Lavareda

23/11


2020

Como superar o racismo?

Por Maurício Rands*

O vice-presidente Hamilton Mourão, ao lamentar a morte de João Alberto, acrescentou: “Digo com toda a tranquilidade para você: não existe racismo no Brasil”. A mesma tranquilidade não têm os familiares dos milhares de joões albertos que todos os dias são assassinados ou sofrem a violência policial seletiva. Segundo o Atlas da Violência, entre 2008 e 2018, as taxas de homicídio aumentaram em 11,5% para os negros enquanto diminuíram em 12,9% para os brancos. 75,7% dos assassinados no Brasil em 2018 foram negros. Proporção bem maior do que a dos negros no conjunto da população brasileira. Que, segundo a PNAD de 2019, era composta de 56,2% de negros (a soma de 46,8% de pardos e 9,4% de pretos, segundo a definição técnica de negros feita pelo IBGE). Como afirma Oscar Vilhena Vieira, o racismo naturaliza a exclusão, a subordinação e a exploração de uma parcela da população por outra. E, assim, impede a aplicação da lei de maneira igual para todos. Incrustrado em nossa cultura e instituições, gera condutas discriminatórias contra os negros. Vivemos num contexto de tolerância institucional e cultural com a barbarie que é o racismo.

Por isso, os movimentos de luta antirracista continuam tão necessários. Ainda mais quando o país assiste estarrecido ao assassinato do negro João Alberto pelos seguranças brancos de uma loja do Carrefour em Porto Alegre. A cena cometida na véspera do Dia da Consciência Negra teve requintes de crueldade. Durante os sete minutos de espancamento e asfixia, outros oito seguranças impediam as pessoas de tentar conter a violência. 

Superar o racismo exige uma tomada de consciência individual. Uma nova atitude. Para isso, precisamos nos informar. Estudar o assunto e sobre ele refletir para não reproduzirmos a discriminação. Para não sermos prisioneiros inconscientes do racismo velado e naturalizado. Na academia, no jornalismo, nas artes e na mídia digital hoje temos uma nova geração de estudiosos que nos ajudam a entender os fundamentos da nossa sociedade estruturalmente racista. Vale dar uma olhada no que estão dizendo alguns desses intelectuais. O Globo (21/11/20) arriscou uma pequena lista: Djamila Ribeiro (filósofa), Sueli Carneiro (filósofa), Jurema Werneck (Anistia Internacional), Winnie Bueno (acadêmica e influenciadora digital), Flávia Oliveira (jornalista) e Sílvio Almeida (jurista). Vale também conhecer alguns dos personagens negros da história de Pernambuco e do Brasil homenageados em esculturas de Abelardo da Hora e Demétrio Albuquerque na cidade do Recife. Solano Trindade (poeta e ativista, Pátio de São Pedro), Naná Vasconcelos (percussionista, Marco Zero), Rainha do Maracatu Elefante Dona Santa (Monumento do Maracatu, Forte das Cinco Pontas), Zumbi (Praça do Carmo), Chico Science (Rua da Moeda). Aguarda-se uma estátua de Badia (fundadora da Noite dos Tambores Silenciosos). 

Precisamos também de iniciativas institucionais para ultrapassar o racismo difuso. Há pouco a Associação dos Magistrados de Pernambuco e a Escola Judicial de Pernambuco organizaram um curso sobre racismo para magistrados e produziram cartilhas sobre o tema. A polêmica que se seguiu é uma prova da necessidade da iniciativa. O caminho por superar o racismo passa por normas jurídicas como o art. 5º da CF/88, XLII (“a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”) e a Lei nº 7.716/89. Assim como por ações afirmativas na educação e no mercado de trabalho. Os movimentos sociais organizados têm seu papel e com eles há que aprofundar o diálogo. A tão criticada imprensa está cumprindo função relevante. Basta ver as matérias publicadas neste Diario de Pernambuco para celebrar o Dia da Consciência Negra. Ou as matérias da TV Globo no NE TV1, Jornal Nacional e em suas telenovelas. Não enxergar isso pode equivaler ao negacionismo do presidente que silenciou diante da morte de João Alberto e apressou-se a anunciar, na reunião do G-20, que o Brasil não teria tensão racial. O velho mito de que o Brasil seria uma democracia racial. Acredita quem quer. 

Espera-se que as autoridades municipais recém-eleitas façam mais do que emitir notas de repúdio ao racismo estrutural. Que tal começar com a composição dos cargos da administração? Elas não poderiam refletir, pelo menos aproximadamente, a composição étnica e de gênero da nação? É ousado arriscar que se tivéssemos mais negros e mulheres no secretariado e demais órgãos da administração teríamos gestões mais sensíveis à causa do combate ao racismo e à misoginia? O país parece estar acordando do torpor que negava o racismo. Os dados refutam o argumento ingênuo ou interessado. Por isso, hashtags como #VidasNegrasImportam e #JutiçaporBeto estão bombando nas redes.

*Advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford


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ALEPE

23/11


2020

As proezas do sanfoneiro GêMêNê

Em sua crônica sessão nostalgia, o bicho-grilo Adalbertovsky relata o caso das proezas do sanfoneiro GêMêNê e outros babados no desfecho do primeiro turno. “O ex-candidato Mendoncinha perdeu para si mesmo. Para começar, a chapa deveria ter sido invertida, Priscila/Mendonça, ao invés de Mendonça/Priscila. Lá vinha ele trotando, ancho da vida, rumo ao segundo turno”.

“Subitamente, não mais que subitamente, o sanfoneiro GêMêNê aflorou no recinto e ordenou: você, capitão, tem que apoiar a xerife na cidade de Recífilis, porque Mendoncinha é um patinho feio. Cumpra-se! O capitão respondeu: Taokay, sanfoneiro! Manda quem pode. Recifilíticos, vocês são feios, eu sou bonita, proclamou a xerife fazendo coro com o sanfoneiro. E assim Mendocinha dançou no baile do sanfoneiro GêMêNê.  Conduzidos ao segundo turno, os candidatos da esquerda adoraram as proezas desastrosas de GêMêNê. O sonho de consumo dele é ser candidato a suplente de deputado federal”.  

“Depois eu soube, aqui pra nós, que o capitão ficou invocado com o sanfoneiro e deu uns cascudos nele, disse que ele só entende de brucelose. O major Feitosa, que havia feito declarações políticas de amor ao capitão, também ficou invocado. Magoou. Para se vingar do sanfoneiro, tirou os véus de noiva da xerife que se apresentava como baluarte na batalha contra a corrupção”.

“Por favor, não contem nada disso que eu falei para o sanfoneiro GêMêNê, nem para o major Feitosa. Eles vão pegar ar e ficar invocados comigo. Boca de siri! A xerife pode me chamar de “recifilítico” feio e querer me prender. Hasta la vista, galera!”.   

“MEU LIVRO – Alguns tópicos do meu atual livro em preparação para lançamento: VIRUS É VENENO -- Vírus na raiz do vernáculo em latim é veneno – Lyssa ou Lytta. Vírus são estruturas bioquímicas diferenciadas. Não são seres vivos, nem são seres mortos, apenas existem. Não são seres vivos porque, em sendo parasitas intracelulares, dependem do hospedeiro que lhes fornece a energia para sobreviver e se multiplicar. Independente de serem vivos ou apenas estruturas bioquímicas, fazem grandes revoluções no mundo dos vivos e no mundo dos mortos”. A crônica nostálgica do bicho-grilo Adalbertovsky está postada no Menu Opinião.


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Comentários

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Como sempre, Adalbertovsky, sendo perfeito nas suas análises. De maneira maravilhosamente irreverente, retrata nossa política e os políticos. Parabéns.


O Jornal do Poder

23/11


2020

Coluna da segunda-feira

A campanha da torpeza

O Recife nunca vivenciou uma campanha tão dominada pela torpeza como a que vem sendo conduzida por parte dos que se consideram como “donos” do poder, sob comando da família de João Campos. Não existe qualquer tipo de escrúpulo ou limite que seja para manter o controle da máquina pública. E a vítima é uma mulher de coragem, Marília Arraes, que enfrenta tudo com equilíbrio e dignidade.

João Campos e seus apoiadores Geraldo Júlio e Paulo Câmara, comandados pela sua genitora, Renata Campos, estão impetrando manipulações nunca vistas, a exemplo de colocarem, a dias da eleição, o Ministério Público Estadual para iniciar um processo sobre tema que este mesmo Ministério Público, juntamente com o juiz, havia inocentado Marília. Realmente é algo inconcebível, quando se parte para esse tipo de expediente além do limite do esdrúxulo.

Isso para não se falar nas ondas organizadas de difamações, fake news e todo tipo de agressões à honra de Marília, praticada por gangues eletrônicas mercenárias pagas a peso de ouro, seguindo o exemplo de Bolsonaro. Além do mais, João e sua tropa revelam a mais completa falta de caráter, pois em 2018 endeusaram Lula e o PT para apoiar e reeleger Paulo Câmara, mas o aprendiz de candidato vem agora, junto com sua genitora, Geraldo Júlio e Paulo Câmara, apontar seus dedos sujos para quem lhe apoiou num momento de desespero.

E mais: ficam de repente aos abraços e declarações de amor com Ciro Gomes, exatamente aquele que traiu Eduardo Campos de maneira vil em 2014. Esses são apenas alguns exemplos, fora o que se fala de estarem maquinando as mais tenebrosas armações para esta semana anterior à eleição e ao próprio dia da votação.

Toda essa podridão para eleger um garoto imaturo, inexperiente, por fome de poder da sua genitora e dos seus serviçais que usam e abusam de maneira desavergonhada da máquina pública. Vivemos um verdadeiro teatro de horrores nesta eleição no Recife, que vai ficar para a história como a mais torpe de todos os tempos.

Pelo poder, tudo – A tropa de choque do jornalismo entrou em ação, ontem, para defender a viúva das verdades ditas com muita coragem e lucidez pelo jornalista Ricardo Carvalho, em artigo neste blog. O primeiro, Ricardo Leitão, empregado da Celpe, insinuou que o autor vivencia problemas freudianos e é mentiroso. O segundo, Jair Pereira, que desde que se entende de gente é atrelado ao socialismo de mentirinha, foi mais baixo. Chamou Carvalho de embuste e canalha.

Nocaute – Ricardo Carvalho ignorou o segundo. Julgou que só Leitão, a quem ajudou com um empreguinho no passado, merecia resposta. E deu o troco com categoria: “Leitão é, hoje, depois de uma bela carreira jornalística, apenas um reles áulico do PSB pernambucano. Ofende aos outros apenas como gratidão aos que lhe pagam trinta moedas de prata para trair sua história… Eu não lhe devo nenhum respeito e ele sabe a razão. Sabe que existem testemunhas e documentos”.

Pesquisas – Na semana decisiva para o futuro do Recife, a partir de amanhã e até sábado, véspera da eleição, tem pesquisa de intenção da briga travada entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) para todos os gostos. Começa pelo Ipespe na Folha, amanhã, e acaba no sábado com o Datafolha, tendo pelo meio Ibope e Big Data. Haja nervos para quem está envolvido diretamente, sem dormir, torcendo para um dos lados! A verdade é que Recife nunca mais havia tido uma guerra eleitoral tão interessante, não fossem as baixarias e o desespero do PSB.

O caráter de Ferro – Justiça seja feita, entre os históricos do PT raiz, o único que se comporta com decência e sobriedade é o ex-deputado Fernando Ferro, que não obteve sucesso na disputa por um mandato de vereador do Recife. Indignado com os ataques a Marília, que Ferro sabe mais do que ninguém de onde partem, chegou a pedir uma intervenção dura no Recife por parte da Executiva nacional. Pode-se fazer política com ética e respeito ao cidadão. Para tal, basta ter decência e caráter!

CURTAS

CAMPEà– Camutanga, na Mata Norte, elegeu a prefeita mais jovem do Brasil: a empresária Talita Fonseca, mais conhecida como Talita de Doda (MDB), recebeu a confiança do povo aos 23 anos de idade. Ela também é a primeira mulher escolhida para governar o município. "Faremos uma gestão que olhará para todos e atenderá a necessidade da grande maioria", disse, em um vídeo de agradecimento divulgado nas redes sociais. Talita obteve 60,65% dos votos válidos (3.614 votos).

DERROTADA – O candidato do MDB à Prefeitura de Porto Alegre, Sebastião Melo, venceria a candidata Manuela D’Ávila (PCdoB) se a votação do 2º turno fosse hoje, de acordo com o Paraná Pesquisas. Levantamento realizado de 17 a 19 de novembro mostra que o emedebista tem 61,80% das intenções de votos, enquanto a ex-deputada estadual tem 38,2%. Manuela tende a sofrer mais uma derrota, depois de largar na frente e ser apontada como a futura prefeita da capital do chimarrão.

Perguntar não ofende: Se João Campos estivesse liderando as pesquisas, teria apelado para baixarias como faz diante da ameaça de naufrágio?


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Wellington Antunes

Chora bando de bozolóides, o choro é livre. Ou então aceitem que dói menos.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

\"O Recife nunca vivenciou uma campanha tão dominada pela torpeza...\" O Blog do Magno que o diga. Deixou de ser jornalístico para se tornar um Comitê do PT. O PT que é quem institucionalizou a corrupção. Que tem como destaque, o chefe de uma organização criminosa, o Lula ladrão. Esse mesmo Lula ladrão que a Marília elogia, aparece ao seu lado no Guia Eleitoral. O recifense não vai deixar o PT colocar o Ovo da Serpente na nossa Prefeitura. Criar no nosso município uma célula desse que foi e é o partido que teve toda sua cúpula condenada por corrupção. Que Deus nos proteja desse castigo.

marcos

Bom dia Gretchen. Tas conseguindo sentar hoje?

Fernandes

Todo antipetista é um ignorante, eles não gostam de política, sempre esperam que a mídia diga o que eles devem pensar e acreditar.

Fernandes

Amapá. Um dia após a inauguração, geradores acionados por Bolzonaro explodem rede elétrica.


Abreu no Zap

22/11


2020

Túlio diz que PSB queria comprar seu silêncio

O deputado federal Túlio Gadêlha, que chegou a ser pré-candidato a prefeito do Recife pelo PDT, fez uma grave denúncia na noite de hoje envolvendo um integrante do PSB. De acordo com o parlamentar, houve uma tentativa da campanha de João Campos de que o pedetista não declarasse apoio à candidatura adversária, representada por Marília Arraes (PT), numa barganha.

"Meu chefe de gabinete foi procurado pela coordenação da campanha do PSB no Recife. Disse que eles estavam querendo 'negociar o meu silêncio' nesse segundo turno. Dá pra acreditar?! Me senti testemunha de um crime. Crime mesmo foi o que eles fizeram nesses últimos anos no Recife", escreveu Túlio em sua conta oficial no Twitter.


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Fernandes

Agora é MARÍLIA 13.

Fernandes

Marília PT 45X39 Candidato do PSB

murilo arraes de alencar

Muito Voto PQP,pergunta a Fatima!

Fernandes

Eu acredito.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Tu acredita? Eu não.



22/11


2020

As últimas pesquisas da semana decisiva

Houldine Nascimento, da equipe do blog

Na reta final da disputa de segundo turno entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) no Recife, vários veículos de imprensa encomendaram levantamentos aos principais institutos de pesquisa. Há ao menos oito a serem divulgados pelos registros que constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na terça-feira (24), a Folha de Pernambuco publica a pesquisa do Ipespe sobre as intenções de voto na capital pernambucana. Já a quarta-feira (25) é reservada à consulta encomendada ao Ibope pelo Jornal do Commercio e a TV Globo.

A Globo também divulga na quinta-feira (26) a penúltima rodada do Datafolha. Já a TV Clube/Record trará na sexta-feira (27) um levantamento do Real Time Big Data.

No sábado (28), véspera da eleição, a CNN Brasil informa novos números do Real Time Big Data, enquanto a Folha PE promove a última rodada do Ipespe, o Jornal do Commercio e a Rede Globo trarão a última prévia do Ibope, além da Globo/Datafolha.

Paulista também terá pesquisas

Os eleitores de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, também terão acesso a informações sobre a disputa de segundo turno. Na quinta-feira (26), este blog divulga o levantamento encomendado ao Instituto Opinião sobre o pleito entre Francisco Padilha (PSB) e Yves Ribeiro (MDB). No mesmo dia e no sábado (28), o Diario de Pernambuco vai trazer dados da pesquisas feitas pelo Exatta.


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Wellington Antunes

Chora bozolóide, o choro é livre. Ou então aceita que dói menos.

Fernandes

Agora é MARÍLIA 13. Chora bozoloide.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Vou criar um instituto de pesquisa. Parece ser um bom negócio.


Banco de Alimentos

22/11


2020

Triunfo elege Bonfim pela quarta vez

Os triunfenses escolheram pela quarta vez o médico Luciano Bonfim (Avante) para governar os destinos do município pelos próximos quatro anos. Ele foi eleito com a votação proporcionalmente mais expressiva entre todos os municípios do Sertão do Pajeú.

Foram exatos 6.082 votos, que correspondem a 73,45% dos votos válidos, contra 26,55% do candidato da oposição Genildo da Água (Patriota).

Bonfim já administrou o município de 2001 a 2004 e de 2009 a 2016. Com 57 anos, ele volta ao comando do executivo, tendo a companhia do vereador João Hermano, também do Avante, como vice-prefeito.

*Com informações do Baixa Verde Notícias


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22/11


2020

Pernambuco tem prefeita mais jovem do Brasil

Camutanga, na Mata Norte pernambucana, elegeu a prefeita mais jovem do Brasil: a empresária Talita Fonseca, mais conhecida como Talita de Doda (MDB), recebeu a confiança do povo aos 23 anos de idade. Ela também é a primeira mulher escolhida para governar o município.

"Faremos uma gestão que olhará para todos e atenderá a necessidade da grande maioria", disse, em um vídeo de agradecimento divulgado nas redes sociais. Talita obteve 60,65% dos votos válidos (3.614 votos). 


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murilo arraes de alencar

Aipela tua otica Joao campos e novo



22/11


2020

Prefeito de Buíque é recordista de mandatos em PE

Com 73 anos de idade e 38 anos dedicados à vida pública, o prefeito reeleito de Buíque, Arquimedes Valença (MDB), comemora um recorde em Pernambuco, sendo o único político no Estado a gerir sua cidade por cinco vezes. Desta vez, a vitória foi consagradora, com 13.434 votos contra 8.551 de seu principal adversário, o ex-prefeito Jonas Camelo. Uma diferença de 4.883, a maior já registrada no município. Sobre a vitória, o prefeito Arquimedes Valença falou a uma rádio de Arcoverde. 

“Agradeço de coração cheio ao povo de Buíque que me confiou esse novo mandato. Minha terra, lugar onde nasci, a minha região da Ribeira que nunca nos faltou em nenhuma eleição, a todas as regiões que reconheceram nosso trabalho e nos deram essa nova oportunidade. Sempre estivemos e vamos continuar à disposição do povo, respeitando os amigos e aliados, bem como os concorrentes. Agora é trabalhar, trabalhar e trabalhar”, afirmou.


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Josinaldo Nunes de Araújo

Caro Magno, lhe passaram uma informação incorreta. Fred Carrazzoni foi prefeito de Itambé por seis mandatos, sendo o verdadeiro recordista De mandatos em Pernambuco e pelo que eu sei, do Brasil inteiro. Esse ano, Itambé reelegeu Dona Graça Carrazzoni, esposa de Fred para o segundo mandato a frente do município. Quem empata com Fred, e pode até se tornar único recordista é Ives Ribeiro, também com seis mandatos e que pode chegar ao sétimo esse ano, só que em municípios diferentes (2 em Itapissuma, 2 em Igarassu e 2 em Paulista podendo ser eleito para mais um em Paulista).



22/11


2020

O mal da Wal e o rapaz que se acha o tal

Por Weiller Diniz*

Walderice Santos é a célebre Wal do açaí. Ela se correspondeu com o rapaz que se acha o tal. Tanto faz se ele não tem cultura, nem estatura, só impostura. Ela ama igual. A moça do açaí corporificou a Wal Bolsonaro para ciscar uma vaga de vereadora em Angra do Reis (RJ). Ganhou uma live do patrão, gélida e fatal como a morte. O apoio de Bolsonaro rendeu míseros 266 votos no município onde ele obteve 63 mil votos (74%) em 2108. Repelida pela urna, terá de reencarnar a Wal do açaí, no balcão empoeirado da vila de Mambucaba. Não voltará ao anonimato em razão da suspeita ser fantasma do rapaz que se acha o tal. A Wal é a síntese da maldição da eleição. Candidatos apoiados por Bolsonaro, aliados, os ícones e aqueles que professam o mesmo ideário afundaram no mesmo desastre.

A anemia da Wal do açaí congelou o bolsonarismo. A derrota é emblemática. Bolsonaro testou, ao limite, o delírio absolutista de sapatear na democracia ao apadrinhar nomes que menosprezam a inteligência dos cidadãos. Não conseguiu votos para a protegida e se deu mal em outras petulâncias eleitorais. Outra amaldiçoada pela praga é Rogéria Bolsonaro. Ex-mulher e mãe dos numerais 01, 02 e 03, não foi bem na matemática das urnas. Com esquálidos 2.034 votos ficou na rabeira. Apesar do sobrenome teve morte eleitoral. É mais produtiva na compra de imóveis em espécie. Carlos Bolsonaro, vereador federal beliscou o mandato, mas afinou. Perdeu 34% dos eleitores desde 2016 e passou a faixa de campeão de votos para Tarcísio Motta, do PSOL. Outros 70 candidatos usaram a logomarca Bolsonaro e perderam.

Os resultados são incontroversos e os números eloquentes. Foi o pleito municipal mais federalizado da história recente. O eleitor expressou saturação com os extremos, reposicionou os partidos de centro e optou pela experiência no comando da maioria das cidades. É a óbvia rejeição ao experimentalismo amador do embuste batizado de “nova política”, encarnada por Bolsonaro. Os antagônicos que se retroalimentam, PT e o bolsonarismo, naufragaram. O PT ainda pode se reabilitar em 15 cidades grandes no segundo turno. Até aqui a esquerda que avançou não é petista. As legendas de centro monopolizaram a eleição e Bolsonaro sofreu reveses individuais e políticos.

Pessoalmente o capitão Jair Bolsonaro amargou derrotas contundentes. Entre os nomes que apoiou estavam 6 candidatos a prefeito e 45 a vereador. Elegeu apenas 9 vereadores. Já os “maricas” emplacaram 26. Dos postulantes a prefeituras, só dois avançaram ao segundo turno. Em Fortaleza o aliado de Bolsonaro já descolou do padrinho do dedo podre, fugindo da maldição da Wal. No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella é a Wal amanhã. Tem uma rejeição superlativa e não herdará votos da esquerda para virar sobre Eduardo Paes. Paes surge como a nova estrela do DEM, que dobrou o número de eleitores nessa eleição e já comanda 3 grandes capitais (Salvador, Curitiba e Florianópolis).

Os estrondosos fiascos políticos de Bolsonaro ocorreram em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Manaus. Celso Russomano colou a campanha em Bolsonaro. Amargou uma humilhante quarta colocação com pouco mais de 10% dos votos. Somou a própria rejeição à do capitão e desidratou. Em Belo Horizonte o escolhido, Bruno Engler, foi mastigado por Alexandre Kalil. Em Manaus, o coronel Alfredo Menezes obteve modestos 11% dos votos. Outro fenômeno que confirma a maldição da Wal se deu em Recife. Após anunciado o apoio de Bolsonaro, a delegada Patrícia derreteu e ficou em quarto lugar. As 5 capitais, incluindo o Rio, totalizam 18 milhões de eleitores. Os bolsonaristas somaram mirrados 1,5 milhão de votos. Menos que 10% do total.

O discurso da “nova política”, camuflagem da direita radical, perdeu aderência e foi pulverizado após uma fadiga precoce. A exemplo de países da América Latina (Argentina, Bolívia) e dos Estados Unidos a extrema direita não vislumbra um ciclo longevo no Brasil. O comparativo com 2016 mostra números estáveis do centro, mas não houve a segunda onda Bolsonarista. Apesar de êxitos rarefeitos, a grande maioria de perfis associados a tapeação da nova política (capitão, major, coronel, cabo, PM, juiz, delegado etc.) malogrou. Concebida e aplicada por Sérgio Moro e setores do MP, a satanização generalizada da política, que deformou a democracia, adulterou a última eleição presidencial e fraudou a istória, pode ser enterrada numa vala comum ao lado da lava jato.

Consolida esse quadro o pífio desempenho do PSL, legenda que se fantasiou de “nova política”. Elegeu poucos prefeitos e vereadores mesmo tendo o maior baú financeiro. A maldição da Wal devolve o PSL à estatura de nanico. Nomes de sólidos vínculos com o Bolsonarismo, como Joyce Hasselmann e Fernando Francischini tiveram desempenhos insignificantes. A deputada federal, eleita com 1 milhão de votos em SP, teve raquíticos 98 mil votos (1,8%) para prefeitura. Francischini obteve reles 52 mil votos (6,2%) em Curitiba. A bolsonarista Carla Zambelli também foi vítima. O pai, o irmão e a cunhada fracassaram nas urnas alcançados pela maldição da Wal.

A configuração do poder político-partidário, com reposicionamento da dita “velha política”, reorienta a sucessão presidencial e estremece qualquer tipo de conforto que Bolsonaro possa estar sentindo. A depender de outras 14 grandes cidades, onde os tucanos disputam, e da maior variável, São Paulo, João Dória vai aquecendo para sucessão presidencial. O DEM se credencia com os resultados obtidos. Crescerá mais com a eventual vitória de Eduardo Paes. O PSD também terá protagonismo. O primeiro teste será a presidência da Câmara. A pretensão de Jair Bolsonaro de escalar uma Wal para tutelar a Casa sofreu um revés com os números de DEM, PSDB e MDB, hoje aliados por lá.

O maior legado dessa e de outras eleições é o reconhecimento da volatilidade política. Ela insiste em pontuar que o poder é ilusório, efêmero e não pode tudo. Não pode, por exemplo, ser exercido da perspectiva autoritária a ponto de desafiar os alicerces mais sagrados da democracia, ameaçar as instituições, soterrar os valores humanistas e conspirar contra os avanços civilizatórios. Golpes, descasos, bravatas, incúria, despreparo e incompetência são monitorados pelo eleitor que dá o troco na urna. A existência do conceito de bolsonarismo precisa ser revista. Como fenômeno político duradouro e perpetuador de lideranças simplesmente não existe. No modo caos, o rapaz que se acha o tal, pode se dar mal e ser a próxima vítima da maldição da Wal.

*Jornalista. Texto publicado originalmente em Os divergentes.


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