No Direto de Brasília, Moreira Franco descarta golpe contra Dilma e no 8 de janeiro, alerta para avanço do crime e critica rumo da economia
O ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro Moreira Franco (MDB) fez duras críticas ao cenário político e econômico do País durante entrevista ao podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco. Ao comentar os desafios atuais do Brasil, afirmou que o país vive um processo de deterioração institucional, apontou falta de rumo na economia e contestou interpretações sobre dois dos episódios mais controversos da política recente: o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e os atos de 8 de janeiro de 2023.
Sobre a invasão das sedes dos Três Poderes, Moreira afirmou que não considera o episódio uma tentativa de golpe de Estado. “Golpe se faz com Forças Armadas, e não tinha ali. Não conheço nenhum golpe sem que haja um exército”, declarou. Segundo ele, houve uma ação marcada pela depredação do patrimônio público, mas sem os elementos historicamente associados a uma ruptura institucional. O ex-ministro também ironizou a chamada minuta do golpe e disse não acreditar que o movimento tenha sido conduzido de forma organizada.
Leia maisAo analisar o momento político nacional, o emedebista demonstrou preocupação com a relação entre as instituições. “Você não sabe quem é quem, para onde anda, o que querem. As instituições estão se atropelando”, afirmou. Para Moreira, o país atravessa um ambiente de conflitos permanentes entre os Poderes, dificultando a construção de consensos e o enfrentamento dos principais problemas nacionais.
O ex-governador também voltou a defender o ex-presidente Michel Temer (MDB) das acusações de participação em uma articulação para afastar Dilma Rousseff do poder. Segundo ele, Temer apresentou à então presidente o programa Ponte para o Futuro numa tentativa de construir uma agenda comum para enfrentar a crise econômica. “O Michel tentou ajudá-la. Levou uma proposta para discutir o país. Quando ela recusou, ficou claro que não havia mais caminho político”, afirmou. Na avaliação de Moreira, o impeachment ocorreu dentro das regras constitucionais e não pode ser classificado como golpe.
Na área econômica, foi incisivo ao apontar o desequilíbrio fiscal como principal problema do país. “O país continua gastando mais do que tem. Quando se gasta mais do que se tem, seja uma pessoa, uma família ou um governo, o resultado é o aprofundamento das crises”, declarou. Para o ex-ministro, a incapacidade de controlar despesas públicas continua comprometendo a estabilidade econômica e reduzindo as perspectivas de crescimento.
Questionado sobre a polarização entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Moreira demonstrou ceticismo em relação ao surgimento de uma terceira via competitiva em 2026. “Hoje não vejo ninguém ocupando esse espaço. A política continua organizada em torno dessa disputa”, afirmou.
Moreira também demonstrou preocupação com o avanço do crime organizado e afirmou que o problema deixou de ser uma realidade concentrada no Rio de Janeiro para atingir praticamente todo o país. Segundo ele, o Estado perdeu capacidade de resposta diante da expansão das facções criminosas e da violência. “O crime organizado hoje não é mais um problema regional. É um problema nacional”, afirmou. Ao comentar o cenário brasileiro de forma mais ampla, resumiu sua visão com uma avaliação pessimista: “As perspectivas hoje são muito ruins”.
Muros em torno de Lula? – O deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) acusou o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) de tentar isolar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco. Em entrevista à Rádio Folha, ontem, o parlamentar afirmou que o socialista busca “construir muros em torno do presidente” para canalizar a força eleitoral de Lula exclusivamente para sua pré-campanha ao Governo do Estado. Cotado para disputar o Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), Túlio defendeu uma aliança formal entre Lula e Raquel e afirmou que setores ligados ao PSB estariam impedindo essa aproximação ao ameaçar acordos do PT em outros estados. Para deputado, a estratégia restringe o potencial eleitoral de Lula em Pernambuco.

Ratos em hospital – O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) esteve no Hospital Agamenon Magalhães, na última segunda-feira, e realizou uma fiscalização da unidade. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele denunciou as condições de insalubridade do hospital, que sofre, segundo ele apurou, risco de interdição. Segundo a documentação oficial, foram constatados indícios de presença de roedores, incluindo fezes e urina de rato, mofo nas paredes, forro caindo, extintor de incêndio vencido e material hospitalar exposto a risco de contaminação. “Pintura bonita não tira rato de hospital, não conserta forro que cai e não devolve dignidade a quem está numa maca. Maquiagem não é saúde”, afirmou o parlamentar.
Um jogo de empurra-empurra – A base de apoio do presidente Lula (PT) tem chamado a proposta do governo dos Estados Unidos de taxar produtos brasileiros em 25% de “tariflávio”, em referência ao “tarifaço”. Já a oposição culpa o governo pelo movimento norte-americano. O governo conseguiu emplacar a expressão “tariflávio” entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter), ontem, atribuindo ao senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, a articulação pela nova taxação. Flávio, por sua vez, negou que tenha articulado por tarifas e disse que fez um pedido expresso contra taxas no Brasil. “Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia, perseguição”, disse. “Expliquei que não seria justo taxá-los”, continuou Flávio.
Palanque eleitoral – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), disse, ontem, que uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master seria para “fazer palanque eleitoral”. “A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral”, disse Alcolumbre. Hoje, há pelo menos cinco pedidos protocolados de abertura de uma CPI para investigar o caso.

Silvia Abravanel pode ser vice de Caiado – O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou, no início da semana, que Silvia Abravanel é um “nome forte” para compor sua chapa nas eleições. O postulante declarou que a definição sobre o posto de vice será tomada ainda em junho e informou que uma reunião para discutir o tema está marcada para a próxima semana. Durante entrevista a jornalistas em Belo Horizonte, Caiado destacou o alcance da apresentadora junto ao público. “Sem dúvidas, é um nome forte, uma mulher que tem capacidade para falar para milhões de brasileiros, com um programa de televisão”, afirmou o ex-governador. As informações são do portal Poder360.
CURTAS
ALCKMIN DEFENDE O PIX – Em entrevista coletiva, ontem, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, em 2020, e garantiu que este ponto está fora da negociação com os Estados Unidos porque “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”. “O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, disse.
TUBARÕES – Estão internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) as duas pessoas mordidas por tubarão, no Grande Recife, nos últimos dias. As vítimas foram, respectivamente, João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos. Ele teve a perna esquerda amputada devido aos ferimentos e ela, a perna direita, arrancada ainda no mar. Segundo informações colhidas pelo portal G1/PE, os dois estão internados no Hospital da Restauração. Segundo a unidade, os dois têm quadro de saúde considerado estável, apesar da gravidade das lesões.
APAC – A Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) emitiu um alerta, na tarde de ontem, que indica a possibilidade de chuva moderada a forte na Região Metropolitana do Recife, na Zona da Mata e no Agreste pernambucano. A previsão é válida até as 20h de hoje. São esperadas chuvas de até 100 milímetros ao longo do dia, além de ventos intensos de até 100 quilômetros por hora.
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