Uma diferença clara
O conjunto de agendas e fatos recentes evidencia dois movimentos distintos na condução da crise provocada pelas chuvas em Pernambuco. De um lado, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e o atual gestor da capital, Victor Marques, têm atuado de forma articulada junto ao Governo Federal, priorizando a mobilização institucional e a busca por soluções estruturais.
De outro, a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece em um movimento mais reativo, com iniciativas que ocorreram posteriormente aos primeiros desdobramentos da crise.
No caso do ex-prefeito, a atuação se deu em múltiplas frentes: articulação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diálogo com o senador Humberto Costa , além da coordenação com prefeitos e com a Defesa Civil Nacional.
Leia maisEsse movimento antecipado contribuiu para inserir Pernambuco na agenda prioritária do Governo Federal, culminando na edição de uma Medida Provisória que destina recursos emergenciais para estados afetados. Há, nesse caso, uma estratégia de antecipação e de construção de respostas que combinam ação imediata e planejamento de médio prazo.
Na mesma linha, Victor Marques reforça a atuação propositiva ao buscar ampliar investimentos estruturantes por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, com foco em obras de contenção de encostas. Ao apresentar resultados concretos, como as mais de 6 mil intervenções realizadas em áreas de morro, o município não apenas responde à emergência, mas também se posiciona para ampliar políticas de prevenção, dialogando com o Ministério das Cidades e estruturando novos projetos.
Já a atuação do Governo do Estado, sob comando de Raquel Lyra, tem sido percebida dentro de um timing diferente. A reunião com prefeitos, convocada após as primeiras iniciativas de articulação municipal e federal, indica uma entrada posterior no processo de coordenação política. Embora a realização de encontros e o monitoramento institucional sejam parte da resposta esperada em situações de crise, o contraste de ritmo e de protagonismo entre os atores evidencia estilos distintos de gestão e de condução política.
Em síntese, o cenário revela uma diferença de abordagem: enquanto lideranças municipais associadas ao Recife têm priorizado a articulação antecipada, a integração com o Governo Federal e a combinação entre resposta emergencial e investimento estrutural, o Governo do Estado atua em uma lógica mais reativa, ajustando sua atuação à medida que os desdobramentos da crise avançam.
AÇÃO FEDERAL – O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Valdez Góes, esteve ontem em Pernambuco para reforçar o apoio do governo federal aos municípios atingidos pelos temporais. Em suas redes sociais, o ministro disse que a viagem ocorreu por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para “garantir assistência rápida a quem mais precisa”. A Defesa Civil Nacional reconheceu a situação de emergência nos municípios de Timbaúba (PE) e Bayeux (PB), afetados pelas fortes chuvas desde a última sexta-feira.

Vêm mudanças por aí – Igor Paulin, o novo marqueteiro da governadora Raquel Lyra (PSD), conforme antecipei ontem, deve promover uma profunda mudança na atual estrutura de comunicação do Estado, pilotada desde o início da gestão pelo jornalista Rodolfo Costa Pinto. Paulin já trabalhou com Raquel e fez também a estratégia de comunicação do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Morou por muito tempo em São Paulo, mas hoje tem residência fixa em Maceió.
Raquel em Brasília – Antes de chegar à capital pernambucana, o ministro Valdez Góes esteve em João Pessoa, onde desembarcou acompanhado do secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. A visita fez parte de uma mobilização do governo federal para acompanhar de perto a situação nos estados mais atingidos e articular medidas emergenciais de apoio. Segundo ele, equipes federais já atuam desde os primeiros registros de ocorrências, com ações voltadas à assistência às populações afetadas e ao suporte aos governos locais. Com Raquel, ficou acertada uma ida dela a Brasília para discutir novos recursos e reforçar articulações junto ao governo federal, nos ministérios das Cidades e da Integração.
Vai pegar pesado – De um petista muito próximo de Lula sobre a derrota histórica imposta por Davi Alcolumbre ao presidente na semana passada: “Lula vai esticar a corda com o Davi. Não vai ficar por isso mesmo. Uma das reações admitidas é a perda dos cargos que Alcolumbre tem no governo federal.
A não admitida é a relacionada ao avanço das investigações da PF no Caso Master, no qual os vínculos de Alcolumbre com o escândalo passam, por exemplo, pelo aporte de R$ 400 milhões do fundo de previdência do Amapá, o Amprev, que investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro.

PP bate o martelo – Como já era esperado, o apoio do PP à reeleição da governadora Raquel Lyra será oficializado na próxima sexta-feira no Recife, com a presença da gestora e do presidente estadual da legenda, deputado federal Eduardo da Fonte, e dos deputados da sigla. O evento estava previsto para domingo passado, mas foi adiado por causa das chuvas que atingiram o Estado. Ontem, Eduardo, Raquel e a bancada do PP se reuniram em um estúdio no Recife para gravar material institucional partidário que deve ir ao ar nos próximos dias. Entre os assuntos abordados nos filmes estão saúde e segurança.
CURTAS
DESENROLA – O Desenrola, lançado ontem por Lula, visa a renegociação de dívidas no cartão de crédito, entre outros. O programa prevê também a renegociação das dívidas junto ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O desconto pode chegar a 99% do valor consolidado do débito, nos casos de pessoas inscritas no Cadastro Único para Benefícios Sociais (CadÚnico) do governo federal.
MANTIDO – O presidente Lula manterá Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado mesmo após a maior derrota da gestão petista no Congresso, com a rejeição histórica de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar foi o primeiro alvo de integrantes do governo e do PT e chegou a ser apontado como culpado pelo revés.
IRRITAÇÃO – Lula demonstrou irritação com aliados que levantaram a possibilidade de que Jaques Wagner tivesse traído o governo e atuado ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para derrotar Messias. Essa versão ganhou fôlego no entorno presidencial logo após a votação. Lula, no entanto, chamou Wagner para uma conversa no Palácio da Alvorada após a votação, onde também estavam presentes Messias e os ministros das Relações Institucionais, José Guimarães, e da Defesa, José Múcio Monteiro.
Perguntar não ofende: Quem traiu o governo na derrota de Jorge Messias para o STF?
Leia menos















