Por Tales Faria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não desistiu de tentar intermediar um entendimento entre os Estados Unidos e a Venezuela, mesmo depois da invasão do país e do sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Lula instruiu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a informar a seus pares na Venezuela que ele não só reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como mandatária legítima do país, na ausência de Maduro, como coloca o Brasil à disposição para ajudá-la durante a crise. Tanto materialmente, como diplomaticamente.
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O governo brasileiro gostou, dos termos da mensagem publicada por Delcy nas redes sociais em que ela propôs uma “agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado” a ser acertada de comum acordo entre os EUA e a Venezuela.
Em seus discursos, Delcy não deixou de condenar a “agressão” dos EUA a seu país e reafirmar que considera Maduro o presidente da República. Essa postura de busca de entendimento ao mesmo tempo que condena publicamente a invasão do país e “o sequestro” do presidente tem sido apontada como contraditória por alguns analistas políticos.
Mas, para o governo brasileiro, é uma posição “absolutamente correta” e que deve ser perseguida pela presidente interina. Nesse sentido, Lula se coloca à disposição para intermediar a aproximação, sabendo que não lhe cabe um papel de protagonismo nessa história.
Lula sabe que a oposição irá tentar criticá-lo, dizer que está querendo protagonizar uma solução sem poderes para isso.
De qualquer maneira, o presidente também instruiu o chanceler Mauro Vieira a comunicar aos diplomatas norte-americanos que o Brasil defende a “manutenção e até ampliação” dos canais de diálogo entre o presidente Donald Trump e Delcy Rodríguez.
Por esse motivo, embora critique a invasão, o presidente brasileiro tem evitado fazer críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos e, mesmo, a citar o nome de Donald Trump nas manifestações públicas.
Lula se vê numa situação muito semelhante à de Delcy: não concorda com as posições, nem as atitudes de Trump, mas tem que manter algum espaço de diálogo.
Ou seja: Donald Trump é um dado de realidade e a força de seu país, os EUA, não pode ser ignorada, embora seja necessário rechaçar atos de agressão.
A expectativa da diplomacia brasileira é que, de alguma forma, Trump acene com algum tipo de recuo. A avaliação é de que este tem sido o comportamento do presidente norte-americanos em diversas situações, como no tarifaço.
Primeiro ele apresentou taxas estratosféricas, inexequíveis, mas depois acabou negociando caso a caso com praticamente todos os países. Agora Trump está na primeira fase, a de falar grosso. Depois de algum tempo, ele deve negociar.
Não cabe a Delcy, neste momento, se ajoelhar. Ela tem que se manter dura, “pero sin perder la ternura”, como diria Che Guevara.
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