O Shopping RioMar, no Pina, Zona Sul do Recife, foi condenado após seguranças impedirem a entrada de dois adolescentes no estabelecimento em dezembro de 2023. O centro de compras e a empresa Segurpro Vigilância Patrimonial deverão indenizar os jovens, que são irmãos, em R$ 10 mil cada por danos morais. Cabe recurso.
Os irmãos tinham 17 e 13 anos. Um deles gravou o momento em que eram barrados e o vídeo repercutiu nas redes sociais à época. As informações são do Diario de Pernambuco.
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O vídeo mostra os seguranças do shopping impedindo a entrada dos irmãos enquanto outras pessoas subiam as escadas sem serem abordadas.
“Por que eu não posso subir?”, questiona o autor do vídeo. “Porque não pode”, responde um dos seguranças.
No processo, os irmãos, representados pela mãe, contam que foram retirar uma mercadoria e realizar a troca de vestimentas na manhã de 22 de dezembro de 2023. Eles afirmam terem sido vítimas de constrangimento com motivações de racismo estrutural.
Segundo os irmãos no processo, a abordagem foi desprovida de justificativa, “sendo posteriormente fundamentada em suposta ‘baderna’ no local” e na aplicação da Lei Miguel, que proíbe o uso de elevadores ou livre circulação em centros comerciais por crianças de até 12 anos desacompanhadas de pessoa maior de 18 anos.
Nos autos, o Shopping RioMar declara que não houve excesso por parte dos seguranças e cita o aumento de casos de tráfico humano e desaparecimento de crianças em locais públicos, o que implicaria em mais rigor da equipe de segurança.
Já a Segurpro declara em sua defesa que os autores da ação tentam induzir a Justiça a erro, “criando um cenário fantasioso”.
A empresa reforça que os seguranças agiram por força da Lei Miguel “visto que não há diferenças notáveis entre uma criança de 12 e uma criança de 13 anos”.
Em parecer, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) destacou que a utilização da Lei Miguel foi indevida e que a nota oficial do shopping da época, ao admitir “atuação inadequada”, comprovaria o nexo causal e o dano.
Em nota, o shopping informa que não foi notificado e não comenta decisão judicial. A defesa da Segurpro foi procurada, mas não respondeu até a publicação.
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