestão de Costa Filho. “Nos últimos três anos, tivemos recorde no número de passageiros e redução da tarifa média”, afirmou, ao associar os dados à política adotada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Leia maisAo tratar da alta das passagens, o ministro atribuiu o cenário ao aumento do querosene de aviação, responsável por cerca de 40% dos custos das companhias. “Quando aumenta o preço do petróleo, aumenta o preço do combustível da aviação e isso repercute na passagem”, afirmou. Segundo ele, o governo zerou PIS e Cofins sobre o combustível, criou linhas de crédito e adiou taxas de navegação para ampliar o fluxo de caixa das empresas. “Não é beneficiar a companhia aérea, mas beneficiar o passageiro”, disse.
Tomé também criticou propostas em discussão no Congresso que ampliam gratuidades no transporte aéreo, como a obrigatoriedade de bagagem despachada sem custo adicional. Para ele, a medida tende a encarecer as passagens. “Não existe almoço grátis”, afirmou. “Não é justo que quem viaja sem bagagem pague o mesmo preço de quem leva 23 quilos”, completou.
O ministro ainda defendeu a manutenção de modelos tarifários mais flexíveis, argumentando que a imposição de custos adicionais pode dificultar a entrada de companhias de baixo custo no país e reduzir a competitividade do setor.
Outro ponto abordado foi o volume de ações judiciais envolvendo o transporte aéreo. Segundo Franca, o Brasil concentra a maior parte desses processos, o que, na avaliação dele, eleva os custos das empresas. “É preciso garantir o direito do passageiro, mas evitar uma indústria de judicialização”, afirmou.
Na entrevista, o ministro também destacou investimentos em Pernambuco. Citou cerca de R$ 1 bilhão no Aeroporto do Recife, incluindo obras de ampliação e projetos no entorno, além de recursos para terminais regionais no Estado.
Tomé também mencionou mais de R$ 200 milhões em intervenções portuárias em Pernambuco, com destaque para dragagens em Suape e no Porto do Recife. No plano nacional, anunciou uma carteira de 13 a 15 leilões portuários em 2026, incluindo o terminal de passageiros da capital pernambucana, além de novas rodadas de concessões aeroportuárias previstas para o segundo semestre.
PP recomposto – A reaproximação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) começou a redesenhar o mapa de cargos no governo. Nos bastidores, a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) deve voltar à órbita do Progressistas, em mais um movimento de acomodação após o período de tensão entre o partido e o Palácio. A mudança ocorre às vésperas da formalização do apoio do PP à reeleição da governadora.

Copergás no PP – O Progressistas indicou o administrador Paulo Nery para assumir a presidência da Copergás, consolidando a retomada de espaço no governo Raquel Lyra (PSD). A movimentação vem após o partido perder posições estratégicas, como o Lafepe e o Porto do Recife, durante o atrito com o Executivo. Com o acordo selado, a tendência é de que outras estruturas, como a Ceasa e o Detran-PE, também voltem à influência da sigla comandada por Eduardo da Fonte (PP).
Blogueiro sob proteção – O radialista e blogueiro Zé Silva segue sob proteção policial após ser agredido por homens encapuzados em Trindade, no Sertão. Ele foi atingido na cabeça e permanece em unidade de saúde, em recuperação. A Polícia Civil investiga o caso como ameaça e lesão corporal, sem descartar outras linhas. O episódio ganhou repercussão e levantou suspeitas de motivação política, ainda sob apuração.
Reação de João – O presidente nacional do PSB e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), cobrou investigação rigorosa sobre o ataque ao blogueiro Zé Silva. Em nota, classificou o episódio como grave e mencionou suspeita de motivação política. “Não podemos admitir que a violência seja utilizada para silenciar vozes”, afirmou, ao defender apuração rápida e responsabilização dos envolvidos.

De alta na quinta – A pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) se recupera bem após cirurgia de urgência para retirada da vesícula. Segundo a assessoria, ela já está no quarto, em bom estado geral, e deve receber alta nesta quinta-feira (7). A orientação médica é de repouso até o domingo (10), com retomada da agenda prevista para a próxima semana. “Ela agradece pelas manifestações de carinho”, informou a equipe.
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