Por Josias de Souza
Do UOL
O eleitorado do Japão aprofundou sua guinada à direita nas eleições legislativas realizadas neste domingo. A primeira-ministra ultraconservadora Sanae Takaichi, simpática a Trump e hostil à China, obteve aval consagrador. Precisava de 233 cadeiras para assegurar maioria na Câmara Baixa, a mais relevante do Parlamento japonês. Pesquisa de boca de urna indica que passará a governar com maioria legislativa de 70,5%. Deve amealhar 328 das 465 cadeiras em disputa.
Um detalhe valorizou a vitória acachapante que sacramentou a supermaioria da coalizão de Takaichi. Ela submeteu sua popularidade a teste numa eleição extraordinária convocada em pleno inverno japonês. Insinuou que renunciaria ao cargo se perdesse a maioria legislativa. Desafiando as intempéries, o eleitorado foi às urnas com temperaturas abaixo de zero, sob forte nevasca. Takaichi agradeceu o apoio obtido “apesar do frio.”
Leia maisEmbora continue minoritária na Câmara Alta, que não dispõe de poder para dissolver, Takaichi obteve aval dos japoneses para impor sua agenda. Escorada num binômio de viés expansionista na economia e nacionalista na segurança, o programa da primeira-ministra apavora o mercado e enfurece a China.
Deve-se o pavor do mercado ao receio de que Takaichi comprometa o equilíbrio fiscal do Japão, já ameaçado por uma das maiores dívidas públicas do mundo. A zanga da China decorre do vínculo que a primeira-ministra japonesa estabeleceu entre seu desejo de tonificar os investimentos militares e os planos expansionistas de Pequim.
Depois de assumir o cargo, em outubro do ano passado, Takaichi ameaçou responder a um eventual ataque chinês contra Taiwan, a ilha democrática cujo território é reivindicado por Pequim. Deflagrou com a China uma crise que encantou Trump. Na semana passada, o imperador laranja de Washington declarou “total apoio” a Takaichi nas eleições legislativas deste domingo. Em abril, Trump visitará Pequim. Antes, estenderá o tapete vermelho da Casa Branca para recepcionar a líder japonesa, em março.
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